1. Nostalgia

As manhas transcorrem,

O tempo é lento.

Os diálogos ruem

Os sonhos e sorrisos que ainda tenho.

Sonhos opacos,

Tem-se ao monte por aqui.

Aos olhos dos outros

Meus poemas são ciladas

Ou palavras inventadas

Que te prende aqui.

Nada é como era antes,

Os sorrisos, os olhos

São tão vazios!

Me afogo em rios desiluminados,

A tanta gente perdida nessa cidade.

As cores desmoronaram

Os sonhos perdem o brilho.

E o sorriso, parece ocultar

O mal que há em cada um.

O cinza já tomou conta,

O azul, verde, vermelho, entre outros

Deveras perderam o brilho.

Os rios desiluminados

Aos poucos vão me afogando.

Mas o que importa?

Para você tudo é cinza mesmo.

Meu pai.

Meu pai

Era a esfinge de Tebas,

Devorava os outros com seu olhar seco,

Nos meninas medrosas

Fugíamos para rua,

Para não ter que decifrá-lo.

Meu pai devorou muitos homens

Ate que um dia,

Uma única palavra o definiu.

–monstro!