A Tommy Hilfigir rasgada na altura do abdômen havia sido dada como um presente há pelos menos umas duas semanas. “Sophie irá me matar. E se eu morrer aqui, ela irá me matar de novo”, pensou. Um sorriso desdenhoso se formou em seu rosto, enquanto ele caminhava lentamente em uma posição ameaçadora ao redor do animal, e seu letárgico inimigo mantinha-se fitando-o, também ameaçador. Duas setas de sonífero estavam sob o torso do animal, e Benjamim perguntava-se porque não faziam efeito. Benjamim tinha 1,76 de altura — algo mediano para um rapaz de vinte e dois anos — pardo, mantinha um corte militar e uma expressão séria. E se perguntou, sinceramente, em como havia chego àquele ponto. “Bem, não é muito difícil…”

Algumas horas antes.

As dez da manhã de um sábado você não podem esperar menos do que um trânsito relativamente tranqüilo. Considerando que se trata da Av. Brasil, a maior avenida em extensão no Brasil, não seria diferente. O sol da manhã se impunha sobre a cidade há pelo menos 4 horas, e não era um dia em que a temperatura estava em um nível escaldante. Pelo contrário, o clima em si, aliado ao vento que soprava forte estava revigorante. Benjamim havia pegado a moto de seu irmão mais cedo, visto que este havia acabado de comprar um carro e agora se dirigia a toda velocidade até a casa de Sophie. "Segundo o que foi combinado no Skype, temos que nos encontrar ao meio dia de frente zoo. Bem, acho que ‘tá cedo, então deve dar sim", concluiu. E aproximadamente 45 minutos de viagem, após ter atravessado a Linha Vermelha, ele chegará à casa da mesma.

Na chegada, Ben se deparou com a cunhada vindo do mercado. E numa típica brincadeira adolescente ele acelerou a moto, passando bem próximo a ela enquanto lhe gritava "Sai da rua!" e gargalhou. Estacionou a moto de frente a casa da mesma e se manteve sentado ali, esperando a cunhada se aproximar. E ela vinha com um cara feia.

– Ha, ha. Muito engraçado, Ben. Quero ver se você me encostasse com essa moto mesmo. — Disse, fingindo ameaça.

– "Impossibiru", hahaha! Sou piloto de fuga. -Retrucou, tirando o capacete.

– Ué! Se esqueceu daquele coroa que tu atropelou? — Ela estava se divertindo com aquilo. Não havia ocasião em que ela via Benjamim e a moto o qual ela deixava de tocar nesse assunto.

– "Engraçaralho pacadinho", você. — Respondeu, fingindo-se azedo — Sua irmã está? Jã são — olha para o relógio — É isso mesmo? Onze e treze! Viish. Dúvido que vamos chegar lá até o meio-dia.

Neste momento, Yasmin colheu e o molho e abriu o portão verde-desbotado que era entrada para o quintal longo e dividido pelas três casas no terreno. A primeira, da frente, era de uma tia e avós de Sophie e Yasmin; A segunda, que ficava sobre a primeira e tinha entrada em uma escada nos fundos, era de um tio qualquer; a terceira nos fundos era a casa delas. Benjamim veio logo atrás de Yasmin, trazendo a bolsa de compras numa mão e o capacete na outra. Entraram na casa e logo viu Sophie saindo da cozinha. Pode-se dizer que ela era bem parecida com sua irmã — era um pouco mais baixa, ainda que ambas tivessem altura um pouco acima da média das mulheres; os cabelos negros e lisos eram mantidos longos, em uma única trança que se estendia até o meio das costas; oposto da irmã, o rosto era um pouco mais largo, a pele era mais escura e sua beleza era singela — o suficiente para cativar Benjamim. Vestia uma camisa com o cogumelo (1UP) do Mario, uma bermuda feminina branca e uma jaleco jeans. Se beijaram, um beijo simples e carinhoso.

– Você demorou, cara. — Havia um tom alegre em seu falar. Estava bem animada.

– Meio engraçado você me dizer isso. Mas bem, acontece né. — Ela não era de se atrasar, ou ficar horas se arrumando. A fuga desse estereótipo era um conforto para Benjamim, ainda que ele não admitisse.

– Acha que consegue chegar lá a tempo? — Perguntou, curiosa.

– Posso tentar. Mas é melhor enviar uma mensagem para eles antes. — Disse, entregando o smartphone a ela.

Não ficou lá por muito tempo. Apenas cumprimentou a sogra, falou com o irmão mais novo de Sophie — o sogro não estava — , e logo ambos se puseram a ir embora. Sophie tinha um capacete ela mesma, que ficava na casa dela para quando fosse necessário. Aprontaram-se e logo saíram, e foi em aproximadamente uma hora depois que conseguiram chegar ao lugar. A moto havia sido deixada em um estacionamento público, e eles já se encontravam na frente do zoológico. Como esperado, o pessoal já haviam todos entrado. Apenas Viviane nos esperava lá fora, com a entrada dela e a nossa.

– Já são quase uma hora! Porque demoraram tanto? — Ela deu uma curta corrida e abraçou forte Sophie, e depois foi cumprimentar Benjamim.

– Basicamente, ela morar no fim do mundo. — Apontou o rapaz para sua cônjuge, fingindo-se azedo.

– Até parece que não foi culpa sua. — Retrucou Sophie, e logo se voltou para a camisa da amiga. — Nossa, que linda! — A garota ruiva de cabelo curto e baixinha vestia uma camisa negra que trazia o símbolo da franquia Jurassic Park onde, antes estava escrito “Jurassic Park” se via escrito “Asylum Arkham”; e no lugar de um dinossauro, o perfil do personagem Coringa.

– Gostou? Comprei na Little Toy! Na verdade encomendei lá.

– Foi a primeira coisa que notei. Bem legal mesmo a camisa. — Respondeu Ben.

E assim puseram-se a entrar no zoológico — não poderiam enrolar lá a vida, afinal. Ingressos trocados puseram-se a falar sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Dirigiram-se para a Praça de Alimentação do zoológico, onde eles iriam encontrar os outros que estavam a sua espera. Lá estavam Lívia Alves, que cursava Design de Interiores junto com Viviane e mais parecia uma modelo que estamparia uma embalagem “L’Óreal para cabelos crespos” como deixa evidente seu perfil no facebook; Rodrigo Carlos, de origem indígena e apaixonado por cinema, um amigo de quase uma década de Benjamim; o casal Paloma e Matheus, enquanto a primeira cursava Filosofia o segundo cursava Biologia; E havia entre eles outros alunos também. O encontro na praça foi marcado por uma explosão de fraternidade, no qual os rapazes trocavam apertos de mãos cordiais e riam trocando histórias durante a semana. Sentaram-se por uns minutos, e ali ficaram. Era uma situação bem agradável. Benjamim estava rindo falando com Rodrigo e Matheus sobre algumas coisas engraçadas que ocorreram em uma mesa de RPG que ele jogou a duas semanas em um evento; Sophie sentava-se com Filipi, Viviane, Paloma e Lívia. Eles ficaram lá por aproximadamente uma hora, e depois saíram afim de aproveitar o zoológico.

Foi interessante que mesmo diante de um animal que as pessoas costumam ter asco, não se podia negar a beleza de um Urubu-rei, sua cabeça colorida e penas alvas; O único Urso-pardo do zoológico também chamou a atenção, Benjamim e Sophie não se lembravam de ter visto um animal daquele de perto – e esta era uma sensação que iria se repetir ao longo dia. Os rostos das garotas se contorciam quando se depararam com uma serpente longa e pesada alimentando-se de um rato; Benjamim sorriu quando um Gavião se mantinha imponente em uma galho; Também ficaram emocionados com uma Girafa já anciã – souberam disto por uma das funcionárias do zoológico, que trouxe autoridade á afirmação de Matheus quando a idade do animal – inclinou seu pescoço. E assim a sensação de novidade foi se renovando a cada passos que eles davam, variando entre comentários engraçados feito por um ou outro do grupo de amigos.

– Agora só falta ir vermos o leão – Benjamim envolveu seus braços nos ombros de Sophie.

– Não sei qual é essa fixação pôr um leão. – Falou Paloma.

– Ah, vai me dizer que tu nunca viu O Rei e Leão? – Indagou Matheus para a namorada.

– Claro que já!

– E você gostou. Todo mundo aqui gostou. – Agora foi Rodrigo quem disse. – Vamos logo --.

Ele é interrompido. Alguém passou correndo por ele, e assim o pessoal foi notando que o zoológico estava começando a ficar agitado – mas não era uma agitação natural a ele. As pessoas começavam a correr, uns diziam “um bicho fugiu”, outros “atacou dois guardas” e pais corriam com suas crianças. Eles estavam meio absortos, perdidos, não sabiam o que estava acontecendo. Rodrigo agarrou o braço de outro cara que agarrou ele, e este respondeu com uma expressão de raiva e surpresa.

– Tá maluco?!

– O que está acontecendo, velho?

– Tá surdo, cara? – Ele soltou o braço em movimento brusco. – Tem um leão que fugiu! – Foi-se.

– E agora? – Perguntou Paloma, ainda aturdida.

– E agora agente vai embora, óbvio! – Respondeu Matheus, no qual todos concordaram em uníssono.

E assim deram início a partida. Contudo, Benjamim relutou em ir. Sophie lhe segurou no braço, trazendo-o para si.

– Você não vai lá, né? – Perguntou ela, preocupada. Mesmo tendo conhecimento sobre o que seu namorado é capaz de saber.

– Eu acho que posso ajudar...Ele feriu dos guardas. – Apertou o punho.

– Acha? Você acha? Ben, você está louco? E se você não puder? E se você.. – Benjamim pois o dedo sobre o dedo dela e a abraço, afim de confortá-la.

– Eu sei que vou conseguir. Distrai o pessoal! – Disse ele, se afastando. Ela queria impedir. Mas sabia que não podia.

Este era o seu medo. Quando o seu namorado descobriu que podia fazer aquilo, ela imaginou que ele iria tentar dar uma de herói assim que pudesse. Mas a vida real não é como os quadrinhos.

Benjamim dava passos resolutos em direção contrária a multidão, aos poucos aumentando a velocidade até que se pôs a correr quando viu que era mais fácil. Em poucos minutos, sempre seguindo a direção de onde vinham as pessoas, ele acabou chegando ao local.

A jaula estava aberta – e não quebrada ou vilipendiada de qualquer forma — , um guarda estava esmagado em uma posição bizarra contra a parede e do outro lado, o outro guarda jazia inconsciente. Benjamim pegou uma pedra e lançou contra o animal.

– Heeeey! – Gritou.

Seu algoz era um rinoceronte: uma imponente criatura de 1,75m de altura e pesando aproximadamente 5 toneladas. O que é pouco para um rinoceronte-branco, o que é abaixo da média para um rinoceronte-branco. O que não muda o fato de que aquilo era um inimigo monstruoso, e uma criatura ferocíssima que, acuada, atacaria tudo e todos como uma máquina de guerra invencível. Benjamim não sabia do tipo de comportamento que este animal apresenta normalmente, e pensou no Matheus. Mas ele era biólogo, não necessariamente saberia tudo sobre animais – não era seu campo de estudo, ainda que pudesse identificar a idade de uma girafa em uma olhadela superficial. Ele estalou o pescoço, e se posicionou de forma a enfrentar o animal.

– Ok, bichano! Pode...! – Foi bruscamente interrompido. Apesar do tamanho e peso, a criatura era rápida. Não tardou e já estava sobre Benjamim, com a cabeça curvada afim de perfurar seu abdômen. Ele reagiu rápido, segurando a cabeça por pouco e sendo posteriormente arremessado pelo animal. Chocou-se contra uma parede, mas havia resistido de forma sobrenatural. O animal não lhe deu descanso e tentou mais uma investida, no qual ele respondeu com um pulo para o lado e um rolamento defensivo, esquivando-se com sucesso.

– Deus! O que foi isso?

A Tommy Hilfigir rasgada na altura do abdômen havia sido dada como um presente há pelos menos umas duas semanas. “Sophie irá me matar. E se eu morrer aqui, ela irá me matar de novo”, pensou. Um sorriso desdenhoso se formou em seu rosto, enquanto ele caminhava lentamente em uma posição ameaçadora ao redor do animal, e seu letárgico inimigo mantinha-se fitando-o, também ameaçador. Duas setas de sonífero estavam sob o torso do animal, e Benjamim perguntava-se porque não faziam efeito. Benjamim tinha 1,76 de altura — algo mediano para um rapaz de vinte e dois anos — pardo, mantinha um corte militar e uma expressão séria. E se perguntou, sinceramente, em como havia chego àquele ponto. “Bem, não é muito difícil…”

A situação estava se complicando. Ele olhou ao redor, e viu próximo a um dos guardas uma espingarda que disparava soníferos. E estava carregada. Voltou-se para ver algum vício de comportamento no animal, e notou que ele estava ora letárgico, ora agitado. Deduziu o óbvio: a produção de adrenalina no animal estava retardando o efeito do sonífero, mas ele ainda estava insistindo. Portanto, uma nova dose seria apropriada. Ou acalmar o animal. Mas como acalmá-lo?

O bicho veio em mais uma nova investida contra o rapaz. E dessa vez ele resolveu encarar. O golpe foi forte, mas Benjamim conseguiu manter o equilíbrio ao fincar os pés no chão — ao custo de destruir o seu tênis enquanto ele era lentamente arrastado pelo rinoceronte, agarrando-o pelo cabeça. Envolveu os braços no bicho e ali o manteve, parando-o para que finalmente o efeito da droga se manifesta-se, enquanto este se rebatia ora tentando sair, ora tentando atacar, ora tentando ergue-lô. A pulsação de Benjamim se intensificava a cada momento, com suas veias se desenhando em seu pescoço e braços.

Não distante dali, seus amigos logo notaram sua falta. Sophie fingiu não ter notado que ele sumiu, e Viviane e Lívia notaram, mas mantiveram-se caladas. Rodrigo, nervoso, resolveu ele mesmo ir atrás de Benjamim. Matheus iria a principio, mas foi aconselhado a ficar com a namorada, o que era mais prudente. E assim, o rapaz partiu atrás do amigo junto de Sophie que insistiu em ir — o que era justo. Não era mais perigoso para ela do que o era para Rodrigo.

E logo chegaram. Rodrigo estacou, estupefato pela cena: seu amigo estava literalmente medindo forças com um rinoceronte. Um dos tênis havia ido para o espaço totalmente, enquanto o estava depredado de forma que os dedos de Benjamim ficava evidente. O corpo dele estava totalmente suada, enquanto o animal bufava na altura do abdômem do mesmo. Com um olhar, ele notou a presença do amigo e começou a ordenar:

- PORRA, FAÇA ALGUMA COISA CARA! ANDA, ANDA! TEM UMA ARMA PRÓXIMO A UM DOS GUARDAS!

Sophie correu para pegar elas, e ficava alternando entre olhar para a arma ou para Rodrigo. Ele não sabia o que fazer, até que Sophie deu o primeiro disparo no animal, acertando uma de suas pernas. Ela caiu com tiro, e assim Rodrigo foi pegar a arma e atirar ele mesmo. Havia só mais duas balas que ali dentro, e assim ele deu dois disparos no torso do animal. Este gemeu, e agora já desistia de medir forças com Ben. Notando que o rinoceronte relaxou por um único instante, Benjamim fez algo incrível — para além do que já estava fazendo.

Com um grito intenso de força e uma intensa luz roxa emanando de seus olhos, ele simplesmente ergueu o animal deixando-o apenas com as patas traseiras no chão e desferiu um soco no que seria o peito do animal, fazendo-o cair inconsciente e caindo no chão, extremamente cansado. Assim, seus amigos vieram em seu socorro.

- O que foi que você fez? — Disse Rodrigo, sem olhar para o amigo. Ele olhava a cena: um rinoceronte inconsciente que acabará de ser derrubado por um homem, um homem que enfrentou um rinoceronte no mano-a-mano, e o mais incrível é que este cara era seu grande amigo.

- Arf...arf...Bem — pausa para respirar — me deram uma informação errada. Não foi um leão que fugiu. Agente ainda pode vêr o animal?

Notas finais
Até que gostei do resultado final. A principio, a história apresentaria o ponto de vista do Benjamim, sendo narrada em primeira pessoa. Contudo, há alguns vícios de narrativa que eu, como novato, tenho com certeza. Mas vou precisar da ajuda de vocês para corrigi-los, se for necessário, ou melhorá-los (pois eles não podem ser, necessariamente, ruins). Quem tiver dicas de narrativa, eu fico agradecido.

Elogios são muito bons, todos nós gostamos. Mas eu prezo muito críticas. Então, se tiver algo que "está ruim" ou "pode ficar melhorar", eu ficarei muito grato caso isto seja apontado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.