Pluto Will Always Be A Planet In My Room
17 Chapter 18 — Center of Gravity
Às vezes, crescer não é escolher entre duas pessoas.
É escolher a si mesma.
A manhã seguinte foi silenciosa.
O apartamento parecia maior sem a tensão da noite anterior. Sem Theo encostado na bancada da cozinha. Sem Charlie parado na porta, esperando uma resposta que eu ainda não tinha.
Eu sentei no chão da sala, costas contra o sofá, e fiquei olhando para o teto.
Eu estava cansada.
Cansada de medir sentimentos.
Cansada de tentar equilibrar intensidade e segurança.
Cansada de achar que felicidade precisava vir acompanhada de alguém.
Meu celular vibrou.
Uma mensagem de Charlie.
“Eu estou aqui. Mas só se você me escolher sem dúvida.”
Outra mensagem. Theo.
“Eu gosto de você. Mas gosto mais de mim inteiro.”
Eles estavam certos.
Os dois.
E pela primeira vez, eu não senti pânico ao perceber que poderia perder ambos.
Eu senti… clareza.
Na editora, naquela tarde, tudo parecia mais nítido.
O cheiro de papel recém-impresso.
O som das teclas.
A luz atravessando as janelas antigas.
Eleanor me chamou na sala dela novamente.
— Londres está funcionando bem para você — ela disse, analisando alguns relatórios. — Estamos pensando em te manter no projeto internacional de forma permanente.
Meu coração acelerou.
Não por medo.
Por entusiasmo.
— Permanente?
— Se você quiser.
Eu não pensei em Charlie.
Não pensei em Theo.
Pensei na menina que ficava horas na biblioteca sonhando em trabalhar com histórias. Pensei nas noites em Nova York escrevendo até tarde. Pensei no mapa do mundo que eu olhava quando criança.
— Eu quero.
E, pela primeira vez em semanas, minha resposta não dependia de ninguém.
Na sexta-feira, saí com alguns colegas da editora.
Nada de encontros tensos. Nada de conversas sobre passado. Nada de promessas.
Só risadas.
Música alta demais.
Um pub apertado.
Dança desajeitada.
Eu ri até doer a barriga. Tirei fotos horríveis. Falei sobre livros, sobre viagens, sobre o quanto eu queria conhecer Roma, Tóquio, Buenos Aires.
Theo estava lá.
Mas não como expectativa.
Como pessoa.
Ele se aproximou no meio da noite, dois copos na mão.
— Você parece… leve.
— Eu estou tentando.
Ele assentiu.
— Eu não vou mentir. Doeu ontem.
— Eu sei.
— Mas eu respeito sua decisão.
Eu respirei fundo.
— Eu não posso ser metade com ninguém agora.
Ele sorriu de leve.
— Então seja inteira.
Sem drama.
Sem cena final cinematográfica.
Só maturidade.
Charlie me ligou dois dias depois.
Eu atendi.
— Eu estava pensando — ele começou.
— Eu também.
Silêncio do outro lado.
— Eu não posso te oferecer certezas agora — eu disse. — E não quero que você espere enquanto eu descubro quem eu sou sem estar em função de alguém.
Ele demorou a responder.
— Isso significa que acabou?
Eu olhei pela janela. Londres estava viva, imprevisível, enorme.
— Isso significa que eu preciso ser meu próprio centro por um tempo.
Ele soltou um suspiro leve.
— Eu sempre soube que você queria o mundo.
— E eu sempre tive medo de que querer o mundo me fizesse perder você.
— Talvez perder não seja a palavra — ele disse. — Talvez seja… pausar.
Eu sorri.
— Talvez.
Não era promessa.
Não era adeus definitivo.
Era espaço.
Naquela noite, eu caminhei sozinha pela cidade.
Sem destino.
Sem companhia.
Sem conflito.
O vento frio bagunçava meu cabelo, e eu pensei em Plutão.
Rebaixado. Pequeno. Distante.
Mas ainda girando. Ainda existindo. Ainda parte do sistema.
Talvez eu tenha passado anos achando que precisava ser escolhida para importar.
Talvez eu tenha confundido amor com validação.
Mas agora, andando sob as luzes da cidade, eu senti algo diferente.
Eu não era um planeta esquecido esperando que alguém decidisse que eu valia a pena.
Eu era o meu próprio sistema solar.
Carreira.
Amizades.
Viagens.
Noites imprevisíveis.
Erros que seriam meus.
E, se um dia o amor voltasse — em qualquer forma — ele me encontraria inteira.
Não dividida.
Não insegura.
Não orbitando em volta de alguém.
Mas brilhando.
Sozinha.
E suficiente.
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