Depois de algumas horas na cachoeira, Edward e eu voltamos para casa, ensopados. Aqueles últimos momentos haviam sido de ótima ajuda para me acalmar e me livrar do stress. Estávamos sentados no sofá, assistindo TV, e Renesmee estava ao nosso lado terminando o dever de casa. Por ser a primeira vez dela no colégio, ela não tinha tanta facilidade quanto nós dois, mas era extremamente inteligente. Estava passando algum documentário sobre predadores e presas, mas nenhum de nós prestava muita atenção. Eu estava exercitando tirar o escudo, e Edward prestava atenção apenas nos meus pensamentos. Em um determinado momento, com o escudo desativado, eu ouvi um barulho vindo da televisão e, subitamente, a minha mente me levou de volta a um acontecimento de muitos anos atrás. Eu lembrava bem desse dia, apesar de ainda ser uma humana quando ele aconteceu. Lembro-me de estar abraçada ao Edward, olhando assustada e, principalmente, curiosa para a pequena criatura ao meu lado. Lembro-me do medo que sentia. Por mim e por ela. Voltei à realidade e encarei um Edward perplexo.

- Bella – ele exclamou – é isso!

- Isso o que? – Eu não estava entendendo nada… O que aquela menina poderia ter a ver com qualquer coisa atual? Qual era o nome dela mesmo? Bianca… Brittany…

- Bree – Edward sorriu, ainda assustado. – Bree Tanner.

- E o que tem ela? – Perguntei, assustada. Como uma menina que esteve conosco e morreu há mais de dez anos poderia fazer alguma diferença agora?

- Eu vou explicar… – Ele se levantou – Mas me deixa chamar todo mundo primeiro. Não quero ter que explicar duas vezes.

- Mande-os correr, – suspirei – estou curiosa.

Cinco minutos depois, todos os Cullen já haviam chegado, e Jacob estava entrando pela porta.

- O que aconteceu, Edward? – Ele logo procurou por Renesmee, que tinha largado o dever de casa e estava em pé ao meu lado, e veio abraçá-la. – Está tudo bem? – Ele passou a mão pela testa dela, pelo pulso, checando a temperatura e os batimentos.

- Tudo bem… Por enquanto. – Ele olhou em volta. – Preciso que todos foquem suas memórias no dia da luta contra os recém-criados. Um pouco antes de o Jacob ser machucado. A vampira que se rendeu.

- Uma pena ela ter morrido. – Esme suspirou – Ela parecia ter uma alma tão boa!

- Eu sei que é muito ruim, querida. – Carlisle abraçou-a forte – Mas foi melhor nós não termos arranjado briga com os Volturi. Mas prossiga, Edward.

- Antes de morrer, ela percebeu que eu era o leitor de mentes… E me contou algumas coisas. A primeira e mais importante eu já contei para vocês. Que os Volturi sabiam do ataque e resolveram não fazer nada. Jane negociou com Victoria, esperando que ela ganhasse.

Até mesmo a mais remota lembrança daquele dia me dava arrepios, então me aconcheguei mais no peito do meu marido.

- Certo – Rosalie assentiu – E o que isso tem a ver com o momento?

- Ela também me contou sobre um amigo dela. Fred. – todos olhavam para ele com cara de desentendidos. – Freaky Fred. Porque ele tem o poder de causar repulsa nas pessoas, e de evitar que as pessoas pensem nele frequentemente, ou reparem nele.

- E você acha que ele é o Matt?! – Renesmee quase pulou – Isso é impossível, pai! O Matt não é vampiro!

- Não, Renesmee – Edward suspirou calmamente – Eu acho que ele tem alguma ligação com o Matt. Há treze anos ele podia evitar que as pessoas pensassem nele. O dom dele pode ter se aprimorado, e agora ele consegue manter as pessoas afastadas de quem ele quer, também. Como o Matthew.

- Faz sentido – Alice sussurrou – De que outro jeito eu não teria reparado nas roupas horrorosas que ele usa antes?

- E o enjoo da Bella – Jasper me encarou – Você estava pensando nele?

- Tentando descobrir o que o menino era… Mas talvez o meu escudo tenha amenizado o enjoo em mim, e só você sentiu, Jasper.

- Enjoo? Como assim? Eu pensei que vampiros não podiam ficar doentes. – Jacob se assustou.

- E não podem. – Edward sorriu – É uma projeção de enjoo que ele coloca no cérebro das pessoas e dos vampiros.

- Mas, Edward – Emmett falou – O que esse vampiro esquisito pode querer com a gente? Nós nunca fizemos nada pra ele, e até tentamos salvar a amiguinha dele.

- Mas ele não sabe disso – Foi a minha vez de interferir – Ele acha que o clã dos olhos amarelos destruiu todos os amigos dele.

- Não eram amigos dele. – Edward acariciou meu braço – Bree mostrou algumas cenas. Nunca houve nenhuma relação fixa entre aqueles recém-criados. A não ser ela com um vampiro chamado Diego, braço direito de Riley, que Riley matou, e ela com esse Fred. Mas você está certa. Ele provavelmente acha que nós matamos a única amiga dele.

- E onde o Matt entra nisso tudo, pai? O que ele tem a ver com essa história?

- Ness – Jacob virou o rosto dela para ele – Esse tal de Matt se aliou ao Fred pra destruir a sua família. Será que você não entende isso?

- Claro que não! O Matt não é uma pessoa ruim. O papai mesmo já leu os pensamentos dele!

- Realmente – Edward assentiu – Ele não pensa em nos fazer mal. Ainda. Talvez seja apenas um reconhecimento de terreno…

- A questão é – Carlisle interviu – se esse menino Matthew está envolvido com o Fred por vontade própria, ou está sendo manipulado.

- Não faz diferença! – Emmett quase gritou – Ele quer se meter conosco, então nós nos meteremos com ele.

Por favor, por favor, não façam mal a ele. Não se precipitem. Eu prometo tomar todo o cuidado do mundo e observar tudo o que for possível.

- Renesmee – Rosalie suspirou – Porque você está falando assim? Você sabe que nós sempre estaremos por perto também. Na escola, quando ele vier te visitar. Sempre haverá um de nós.

- Então – ela sorriu forçadamente – a questão era essa… – ela olhou em volta e depois para o chão e, quando voltou a falar, sua voz não passava de um sussurro. Vai ter uma festa na casa dele, só para a família e amigos próximos… E ele me convidou para ir…