A tarde passou sem problemas, e a conversa entre Renesmee e Matthew foi tranquila. O menino não disse nada de acusador ou preocupante. Eu odiava dar o braço a torcer, mas estava começando a pensar na possibilidade de essa implicância instantânea com ele ter sido desnecessária.

Após algum tempo ouvindo a conversa inocente dos dois, resolvi levantar e ser uma boa anfitriã. Sabia que Renesmee estava com fome e, enquanto o humano estivesse aqui, nada de sangue. Preparei alguns cachorros quentes e suco de laranja e servi na sala. Voltei para o quarto e continuei abraçada ao meu marido perfeito, prestando um pouco mais de atenção ao filme da TV. Ao final dele, voltei à sala para recolher a louça do lanche, e Matthew aproveitou para se despedir.

- Muito obrigado pelo lanche, Bella. – ele sorriu agradecido – Mas eu preciso ir. Foi muito divertido, Renesmee. Mande meus cumprimentos ao Edward, não quero interrompê-lo.

- Claro, Matt. – Renesmee parecia… Abobada. – Vou cobrar aquele CD que você falou, hein?!

- Não vai precisar cobrar. Amanhã mesmo eu levo para a escola. – Ele disse, indo até a porta.

- Tudo bem então. Até amanhã. – Renesmee começou a caminhar atrás dele até a porta, e eu a segui.

- Até amanhã. – Ele piscou – Até, Bella.

- Tchau, Matthew. Não corra na estrada. – Eu sorri.

- Pode deixar. – Ele abriu a porta e saiu.

Esperei até que ele saísse, e voltei para a sala para finalmente recolher a louça. Renesmee veio atrás de mim, quicando de agitação.

- Fala logo, Renesmee. O que foi? – Eu disse, sorrindo e atrapalhando o cabelo dela.

- Ele é ou não é muito lindo?

- Prefiro o seu pai – Dei de ombros, sorrindo enquanto sentia o abraço do homem mais perfeito do mundo por trás de mim.

- Mas é claro que prefere – ela revirou os olhos – primeiro porque ele é seu marido. Depois porque ele é um vampiro. Não é muito justo comparar a beleza dele com a de um humano.

- Prefiro o Jacob, então. – Eu sorri, virando para ter certeza de que Edward não se ofenderia com meu comentário. Ele sorriu de volta, concordando.

- Ouvi meu nome por aí? – Jake entrou no chalé, dando uma leve batida na porta. – Oi, Edward. Tudo bem, Bells? – Ele sorriu, olhando diretamente para mim.

Percebi que, por trás do sorriso, Jacob estava pesaroso. Eu sabia que a decisão de ir até ali tinha sido difícil para ele, e que ele não queria que Renesmee estivesse chateada com ele. Mas era impossível não ficar feliz ao vê-lo.

- Jake! – eu o abracei, sem me importar com seu cheiro. Com o passar dos anos, o cheiro dele se tornou cada vez mais suportável e, finalmente, neutro para mim. Agora não me incomodava mais, e eu tinha a suspeita de que a recíproca era verdadeira, apesar de ele não admitir. – Eu estava com saudades de você!

- Eu também, Bells. – ele me abraçou de volta. – Faz bastante tempo que eu não te vejo, não é mesmo?

- O que importa é que você está aqui agora – Renesmee sussurrou, olhando para o chão. – Jake… Eu posso conversar com você?

- Claro, claro. – Eu não consegui evitar o sorriso que surgiu em meu rosto quando ele disse isso. – Nós podemos lavar a louça.

- De jeito nenhum. – Eu interrompi. – Facas e Jacob não é uma boa mistura. Eu lavo a louça, Edward me ajuda, e vocês conversam.

- Pai… Eu sei que eu estou de castigo – Jacob arregalou os olhos – mas eu posso dar uma volta com ele? Voltamos em no máximo meia hora.

- Claro, querida. – Edward sorriu – Mas só porque você precisa caçar. Pode demorar mais, se quiser. Jacob, tome conta dela.

- Sempre tomo. – ele sorriu. – Bells… Você pode colocar o escudo sobre nós? Se o Edward não ligar, claro.

Olhei para trás e percebi que Edward estava assentindo, então apenas sorri e disse que tomassem cuidado.

- Duas horas, Jake. – Eu acrescentei. – Se demorar mais, eu tiro o escudo e vou atrás de vocês.

- Sim senhora, capitã. – Ele foi caminhando até a porta, onde Renesmee já estava esperando, com roupa de caça.

Obrigada. Ela enviou enquanto saía com Jacob.

Sorri e fui até a cozinha, com pressa de lavar a louça logo. Edward apontou para a máquina de lavar louça, e eu sorri.

- Charlie me acostumou, sabe. Não sei por que Alice ainda insiste em colocá-las. – Revirei os olhos, acabando a última faca. Ter a velocidade de um vampiro era realmente muito útil. Edward guardava tudo o que eu lavava, e nós havíamos terminado em menos de cinco minutos.

- Não temos mais visitas. – ele sorriu.

- Não, – eu o abracei – não temos.

- Isso quer dizer que podemos fazer barulho?

- Quanto barulho o senhor desejar, senhor Cullen. – eu sorri, sussurrando em seu ouvido. – Durante duas horas.

Ele me pegou em seus braços e me carregou até o quarto.

- Melhor não desperdiçar mais nenhum segundo, então.