Plus Qu'un Cliché
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Olhei para dentro do meu quarto atordoada, me perguntando porque tinha um garoto lá dentro e porque ele estava vestindo somente uma cueca boxer.
– Quem é você? — dissemos ao mesmo tempo em um tom assustado.
Ele me olhou de cima a baixo, como se tentasse me reconhecer e por fim disse:
– Ah, você deve ser a tal de Melody — falou com um sorriso malicioso.
– Não, meu nome é Maisie — disse mal-humorada — Quem é você? O que está fazendo no meu quarto?
– Não te avisaram? Sou Ethan, seu novo colega de quarto. — disse erguendo a mão para me cumprimentar.
– Não sei se te avisaram, mas eu não tenho colega de quarto. — falei irritada, ignorando a mão dele.
– Agora tem docinho.
– Pelo visto Srt. O'Connor, você já conhece o seu novo colega de quarto — disse uma voz conhecida.
Me virei e encontrei o diretor Collins parado na porta.
– Colega de quarto? — perguntei ainda confusa.
– Sim, este é Ethan Collins, meu filho.
Lancei um olhar confuso em direção ao diretor e depois olhei para Ethan. Eles se pareciam levemente, o formato do rosto e o azul dos olhos. Mas ainda não podia acreditar nisso, não consegui nem imaginar o diretor casado, imagina com filhos. O colégio era a vida do velho, ele passava as férias, feriados e fins de semanas enfurnado naquele escritório. Era assustador!
O diretor continuou a falar:
– Ethan tem um problema com regras e adora desobedece-las, então imaginei que a Srt. como presidente do grêmio estudantil, representante da turma e monitora da escola, você ajudaria ele a respeitar mais as regras, por isso o coloquei como seu colega de quarto. Espero que a Srt. não se importe, até porque se importasse não faria diferença — finalizou com um sorrisinho sarcástico.
Ele acha o que? Que eu tenho cara de babá? Que só porque ele não sabe educar o filho dele eu sou obrigada a fazer isso?
– Mas é claro — ele continuou — Que por fazer isso você demonstraria ser uma ótima pessoa e um bom exemplo e eu seria obrigado a mandar uma carta de recomendação para Harvard falando como a Srt. é uma ótima aluna.
Agora ele estava falando a minha língua, Harvard era o meu sonho e eu estava apena a um passo de conseguir minha sonhada bolsa de arquitetura e eu só precisava ensinar boas maneiras ao meu colega de quarto.
– Feito.
Ergui a minha mão para o diretor como se fechássemos um acordo e ele não hesitou em aperta-la.
– Agora Srt. vou deixa-la sozinha com Ethan. — olhou severamente para Ethan — Vista uma calça Sr. Collins.
Bom, foi assim que meu pesadelo começou.
Depois de um dia inteiro com Ethan, eu pude perceber que ele não era a pior pessoa do mundo, mas chegava quase lá.
Ele passava o dia inteiro de cueca comendo diferentes tipos de salgadinhos, ainda tendo o prazer de mastigar me encarando com um sorrisinho sarcástico enquanto eu estava tentando ler, o único som que era possível ouvir naquele quarto era o "crac crac" dele mastigando, nem meu irmãozinho de 7 anos era tão irritante assim e olha que o hobbie favorito dele era puxar o meu cabelo.
Minhas aulas só começariam daqui a uma semana, se o primeiro dia já foi assim, eu não queria nem imaginar os próximos 7 dias.
Acordei no outro dia com batidas na porta, olhei para o outro lado do quarto onde estava a cama de Ethan e pelo que pude perceber, ele também acordou com as batidas, depois de três batidas vi um panfleto passar por debaixo da porta.
Eu conhecia aquilo. Era a forma de Luke Colleman anunciar sua festa, que com certeza, duraria a semana toda. Todo ano aquilo se repetia, Luke tinha quatro irmãos mais velhos que também estudaram aqui, todos os anos os irmão Colleman faziam uma festa de boas-vindas que abalava a estrutura da escola, Luke era o último da ninhada Colleman, no seu último ano em St. Moris, o que significava que aquela ia ser com toda certeza a melhor festa que o colégio St. Moris já presenciou.
– O que é aquilo? — Ethan perguntou não entendendo.
Pelo visto, ao contrario do que eu pensava, Ethan nunca estudou aqui antes, o que não faz muito sentido, já que o pai dele é o diretor de um dos melhores internatos do mundo.
– "Aquilo" significa festa! — falei entediada.
Nunca precisei explicar para ninguém o que era "aquilo" já que as festas Colleman eram conhecidas até fora das paredes do colégio e era o que todos os novatos mais esperavam.
– Festa?
– Sim, festa! Um Colleman faz uma todo ano e dura uma semana, você deveria saber.
– Você parece bem animada para essa festa, Srt. Seguidora de Regras. — disse com ironia.
– Temos autorização para fazer essas festas, nós passamos o ano todo organizando essa festa em especifico.
– O que quer dizer com nós?
– Quer dizer o pessoal do grêmio. — falei como se fosse obvio — Tudo passa por nós antes de chegar ao diretor, se nós autorizamos, ele também autoriza.
– Então o grêmio tem o mesmo poder que do diretor?
– Não, o diretor é ocupado demais para ficar resolvendo coisas como essa, então nos resolvemos por ele.
O quarto ficou em silencio e quando eu já estava pronta para dormir novamente ele perguntou:
– E vai ter garotas nessa festa? — perguntou em um tom malicioso.
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