- Castigo? – Renesmee parecia genuinamente assustada – Mas, papai… Eu nunca fiquei de castigo antes.

- Isso porque você nunca nos deu motivos. Não sei o que está acontecendo com você, Renesmee. – Ele suspirou – Não é nada grande demais. Só uma semana em casa.

- O quê? – O choque dela era, na verdade, quase engraçado.

Eu concordava em parte com ela… Castigo era uma surpresa para mim também e, ao meu ponto de vista, talvez nem fosse necessário. Mas eu entendia as motivações do meu marido. Não era apenas sobre puni-la por algo que ela fez, mas sim mostrar que tudo aquilo que fazemos tem consequências.

- Renesmee, – eu interferi – isso, para a maioria das pessoas, não é um castigo de verdade. Humanos da sua idade são proibidos de assistir televisão, usar o computador, ver os amigos. Pelo que seu pai disse, você vai poder fazer todas essas coisas. Dentro de casa.

- Conheço uma mulher – Edward sorriu – que passou por uma situação parecida. Mas ela tinha toque de recolher, e ficou de castigo por bem mais que uma semana.

O namorado vampiro dela passava as noites no quarto dela, sem o pai dela saber. Ou estou equivocada?

- Isso porque o pai dela não era um vampiro leitor de mentes. – Eu olhei em seus olhos. – A vida nem sempre é justa, querida. Acostume-se.

- E caçar? Eu vou poder caçar? Ou vou ter que me contentar com a comida humana? Eu estou com sede.

Olhei para Edward, curiosa. Nós nunca havíamos discutido termos de castigo para nossa filha. A cena era, basicamente, cômica. Percebi o olhar dele para mim, que significava, basicamente, que ele queria saber o que eu achava.

Claro. Nós dois sabemos o quão agonizante é ter sede. Mas ela não vai sozinha. Talvez nós…

- Sabe… – Renesmee interrompeu meus pensamentos – É bastante irritante assistir a essas conversas silenciosas de vocês.

- Você costumava gostar – eu sorri.

- Quando eu tinha dois anos de idade.

- Você vai poder caçar, Renesmee – Edward parecia sério – mas eu não quero mais saber de você sendo tão rude. E isso inclui seus pensamentos. Não educamos você para se tornar uma menina mimada, mal educada que é grossa com as pessoas e, principalmente com os pais. Respeito, querida, é a palavra chave.

- Sim senhor. – Ela abaixou a cabeça. – Eu peço desculpas. De novo.

- Chega de se desculpar, querida. Tenho certeza que suas atitudes mudarão, a partir de agora. Você sempre foi muito responsável. – eu sorri, me lembrando de alguém que eu conhecia muito bem, e que não era tão responsável assim. – Falando em responsabilidade… Ou na falta dela. Renesmee, você tem notícias do Jacob? Eu não o vejo há alguns dias…

- Não – ela suspirou – sinto a falta dele. – ela abaixou a cabeça e encarou o chão por alguns segundos. – Eu… Eu preciso contar algo a vocês.

- Devo me preocupar? – Edward disse, sentando ao meu lado na cama e acariciando meu ombro.

- Não, não… – ela sorriu – Bom, não comigo. Talvez com o Jake.

- Renesmee. O que aconteceu com o Jacob? – Eu sabia que não conseguiria disfarçar a preocupação que me tomava agora. Jacob era meu melhor amigo, e ele tem estado ao meu lado desde… Desde épocas muito obscuras da minha vida, das quais eu prefiro não me lembrar.

- Nada sério, eu acho… É só que ele… Ele ficou todo preocupado à toa e… E nós discutimos.

Antes que eu pudesse pedir que ela explicasse direito a história, minha mente já estava sendo invadida com suas imagens.

“Eu via um dia nublado, como quase todos os outros, e Renesmee estava deitada na cama dela, falando ao celular. Foi o dia em que fomos à casa grande juntos. Eu voltei mais cedo para o chalé, dizendo que estava com sono. Vocês insistiram para me acompanhar, mas eu disse que era melhor não. Lembram?Ela continuou mostrando as imagens, como fotos, daquele dia. Havíamos passado a tarde inteira na casa grande, rindo e nos divertindo com a família inteira. Quando ela percebeu que nós lembrávamos, voltou a mostrar o que queria. As imagens agora lembravam mais um vídeo do que uma sequência de fotos. Como se ela estivesse nos mostrando um DVD. Ela conversava com alguém ao telefone, e seu olhar estava perdido no teto. Foi quando Jacob entrou no quarto, com uma leve batida na porta, e sentou ao seu lado na cama. Surpreendentemente, ela não sorriu. Sua expressão se fechou numa careta, e ela se afastou o máximo possível no espaço apertado da cama.

- Tudo bem então, Matt — ela disse – Eu te ligo mais tarde. – Ela desligou o telefone e encarou um Jacob chateado. – O que você quer, Jake?

Ele parecia ofendido.

- Eu vim ver se você estava bem. Passei na casa dos seus avós, e Bella disse que você tinha vindo pra cá mais cedo. Perdão por ter ficado preocupado com você. – Renesmee revirou os olhos.

- Ai, Jake, que drama. Estou ótima. Vim pra casa porque queria dormir, só isso.

- Não era o que parecia. – Ele apontou para o telefone.

- Jacob, por favor. Vai ficar de ciúmes do Matt? Você não é meu namorado não.

- Não sou seu namorado, mas sou seu melhor amigo, e me preocupo com você. Esse garoto sempre me cheirou a problema.

- Você tem problemas com ele porque ele é bonito. Bonito demais pra um humano, até. Apesar de, tenho certeza, você já ter percebido que ele é humano sim.

- Renesmee, – ele a encarou, sério – você sabe que não é isso. Você já namorou antes, duas vezes. E eu nunca tive nenhum ‘problema’ – ele fez as aspas no ar, com os dedos – com isso. Não que eu particularmente achasse legal, mas eu sempre respeitei as suas escolhas.

- Jake – ela suspirou – eu sei que você vai sempre achar que o melhor pra mim é ficar com você e só com você, amarrada por uma corrente de ferro a você…

- Não, Ness. – ele a interrompeu – Não distorça as coisas. Você sabe muito bem que, como meu objeto de imprinting, eu vou sempre estar feliz quando você estiver. Suas vontades vão ser as minhas, contanto que elas sejam racionais e não te coloquem em perigo. Prova disso são seus dois primeiros namoros. Se isso fosse ciuminho bobo, já teria acontecido antes. Mas não. Eu sempre, sem exceções, apoiei você. Mas esse garoto, Nessie…

- Ah é, Jake? – Ela tinha lágrimas nos olhos – Se você está tão disposto assim a fazer todas as minhas vontades, então some! Vai embora daqui, eu não quero mais ver você e esse seu preconceito ridículo com o Matt. Só aparece quando tiver superado isso.

Enquanto Jacob ia embora do quarto, perplexo e extremamente triste, as imagens iam se distorcendo e, finalmente, sumindo”

- Renesmee – eu sussurrei, assustada. – Por isso ele não apareceu. Isso aconteceu há quase uma semana, filha. Ele deve estar arrasado.

- Mãe – ela estava chorando de novo – Eu não gosto que o Jake fique triste, mas essa história de implicância com o Matt é ridícula. Ele precisa superar isso.

- Docinho – Edward suspirou – Eu também não gosto muito desse menino.

- Pai! – ela exclamou, assustada – o que ele já fez de tão errado? Por acaso algum pensamento ‘inapropriado’? Porque, você sabe, nem todos estão acostumados a ter um leitor de mentes por perto, então as pessoas não tem o costume de controlar seus pensamentos.

- Não… Nenhum pensamento inapropriado. Não sei o que é… Mas talvez eu concorde com o Jacob – Edward moveu a cabeça para os lados. – e falando nele…

- Jake voltou? – Ela parecia dividida entre teimosia e alívio.

- Não – Edward ficou tenso. – Você tem uma visita. Uma visita humana, masculina e perfumada demais.