Poemas Noturnos

29 O último adeus


Dá-me agora um último adeus,

pois de mim não gostas mais.

Dá-me agora o que foi meu,

e que agora pouco te trás.

Dá-me um último adeus,

pois, pelos pecados meus,

pecarei contigo uma vez mais.

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Dá-me um último adeus,

pois meus lábios, os teus já não querem mais tocar.

Lança-me, longe, de ti

afastando-me, de ti, com teu braço,

pois qualquer distância que seja,

que nos afaste ou entre nós esteja,

é-me como o infinito.

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Afasta-te de mim, fica distante!

Tão longe fiquemos como duas estrelas!

Cria, entre nós, um espaço,

um vazio, um vácuo, um respeito,

Pois não quero-te também mais perto de mim!

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Afasta-te também de minhas palavras

pois elas, a ti, não mais pertecem!

Pois somos estrelas e entre nós deve haver distância!

E assim será pós nosso último adeus!

E brilharemos distantes!

Pois tudo acabado; tudo entre nós já está separado,

como estrelas.

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Mas sabe, disseram, também, as estrelas, adeus,

e neste, que foi último, para sempre se separaram.

E que, como nós, outra vez talvez pecaram.

Mas que, como seu brilho, junto ao último adeus,

brilha junto comigo para sempre,

pois mesmo que no separe o universo,

e que em versos dê-me teu último adeus,

brilharei para sempre com palavras

para alcançar-te para além mesmo de minha vida...

.

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Tudo entre nós está acabado.

Dá-me agora, então, um último adeus

e que seja definitivo este último seja,

pois, além dele, por mais que não perceba,

criarei, como estrela, um brilho diário para sempre uma vez mais te alcançar.