Pleased to meet you
1 Único
Notas iniciais
— Eu não vou.
O loiro anunciou em alto e bom som, adentrando o espaço em que a namorada se encontrava. Sabia que ela odiava ser interrompida enquanto estava na biblioteca, mergulhada em seus livros. Mas estava com muita raiva dela para se preocupar em perturbar seu momento sagrado.
A castanha nem ao menos levantou os olhos do livro que tinha em suas mãos.
— Ah, mas você vai sim. E como você vai.
— Eu não sei se pretende me levar até o restaurante amarrado ou estuporado, Granger, mas daqui eu não arredo o pé.
— Sabe que sei manejar uma varinha bem melhor que você. Não me provoque, Malfoy.
— Podemos terminar aqui, agora mesmo. Inclusive estou fazendo isso. Não somos mais namorados, não pode mais me obrigar a nada. – Ele disse, ignorando seu comentário a respeito de seus dotes bruxos e se sentando no braço da poltrona em que ela estava.
— Guarde suas palavras de término para logo mais à noite. Depois do jantar, prometo me debulhar em lágrimas e espalhar para todo o mundo bruxo que você partiu meu coração. – Ela comentou distraidamente enquanto passava para a próxima página do livro
— Hermione, por favor...- Já que ser agressivo não funcionaria, implorar era sua única esperança. – Você não vê que não há a menor chance disso dar certo?
— Merlin, Draco! É apenas um jantar. – Ela declarou enquanto finalmente levantava os olhos para encará-lo.
— Um jantar que pode muito bem terminar em assassinato. E qual a necessidade disso, afinal?
— Eles são meus amigos, Draco. Se importam comigo. E eles tem suportado o meu namoro secreto a meses! Já passou da hora de apresentá-los.
— Não é como se nós não nos conhecêssemos. – Ele comentou, revirando os olhos. De repente, seu rosto se iluminou e ele começou a discorrer sobre o que achava ser uma ideia brilhante. — Você pode mandar uma carta, que tal? ‘’Olá, Testa Rachada e Cabeça de Cenoura, estou namorando o Draco, aquele mesmo, Draco Malfoy. O gostoso loiro da Sonserina. Sem mais explicações, adeus.’’
Hermione se limitou a rir, voltando sua atenção para o livro.
— Não adianta, Draco. Iremos jantar com Harry e Ron essa noite, sem discussões.
— Eu faço o que você quiser! – Agora ele estava realmente desesperado. Tomou o livro das mãos da namorada, obrigando-a a olhá-lo nos olhos. – Eu deixo até você comprar o strap-on e utilizar como comemoração do dia da mulher, como naquele filme trouxa.
Se antes estava rindo, a castanha agora gargalhava. Apresentar Draco para as diversões trouxas realmente tinha feito mal ao sonserino.
— É um proposta encantadora, sabe. – Ela passou as mãos pelas costas do loiro, agarrando firmemente o seu traseiro. – Mas vou ter me aproveitar do seu lindo bumbum em outra ocasião. Eu não entendo a sua angústia. Não estava tão nervoso assim quando foi conhecer os meus pais.
— Seus pais não me odiaram por seis anos do período escolar.
— Bom, você fez por merecer o ódio dos meninos, não é mesmo? E até mesmo o meu. Mas estamos aqui, juntos, como um casal. É só uma questão de tempo até que eles se acostumem com você da mesma forma que eu me acostumei.
— Com você é diferente, Granger.
— Não vejo como.
— Bem, nós transamos. – Ele deu de ombros, como se aquela fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Você não ia poder continuar me odiando depois de provar o quanto eu sou bom na cama
Hermione limitou-se a levantar uma de suas sobrancelhas, em um questionamento mudo sobre sua declaração.
— Além do mais, — Ele tornou a falar, antes que ela pudesse acusá-lo de prepotência – como se olhar para aqueles dois já não fosse completamente odioso, ainda terei que suportar o fato de que o Weasley é seu ex.
— De novo não...- Ela murmurou pesadamente, levando as mãos ao rosto. – Já conversamos sobre isso, Malfoy. Você sabe o quanto é infantil ter ciúmes de um namoro que acabou a mais de cinco anos?
— Não é ciúme, é reserva. Não vai ser nada agradável encarar aquele probetão a noite toda sabendo que vocês já dormiram juntos. E eu ainda não acredito que ele superou você. Onde ele encontraria mulher melhor, para começar? Não, não. Ele só está esperando o momento certo para tentar dar o bote.
A grifinória soltou um urro de frustação. Draco podia falar pelo resto do dia o quanto achava que Ronald tinha planos de reatar o relacionamento amoroso deles, há muito terminado e esquecido. A irrealidade daquelas palavras se tornava ainda mais intensa, levando em consideração que o ruivo estava envolvido com outra mulher.
— Contanto que se comporte, não me importa se vai ser agradável ou não para você. Sério, Draco. Eles são meus melhores amigos, são como irmãos que nunca tive. Uma extensão da minha família, por isso é muito importante para mim que vocês de deem bem.
E era ali que residiam os problemas do loiro. Não tinha medo nenhum do que Potter e Weasley poderiam fazer com ele quando descobrissem que ele era o namorado secreto de sua preciosa melhor amiga, ainda que pudesse ser algo bem doloroso e este pensamento lhe provocasse um ou dois arrepios. Mas a importância que Hermione dava a opinião dos dois o deixava alucinado. E se a reação deles fosse tão ruim que fizesse a castanha acreditar que aquilo tudo era um erro? Que eles nunca poderiam dar certo juntos? E se a convencessem de que o lugar dela não era ao lado de um Malfoy, fazendo com que Hermione o deixasse?
Ele estremecia somente de pensar nessa possibilidade. Sempre teve dúvidas quanto ser merecedor daquele relacionamento e agora todas elas estavam voltando para o assombrar.
Mas, obviamente, ele preferia ser torturado por três Cruciatus a revelar a Hermione a sua angústia em não ser bom o suficiente para ela. Então, vestiu sua melhor máscara de indiferença e usou sua arma preferida para afastar a dor: o sarcasmo.
— Como irmão? Você está de brincadeira, não é? Não sabia que era adepta ao incesto, Granger. Afinal, um dos seus ‘’irmãozinhos’’ já te comeu!
A castanha semicerrou os olhos para o namorado. Estava cansada daquele ciúme infantil, cansada da resistência dele quanto ao jantar. Decidiu que calaria a boca dele naquele exato momento, antes que ele pudesse dizer mais asneiras.
Antes que Draco pudesse raciocinar sobre o que ia acontecer, Hermione passou os braços pelo seu pescoço, colando os lábios com tanta fúria que ele se sentiu um pouco invadido. Mas, Merlin, como era bom. E quando a língua dela entrou em contato com a sua, ele se esqueceu de todas as dúvidas, receios e até o ciúme. No mundo só existiam ele, Hermione e aquela boca maravilhosa dela.
Ela desgrudou os lábios, descendo até o pescoço do loiro, deixando um rastro de beijos no caminho. Levantou-se até ficar de joelhos na poltrona, se esticando para chegar até o seu objetivo – o ponto fraco de Draco. Mordiscou o lóbulo da orelha do namorado, ouvindo-o ofegar. Sorriu, simplesmente. Havia ganhado aquela discussão.
Mas aparentemente, Malfoy estava mais arredio que de costume. Quando Hermione finalmente terminou seu trabalho no pescoço e orelha dele — um trabalho muito prazeroso que envolvia língua e dentes – Draco a afastou, empurrando seus ombros até que ela estivesse sentada novamente.
— Você não vai me desviar com beijos, Granger. – Ele se posicionou melhor de frente para ela, ainda sentado no braço do poltrona. – Esse jantar ainda está fora de cogitação.
Soltando um suspiro exasperado, Hermione apoiou sua mão despreocupadamente na coxa do sonserino.
— Você está certo, o que é um fato raro, inclusive. – Suas mãos foram subindo, chegando em uma parte muito sensível da anatomia masculina de Draco. Como se tivesse nascido para fazer aquilo, ela passou a apertá-la, tão levemente que podia ser considerada uma tortura. – Não são beijos que vão te desviar dessa teimosia.
— Nem tente me convencer com sexo, Granger. Não adianta. – Ele tentou manter seu tom de voz neutro, mas a verdade é que estava quase em combustão sob o toque dela. Dane-se Potter, Weasley ou seja lá mais quem a castanha queria que ele conhecesse. Ele só queria que ela aumentasse a pressão de sua massagem, tirando as suas roupas no processo.
— Eu não estou tentando te convencer com sexo, Malfoy. – Hermione parou o que estava fazendo de repente, e antes que Draco pudesse protestar ela já estava com as mãos em seu cinto, desfivelando o mesmo e puxando sua calça para baixo. Seus olhos encontraram se encontraram e ele viu o sorriso dela, tão malicioso e pervertido que chegava a ser obsceno. – Eu estou conseguindo.
****
Enquanto caminhava pela calçada, com Hermione em seus flancos, Draco se amaldiçoava por ter cedido a tentação.
Maldita castanha e seu sexo maravilhoso. Ela poderia convencê-lo até de colocar toda a herança em seu nome usando aquela arma. E como se não bastasse, ela ainda estava praticamente o escoltando até o restaurante. Não confiava nem um pouco nele.
— Hermione...você poderia ao menos tirar a varinha das minhas costas? Não é uma sensação muito agradável.
— Para assistir você fugir na primeira oportunidade? Não, obrigada.
Ele bufou, rezando a todas as divindades que chegassem logo ao destino. O que não demorou mais do que alguns minutos, visto que tinham aparatado perto dali.
— Certo...- Ela murmurou, finalmente abandonando o posto de guarda e ficando ao seu lado. — Está pronto?
A verdade é que ele estava a ponto de ter uma apoplexia. Mas apenas revirou os olhos.
— Estou sempre pronto.
Ela lhe sorriu, unindo suas mãos. Draco levantou uma das sobrancelhas. A castanha não era dada a demonstrações de afeto em público. Andar de mãos dadas para ela era algo "desnecessário e cansativo". Algo com que Draco concordava piamente.
— É para dar sorte. — Ela respondeu dando de ombros.
E então eles entraram.
Hermione correu os olhos rapidamente pelo estabelecimento. Avistou Harry e Rony não muito longe, e caminhou até eles, praticamente arrastando Draco atrás de si.
Os dois rapazes sorriram quando viram a amiga se aproximando, mas suas expressões mudaram rapidamente quando perceberam quem estava com ela.
Draco assistiu, com o rosto impassível, a cara do Weasley se contorcer em algo que parecia ser uma mistura de ódio e nojo. Potter, por sua vez, desatou em uma gargalhada tão intensa que chamou a atenção de metade do restaurante.
— Foi um ótimo truque, Mione. Meus parabéns. — O moreno comentou, enxugando as lágrimas provocadas pelo riso. — Agora pode nos apresentar o seu verdadeiro namorado.
— Harry, ele está bem na sua frente.
A voz da Grifinória estava tão calma que Draco levou um susto. Como ela podia estar tão tranquila com a tragédia prestes a acontecer em sua frente?
— Mione, na minha frente está o Malfoy. Ah não ser...É claro. Seu namorado está sobre efeito da poção polissuco! Você é brilhante, Mione! Mas me diga, como conseguiu uma parte do Malfoy para completar a poção?
O loiro estava impressionado com a quantidade de besteiras que tinha escutado. Sentiu a mão ser largada pela namorada, que já estava mostrando os sinais da impaciência.
— Harry, pode parar de brincar? Meu namorado é o Draco.
— Eu não estou brincando, você que está. Nos trouxe para esse jantar e...- A voz do Menino que Sobreviveu se perdeu enquanto ele avaliava o casal a sua frente. — Meu Merlin, não pode ser...
Mas não tiveram muito tempo para apreciar Harry Potter finalmente caindo em si. Pois naquele momento, Weasley tinha saído de seu estupor, levantando da cadeira e puxando a varinha no processo.
— SEU..SEU DESGRAÇADO! — O ruivo berrou, fazendo com que Hermione tivesse um sobressalto. Se antes metade do restaurante estava os observando, agora eles tinham atraído a atenção de todo o recinto. — O que fez com ela?! Vamos, responda! Ela está sobre efeito da maldição Imperius, não é?!? É bom abrir a boca antes que acabe com sua raça, Malfoy!
— Protego!— Draco olhou para o lado e viu Hermione com o rosto lívido, a varinha apontada para o espaço entre eles e os seus amigos.- Francamente, Ronald! Acha mesmo que eu ia passar meses sobre o efeito de uma maldição?
— É a única explicação, Mione! Você não quer que a gente acredite que está namorando essa doninha albina.
— Eu ainda estou aqui, Weasley.
— E eu ainda não sei porque não se mandou! Vamos, Mione. Desfaça esse mal entendido.
— Não tem mal entendido nenhum, Harry. — A castanha usava um tom de voz tão doce, como se explicasse algo para uma criança. — Prometi a vocês que apresentaria meu namorado hoje. E é o que estou fazendo. Podemos nos sentar e tentar ter um jantar agradável? Eu já estou cansada de ficar aqui parada com metade do restaurante me encarando.
Os dois amigos permaneceram mudos. Seus olhos iam de Draco para Hermione, tentando absorver a realidade de suas palavras.
— Rony...posso tirar o escudo?
— Tudo bem...- Ele resmungou enquanto se sentava — Mas se ele tentar alguma gracinha, eu o azaro.
Quando os quatro estavam devidamente acomodados, Draco avaliou a situação. Bom, tinham passado mais de dez minutos, mas ele ainda estava inteiro.
Não sabia se teria tanta sorte até o fim da noite.
Hermione, por sua vez, estava segurando o riso. Era realmente cômico o modo com que os três rapazes se encaravam. Sentia que o pior já tinha passado, por isso respirou aliviada enquanto pousava as mãos sobre a mesa.
Ainda assim, calculava se seria rápida o suficiente para lançar um Expelliarmus em cada um dos seus acompanhantes caso eles resolvessem duelar.
— Tudo bem, podem começar as perguntas.
Não passaram nem dois segundos até que eles desatassem a falar.
— Você está louca?
— Tem certeza que não foi amaldiçoada?
— Certo que você tinha dito que era alguém que conhecíamos, mas pensei que fosse, sei lá, o Neville! Ou qualquer outro! Qualquer pessoa seria mais plausivel!
— Até mesmo imaginei que seria o Viktor Krum, e olha que você sabe que não gosto dele! Merlin, quem dera que fosse...
— Você esqueceu quem ele é?
— Hermione, ele foi um comensal!
— Como foi que isso aconteceu, afinal de contas?
— Você não pode ter acordado um dia e simplesmente ter decidido que iria namorar o Malfoy!
— Gina ja sabe disso? Ela vai te matar quando descobrir!
— Ok, chega. — Ela falou, mas aparentemente eu tom não foi o suficiente para calá-los. — Eu disse chega!
Os dois grifinórios pararam de falar, encarando a melhor amiga.
— Em primeiro lugar: eu não estou louca, nem amaldiçoada. Em segundo lugar, não sei como podem ter pensado em Neville, afinal ele está noivo. Em terceiro, eu confio muito no meu julgamento de caráter e esperava que vocês confiassem também. O passado dele não pode ser anulado, mas ele é uma pessoa diferente agora.
Draco soltou um sorriso zombeteiro, se deliciando com a repreensão que os dois estavam recebendo de sua namorada.
— As coisas aconteceram como tinha que acontecer. Eu não acordei premeditando isso. Por acaso algum de vocês dois escolheram quem iriam gostar? E sim, Gina já sabe. E está muito feliz por mim, como eu imaginava que vocês estariam.
— Contou para Gina antes de nos contar? Nós é que somos seus melhores amigos!
— Me poupe, Weasley. Você por acaso é alguma criança? Vai disputar agora quem tem a maior atenção da Granger?
— Não se meta, Malfoy! Isso é um assunto de amigos. E olha isso, Mione. Ele ainda te chama pelo sobrenome!
— Alguns hábitos nunca morrem. — O loiro deu de ombros. — E eu me meto sim, afinal é da minha namorada que você está falando!
— Antes dela ser qualquer coisa sua ela é nossa amiga!
— Bom, agora ela é minha namorada e você não pode mudar isso!
— Pode, por favor, parar de falar essa palavra? — Potter pediu, passando a mão pelo rosto em um claro sinal de desconforto. — Toda vez que você fala isso e tenho que associar a imagem de Hermione, sinto que vou vomitar o que eu ainda nem comi.
— Ah, isso te incomoda, Testa Rachada? — Draco passou o braço pelos ombros da castanha, puxando-a para si. — Pois eu repito: minha namorada, minha namorada, minha namorada!
— HERMIONE! HERMIONE, OLHA ELE! ELE ESTÁ PROVOCANDO!- Rony tornou a gritar e a castanha enterrou o rosto nas mãos. Ledo engano achar que tudo já estava bem.
— Sua doninha está me chamando de Testa Rachada, Mione!
— Doninha é a senhora sua vó!
— Ah, Doninha não? Que tal oxigenado? Nunca achei que esse cabelo fosse natural. Se for, só lamento por você.
— Quer mesmo discutir cor de cabelo, Weasley? Jura? Com essa sua cabeça em chamas acha que tem direito de opinar sobre tons?
A discussão se seguia, e novamente todo o restaurante estava os olhando. Hermione decidiu que tinha que por um fim naquilo o mais rápido possível.
— MAS QUAL O PROBLEMA DE VOCÊS? Será que não podem ficar quinze minutos fingindo que são adultos? É pedir demais? Nem ouse abrir a boca. — Ela apontou para o ruivo que fez menção de dizer alguma coisa. — Você também não, Malfoy! Vocês vão segurar essas bundas nas cadeiras e jantar de maneita civilizada! Não quero ouvir mais apelidos E MUITO MENOS PROVOCAÇÕES!
— Hm... Mione...
— O QUE É? — Ela se virou para o moreno que se encolheu frente a tamanha explosão.
— O garçom está tentando entregar o cardápio.
A grifinória olhou para o lado e notou a figura de um rapaz franzino, claramente assustado com a discussão.
— E-eu não queria interromper, senhora...
— Tudo bem, não precisa se desculpar. — Ela sorriu docemente. Nem parecia que estava dando a maior bronca de sua vida a alguns segundos atrás. — Pode passar o cardápio.
Durante mais ou menos uma hora, eles desfrutaram do jantar normalmente. O silêncio reinou na mesa, sendo quebrado por uma ou duas perguntas que sempre partiam de Hermione. Ela fez inúmeras tentativas de engatar uma conversa onde os quatro participassem, mas estava vendo que aquilo seria impossível.
Suspirou pesadamente. Queria muito que os garotos se dessem bem com Draco. O sonserino era importante para ela, e chegava a pensar que nunca gostou tanto de um namorado. A aprovação e bênção de seus melhores amigos era essencial para que tudo desse certo.
Quando eles partiram para a sobremesa, Draco se levantou para ir ao banheiro. Aproveitando a ausência do loiro, os dois amigos viram a chance que tinham para interrogar Hermione decentemente.
— Mione...não, não me azare. — Harry levantou as mãos em sinal de rendição. — Você tem certeza disso?
— Eu nunca estive tão certa em toda minha vida, Harry.
— Não pode nos julgar, Mione. Nós queremos seu bem, e é meio difícil aceitar você do lado do Malfoy.
— Eu sei que querem o melhor para mim, mas acredite quando digo que estou feliz com Draco. Ele me faz feliz.
— Mas, Mione. Ele é o Draco. O prepotente, arrogante, desalmado.
— Olhe, eu entendo o receio de vocês. Sei que é difícil de acreditar, mas ele se tornou uma pessoa diferente, uma pessoa pela qual eu posso me apaixonar.
Rony revirou os olhos, suspirando. Aparentemente não tinha muito o que discutir.
— Se você diz...mas se ele fizer uma coisa, uma só coisinha...se ele te magoar de alguma forma...
— Eu sei. — Ela sorriu, pousando sua mão na do amigo. — Vocês acabam com ele antes mesmo que ele possa pronunciar hipogrifo.
— É isso ai! O importante é a sua felicidade, Mione. Mesmo que seja do lado da doninha. — Harry exclamou, provocando risos na castanha. O moreno se esticou na mesa, unindo sua mão formando um aperto triplo.
— Vejo que fizeram as pazes.
Draco comentou, encarando a cena na sua frente.
— Nunca brigamos com a Mione, Malfoy. Nosso problema é com você.
— Vai ter que me suportar, Weasley, já que ficar perto de Hermione significa ficar perto de você. — Ele declarou, se sentando em seu lugar.
— É, é, já compreendemos isso. Mas não pense que vai ser assim tão fácil.
— Estamos de olho em você, Malfoy.
— Se sair da linha, será um homem morto.
— Aliás, quais são suas intenções para com a Mione?
Draco teve um acesso de tosse frente a essa pergunta.
— Co-como assim, minhas intenções?
— A transfiguração do quarto ano te deixou surdo? Suas intenções, o que você pretende com ela.
— Não vá achando que ela é um brinquedo, não é mais uma dessazinhas que você pega por ai.
— Eu nunca pensei isso dela! — Ele declarou, estupefato.
— É bom não ter pensando mesmo!
— As intenções, Malfoy. Estou esperando.
— É, Draco. — Hermione se meteu no discurso. Seu rosto estampava um sorisso malicioso e o loiro quase teve medo. — Diga para os garotos quais são suas intenções comigo.
— Eu..eu..
— Você o quê? — Rony interrompeu, revirando os olhos.
Draco se desesperou. Merlin, o que diria? Sentia que aquele era o momento que tinha que provar para aqueles dois que realmente gostava de Hermione. Odiava ter que dar satisfações ao Potter e Weasley, mas era o futuro do seu relacionamento que estava em jogo.
— Eu só quero fazê-la feliz. — Ele declarou em tom baixo. — Esta é a minha intenção, Weasley. Fazer de Hermione a mulher mais amada deste mundo. Satisfeito?
Nenhum dos três espectadores teve uma resposta para aquilo. Harry e Rony não podiam revidar uma declaração daquelas. Aparentemente, teriam que empurrar o sonserino garganta abaixo. Pelo bem de Hermione.
— Bom, acho que vocês já torturaram meu namorado o suficiente. — A castanha declarou, se levantando. — Está na hora de ir.
As despedidas se seguiram sem mais problemas. Harry e Rony até murmuraram um "Tchau, Malfoy" depois de abraçarem sua amiga. Draco sentia em seu íntimo, que tinha passado no teste, ainda que não entendesse como.
— Viu, não foi tão difícil. — Draco sentiu as mãos da namorada em suas costas, assim que chegaram à casa dela.
— Fale por você, Granger. Não foi a sua vida que foi ameaçada por pelo menos duas vezes.
— Me poupe, eles não iam matar você. Machucar um pouco, talvez. — Ela deu de ombros, sentando-se em seu colo. — O importante é que eles aceitaram nosso relacionamento. Somos namorados oficiais para todo o mundo bruxo.
— A opinião deles conta tanto assim para você? — Ele falou, olhando diretamente nos olhos da grifinória.
— Claro que conta, Draco. Já disse, são meus amigos.
— E eles poderiam fazer você mudar de decisão?
A castanha estreitou os olhos para ele. Mas que diabos de pergunta era aquela?
— O que quer dizer?
— Sei lá...eles poderiam querer que você se afastasse de mim.
— Você realmente acha que eu mudaria a minha vida com medo de desagradar alguém? — Ela soltou uma gostosa gargalhada. — Você é ridículo, Malfoy.
Draco foi tomado pela sensação de alívio. Tudo estava bem. Potter e Weasley não o mataram, nem tentaram destruir o seu namoro. Mas ainda tinha uma dúvida que persistia.
— Er...Hermione? — Ele chamou a atenção dela, já que sua cabeça se encontrava pousada no ombro do loiro como se estivesse dormindo. — Eu tenho uma pergunta.
— Diga.
— Você tem certeza que o Potter é casado com a Weasley fêmea?
— Claro que tenho. Eu estava presente no casamento. Por acaso está ficando doido?
— Se você diz...Mas eu tenho certeza que o Testa Rachada tem uma inclinação para gay. E que ele tem um relacionamento com o Weasley. Eles até completavam as frases um do outro!
Hermione revirou os olhos, pousando a cabeça no ombro de Draco novamente. Sentia que ainda teria que mediar muitas brigas entres os três homens da sua vida.
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