Pode ser...Para sempre
4 O espião
Notas iniciais
“O amor constrói pontes onde não existe nenhuma” (R. H. Delaney)
Karina ainda estava irritada, tanto com Pedro, quanto os idiotas do Lobão e do Cobra. Então resolveu ligar pra Bianca, precisava sair um pouco e desabar com alguém sobre aquela reviravolta toda que acontecera na sua vida nos últimos dias. Bianca concordou na hora e as duas se encontraram em uma sorveteria.
– Você não sabe o quanto ele me irrita, Bianca! E o pior que ele gosta. – disse Karina
– Mas você tem sorte em ter arranjado um marido lindo como ele, já pensou se fosse um velho, careca e barrigudo? – disse Bianca rindo
– É, tenho que concordar que isso seria pior – concordou Karina rindo também — Vamos lá pra casa hoje? – suplicou a loira
– Por que, Ka? E nem conheço seu marido direito ... – começou Bianca
– Vai conhecer hoje, ué. Vamos, Bi! Por favor! – Karina insistia.
– Ok, Ka. Só hoje, ein? – disse Bianca colocando uma colher do seu sunday na boca.
– Oba! Então termina o seu Sunday que você vai conhecer oficialmente o único cara que realmente consegue me tirar do sério. — "E como." pensava Karina
– E ele consegue te tirar do sério no duplo sentido? – caçoou Bianca piscando o olho
– Tá ficando engraçadinha, não é, dona Bianca? – sorriu Karina jogando o guardanapo nela
– Eu sou engraçadinha, mas você não respondeu a minha pergunta – disse Bianca curiosa
– Terminou? – perguntou Karina tentando fugir do assunto
– O sorvete terminei, mas a conversa... – disse Bianca depois de ingerir a ultima colherada do sunday e percebendo que Karina se esquivava da pergunta, incomodada.
– Então será que a gente pode ir? – perguntou Karina fazendo um gesto em direção a porta.
– Vamos, né. Até porque quem cala consente. – Bianca disse a última frase quase num murmúrio para que só pra que ela ouvisse.
***
Ao chegarem na casa da loira, as duas ouviram risadas vindo da sala.
– Eu te disse que seria muito fácil para a seleção brasileira ganhar essa – ouviram um voz que Karina reconheceu ser de Pedro.
– Mas eu achei que a Espanha tinha muito mais chance de ganhar, perdi né. – ouviram outra voz.
Karina e Bianca entraram pra ver o que estava acontecendo, e a esquentadinha por sua vez não acreditou na cena que via. Havia dois homens na sala, um obviamente era Pedro e o outro era ninguém mais, ninguém menos que Duca, o namorado de Bianca. Os dois homens estavam jogados no sofá com uma vasilha de pipoca quase vazia no meio dos dois e na TV passava o fim de um jogo futebol, enquanto eles riam e conversavam alegremente sem perceber a presença das duas no local.
– Dá pra me explicar que bagunça é essa, moleque? – perguntou Karina o fazendo os dois perceberem a presença delas.
– Ihhh, não vai me dizer que além de esquentadinha, você tem mania de limpeza? – perguntou Pedro revirando os olhos.
– Não tenho, mas também não tenho mania de ser porca, essa sala tá um lixo! Ah, mas você vai limpar tudo! – ordenou Karina
– Nossa general, pode deixar que deixarei tudo do seu agrado! – disse Pedro se levantando e fazendo uma continência.
– E você, senhor Duca, o que você está fazendo aqui? — indagou Bianca
– Ah, Bi, como você disse que ia sair com a Ka, eu marquei de assistir um jogo aqui com o Pedrão, ué. — disse Duca dando batidinhas leves no ombro do amigo.
– E desde quando vocês são amigos? — desconfiou Karina
– Desde o casamento. Eu sou muito socializável — gabou-se Pedro
– Tanto faz. — Karina virou-se para Bianca — Você vai dormir aqui hoje, né Bi?
– Opa, então eu também vou! — manifestou-se Duca antes de Bianca
– Quem disse? — perguntou Karina
– Eu disse. — respondeu Pedro
– Não, moleque. Eu disse que a Bianca ia dormir primeiro. — irritou-se Karina
– E eu disse por segundo, e daí? — retrucou Pedro
– Gente, não precisa brigar por causa disso. Nem eu, nem o Duca precisamos... — começou Bianca
– NÃO — Karina e Pedro responderam virando-se para ela em uníssimo. Bianca fez um sinal de rendição com as mãos.
– Os dois ficam e pronto. — define Karina e antes que Pedro pudesse retrucar, a campainha toca. Enquanto ele se levanta para abrir a porta, Karina dá um sorriso triunfante de quem ganhou a batalha.
– O que você está fazendo aqui, ô palhaço? – ouviram a voz de Pedro da entrada, e ele volta para sala com o pior pesadelo de Karina, Cobra, e de mala e cuia.
– Ai, não! Eu estou dormindo, só pode! O que você quer aqui, idiota? E essas malas são pra que? – Karina partiu para cima de Cobra, enfurecida, enquanto Pedro se materializava ao lado dela impedindo-a de partir pra cima do primo.
– Que isso, Ka, casou com esse cara e perdeu sua inteligência? Eu vim passar uma temporada com vocês. – disse Cobra com um sorriso satisfeito.
– O QUE? COMO ASSIM? VOCÊ SÓ PODE ESTAR DE SACANAGEM. – gritou Karina tentando se desvencilhar de Pedro e ir pra cima do primo.
– Acho melhor seu maridinho explicar – Cobra atiçava – Vou procurar um bom quarto.
– Ele pode fazer isso? É invasão de privacidade! – Karina virou-se para Pedro como um furacão.
– Pior que ele pode, o juiz que mandou. Ele vai fazer o tipo um espião pra ver se nosso casamento é verdadeiro ou não. – simplificou Pedro.
– Que ódio! Esse cara adora se intrometer na minha vida. – Karina dava socos no sofá num acesso de fúria.
– Como assim? – questionou Pedro sem entender.
– Nada não... Bi e Duca, vou precisar de vocês, tive uma ideia.
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