Sentado à beira do mar,

na finita faixa de infinita areia,

observo as indeléveis marcas d'agua

perfumadas pelos cabelos da bela sereia.

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Permeia meu passado teu sorriso

e o crivo do destino torna a pulsar meu peito!

Arranca, sereia, as presas da serpente

que trespassam meu peito, há mui, doente,

lavando minhas feridas e lágrimas vertidas

com a mais pura e salgada água do mar.

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Perdido, caí em teu canto,

como um jovem marinheiro que vaga rumo à morte,

sem sorte, que a anos luta e esperneia

sem entregar-se, como quer, ao canto da sereia,

desejando, contudo, o sorrido dela que não sabe se o espera!

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Será que devorará minha alma?

Será que se satisfará com o pouco que dela resta?

Será que jogará meu vazio corpo no mar,

em um lugar profundo que há muito tempo me espera?

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Se sim, ao menos mata-me com um beijo

e deixa-me morrer sentindo teus doces lábios

pois é verdade que eu, há mui, os desejo

mesmo que, por tê-los, morte seja minha penalidade!