Sexy Boy
Filho da primeira profissão do mundo,
que, durante o ato de prazer, lhe faz esquecer
do que te puxa ao impulso de morte,
musa do advogado das causas impossíveis,
que, com o eros à flor da pele,
escreve na areia os desejos de uma vida simples,
onde o vento não corta a pele e a palavra não machuca.
Vejo os seus olhos temerosos e, logo após,
vejo suas camas de cima, seus travesseiros macios,
onde nunca poderia descansar minha cabeça,
pois, quando o relógio bate seu prego,
saio eu pela porta enquanto dormes,
indefeso e aquecido pelo meu indigno corpo.
Pego as minhas poucas moedas de prata
e saio vagando com a esperança de um dia
ser melhor que o nada.
E, quando nos encontrarmos na fila do mercado,
não ousarás olhar pra minha cara.
Vocês, com olhos de cobra e língua bifurcada,
onde em suas presas usam para espalhar veneno,
mas sou eu que curo sua solidão,
que sacio seu amor,
que esquento sua alma
e que recebo suas propostas mentirosas de fuga.
Não posso fugir, e vocês sabem.
Sou o estigma da carne,
o pecado mais humano que já viveu.
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