Poemas Juninos

Numa biografia, descobri Marina num labirinto. O silêncio entre nós soando lá menor foi quebrado pelo molho de chaves, cacto naquele cinza. Inteligente como elefante, sua artéria, pulsante, denunciava a eutanásia que ele desejava, cogitando largar seu papel equilibrista.

Já fora futuro, agora era futuro do pretérito; quebrantada em estilhaços, seu delírio trazia ironicamente a realidade numa febre que lhe fazia ranger os dentes. Humilhada por ser trans, continuava sofrendo, lutando, perdendo, num gerúndio sem fim. Mas seu parque de diversões estava ali, como uma pedra do reino — seu reino.

Naquele realismo fantástico, na releitura antes do novo dia, a realeza traz consigo as coroas-cárcere; a maquiagem que mostrava uma menina pacífica já não era necessária, o terremoto havia cessado. As zombarias entraram em combustão e a distância cessou — e, com ela, a exaustão de um insano Junho.
Felipe Martins

Sinopse

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Escrito por
Felipe Martins


Classificação Livre
Livro em andamento
Publicado em 10 de jun. de 2015, 16:46
Atualizado em 10 de jun. de 2015, 16:46
104 palavras

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