Poderosas

1 Prólogo


Notas iniciais
Então... Eu comecei esse projeto a muito tempo atrás, e quando finalmente já tive toda a pesquisa pronta, amarelei. Então acabei engavetando tudo e nunca escrevi uma palavra. Finalmente tomei coragem, e aqui estou eu, um passo de cada vez. Preste atenção nessas palavras. Um passo de cada vez. Eu não tenho data estipulada para novos capítulos, tudo bem? Eu sei que é um pouco de falta de consideração com os leitores, mas da ultima vez que tentei escrever uma fic com prazos, me limitei, e por isso, estraguei a fic. Então espero que todos entendam que isso é tudo pelo bem da história... Boa leitura! ^-^

Você sabe que vai começar o dia bem quando uma ressaca atinge sua cabeça igual a bala de um fuzil. E eu sabia bem como era a sensação de levar uma bala na cabeça, e posso dizer que era melhor que ficar de ressaca.

Me levanto devagar e sento na cama, tentando me localizar naquele ambiente estranho. Estou em uma daquelas camas bem grandes, que só homens ricos ou caras bem gordos tem. “King Size”, acho que é esse o tal modelo... Ela está desarrumada, e a roupas por todo canto. Duas calcinhas diferentes, isso era mal.... E também havia um buraco na parede... Deus, o que eu havia feito noite passada? Me levanto da cama vagarosamente e com calma, deixando a ressaca fluir. Vou andando até o buraco na parede, e o analiso com meus dedos. Já havia sido mais profissional nisso, o buraco não foi feito por um soco, e sim por tapa. Não imagino que tenha sido de propósito. Enfio meu braço no buraco, e ele se encaixa perfeitamente. Ótimo, agora vou ter de pagar uma parede nova.

Antes de qualquer coisa, vou até o banheiro para escovar os dentes. Se pra mim, ainda existe alguma vantagem em ter superpoderes, essa vantagem é o meu “fator de cura”, porque, por mais terrível que seja a ressaca, ela não dura mais que alguns minutos, uma meia hora no máximo. Se uma pessoa normal bebesse o tanto quanto pessoas como eu precisam beber para ficaram bêbadas, a ressaca do dia seguinte seria mortal. Pego uma escova de dentes novinha (ainda lacrada na embalagem) de dentro do compartimento do espelho da pia. Eu estava em um motel, não tinha dúvida agora, porque eu não me lembro de ter comprado uma nova escova de dentes.

Enquanto escovo meus dentes, tento me lembrar do que aconteceu noite passada. Acho que teve algo a ver com... Karaokê? E talvez uma boate depois? Eu não sei exatamente o porquê, mas eu tinha a impressão que algo estava muito errado... Observo meu rosto no espelho a minha frente. Minha maquiagem estava toda borrada, mas nada além disso. Uma das desvantagens de ter um corpo quase indestrutível, é que ele não deixa pistas. Se eu tivesse entrado em uma briga ou batido com um carro (ou contra um carro), eu nunca saberia de nada.

Depois dos dentes, era hora do banho. Vou até o quarto de novo e acho minhas roupas embaixo da cama, junto com um ticket de estacionamento de um cassino. Ok, as coisas estavam começando a se conectar. Volto para o banheiro e vou até o chuveiro, ao abrir as persianas, encontro um homem desconhecido desmaiado na banheira... Mais uma peça para o quebra cabeça. O cara até que tinha um belo corpo, mas eu só sabia até ai. Ele estava cobrindo suas partes mais interessantes com uma toalha, mas não acho que foi ele que colocou ela lá. Ele estava totalmente detonado. Roncava igual um porco, ainda bem que eu não acordei ao lado desse cara, porque com a minha ressaca, teria explodido sua cabeça antes do café-da-manhã. Ela tinha um cheiro nauseante de tequila e decisões ruins.

— Ei... – Eu chamo, cutucando o cara, tentando acorda-lo – Ei, cara. Você tá bem?

Sem resposta. Ele simplesmente solta mais um ronco alto, e depois murmura algo que me pareceu com “Mamãe”. Por que eu sempre atraio os caras que chamam pela mãe?

Eu o deixo lá, posso tomar banho depois. Prefiro não incomodar alguém no meio do seu sonho de beleza. A cozinha agora era o próximo passo. Um café reforçado antes de cair fora. Minha ressaca já havia se transformado em uma pequena dor de cabeça.

Ok, reunir os fatos. Eu estive em um cassino, obviamente bebi mais do que devia. Tem um cara pelado dentro da banheira, mas tem um par de roupas intimas femininas no chão ao lado da cama, e só uma delas era minha. Estou em um quarto de algum motel, e pelo visto, não é um barato. Tinha um quarto, um banheiro e possivelmente uma sala, imagino que isso seja cortesia do peladão na banheira. Eu não sei o porquê, mas sinto que tem alguma coisa envolvida com Karaokê nisso tudo.

Me olho no espelho antes de sair. Estou um caco. Quer dizer, estou melhor do que antes de entrar no banheiro, mas mesmo assim, um caco! Me vesti de qualquer jeito, meu cabelo estava bagunçado e tive que lavar meu rosto de toda a maquiagem borrada. Terrível, simplesmente terrível.

Saio do quarto, e o que vejo me pega de surpresa. A sala está completamente destruída. Havia algumas marcas de mãos no teto, e alguns azulejos no chão rachados. Tinha uma geladeira em cima de uma mesa de sinuca no meio da sala (ou seja, aquela era a casa de alguém, e não um quarto de motel qualquer. Acho que devo desculpas pro peladão pela parede... E o resto da casa). Tinha uma série de facas e espadas presas ao lado de um alvo para dardos, uma das facas estava cravada perfeitamente no centro do alvo, imaginei que fosse minha. E é claro, havia mais um detalhe, muitas garrafas de cerveja Budweiser pelo chão.

Bem, acho que já entendi o bastante sobre o que aconteceu ontem à noite para saber que eu deveria vazar dali o mais rápido possível. Só precisava de um café antes de ir, então eu levito meu corpo para não pisar em nenhuma garrafa e vou até a cozinha. Outra surpresa ao entrar no cômodo, uma garota.

Ela parecia estar cozinhando algo no fogão, e quando me viu entrar, ela se virou:

— Bom dia... – Ela diz, em uma voz sedutora – Dormiu bem?

Ela estava vestida somente com uma camisa de botão azul-marinho masculina, o que me fez entender de onde surgiram aquelas roupas intimas jogadas no chão do quarto. Ela era loira e muito gostosa. Estava sem sutiã, o que tornava possível ver os seus seios fartos querendo escapar da camisa, e além de tudo isso, tinha um sotaque, acho que era russo. Por que eu sempre atraio as russas?

— Bom dia... – Respondi, ainda meio confusa. Mas não o bastante para não responde-la no mesmo tom sedutor.

— Venha, estava preparando um café especial pra você... — Ela começa a mover coisas de lá pra cá no fogão, e logo coloca um prato com ovos e bacon na minha frente – Onde está o Jeremy?

Jeremy... Então era esse o nome do peladão.

— Está na banheira – Digo, entre bocadas de bacon e ovos.

— Aqui – Ela me passa uma xicara de café preto – Sério que ele ainda está lá? Ele sempre foi bem fraquinho pra um homem do tamanho dele....

— Sem querer ofender... Mas o que aconteceu ontem à noite?

— Não se lembra? – A russa abriu um sorriso malicioso, do tipo que me deixou curiosa – Nos nós encontramos no Cassino Bellagio lá pelas onze da noite. Você estava totalmente bêbada, cantando Bon Jovi em cima da mesa de vinte e um – Isso explicava o tal “Karaokê” que não saia da minha cabeça – Você viu nós dois e começou a flertar com o Jeremy, o que me deixou furiosa. Então você fez a mesma coisa comigo. Uma coisa levou a outra, e você nos trouxe voando para cá, e passamos a noite bebendo e jogando jogos... Entre outras coisas... – A russa começa a passar a mão pelo meu antebraço – Aquelas marcas no teto, você fez enquanto estava comigo... Foi muito bom pra mim...

— É mesmo?

— Sim... Você foi a primeira mulher a me levar ao ápice... E depois disse que me ama e que iriamos fugir juntas... Isso era verdade, Darcy? Vamos fugir juntas?

Ok, agora eu realmente precisava ir embora. Principalmente porque eu não sabia o nome daquela mulher. E eu já havia tomado meu café.

Nesse momento, talvez por alguma graça divina, a campainha toca. Eu quase solto um suspiro de alivio.

— Pode ir lá ver quem é? – Eu peço. Quase imploro, porque aquela situação era muito constrangedora...

— Claro que posso... – Diz a russa, que sai de trás da bancada e vai em direção a porta. Mas não sem antes me dar um beijo bem longo e molhado de língua – Só não saia daí... — Ela pediu. Eu assenti, constrangida.

Quando ela sumiu da minha vista, eu comecei a procurar uma janela para pular, porque eu não queria chegar ao ponto de atravessar a parede. Não encontro nada, e vejo que só havia uma opção...

Mas antes de fazer qualquer coisa, a russa volta a cozinha, parecendo confusa e preocupada.

— É pra você.

— O quê?

— É pra você.

— Tem certeza? – Questiono, incrédula disso. Devia ser algum tipo de brincadeira.

— Sim, é pra você. Ele chamou seu nome, e disse que algum tipo de policial americano.

Ótimo, mais encrenca, era tudo que eu precisava.

— Ok... Deixa que eu resolvo isso... – Vou em direção a porta, mas antes de sair, a russa me segura pelo braço (quer dizer, ninguém consegue me segurar pelo braço, mas ela me parou). Ela ficou ali, apertando meu braço por alguns segundos, como se não fosse vê-lo nunca mais, e quisesse criar uma boa memória de como ele era – Você vai voltar? – Ela perguntou. Toda aquela sedução fora trocada por um tom de inocência.

Eu não sabia qual era a coisa certa a se dizer, mas eu não iria voltar, independente do que acontecesse. Então eu a agarro pela cintura e a trago pra perto de mim. Beijo sua testa e digo:

— Foi muito bom pra mim também... — Ela solta um sorriso conformado e me dá um último beijo de língua. Odeio encontrar casos como ela na minha vida, e odeio me despedir. Sempre odiei.

Eu saio da cozinha e atravesso a sala, indo em direção porta. Eu ouço sussurros do lado de fora, o que me deixa mais intrigada ainda. Quem iria perguntar por mim? E como sabiam que eu estava aqui?

Eu uso minha audição para entender os sussurros do lado de fora. Alguém estava falando pelo celular. Eram duas vozes, a da pessoa na porta era masculina, e a do outro lado da linha era uma voz feminina.

“Encontrei ela”

“Então traga-a aqui.”

“Mas senhora, e se ela não quiser vir?”

“Faça ela vir. A qualquer custo.”

A ligação termina. Seja lá quem for a mulher, ela desligou na cara dele.

Ok, isso foi estranho. Essa situação já era inusitada, mas agora as coisas haviam mudado. Algo não estava certo desde de o momento que a russa apareceu dizendo que alguém estava procurando por mim, mas agora... Eu sabia que não era nenhum policial querendo me questionar sobre o barulho de ontem à noite, porque tinha meu nome envolvido. “Policial americano”, ela disse. Como um agente do governo sabia meu nome? Qualquer informação que o governo já teve sobre nós já foi apagada a muito tempo. Fizemos questão disso. O Professor fez questão disso.

Eu olho para porta com atenção. Esse era um truque que eu não usava há algum tempo. Era tudo técnica, concentração e foco. Respira e inspira...

Logo, a visão da porta começa a dissolver em um misto do que havia por trás, e a porta em si. Foco e concentração... Eu consigo vê-lo. O homem por trás da porta. Ele era alto, de cabelos castanho curtos e usava óculos escuros e um terno. Parecia mesmo um agente do governo, só que jovem, uns vinte e poucos anos... Mas só para ter certeza, eu checo dentro de suas roupas. Uma arma em um coldre dentro do paletó, e um distintivo no cinto. Bingo.

Agora que sabia o que estava prestes a enfrentar, abro a porta.

— Olá, oficial. Do que se trata? – Pergunto, soando um pouco rabugenta demais.

O homem fica em silêncio por alguns segundos, me olhando de cima para baixo. Isso me incomodou, e tenho quase certeza que era invasão de privacidade. “Policial americano”, como diria a russa.

— Achou algo de interessante? Cuidado com sua resposta...

— Er... Senhorita... Darcy? Darcy Utonium?

— Sim, a própria, do que se trata?

O homem engole em seco, mas se mantém firme.

— Docinho...? – Ele pergunta, quase como um sussurro. Como se estivesse com medo do que ele acabou de dizer...

E ele deveria temer. Eu não podia acreditar no que eu acabei de ouvir...

— Com licença... Do que você me chamou?

— Er... Docinho, não é, senhorita?

Eu não ouço alguém me chamar assim há anos, e com certeza não gostei. Aquele cara... Quem era aquele cara?

— Eu não uso mais esse nome. Esse não é meu nome. Meu nome é Darcy. – Começo a ranger os dentes só de pensar no que eu acabei de ouvir. Aquele nome começa a ecoar pela minha mente – O que você quer? Como conhece esse nome?

— Me desculpa a intromissão, Senhorita... Darcy. Mas eu vim todo o caminho de Townsville só para lhe encontrar e....

— Então pode dar meia volta e mandar seja lá quem te mandou aqui pra puta que pariu... Com todo respeito, oficial.

O otário pareceu ter se atordoado com minha resposta.

— Mas essa é a questão, Senhorita... Eu não posso.

— Sim, eu sei que não. Mas vai, porque você não tem um único motivo para me fazer querer ouvir sobre Townsvi...

— Foi sua irmã que me mandou até aqui. – Ele me interrompe — É o Professor Utonium, ele está muito doente...

Notas finais
Ok! Espero que tenham gostado! Eu não costumo ser desses que esquece das fics que escrevo, mas posso sumir às vezes, nunca se sabe quando você vai sofrer um bloqueio :PAh, e mais um detalhe. Cada personagem que será exibido nessa fic que tem qualquer relevância (mesmo que pequena) para a história, não é de minha autoria. Eles são personagens canon do show. Pode ser que eu coloque um ou outro personagem que possivelmente NINGUÉM vai se lembrar, mas é só dar uma pesquisada rápida para ver que ele existe sim no show... Outros personagens (como a russa), que "tecnicamente" não avançam em nada a história, podem surgir uma vez ou outra, mas com certeza não serão fixos...Bem, além disso, sempre alguns erros no texto que eu deixo passar por acidente, mas isso a gente pode relevar às vezes, né? ^-^Obrigado, por ler até aqui! E até o próximo capítulo! o/