Poema.
1 Antropofagia.
Eles falam falam falam
Assim mesmo, sem vírgulas, sem razão
Falam de coisas que não entendem
Falam porque... Por que não?
Mas é melhor deixar pra lá
Não queremos perder a razão
A razão que rasga a reza
Mas isso é só aliteração
Poemas não transmitem poder
E eles falam e falam e falaram e falarão
Poemas são fracos e sentimentais
Mas a raiva é um sentimento, não?
Então é hora de rasgar a razão
Não acha?
Rezem pela sanguinolência
Ou não.
Rezem por suas almas perdidas e sanidade insana
Já basta.
Ou faça pipoca e curta a experiência
Ka-boom
Poemas de raiva deviam ser quentes
O calor do inferno ardente
O sangue morno escorrendo por gargantas
Gargantas, óbvio, de inocentes
E o próprio Deus-fogo surge
E tudo vira o maior caos
Voltamos ao pó, reduzidos a cinzas
Apenas isso, "tchau tchau".
A raiva avassaladora e vingativa
A raiva venenosa e impaciente
A raiva demolidora e destrutiva
A raiva que todo mundo (?) sente
Mas e as outras variáveis?
E a discussão?
A ó-tão-cruel incerteza
A linha tênue entre a geleira
E o vulcão
Porque o fogo queima
—Oh, como queima—
Os gritos e a carbonização
O envenenamento por fumaça tóxica
O brilho cegante
A explosão
Mas o gelo
—Ah, o gelo—
A fina camada de proteção
A camada que racha sob seus pés sem aviso
E a superfície tão segura
Se reduz a cacos no chão
A imponente geleira se espatifa
Os fragmentos derretem e se vão
O que foi grande agora nem existe
Já existiu ou foi só ilusão?
Mas, ei, poemas não passam poder
Não são imponentes, não tem salvação
Jamais terão o respeito dos Lordes
Ou dos guerreiros a mínima atenção
Porque algumas pessoas são fogo
Pura energia, fácil destruição
A fagulha de um segundo que brilha
E seu brilho imponente, respeitarão
Mas o fogo se extingue, se acaba
Se auto consome, um canibal
Fúria sem foco, sem autocontrole
Rastros de destruição como um animal
Já o gelo
—Ó, derretimento—
Passa anos e anos sem sair do lugar
Uma superfície frágil, mas forte
Só pensando em quando vai rachar
Esconde, protege, congela, se vai
Cada quebra com o tempo se alargando
Até que uma hora, bye bye
O fogo arranca sua vida num segundo
Seu ímpeto, fugaz
O gelo lentamente rui seu mundo
E nas ruínas se satisfaz
Talvez poemas não transmitam força
Talvez palavras nem tenham poder
Mas num mundo de gelo e fogo
Um poeta não tem nada a perder
Se gostou
—Ou achou abominável—
Se se sentiu inspirado
—Ou enojado—
Se me acha um tolo
—Ou respeitável—
Se acha minhas rimas fracas
—Estaria certo—
Se, se, se, se ,se... Não importa!
Como dizem, é tudo natural
Se vai morrer pelas chamas ou congelado
No fim, é tudo igual
Mesmo com a incerteza
—Da vida—
Palavras tendo ou não poder
Fiz o que todo poeta faz
Felizmente, sei escrever.
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