Poesia
1 Poesia
Então você se sente importante para a vida de alguém?
Doce ignorância.
Quando você mais precisar, estarão cansados dos seus sentimentos e sofrimentos. Quando você pedir ajuda, rirão da sua impotência.
Você não faz parte deste mundo. Do mundo dos vivos viventes. Você apenas existe. E consola. E ajuda. E espera que alguém te faça se sentir bem e vivo de novo. Mas poetas malditos não tem esse luxo. Servem apenas para escrever em finais de semana (porque poetas malditos só escrevem quando não tem mais nada para fazer), rabiscando em linhas direitas letras tortas, rezando para que façam algum sentido. Geralmente não o faz.
Sonha acordado todos os sonhos dormindo. Dorme e a realidade é o pior pesadelo. O que você é? Apenas um amontoado de carne e ossos, que rouba o oxigênio de outras espécias mais merecedoras.
Os gregos estavam certos, esperanças são para cegos.
Caminhe, vendado, meu poeta maldito, por encostas íngremes, e sinta o gosto da rocha que toca. Nunca chegará ao topo, ou perto dele. Poetas malditos não merecem vencer. Por serem o flagelo da literatura, por serem a escória da sociedade.
Palavras rebuscadas roubam a semântica textual. Nada mais que adornos nos mortos.
A garganta, seca, arranha.
O álcool de fato é o melhor amigo dos homens (principalmente daqueles sem rumo).
Os ventos mudam, os mares mudam, mas as preocupações são as mesmas (e mais uma garrafa de rum). Os demônios acordam e levantam todo o inferno contra você (e mais um comprimido de Prozac).
Volte ao seu anjo, à sua musa, à sua música, a espera de salvação ou inspiração. Mas seus moldes estão todos quebrados. Da cerâmica ao pó, silicone não tem o mesmo espírito.
Aconchegue-se nas suas angústias, elas o aquecerão.
Sua garganta machucada sangrará enquanto tenta salvar o mundo em pensamento. Covardes não morrem, mas heróis são imortais. E você, na sua ganância por salvar um mundo perdido em todos os pecados, se redime por ter apenas o orgulho.
Mulheres passam por você como passam os gatos.
Dinheiro passa por você como passa areia.
De subnutrição você aos poucos morre.
A passividade te domina.
A ira é transformada em inspiração.
Você veste casacos rasgados para dar aos outros os novos.
E mesmo assim você é maldito, poeta. Os deuses o odeiam. Você é a reencarnação do mal. O karma o perseguiu através das vidas.
Oh, meu maldito poeta! Se a felicidade batesse à sua porta, você estaria caído ao chão, bêbado demais para abri-la.
E aí está você, meu poeta. Chorando por seu anjo, chamando-o pelo nome, mas ele nunca responderá.
Chore e grite, se rebata, se esvaia em lágrimas. Você está preso em uma corrente que é entregue a mim. Você me pertence. Você é o meu poeta maldito. Então rasteje, fira seus braços inutilmente. Meu nome é Destino, e eu nunca vou te libertar.
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