Pleasure - One shot

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Recomendam que ouçam a música Tara - Pabllo Vittar que foi a fonte inspiradora para isso.

Quente. Aquilo era quente e ninguém ali parecia se importar de deixar cada vez pior. Os corpos se remexiam, subiam desciam e arfavam em meio as luzes coloridas que piscavam e giravam pela paredes da balada.

A música era alta e parecia fechar ainda mais a atmosfera do lugar, mesmo assim não conseguia parar, tudo lhe envolvia ainda mais, lhe fazia querer mais, era um misto de emoções gostosas subindo a garganta, tonteando a visão e enebriando a mente.

Era boca e pele, olhos e cabelos, era tudo e mais um pouco que fazia aquilo tão gostoso, tão perfeito. Bocas se encontravam numa gostosa conversa a sua direita e a sua esquerda em suas costas corpos se enroscavam dando vida as notas que batiam das caixas de som e sua frente o olhar ia certeiro na fonte de seu maior encanto em todo aquele lugar.

Olhares curiosos foram trocados, convites silenciosos sendo feitos e desfeitos mais rápido do que um piscar de olhos, era um jogo de “sim” ou “não” que parecia mais eterno do que os poucos 10 min que se valiam todo aquele batalhar.

Virou questão de passos, um encontro planejado no acaso do sorriso cruzado para que pele e boca se conhecessem, corpo e corpo se enroscaram naquela troca gostosa de vibrações se reconhecendo em meio a escuridão.

E se repetiu. Uma. Duas. Cinco vezes.

Um aceite sonoro dessa vez e as paredes do lugar se tornaram sufocantes, o espaço ficou pequeno dado a grandeza daquelas vontades, e assim se fazia preciso ar e mais. Mais do que ar, se fazia preciso novas paredes longe daquele lugar.

Eram quatro paredes somente agora, e os envolvidos de antes agora se viam livres e podiam respirar, fazer do prazer sua nova música e aproveitar. Delirantes os corpos dançavam uma sinfonia de sentidos, se desmanchando na falta de pudores, se declarando nos olhares famintos trocados, se entendendo com a fala sem voz da boca entretida na pele, da língua afundada na fonte do gosto, do bom gosto que era tudo aquilo.

A noite se fez dia e testemunha do entreter mútuo, do desmanche suado de corpo e alma que no enlace inebriante do prazer ainda se confundiam em taras e fetiches, o tempo não era nada para aqueles que tão envaidecidos estavam pelo calor doado, pelo suor recebido.

O fim se deu por exaustão, mas o esplendor daqueles tão bons sentimentos não deixavam que o fim fosse triste mas sim o contrário. Não se achava que era o fim, era apenas uma pausa. Uma promessa falada de que haveria mais daquilo, de que um encontro apenas foi pouco para almas que a tanto perdidas estavam e agora juntas se achavam.

Os encontros se repetiram mais vezes do que souberam contar e até hoje toda aquela tara, vem e se declara, aos amantes do começo ao fim.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!