Acima dos outros, do topo dos prédios

O corvo observa com desaprovação

Eles, que não sabem voar sozinhos e suas cores

São todos iguais e de grande ego

No inverno cortante

Empoleiram-se nas árvores nuas

Cantando uma música melodiosa

Mostrando mentiras inegáveis

Mas o corvo solitário ali está

Voando sozinho e perfeitamente

Sendo dito como sem valor

Apenas observando...

Em seu reflexo incompreendido

Pergunta-se, considerando julgamentos

Ele não é o erro, apenas o corvo

Asas escuras, palavras escuras

É tudo sem valor

Carregado de dor e sangue

Vago e não se destrói

Uma flecha de prata para abatê-lo

Vivendo da putrefação alheia

Sem gritar, apenas grafando símbolos

Apenas aqui

Tentando voar sem impulsos...