Já na casa grande, estávamos todos sentados nos grandes sofás, conversando e rindo das bobeiras que Emmett dizia de vez em quando, mas todos nós tínhamos noção do que se passava por ali. Eu tinha pena de Jasper naquele momento, o clima estava péssimo até para mim.

- Mãe – Renesmee se soltou do abraço de Jacob para se curvar na minha direção. – Você já ligou pra vovó Renée essa semana?

Desde que havia me tornado vampira, eu ligava para Renée todas as semanas. Sempre com uma desculpa nova do motivo pelo qual não a visitava. Cada dia ficava mais difícil, mas era melhor do que perder contato. Tanto pra mim quanto pra ela.

- Não… – Me levantei do sofá, dando um beijo na mão de Edward, e caminhei lentamente até o telefone. – Posso usar o telefone daqui, Esme?

- A casa é sua também, querida. – Esme sorriu.

Disquei o número do celular de minha mãe, memorizado anos atrás e não esquecido nem mesmo durante a transformação em vampira.

- Bella?! – Ela soava maravilhosamente feliz. – Eu já ia ligar pra você. Você não ligou essa semana, fiquei preocupada.

Renée continuava tão perceptiva e doce como sempre. Eu sentia falta dela constantemente, mas sabia que era mais seguro para ela não me ver mais.

- Eu nunca esqueceria, mãe. – Revirei os olhos, rindo. – Fui acampar quarta-feira, só voltei hoje…

- Você, acampar? – Ela riu. – Você realmente mudou.

- Não fui só eu, né, mãe? Quem é que aprendeu a usar um telefone celular sem jogá-lo na parede?

- E eu sei que você está muito orgulhosa de mim por isso. – Ela riu. – Edward está aí?

- Está sim. – Eu olhei para trás. – Ele está mandando lembranças. Estou na casa dos pais dele. Esme e Alice mandaram um beijo também. E todos os outros.

- Ah, por favor, dê um beijo nelas por mim! No Edward eu sei que você já vai dar, de qualquer jeito. – Eu suspirei, rindo. – Você está gastando ligação para outro estado da casa dos pais do Edward, Bella? Foi essa a educação que eu te dei?

- Relaxa, mãe. Eu pago a eles depois.

- Minha menininha, uma administradora de empresa…

- O crédito é todo da Alice, mãe. Ela abriu a empresa, eu só gerencio.

- Bom, tenho certeza que tudo o que vocês fazem é muito bom.

Dizer à Renée que nós trabalhamos com uma empresa é o melhor jeito, porque a desculpa ‘viajar a trabalho’ pode ser repetida algumas vezes sem que ela desconfie. Além do mais, os Cullen realmente possuem muitas empresas.

- Alice realmente é um gênio em confecção de roupas…

- Certo, querida, pare de se menosprezar.

- Ok, mãe. Como está o Phil?

- Ele está bem… – Mas o tom de voz dela não dizia isso. – Nós vamos voltar para Phoenix.

- O quê? – Mesmo 14 anos depois, as lembranças da minha última passada por Phoenix ainda me assolavam, e eu precisava me esforçar para lembrar que James não podia mais machucar a minha mãe. – Por quê?

- Bom, porque não precisam mais dele em Jacksonville. – Ela começava a soar com raiva. – Aparentemente, o treinador que levou o time às finais pela primeira vez em anos está ‘ultrapassado’.

- Poxa, mãe… Isso é uma pena. – Eu franzi os lábios. – Mas eu tenho certeza que vocês vão ser muito felizes de novo em Phoenix.

- Com certeza, querida. – Eu podia ouvi-la se acalmando. – Conseguimos comprar a nossa antiga casa de volta.

- Isso é muito bom mesmo! Você deve estar sentindo muita falta de lá…

Eu estava. Mas eu não diria isso a ela, porque seria mais um pretexto para ela insistir que eu fosse vê-la.

- Muita mesmo… Mas as coisas não serão mais as mesmas, sabe? Não vou ter mais a minha menininha brincando no quintal.

- Mãe, eu não brinco no quintal desde que tinha quatro anos.

- Eu sei. – Ela riu. – Na mesma época em que o vizinho disse que era apaixonado por você, certo? O menino tinha quatro anos e uma certeza.

Rimos juntas, pensando no único menino que já havia tido interesse em mim em Phoenix. Por um momento, quis saber o que havia acontecido com ele. Provavelmente estava casado, com uma linda família. Quase tão feliz quanto eu.

- Eu morria de medo. – Eu lembrei. – Achava que ele era louco.

Fui recordando aos poucos de várias cenas da minha infância, e depois da adolescência. Foi então que eu percebi.

- Mãe… – eu suspirei. – Você, por um acaso, lembra o nome dele?

- Quer procurá-lo na internet, é? – Ela riu – Cuidado, Edward pode ficar com ciúmes.

Edward, ao me ver paralisada, chegou perto de mim, me abraçou por trás e sussurrou em meu ouvido, perguntando se estava tudo bem. Coloquei a minha mão livre na boca dele e falei.

- Hn, claro, mãe… Você lembra?

- Acho que sim, querida… – Ela pensou por alguns segundos. – Acho que o nome dele era Steve.

Renée continuou falando algo sobre não lembrar o sobrenome, mas eu não prestei atenção. Porque eu entendi. O nome dele era mesmo Steve.