Poemas Noturnos

1 Tempestades Noturnas


Ruge forte, o vento inquieto,

Usando do poder que já não mais influi.

Verte lágrimas, o lábaro incerto,

Por mim que aquela já não mais possui.

Sigo eu vivendo,

por caminhos mundanos,

entre marias, josés,

severinas, fulanos,

em nome da rosa

que perdeu sua luz...



Pois, se assim partiu,

e, tão logo, me esqueceste,

nesta quinzena de abril,

sigo eu a dizer-te

que é verdade que os astros ainda reluzem

sutis, azuis , mas em tristeza,

assim como a malícia se esconde em teu sorriso

e como a ingenuidade é tua beleza.



Agora tudo está em silêncio...

Ainda é possível ouvir o rugir dos ventos

e lágrimas, vertidas pelas chuvas,

e outras misturas

advindas do tormento,

mas, neste momento,

o silêncio é tudo o que ouço.



Agora já não me importa mais o que ouço,

mas só, simplesmente, o que anseio ouvir,

pois, em tempestades noturnas,

passadas ou futuras,

o silêncio resulta da ausência de ti.