Chegamos em casa mais ou menos uma hora depois, com todos satisfeitos. Renesmee deu a sorte de ser a única a achar um puma, enquanto os outros de nós apenas encontramos cordeiros e alces. Rosalie e Emmett entraram primeiro, seguidos de Renesmee e Jacob e finalmente eu e meu marido.

- Bella – Emmett me chamou – eu não quis falar nada na hora, mas agora que já está tudo mais calmo, eu preciso comentar. Você foi incrível. Sério mesmo, eu estava quase pulando de animação quando você arrancou a cabeça dele!

Revirei os olhos e sorri, murmurando um “obrigada”, mas eu não me sentia tão feliz quanto ele. Pelo menos não até Renesmee se soltar da mão de Jacob e caminhar até mim lentamente, sorrindo do jeito mais carinhoso possível, e me abraçar. Obrigada, mamãe. Você me salvou mais uma vez. Eu te amo.

- Plus que ma propre vie. – Eu sorri para ela, tocando o pingente em seu pescoço. – Sempre, querida.

- Certo, eu acho que já tivemos ação demais por hoje. – Jacob revirou os olhos, sorrindo.

- Tivemos ação demais pelos próximos vinte anos. – Renesmee riu. – Eu quero bolo de chocolate.

- Você já está com fome, monstrinha?! – Emmett arregalou os olhos. – O único puma da floresta ficou todinho pra você, e você tem a cara de pau de dizer que está com fome?! – Ele riu um pouco.

- Não é fome. – Ela revirou os olhos. – É adolescência.

- Mas você vai ter 16 anos para sempre. – Rosalie sorriu. – Mesmo tendo só 12 agora.

- Essa é a vantagem. – Minha filha deu de ombros – Eu posso usar essa desculpa sempre.

Nós todos rimos um pouco, nos sentindo bem em descontrair após um momento de tanta preocupação, até que Jacob foi até a cozinha para preparar um bolo para ele e Renesmee.

- Deixa eu ir ajudar, amor. – Cochichei para Edward – senão coisa boa não vai sair.

Edward me beijou na testa e demorou um pouco para me largar, mas finalmente fui andando até a cozinha para encontrar Jacob, enquanto observava Emmett dizendo:

- Ok então, videogame, meninos contra meninas. Aposto que eu e Eddie podemos ganhar fácil de vocês duas.

- Até parece. – Renesmee respondeu. – Ninguém atira melhor do que eu, titio.

- Veremos. – Edward riu e eu ouvi enquanto todos eles sentavam no sofá e o videogame era ligado.

- Jake – Eu disse, entrando na cozinha ainda olhando para a sala – se você quiser, pode ir jogar. Eu faço o bolo.

Estranhei quando ele não me respondeu, mas apenas encarar seu rosto me explicou o que estava acontecendo. Ele tinha uma expressão de pura dor. Eu estava prestes a perguntar o que tinha acontecido, mas algo em sua expressão me impediu de verbalizar as palavras. Eu entendi que ele não queria que ninguém ouvisse, então apontei para minha cabeça, tentando explicar que meu escudo já estava sobre nós. Ele balançou a cabeça negativamente, e eu percebi que meu melhor amigo precisava de mim. E não poderia ser ali.

- Edward, amor – Eu coloquei a cabeça para fora da porta da cozinha. – Estamos sem farinha. Vou ao mercado com Jake e já voltamos, ok?

- Quer que eu vá com você? – Ele perguntou sem nem tirar os olhos da televisão, porém sorrindo, dando a entender que, mesmo não querendo, ele se levantaria se eu pedisse.

- Não precisa. Jake vai comigo.

- Certo, amor. Amo você.

- Também amo você.

Voltei para a cozinha e puxei o braço de Jacob, indo rapidamente até o carro. Dei partida e, quando já estávamos há alguns metros da casa, finalmente perguntei:

- Jake… O que aconteceu?

- Não é óbvio, Bells? – Ele parecia querer chorar. – Ela sofreu. Ela precisou de mim e eu não estive lá. Eu não pude impedir que ela sentisse dor!

- Jacob – eu franzi os lábios – não foi sua culpa. Eu também não estava lá, certo?

- Eu deveria tê-lo destroçado.

- Eu fiz isso.

- Arrancado lentamente cada um dos membros dele.

- Jacob. Eu matei alguém.

- Acho que nós dois estamos numa péssima situação.

- Tenho certeza disso.

Parei o carro em uma esquina vazia e recostei minha cabeça em seu ombro. Ele suspirou alto e eu repeti seu ato.

- Renesmee sabe que você sempre estará lá para ela, Jake. – Eu comecei. – E eu tenho certeza que ela não te culpa por não ter chegado 10 segundos antes.

- Eu deveria ter estado lá, Bells. Não importa se ela me culpa ou não, entende? Eu simplesmente não posso vê-la sofrer assim.

- Nem eu. – Suspirei mais uma vez. – E foi por isso que eu matei alguém.

- Sabe, Bells… – Eu senti que ele estava sorrindo. – Eu deveria tê-lo matado.

- Mas você fez a coisa certa. – Eu sorri também. – Você ficou com ela.

- Eu sempre vou ficar.

- Eu sei. – Uma sensação de felicidade invadiu meu peito, e eu levantei a cabeça para olhar em seus olhos. – Obrigada, Jake. Por cuidar da minha menininha.

- Obrigada por deixar eu cuidar, Bells.

- Mas não se esqueça que ela tem doze anos. – Olhei seriamente para ele. – E que eu já matei alguém.

- Agora você faz piada com o fato de ser uma assassina, né? – Ele revirou os olhos e, quando viu que o comentário dele não tinha sido muito agradável, seu rosto tomou uma expressão de arrependimento. – Hey, Bells, desculpa. Não foi minha intenção te magoar. E pode ficar tranquila, sua filha está segura comigo. Até os dezoito anos.

- Jacob! – Bati em seu braço, rindo.

- Hey, foi quando você se casou!

- Conversaremos isso depois. Você tem um bolo de chocolate para fazer.

- Achei que você fosse me ajudar.

- Depois que você falou comigo sobre tirar a virgindade da minha filha? – Eu olhei para ele, dando partida no carro. – De jeito nenhum. Você faz o bolo. Com sorte, ela detesta e decide virar freira.

Eu não sabia como, mas tinha certeza de quais seriam as palavras que sairiam da boca de meu melhor amigo naquele momento.

- Claro, claro. –Ele sorriu e nós continuamos nossa ida para casa.