Notas iniciais
Cap. Anterior: — Este sonífero vai nos ajudar na missão “Escritório do papai”! — Ashley diz como se isso explicasse tudo. — Eu pensei que nós ainda estávamos na missão “Tira o anjo do Diego ”! — Alicia confessa confusa só de pensar que mal saiu de uma confusão e adentrou em outra! — A missão Escritório do papai é muito séria! — Meu pai está escondendo algo muito sério de mim... Ele contava todos os projetos do governo e dessa vez ele apenas disse que não era coisa de criança!

Heitor e Marina Super Lanche

Ser apenas mais um funcionário mal pago que não tem dinheiro para bancar uma vida e ainda carregar um sonho frustrado nos ombros não é fácil, enfrentamos barreiras diariamente e devemos avançar com um belo sorriso para que todo vejas aquela mascara batida de satisfação que é a maior farsa. Esse era o enigma que Heitor sempre carregava com sigo.

Heitor estava sentado em uma cadeira antiga de madeira que ficava em um canto isolado, o Super Lanche estava vazio dando lhe alguns minutos para compor uma nova canção. Ele dedilhava as cordas de um violão enquanto pensava na letra.

As paredes do estabelecimento eram chapiscado com uma grossa camada de tinta marrom, o rádio tocava sempre na coletânea romântica. O cheiro de bolo de chocolate com pedacinho de céu azul estava no ar. Marina havia acabado de tirar a forma do forno.

Marina era uma mulher de trinta sete anos de cabelos loiros que batia na metade das costas, seus olhos eram fundos e havia varias cicatrizes de corte por todo o corpo. Heitor não sabia muito sobre ela além do fato de não ter família.

— Você quer um pedaço? — A mulher perguntou para ele apontando para o bolo que já estava fatiado no balcão. Heitor olhou para o bolo com água na boca. — É por minha conta e não vale recusar.

Marina colocou em um prato descartável dois pedaços, depois foi até a maquina expressa, depositou três colheres de pó de caramelo, uma barra de creme e duas medidas de leite quente. Depois de todos os ingredientes bateu na velocidade um. Os leites a vapores estavam no ponto, uma mistura unigênita com uma leve camada de espuma.

—Não se esqueça de prensar o vapor dentro do copo. — Heitor lembrou-lhe do passo mais importante que ela freqüentemente esquece. Marina terminou de preparar o lanche e se assentou junto ao garoto para comerem.

— O que está compondo? — Perguntou enquanto mordia o bolo arrancando um pedaço.

Heitor pegou o caderno em que escrevia e se preparou para cantar a estrofe que acabou de compor.

“O vento leva, o que o coração despreza.

A voz só canta o que e alma encanta.

As lágrimas só caem nos olhos de campeões que estão sofrendo”.

— Está ficando lindo. — marina diz com um sorriso sendo gentil. Heitor guardou o caderno e iniciou o lanche. — Você e suas composições me fazem lembrar.

—Lembrar de quê? — Heitor raramente deixava uma oportunidade de saber mais sobre ela escapar, tudo que sabia até agora é que ela não é de Radaster, vive perdida em pensamentos e tenta sempre que possível o alegrar.

— Da minha antiga vida e como tenho saudade. —Os olhos mel se perderam novamente em uma longa linha de pensamentos que ninguém é capaz de saber.

—Se contasse para alguém seria mais fácil superar. — Heitor comentou retirando novamente o caderno do bolso.

Marina era misteriosa e continha um aspecto doloroso que poucos compreendem.

—Bem, eu sai porque no lugar onde eu estava não me cabia mais. Os meios em que eu me encontrava só me faziam mal.

—Mas você não tinha ninguém lá que valia a pena? —Heitor perguntou tentando entrar na linha de raciocínio.

—Sempre há alguém que vale a pena, mas existem casos que essas pessoas não são o suficiente para nos segurar. —Marina bebeu um gole do leite a vapor de caramelo.

—O que fizeram com você para lhe fazer fulgir? —Heitor perguntou.

—Existiam muitas pessoas que eu amava, pessoas que me faziam melhor, porém a maioria era maus. Eles fingiram que queria o meu bem só que as atitudes era o contrario em vez de me ajudarem me jogam para baixo e faziam sentir-me igual um lixo descartável. Essas pessoas geravam intrigas dizendo que não era pra ofender mais acabavam ofendo, tudo porque não sabiam aceitar que eu era diferente, que eu acreditava.

—Está me dizendo que queriam lhe transformar em algo que não era porque acreditava em algo que não era do agrado geral? — Heitor tentou desvendar o mistério por trás das palavras.

— De uma forma muito sutil, mas era exatamente isso.

Ele confirmou com a cabeça, queria a consolar, mas uma letra pra continuação da musica surgiu em sua cabeça o fazendo querer escrever.

“Não há vergonha em fulgir,

A vergonha está em não saber á hora de sair.

Pois tudo que devemos temer,

É perder o direito de ser” ...

—Continue sua composição que eu vou lavar as louças. —Ela sorri e se levanta.

—Nada disso, eu sou pago para arrumar esse local tanto quanto você então é melhor eu ir ajudar. — Heitor se levantou determinado embora Marina não se importasse em arrumar tudo sozinha.

Um aparelho metálico com um leve dourado nos botões começou a tocar. Era um pucap fixo.

—Vá atender, eu lavo a louça. — Marina aponta para o balcão onde o pucap estava.

O garoto conversava com o fornecedor de leite quando uma jovem entrou no super lanche com os olhos vermelho e descabelada.

Ele terminou de conversar sobre a entrega da mercadoria e se direcionou a mesa onde ela havia se sentado.

—Você é nova aqui? — Heitor pergunta, mas ela mantém a cabeça baixa tentando esconder as lágrimas.

—Eu estou tão mal ao ponto de não me conhecer Heitor? — Ela levanta a cabaça revelando a face, era uma das clientes vip do super lanche a mais viciada em leite a vapor.

— O que aconteceu com você Ashley? Você não é de chorar.

— Eu não sou de muita coisa. — Ela retirou os fios de cabelo preto da face e encarou o garçom. — Me traga um leite a vapor de chocolate, por favor.

— Não vai querer o seu preferido de morango?

— Hoje eu quero o de chocolate.

Ashley se isolou em pensamentos lembrando-se das ultimas horas quando foi tentar desvendar os segredos do pai e do Jay.

5 horas atrás

Ashley

Ashley acordou às nove horas da manhã, o sol invadia o quarto clareando toda a mobília cor de rosa e os pôsteres da banda de rock preferida da garota, sem falar nas fotos bizarras dela e da prima ainda crianças. O quarto de Ashley era lotado de anotações e planos.

Ela se levantou da cama com relutância, era domingo, não tinha que ir pra aula, mas era óbvio que tinha assuntos mais sérios a tratar, para facilitar o entendimento ela elaborou a seguinte lista:

Porque Jay sumiu sem dar nenhuma satisfação e ressurgiu do nada em uma festa da galera do Miguel?

Como ele estava distribuindo drogas se isso vai contra todos os preceitos de ser um monitor?

Porque o prefeito não para mais em casa?

Ashley terminou de escrever a lista, depois abriu o roupeiro na intenção de escolher um look despojado para o dia, na porta do guarda-roupa estava escrito em um papel decorado com corações a importância da missão “tira o anjo do Diego”, é lógico que isso esta desatualizado. Ashley desistiu de separa Diego e Angélica no ano passado quando ela percebeu que ela era invisível aos olhos dele.

{...}

Depois de já vestida ela desceu a escadaria de madeira para tomar café da manhã, para sua surpresa, Robert seu pai, estava sentado enquanto lia um jornal.

— Bom dia pai. — Ela viu na capa do jornal a foto de quatro mascarados.

— Não tem nada de bom. — Ele balbuciou deixando o jornal de lado e olhando para a filha. — Sabe aquela jornalista que ganhou o premio caneta de ouro o ano passado?

— Sim, Melissa. Certo?

— Essa mesmo. — Ela saboreou o chá de ervas importadas de Murânia. — Ela decidiu escrever uma reportagem sobre uns misteriosos que vem assolando o morro desde o inicio do ano.

— Sério que maneiro! — Ashley fingiu surpresa e ao mesmo tempo animação.

— Não tem nada de maneiro, é uma tragédia. De acordo com o governo eles são uma ameaça!

Ashley suspirou indignada. O pai não era assim, costumava ele ser um homem passivo que aceitava os fatos e sempre via um lado bom.

— Você os deveria conhecer antes de qualquer julgamento?

— Se eles são considerados perigosos por mim basta! — Robert se levantou da cadeira e saiu de casa em rumo ao escritório na prefeitura.

Ashley por sua vez decidiu não perder a oportunidade, ela estava sozinha em casa, podia mexer nas coisas do pai para ver se descobria algo.

{...}

O quarto estava com porta escorada, ela adentrou com cuidado, como se a cada paço poderia cair em uma armadilha, mas isso não passava de medo.

Na escrivaninha tinha vários envelopes, alguns lacrados e outros já abertos. Não tinha nada importante para ela, não passavam de documentos.

O quarto do pai tinha um aspecto medieval, a mobília era toda de madeira ornamentada com símbolos de pontas como losangos, triângulos. Na idade média virou febre por toda a terra inclusive em Dimentionic. A ponta de baixo representava o inferno e a de cima o céu.

— Tenho que pensar como um homem organizado e precavido. — Falou para si própria. De acordo com o conhecimento a respeito do pai ele sempre guardou arquivos em uma das gavetas do roupeiro que tem varias divisórias.

Ela abriu com cuidado a terceira gaveta do lado esquerdo do roupeiro de madeira rústica. A primeira coisa que viu foi à foto da mãe no casamento, ela irradiava alegria.

Ashley ignorou a foto para não pensar em como o pai foi infeliz no dia em que a esposa entrou em trabalho de parto e morreu assim que a pequena filhinha nasceu.

As divisórias da gaveta estava separada por títulos, mas houve um que lhe chamou atenção. Ela retirou uma pasta grossa que estava guardada no repartimento de “Mega Humanos”. Assim que abriu a pasta deslumbrou a foto de sete pessoas e seus dados.

001

Nome: Cristal

Idade: 12

Poder: Radiação

Temperamento: Explosiva

002

Nome: Diego Honorato

Idade: 19

Poder: Energia

Obs: Pacifico

003

Nome: Jay

Idade: 24

Poder: Força

Obs: Rebelde

Havia mais informações sobre eles e como ocorreu a modificação genética, mas Ashley não teve tempo de ler tudo. O pai a estava em pé ao seu lado com um olhar furioso.

— O que faz você pensar que tem o direito de entrar no meu quarto e bisbilhotar minhas coisas? — Robert gritou a pegando pelo braço e a erguendo.

— Eu pensei que fosse para o escritório? — O homem a jogou na cama ignorando a pergunta.

— Eu sempre fui um pai muito bom e tranquilo, mas eu não te ensinei mexer no que não te pertence!

— Se me contasse o que vai fazer eu não precisaria invadir sua privacidade! — Ela ameaçou apontando o dedo furiosa.

— Então agora estamos falando de diálogo e confiança? — Falou com ironia. — Porque eu acho que envolvimento com produtos ilegais não está na listinha de contar pro papai!

Ashley calou a boca, ele tinha razão. Jamais contaria sobre as compras ilegais que fazia para suas missões fracassadas.

— Também não me contou o fato de ter um monitor na sua cola por mal comportamento! Tudo que você faz é em pró desses planos ridículos que lhe mantém distraída da realidade.

As lagrimas começaram a brotar dos olhos dela, o pai estava entrando em um assunto delicado. Robert, sentou ao lado dela na cama e segurou na mão a acariciando.

— Quando eu te levei no psicólogo e ele sugeriu lhe manter em missões para te entreter eu jamais pensei que fosse afetar tanto no seu futuro. — Ele a encarou com ternura retirando a lagrima que caia do olhos. — Mas precisa superar. Existem coisas que você não tem que saber.

— Mas... — Ela soluçou se querer.

— É hora de crescer. — Robert beijou-lhe na bochecha. — Pare de brincar de detetive antes que se meta em confusões. E nunca mais mexa nas minhas coisas.

— Minhas missões são reais, não são brincadeiras e eu não vou parar! — Ela gritou em contra partida.

— Sua mãe não iria gostar de saber que a filha dela é uma lunática paranóica!

— É isso que pensa de mim?

Ashley virou as costas para o pai, sua visão estava embaçada pelas lágrimas, mas mesmo assim foi dirigindo até a lanchonete onde se jogou em uma cadeira vazia em um canto mais escuro, Heitor o garçom falava sobre um pedido no pucap.

Depois Heitor lhe preparou um leite a vapor de chocolate, ela nem era fã desse sabor, mas o pediu mesmo assim. Sua cabeça doía. As palavras do pai a machucou. Foi como uma facada no peito. Será que ele tinha razão?

— O que se passa na sua vida? — Heitor deixou aquele sorriso reconfortante em seus lábios para confortá-la.

— Dor. Estou decepcionada por perder um amigo que nem ao menos sabia que eu o considerava assim. Sinto traída por meu pai. Ele me ofendeu.

Marina a garçonete cheia de cicatrizes se manifestou.

— Já leu um amor pra recordar?

— Nunca ouvi falar.

— É claro que não. — Marina sussurrou baixinho como se fosse obvio para ela o motivo.

— É um livro. E nesse livro ele diz uma das frases que mais me motivou até hoje, “sem dor não há compaixão”. Nunca se esqueça disso.

— O que quer dizer? — Ashley a olhou curiosa.

— Quer dizer que precisa passar por isso para ser melhor e mais forte e saber o motivo pelo qual se deve viver.

— E qual é o motivo?

— Na hora certa saberá!

Notas finais
Próximo Cap: — Eu odeio ser uma mega humano! — E eu odeio a ingratidão de você. Não conseguem vislumbrar a grandiosidade disso? — A grandiosidade de sermos monstros? Não mesmo!