Poemas...

25 pequena insônia / Eric e os Sirís da lua


I: Pequena insônia

eu confundo palavras com horas,

papel, com Isadora...

amor, com amora,

a vida que chora...

dos braços contém...

facadas de mais...

a vida de alguém...

se você não faz...

então quem faz?

então... então o quem tão e tão...

então, quem me faz?

Eu confundo a bíblia, com fundo,

fofura e defunto

fúria e profundo,

amor com segundo...

sinto ser...

sinto ser chato e velho

e gordo e vermelho

aquele vermelho azul, bem preto,

com aquela barba branca bem preta

aquele ser lá do poço, peludo de homem com sono

que dorme no pelo e se enrola, na Terra ou na lama...

e mesmo dando mola, ou gritando, boiando, prefere mais o chão do que a própria cama...

não gosta muito de dormir, se sente bem melhor ao se arrepender de não ter ficado acordado a noite toda...

Aquele que tanto pede lá no fundo, com que se espatife na parede, enquanto estiver voando, para não correr o risco de estar dormindo, sem poder acordar...

II: Eric e os Sirís da lua

existem vermes no sol...

mas na lua apenas sirís...

cada um em seu ambiente...

cada um, se escondendo em seu buraco luminoso

em uma vida de aquarela

jogo água, em meu papel artista

escolho outro personagem...

outra mascara e começo a descreve-la

é só alegria em existir, mas viva também...

então será valorizado...

peguem no meu pé... parem de beija-lo... entrem nele!

Eu uso as mãos para voar...

sirís da lua...

não tenha medo de...

e não perca seu dedo, apontando para aquele que...

vocês sabem que de nada adianta, onde...

sirís da lua...

e a rapoza de marte, nua...