Plus Que Ma Propre Vie.
45 Capítulo 45
Mamãe, Renesmee me enviou o pensamento enquanto terminava de comer o último pedaço do bolo de amoras feito por Sue, nós podemos ir lá em cima?
Suspirei, sorrindo nostalgicamente. Desde a primeira vez que trouxemos Renesmee à casa de Charlie, a maior fixação dela ela era entrar em meu quarto, sentar na cadeira de balanços e ficar lá, apenas olhando em volta, por meia hora. Ela dizia que aquilo a fazia sentir mais próxima da minha vida adolescente, da parte humana de mim que ela gostaria tanto de ter conhecido. Das primeiras vezes, eu havia tentado explicar que meu quarto estava muito mais vazio do que quando eu vivia lá, mas ela ainda insistia que se sentia muito bem naquele lugar. Nunca discuti. Depois de alguns anos, quando nos mudamos, Charlie resolveu que era obrigação dele ter um quarto para sua neta, mesmo que fossem raros os momentos em que ela dormisse lá. Desde então, meu antigo quarto pertence à minha filha. Não era muito decorado, nada que lembrasse uma interferência de Alice ou Esme, mas era perfeito em sua própria maneira. O computador velho foi substituído por um notebook de última geração, que Charlie fizera questão de comprar. Segundo ele, Carlisle e Esme não eram os únicos avós que tinham direito de dar presentes caros à Renesmee. Não adiantou explicar que ela não precisava daquilo. A cama era a mesma na qual eu passei as melhores noites de minha vida humana, e Renesmee insistia que podia sentir meu cheiro ali, assim como o de Edward. Eu negava, sabendo que podia captar cheiros muito melhor do que ela, mas ela apenas revirava os olhos, dizendo que eu já não sabia mais reconhecer meu próprio cheiro. Com os anos, aquele passou a ser um dos quartos de Renesmee, e eu desconfiava que era um de seus favoritos.
- Claro que sim, querida. – Eu acariciei seu braço, esticando um guardanapo em sua direção com minha outra mão. – O quarto é seu, afinal de contas.
- Não sei o que você tanto faz parada naquele quarto – Charlie pescou rapidamente o assunto, entendendo do que estávamos falando, e então riu de leve – Fica lá apenas olhando para o nada!
- Não aja como se você não fizesse o mesmo, Charlie – Sue o interrompeu, levantando as sobrancelhas desafiadoramente. – Não são raras as vezes em que eu te encontro sentado na cama da Nessie folheando um álbum de fotos.
- Ora – Ele parecia envergonhado, e o sangue subindo às suas bochechas era um sinal disso. Aninhei minha cabeça no ombro de Edward que, diferentemente de mim, sentia falta do rubor em minhas bochechas. – Edward, você viu o jogo de ontem?
Sue apenas revirou os olhos e começou a rir, dando um tapinha no braço de Seth e apontando para a pia, para que ele lavasse a louça. Levantei da cadeira para fazê-lo, mas ele apenas sorriu para mim e disse que não via problema nenhum em lavar louça.
- Se você não se importa, Bella – Sue já havia começado a sair da cozinha, prendendo o cabelo agora mais comprido num coque firme – Preciso estender umas roupas que lavei hoje. Você sobe com a Nessie?
- Claro, sem problemas. – Eu sorri para ela. – Não quer ajuda mesmo?
- Não pergunte de novo. – Ela fingiu seriedade. – Ou ficarei ofendida.
Sorri, revirando os olhos, pois sabia que Sue nunca se ofenderia com gentileza, mas coloquei as mãos nos ombros de minha filha e comecei a empurra-la de levinho escada acima, enquanto Charlie levava Edward para a cozinha para mostrar a ele Edward uma reprise do tal jogo, no qual ele tinha certeza que algum juiz tinha cometido algum erro imperdoável. No topo da escada, Renesmee já havia acelerado o ritmo de seus passos. Quando cheguei à porta do quarto, ela já estava com o rosto colado na janela.
Não importa quanto tempo passe, seus pensamentos mais pareciam um sussurro, eu sempre vou sentir saudades de Forks. Ela se virou para mim para que eu visse seus olhos brilhando de apreciação pela paisagem verde que eu havia aprendido a amar. Aqui é minha casa.
Entendi completamente o que ela dizia. Forks era meu lar também. Cruzei os braços sobre a barriga, apoiando meu corpo na parede, e observei tudo ao meu redor. Sue mantinha o quarto totalmente limpo. Nada havia mudado desde a última vez em que havíamos estado ali, e isso era um alívio para mim. Eu não estava prontas para mudanças que envolvessem Charlie. Eu não sabia se estava pronta para qualquer tipo de mudança, na verdade.
Renesmee me surpreendeu ao não sentar na cadeira de balanço, mas se jogar na cama, dobrando seu corpo. Deita comigo? Ela perguntou e, em pouco mais de um segundo, eu já estava ao seu lado, aninhando-a em meus braços e acariciando seu cabelo.
- Estar aqui te faz pensar muito, não é? – Eu sussurrei em seu ouvido.
Ela apenas assentiu, engoliu em seco e então afundou a cabeça no tecido, fechando os olhos. Mamãe. O som se aproximava de um choro, o que fez com que eu me preocupasse instantaneamente. Eu não quero tomar decisões erradas. Eu não quero nos colocar em perigo. E eu tenho muito medo de estar fazendo isso ao me aproximar de Matt. Mas ele é meu amigo, mãe…
- Hey – eu a puxei para mais perto de mim. – Não há perigo para você. Nunca houve, e nunca haverá. E quanto ao resto de nós, estamos nos cuidando também, querida. Fred vai nos ajudar, e nós somos muito fortes. Principalmente quando se trata de proteger nossa família. – Eu beijei o topo de sua cabeça. – Agora pare de se preocupar e viva sua adolescência. Eternamente. – Eu ri de levinho.
- Eu te amo. – Ela preferiu dizer em voz alta.
Juntas nós olhamos uma nos olhos da outra e proferimos:
- Plus que ma propre vie.
Foi nesse momento de alegria, amor e carinho que eu percebi o reflexo pelo vidro da janela. Meu cérebro registrou o perigo automaticamente. Sem dizer uma palavra, dei um salto enorme, tirei o escudo para que Edward me ouvisse e comecei a correr para dentro da floresta de Forks, que eu conhecia tão bem.
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