Poemas de amor e violência
4 Eu, no escuro
Notas iniciais

Eu procuro uma saída
Sou uma boneca em quarto escuro procurando me completar
desesperadamente
Mas não existe saída
.
Braços ao lado
Pernas separadas
sangue fresco e sangue antigo
Mãos frias e corpo gélido
torso nu
mãos a direita
cabeça a esquerda
lágrimas secas
.
De repente uma fresta
Quero enxergar a luz que sai por aquele buraco
Então vou catando meus pedaços quebrados pelo quarto
.
Ao final
Só me faltam os olhos
e eu tenho dois pares: os que me consomem e os que me assustam
.
Se eu escolher os olhos assustados
eles vão me seguir pela vida toda
em todo local, em todas as descobertas estarei assutada e depois resiliente
Por alguma razão algo sempre irá me segurar.
Mas ao menos estarei lá fora
.
Se eu ousar usar os olhos famintos que vão me devorar até os ossos
Me desmontarei e voltarei ao escuro
Adeus linda fresta na parede desse quarto
.
Eu tenho que decidir agora
E o sol está tão lindo lá fora, ao menos eu imagino
Mas o escuro é confortável, lindo, necessário
.
A parede começa a ruir, vai cair em minha cabeça
Por que eu já fiz a minha escolha
Olhos assustados, bem vindos a minha vida.
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