Poemas Noturnos
48 Anoitecer
Notas iniciais
Anoitece, pouco a pouco, meu coração
E mergulho na saudade que cada nortada me traz.
Memórias me privam assim, pouco a pouco,
De seguir um passo à frente com escopo
de lançar-me num momento que jaz.
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Minhas palavras, vazias, nada nunca me dizem
e, sinceramente, não sei mais porque escrevo.
Talvez não seja mais por simples desejo
ou nem mesmo sou eu quem escreve.
Meu punho se move mas meu coração padece.
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Imersas nas aura da noite, sombras ganham vida
E tudo ressurge, como de uma maré, com sentido.
Memórias dançam ao meu lado
E o poema dança ao ser escrito,
mas nada disso importa agora.
Lembranças vivem em meu corpo
e eu num passado perdido.
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E o abraço da noite é feito de saudade
que invade o corpo com consentimento.
Não importa mais onde vive o corpo
nem as vazias palavras que tenho exposto
se meus olhos voltam no tempo.
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Estrelas brilham lá fora,
como guia e alerta para perdidos,
mas para mim isso não tem sentido
e até tinha, mas perdeu
pois meu coração anoiteceu.
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E anoitecer é mergulhar em saudade
é esquecer-se do mundo por um eterno momento,
é sentir o amargo sabor da felicidade
numa memória perdida no tempo.
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E anoitecendo em duas realidades eu vivo,
ou melhor, partes de mim se perdem,
pois se meu corpo inala do presente o ar que respiro,
tudo que expiro é a saudade imerso em memórias de um passado recente.
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