Poemas Noturnos
70 Iara
Sentado à beira do mar,
na finita faixa de infinita areia,
observo as indeléveis marcas d'agua
perfumadas pelos cabelos da bela sereia.
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Permeia meu passado teu sorriso
e o crivo do destino torna a pulsar meu peito!
Arranca, sereia, as presas da serpente
que trespassam meu peito, há mui, doente,
lavando minhas feridas e lágrimas vertidas
com a mais pura e salgada água do mar.
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Perdido, caí em teu canto,
como um jovem marinheiro que vaga rumo à morte,
sem sorte, que a anos luta e esperneia
sem entregar-se, como quer, ao canto da sereia,
desejando, contudo, o sorrido dela que não sabe se o espera!
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Será que devorará minha alma?
Será que se satisfará com o pouco que dela resta?
Será que jogará meu vazio corpo no mar,
em um lugar profundo que há muito tempo me espera?
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Se sim, ao menos mata-me com um beijo
e deixa-me morrer sentindo teus doces lábios
pois é verdade que eu, há mui, os desejo
mesmo que, por tê-los, morte seja minha penalidade!
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