Poemas Noturnos

15 Dilema de um cigano


Pronunciar o que é vivido

com o mais límpido néctar das incertezas,

Escrever o que é apenas sentido,

o que é por todos sabido,

mas que ninguém consegue entender.

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Intensa vida a do cigano

com a doce melodia das tempestades

que traz junto a si as verdades

de um exaurido mundo insano.

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Como deve viver o poeta, o cantador?

O que deve sentir, o que deve escrever?

Por que não pode simplesmente sentir...

e viver?

Por que amargar na doce intempérie das letras?

Por que tanta devoção às literaturas,

um monte de palavras, textos, texturas?

Qual a razão de curtir a vida de uma forma constante

Se essa, em natura, é incessante

e que apenas ao tempo tem de responder?!

.

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Tolo beligerante

que insiste em tentar escrever

insiste em ver a vida

em sonhar com a realidade ainda não vivida

que tudo tem a ganhar

que em tudo pode perder...

.

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Tolo ingênuo que sonha com a primavera

não sabe que o inverno o espera

ou, se sabe de seu triste destino,

não o encara ou espera

não se recria ou se degenera,

apenas...

sorri...