Please, stay with me and don't let me go
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Pela janela, Kate podia ver a lua brilhando alto no céu. Ela já tinha terminado todos os relatórios pendentes, mas continuava na sua mesa, fingindo escrever alguma coisa, quando na verdade estava apenas observando Castle na sala de descanso.
Ele tinha se levantado quase uma hora atrás, quando seu telefone tocou. Ele nem tinha tentado esconder o grande sorriso que se formou quando percebeu que era uma das mulheres com quem ele tinha saído naquela semana.
Kate só não sabia se aquela era a loira de quarta-feira, ou a falsa loira de quinta feira. E não era só o cabelo da mulher que era falso, Kate sabia muito bem, mas Castle parecia não se importar com isso.
Desde a sua ultima conversa com Lanie, a detetive vinha tentando achar um bom momento para dizer ao escritor o que sentia, mas quando ele não estava com outras mulheres, ou falando delas, ele parecia distante, como se estivesse ignorando-a. Então, Kate tinha estava agora tentando descobrir o que estava errado. Ela já havia perguntado duas outras vezes, mas ele sempre fugia do assunto, dizendo que estava bem.
Em um momento, Castle desviou seu olhar da mesa, para a detetive. Kate não se importou em ser pega, ela apenas sorriu docemente para ele, mas foi completamente ignorada. A conversa que ele estava tendo no telefone parecia ser muito mais interessante do que um sorrio sincero dela.
Seu coração apertou, o ar parecia percorre com mais lentidão. O que estava acontecendo com ele, com eles? Lembrava-se perfeitamente que quando ela sorria daquela forma, eles se perdiam no olhar do outro. Era algo que ela tinha aprendido a gostas de fazer, e ele não parecia se importar com aquela súbita vontade da detetive em ficar apenas admirando a imensidão azul que eram os olhos dele.
Mas agora, algo tinha acontecido e Kate não sabia dizer o que era. Só queria descobrir a ajuda-lo a superar isso, para ter de volta seu parceiro, seu amigo, e talvez... Seu futuro namorado.
Não podendo controlar mais sua curiosidade, ela foi até a sala de descanso, preparar um café. Na verdade tentar descobrir o que Castle faria naquela noite. Mas ninguém precisava saber que era essa a sua intenção.
Assim que chegou perto dele, percebeu a mudança no tom de voz. Ele parecia feliz, mas o olhar não enganava Kate, ele estava triste.
― Você tem certeza que não pode? — Perguntou, se levantando da cadeira.
Kate prendeu o ar. Então era por isso que ele estava triste. A mulher tinha cancelado o compromisso. Kate não gostava de ver Castle triste, mas também não gostava de ver que ele se importava tanto com a loira para ficar assim triste.
A mulher do outro lado da linha falou algo que fez Castle suspirar, arregalar os olhos, e então se contorcer.
"Nojento." Kate pensou, quando imagens dele com outras mulheres na cama vieram a sua mente.
― Certo, nos vemos em dois dias, estou ansioso para isso. — Ele sorriu, e desligou a chamada.
Por um momento nenhum dos dois sabia o que falar. O coração de Kate doía sabendo que ele queria se encontrar com outra pessoa, alguém que o faria feliz do jeito que ele merecia. Não alguém como ela que estava sempre com medo.
Castle percebeu o que ela estava pensando, ele a conhecia tão bem e podia entendê-la apenas pela expressão. Sabia que ela não tinha gostado da sua reação ao telefone, sabia também que ela estava incomodada com a situação.
― Então... Castle, os planos para essa noite não deram certo? — Ela quebrou o silencio, logo levando a caneca de café até os lábios.
― É, minha acompanhante teve que passar a noite com a avó, parece que ela estava mal. — Castle deu de ombros. ― Não é adorável? Ela é tão atenciosa com a avó, e além de ser linda, e uma ótima companhia.
Ele sorriu, olhando para o teto, como se estivesse lembrando-se de momentos que tinha passado junto com a mulher. Kate tomou um gole do café, esperando que isso ajudasse a conter as lagrimas que queriam se formar.
― Hm, eu estava pensando, Rick. — Usou o apelido, tentando chamar a atenção dele. ― Será que você gostaria de beber alguma coisa? Eu sei que não vai ser a mesma coisa que a sua acompanhante, mas...
― Eu planejava leva-la naquele novo restaurante no centro a cidade, mas é um local frequentado por pessoas ricas, é luxuoso, eu sei que você não gostaria de ir lá. — Ele disse, isso não era uma mentira. Kate concordou com a cabeça, ao menos ele ainda lembrava desses pequenos detalhes.
― Nós podemos ir a alguma lanchonete, algum lugar mais calmo. — Kate sugeriu, oferecendo um sorriso doce. Sabia que ele gostava e apreciava um bom restaurante, mas também sabia que ele adorava apenas ser um homem comum e aproveitar a boa comida de um lugar calmo.
― Eu acho melhor voltar para casa, aproveitar esse tempo livre na semana para ficar com quem eu realmente amo. — Ele fez uma pausa, ficando de frente para a detetive. ― Alexis. –Completou sorrindo.
Com um aceno, ele se retirou da sala, caminhando em direção ao elevador.
Assim que ele saiu, Kate jogou o café na pia. Estava horrível, assim como todos que ela fazia. Mas isso não chegava nem perto da sensação terrível que estava sentindo com as palavras dele.
Castle tinha ignorado ela, tinha rejeitado seu convide a praticamente dito que não gostada de passar tempo livre com ela. O problema não era ter rejeitado o convite para sair, o problema eram as palavras dele que estavam trazendo cada vez mais duvidas para Kate.
O que tinha mudado naquela semana? O que tinha feito Castle voltar a ser aquele homem do começo de sua parceria? E, porque ele não era mais o homem pelo qual ela tinha se apaixonado?
Kate largou tudo que estava fazendo e correu para as escadas, esperando encontrar Castle lá embaixo. Não aguentava mais esse clima tenso entre os dois, queria seu parceiro de volta e faria de tudo para resgata-lo.
― Castle! — Ela chamou, vendo que ele estava quase saindo.
Richard parou, não queria falar com Kate agora, sabia que ela estava machucada, e os dois acabariam brigando. No momento, ela merecia ficar com as duvidas, assim como ele, que tinha passada meses sem noticias dela há quase um ano atrás.
― O que foi Beckett? Eu esqueci alguma coisa? — Perguntou, já procurando o celular e as chaves.
Ele parecia apresado para sair daquele lugar, sair de perto dela, e Kate não perdeu mais tempo, tinha que falar agora.
― Na verdade, eu gostaria de saber qual é o seu problema. Tudo estava bem, e de uma hora para outra você começou a agir como um idiota, aparecendo com mulheres em todos os lugares, está me ignorando... — Kate teve que engolir o nó que se formava na garganta.
― Eu não tenho nenhum problema, estou melhor do que nunca. — Respondeu, sorrindo.
"Dói tanto, eu não sei mais o que fazer para tentar parar." Ele pensou, enquanto via Kate se contorcer, incomoda.
― Não Castle... Alguma coisa está errada, eu sinto, e você está diferente, como se a culpa fosse minha, e eu não sei o que fiz de errado.
― Não sabe, ou não lembra? — Ele perguntou, com raiva gritante nos olhos.
Era tão injusto com ele, que sempre fez de tudo para ser notado, sempre fez o máximo que pode para agrada-la, e mesmo assim, ela mentira para ele, por algum motivo, não querendo dizer que não o amava.
Kate o olhou de forma confusa. Do que ele estava falando?
― Você não sabe, não é? Você nem percebeu que eu estive lá, olhando para você pelo vidro, enquanto confessava para o garoto, que você lembrava-se de cada segundo.
― Você...
Oh deus, ele sabia.
Então era isso. Ele tinha descoberto e estava bravo com ela. Ela tinha mentido.
― Rick, eu sinto muito, eu não...
Ele levantou a mão, fazendo sinal para ela parar.
― Por favor, não diga. Eu já entendi, não preciso ouvir as palavras.
Ele disse, e parecia tão decidido. Mas Kate podia ver a dor nos olhos dele. E sabia que era tudo culpa dela.
― Eu acho que você entendeu errado, eu nunca...
― Beckett, já chega. — Ele a interrompeu, com um grito. Não tão alto, mas alto o suficiente para assusta-la.
Castle nunca tinha gritado com ela. Não dessa forma.
― Eu sei que você mentiu, e eu sei por que, então não precisa dizer isso, não precisa me humilhar mais. Você me fez de bobo durante um ano. Um ano. Eu entendo que você não sinta o mesmo, mas mentir? — Ele riu, era uma risada fria, não era Castle, não era seu Rick.
― Castle, por favor, me escute, você não entendeu. — Ela implorou, sentia seu coração apertar, e respirava com dificuldade.
― Não, eu não quero escutar, eu não quero saber, eu cansei disso, Beckett. Eu cansei de ser ignorado, eu estive aqui durante quatro anos, e todos os dias eu trazia um copo de café só para ver você sorrir, eu fui paciente, eu troquei a minha vida fácil para merecer você, eu tive que te ver com outros homens, e então, quando eu disse que te amava, você me ignorou por três meses, e mentiu durante um ano.
Amava. Ele a amava. Ela sabia disso. E ela o amava de volta.
Mas porque ele tinha dito como se isso fosse passado.
― Se você não sentia o mesmo, podia ter dito, eu ainda seria seu amigo, eu ainda te amaria, e eu lutaria mais ainda para ganhar o seu amor. Mas não. Você preferiu me fazer de idiota, me usar como seu brinquedinho, me dar esperança de que um dia olharia nos meus olhos e diria que me ama, eu estaria disposto a esperar o tempo que fosse, eu faria qualquer coisa para te ajudar a chegar onde você queria, para então ter o seu tão sonhado relacionamento, como você disse aquele dia nos balanços. Eu achei que estávamos caminhando na mesma direção, quando na verdade você me deixava sonhar, e um dia me acordaria, dizendo que era tudo ilusão.
Kate não disse nada, não sabia o que dizer, não conseguia pensar direito, não controlava nem suas lagrimas.
Ele tinha entendido tudo errado, achava que ela tinha mentido porque não o amava.
Como ela poderia não ama-lo? Depois de tudo que tinham passado juntos, cada vez que eles enfrentaram a morte, cada momento repleto de alegria ou tristeza, mesmo os dias chatos que passavam juntos na delegacia, um distraindo o outro enquanto Kate fazia os relatórios. Ele deveria saber do seu amor por ele, todos sabiam. Inferno, ela mesma não conseguia mais esconder.
Respirando fundo, Kate se preparou para explicar tudo. Não sabia o que falar, não sabia nem se estava pronta para explicar tudo, mas era preciso. Ou então ela o perderia.
― Rick, eu...
Quando levantou a cabeça, ele estava se afastando, caminhando na direção da porta, caminhando para longe dela.
― Aonde você vai? — Ela chorou, sentindo as pernas fraquejarem.
― Eu estou indo embora, eu cansei. Acabou. — Ele disse, não encarou os olhos dela, não conseguiria.
Castle virou as costas para ela, parando por um momento para pensar se era aquilo mesmo que queria fazer.
Não. Ele queria Kate Beckett.
Mas se ficasse, ele a beijaria, eles acabariam tendo uma noite juntos, e na manhã seguinte ela diria que era um erro, que não o amava.
E Castle sabia muito bem que a dor de perdê-la seria muito maior caso isso acontecesse. Então, ele baixou a cabeça e continuou a caminhar, tentando ignorar os soluços de Kate.
Ela caiu de joelhos, enterrando o rosto entre as mãos. Precisava fazer algo, qualquer coisa, precisa contar a ele o quando o amava, o quanto o queria, para sempre.
― Você disse sempre, Rick. Você prometeu estar aqui até o fim. — Sussurrou, olhando para o chão, não podia encarar os olhos dele, e ver que realmente o tinha perdido.
― Eu acho que esse é o fim, Kate, não posso mais fazer isso. — Ele disse, surpreso com a voz firme.
"Por favor, não me deixe ir." Pensou, enquanto encarava a mulher a sua frente, que ainda tinha a cabeça baixa. Mas ela não disse nada, não fez nenhum sinal de que o impediria.
Suspirando, ele não pode conter a lagrima que correu pela bochecha. Não podia, não queria acreditar que estava saindo da vida da única mulher que tinha amado de verdade. Estava saindo e ela não faria nada para impedi-lo. Um mínimo sinal, qualquer fio de esperança que ela lhe desse seria suficiente para fazê-lo ficar.
Mas Kate não fez nada. E como ela poderia sequer ter reação?
Rick estava saindo de sua vida, tinha desistido dela, do amor deles. Do futuro que eles construiriam juntos.
Talvez fosse melhor, ele merecia alguém melhor, não era? Isso era o amor, certo? Deixar a pessoa livre para ter uma escolha melhor. Kate Beckett queria ser sua escolha melhor. Queria ser a mulher que o faria feliz, que poderia completa-lo. Mas antes disso ela precisava estar inteira, precisava ser forte para ele, pelos dois.
Mas seu tempo tinha acabado, e ela não era forte o suficiente para ama-lo como ele a amava. E por isso ela o deixaria ir. Para que ele pudesse encontrar alguém para amar novamente.
Isso era o certo.
Levantou a cabeça e viu que ele já não estava mais a sua frente. Estava quase na porta, saindo da delegacia. Saindo da sua vida.
E se isso era o certo, porque ela sentia que tudo estava errado?
― Rick! — Gritou, correndo na direção dele.
Ele virou. Talvez ainda tivesse uma chance.
Kate se jogou nos braços dele, não se importava com mais nada. Deixava as lagrimas correrem livremente, seu corpo tremia com o pensamento de nunca mais vê-lo.
― Eu menti para você! Eu disse que não lembrava de nada, quando na verdade, as suas palavras estavam gritando na minha cabeça. Eu menti para você por quase um ano. — Ela confessou com a voz fraca, sendo cortada pelos soluços.
Quando finalmente teve coragem de olha-lo nos olhos, as lagrimas voltaram.
Richard suspirou. Estava magoado, sentia seu coração despedaçado de uma forma que não poderia unir os pedacinhos novamente. Estava bravo com Kate, chateado. Mas isso não diminuía o amor que sentia por ela. Pelo contrario, só o fazia perceber mais ainda o quanto a amava.
Vê-la chorando o deixava ainda mais triste. E era incrível como ela tinha o poder de confundir os seus sentimentos. Ao mesmo tempo em que sentia raiva dela por ter mentido, queria abraça-la e dizer que tudo ficaria bem, que eles ficariam bem.
― Kate, não chore, por favor. — Ele disse, em tom suave, esperando que ela parasse.
― Eu estraguei tudo. — Disse, se afastando dele e escondendo as mãos no bolso do moletom.
Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos.
― Kate, eu não quero que você chore. — Olhou para ela, tocando em seu ombro levemente.
Ela estava tão linda, as bochechas coradas, um leve biquinho nos lábios e os olhos vermelhos.
― Rick, não me deixa, por favor, não vai... — Ela agarrou os braços dele.
― Kate...
― Por favor, me de mais uma chance, só mais uma, eu prometo que posso explicar, eu posso... — Seus olhos se iluminaram. ― Eu posso te mostrar, venha para casa comigo, e se não gostar... — Baixou a cabeça. ― Então você pode ir.
― Kate eu não sei se é uma boa ideia ir para a sua casa, talvez...
― Eu juro Rick, eu posso explicar tudo, sei que não é o suficiente, sei que não vai mudar o que eu fiz, mas talvez, apenas talvez, se eu tiver muita sorte, você pode entender, e não vai me odiar tanto... Talvez você não me abandone.
Isso doeu. Mais uma vez, as palavras dela despedaçaram seu coração. Não aguentando mais vê-la passar por essa tortura, acenou com a cabeça e pegou a mão dela, permitindo-a liderar a caminhada.
― Você não tem que pegar sua bolsa? — Ele perguntou, vendo que ela não tinha nada em mãos.
Kate lembrou que tinha deixado tudo em sua mesa, na hora não se preocupou com nada. Mas se ela subisse para pegar as coisas, ele poderia...
― Eu te espero, não vou fugir. — Sorriu fraco.
― Obrigada, eu não demoro. — Ela disse, e correu pelas escadas.
Kate já tinha sofrido tanto, talvez ela tivesse uma boa explicação, e talvez não fosse o fim para eles.
Ela parecia tão desesperada quando ele estava saindo, parecia tão triste, quebrada... E por mais que quisesse fazer ela se sentir da mesma maneira que ele tinha sentido, Castle sabia perfeitamente que não era capaz de fazer isso, não propositalmente. Afinal, ele a amava.
Em menos de dois minutos, Kate já tinha voltado.
― Você ficou. — Ela disse sorrindo, surpresa e feliz. Pela primeira vez naquela noite ela parecia feliz. Seu olhar estava cheio de esperança.
― Sim, eu disse que ficaria, não disse?
― Sim, mas eu achei que você estava cansado de esperar por mim. — Olhou para o chão, envergonhada.
― Eu quero ouvir o que você tem a dizer. — Ele sorriu, tentando tranquiliza-la.
Ainda estava magoado com ela, mas se repreendia por seu comportamento, por ter exibido outras mulheres, por não ter insistido em conversar. Por quase ter desistido. Ele sempre soube que Kate era fechada, guardava seus sentimentos para si mesma, não deixava os outros chegarem perto.
Mas isso não queria dizer que ela não se importava.
“Droga Richard, é bom não ter estragado as coisas.” Pensou, enquanto olhava para ela.
― Vamos? — Perguntou, estendendo a mão para ela. Kate o olhou hesitante, por alguns segundos, mas acabou pegando a mão dele, e sorrindo.
― Vamos.
Ela não queria ir longe demais, as coisas estavam melhorando, mas não podia errar dessa vez, não podia perdê-lo novamente. Tinha que contar tudo, tinha que dizer o quanto o amava, deixar bem claro o que sentia.
E enquanto caminhavam até o carro dela, com as mãos ainda unidas Kate só podia pensar que queria aquilo para o resto da vida.
Queria poder ama-lo, acordar ao seu lado todos os dias, queria dividir sua vida com ele, e principalmente, queria tê-lo ao seu lado quando já estivesse nos últimos dias de vida, para poder dizer que ele tinha sido sua melhor escolha.
Quando percebeu, os dois estavam parados ao lado do carro, Castle a olhava sem saber o que ela estava pensando. Kate tinha um pequeno sorriso nos lábios e lagrimas brotando nos olhos.
Ele pensou em perguntar se ela estava bem, mas sabia que não estava bem, nada naquele momento estava bem. Então, limitou-se a perguntar se ela preferia que ele dirigisse, já que ela parecia um pouco agitada.
Ela disse que sim, entregou-lhe a chave e sentou no banco que normalmente seria ocupado por ele. Toda a viagem foi feita em silencio, Kate parecia mais calma, porém olhava para a janela o tempo todo, e todas as vezes que Castle buscou seu olhar, não pode nem ver o rosto da detetive.
Ela parecia calma, mas quando chegaram em frente ao prédio, todo aquele nervosismo e insegurança voltou. Ela nem parecia a mulher com quem Castle tinha convivido durante quatro anos.
― Você quer tomas algo? Água, suco... Quer um sanduiche? Ou eu posso pedir comida chinesa, italiana talvez...
Ela continuou andando pela cozinha e falando. Castle teve que puxa-la pelo ombro para ganhar sua atenção.
― Kate, eu estou bem, nós podemos conversar.
― Certo, eu vou... Você pode esperar no sofá? — Perguntou, franzindo a testa de forma adorável.
Castle acenou com a cabeça, segundo para o sofá, enquanto viu ela desaparecia em direção ao quarto. Rick percebeu o quanto ela estava se esforçando. Percebeu também que tinha causado a ela exatamente o que queria mais cedo, naquele dia. Tinha deixado ela desesperada, a beira loucura, achando que ele a odiava.
Naquela manha, era isso que queria causar a Kate. Queria vê-la sofrer assim como ele estava sofrendo. Mas agora, enquanto via ela nesse estado, não podia deixar de se perguntar se realmente era isso que queria.
Não. Sim. Não, não era.
Ele queria que ela estivesse feliz, sorrindo, brincando e revirando os olhos para as suas brincadeiras. Queria de volta as provocações que ela fazia com tanta confiança, não os olhares amedrontados que tinha recebido atualmente.
― Aqui. — Ela apareceu com dois livros nas mãos. Seus livros.
― Então você realmente é uma fã? — Não pode deixar de comentar, vendo que os dois livros eram alguns dos seus primeiro lançamentos.
― Não só eu. — Deu de ombros, abrindo os dois e entregando a ele.
Rick pegou cuidadosamente, percebendo que eram importantes para ela. O primeiro o surpreendeu. Estava autografado por ele, para Kate, mas o segundo, o surpreendeu mais ainda.
Era para Johanna.
― Eu conheci sua mãe? — Perguntou, ainda relendo as palavras escritas por ele mesmo.
― Ela amava seus livros. Eu não tinha lido até antes do... Do dia em que ela morreu. Eu encontrei seu livro nas coisas dela, e na gaveta tinham mais dois. No dia seguinte eu comecei a ler, passei o dia lendo até que terminei o primeiro. E isso tinha me feito tão bem, eu me sentia mais perto dela, e era a combinação perfeita da sua escrita com as anotações dela.
Kate esticou a mão e folheou o livro, mostrando a ele as anotações de sua mãe.
― Eu comprei seus outros livros, e foram eles que me deram esperança de que um dia eu ia ficar bem. Suas palavras me ajudaram tanto, e eu amava... Você sempre foi tão importante, as suas palavras na verdade, mas quando eu te conheci, realmente conheci o homem por trás daquela figura dos jornais, as coisas mudaram. Não eram apenas as suas palavras, era você.
Rick suspirou, atordoado. Ele sabia que Kate era uma fã, que tinha lido seus livros, mas nunca imaginou que era tão profundo. Nunca imaginou que ela tinha se refugiado nos seus livros, e agora ele só queria... Queria poder ter estado lá para ela, não apenas nas palavras. Mas queria abraça-la, ajuda-la a lembrar de como sua mãe a amava.
― Kate, eu não...
― Shh. -Ela levantou o dedo. -É minha vez de falar, eu preciso.
Ele concordou, e entregou os livros a ela novamente.
― Quando eu levei o tiro... quando eu realmente tinha percebido o que estava acontecendo, eu fiquei tão assustada, e eu não conseguia me mover, mal conseguia respirar, e então você estava ali dizendo...
Kate parou, de repente. Nunca tinha dito aquilo em voz alta, e agora ele estava ali ao seu lado e...
― Que eu te amava? — Perguntou, mesmo sabendo que era aquilo.
― Sim, eu queria responder, mas eu não tinha forças para nada, eu não podia nem manter os olhos abertos e então eu dormi.
Castle estremeceu, lembrando perfeitamente do momento. O medo de nunca mais ver sua musa abrir os olhos era torturante.
― E quando eu acordei, tudo clareou. Montgomery estava morto por minha culpa, eu tinha um buraco enorme no meu coração e não era só por conta da bala, eu ainda estava com Josh, e você... Eu não podia fazer nada naquele momento, então pedi um tempo, e eu juro, eu juro que não era pelo verão inteiro. Eu ia ligar. Mas depois que eu terminei com Josh e fui para a cabana com meu pai, eu percebi que as coisas estavam piores do que eu imaginava.
Kate soltou um suspiro, como se estivesse guardando aquelas palavras para si há muito tempo, como se estivesse quase se afogando e agora estava livre. E na verdade, era isso.
― Mas quando você voltou, você estava melhor Kate, você mesma disse, por que mentiu? Você podia ter me falado a verdade, eu sei que parecia bravo, mas eu só estava com saudades, preocupado, você não deu noticias durante todo o verão e eu... Só queria te ver. — Disse, a ultima parte saindo como um sussurro.
As palavras dele fizeram, mais uma vez, seu coração apertar. Ouvi-lo dizem como tinha sofrido, tudo por causa dela, era quase insuportável. Ela queria fazer alguma coisa, qualquer coisa ao seu alcance para tirar a dor dele, torna-lo o homem feliz e alegre que era antes disso acontecer.
― Rick eu... Eu estava melhor, fisicamente. Sim. Mas eu estava em um ponto da minha vida onde eu precisava me fazer inteira novamente, aceitar os fatos, enfrentar as coisas... Eu precisava voltar a ser a mulher que você amava. Eu queria estar completa, para poder ter o relacionamento que eu queria. Eu não menti sobre isso naquele dia nos balanços.
Kate fez uma pausa, pensando nas próximas palavras. Para ganhar tempo, arrastou sua mão até a dele, entrelaçando os dedos.
― Eu tinha que enfrentar todos os meus medos e arrumar minha vida, pois eu estava cheia de problemas e traumas. Eu me esforcei tanto Rick... Eu sei que não deveria ter mentido, mas eu realmente achava que devia fazer isso sozinha. Eu queria superar tudo aquilo, para poder ser a mulher que você merece. Não era justo deixar você me amar quando eu não podia retribuir da mesma forma.
Kate baixou a cabeça, suspirado profundamente.
― Eu fiz terapia, eu estava... Ainda estou, tentando fazer de tudo para ser a pessoa que você merece Rick. Eu acho que nunca vou poder ser essa mulher, mas eu te amo demais para deixa-lo sair e encontrar outra parceira melhor. Eu queria poder ser forte para suportar tudo isso, enfrentar o que está na minha frente e viver o nosso amor, mas infelizmente eu não sou.
"Eu te amo demais para deixa-lo sair” Ela o amava? Porque ele amava Kate Beckett com todo o coração, e se ela o amava também, não havia nada que o fizesse ir embora. Ele se desculparia pelo modo como tinha agido, ele a afaria entender que nunca seria tarde demais para eles, para o amor deles. Explicaria para ela que não era necessário se tornar uma mulher melhor, pois ela já era perfeita para ele.
― Eu sei que isso não apaga o que eu fiz, e sei que estar tentando não significa que eu possa algum dia ser forte o suficiente para enfrentar essa explosão de sentimentos, mas você merecia saber. — Kate olhou-o de forma insegura, mordendo o lábio inferior.
― Era isso que eu tinha para falar, não quero mais tomar seu tempo Rick, se você quiser ir embora eu vou entender. — Disse e desviou o olhar dele.
"Por favor, não vá.” Ela pensou, enquanto esperando sua reação. Não queria que esse fosse embora. Ela poderia se tornar forte o suficiente para viver esse romance com ele, mas nunca seria forte para perdê-lo.
Castle não sabia por onde começar. Ela tinha dito todas aquelas coisas e agora estava mandando-o embora. Deixando-o livre para ir, como se ela não quisesse agarra-lo e nunca mais soltar, assim como ele queria fazer com ela.
― Kate, eu... Eu não...
― Tudo bem Rick, você não precisa dizer nada, eu só queria te contar. — Deu de ombros.
― Kate eu não vou ir. Não vou te deixar. Eu disse todas aquelas besteiras, mas me desculpe, eu achei que você estava mentindo porque não me amava.
― Não. — Ela interrompeu. ― Não era isso, se fosse tão simples eu teria falado bem antes, mas não é simples...
― As melhores coisas da vida são conquistadas com muita luta. — Ele disse, chegando mais perto dela. ― Você foi a melhor coisa que me aconteceu. Você Kate, me fez mudar a forma de ver as coisas, de pensar a vida, você me fez uma homem melhor e me ensinou o que é o amor, o que é um amigo de verdade. Com você eu aprendi o que é ter uma parceira, uma mulher que estaria ao meu lado e lutaria comigo mesmo sem ver o inimigo, apenas para não me deixar sozinho. Eu aprendi que lutar por alguém sempre vai valer a pena, mesmo que a recompensa seja apenas um sorriso, ou um "bom dia" carregado de alegria, ou até mesmo um "boa noite" cheio de saudade. E eu não sei o que te faz pensar que você precisa mudar, porque Kate, você já é perfeita do jeito que é. Você é tudo o que eu quero, tudo que eu preciso e eu te amo.
Kate respirou fundo, tentando acalmar as lagrimas. Ela não poderia ter se apaixonado por alguém melhor. Ele sempre tinha as palavras certas para falar, e a fazia se sentir uma adolescente apaixonada pela primeira vez.
E talvez fosse isso. Kate Beckett estava amando de verdade, pela primeira vez. E ultima, pois não pretendia larga-lo nunca mais.
― Quando eu disse que o tempo tinha passado para nós, eu estava morrendo de medo de você me deixar ir embora, e quando eu disse que estava cansado de você, era uma grande mentira pois eu nunca me cansaria de te amar. Eu não preciso de mulheres divertidas e descomplicadas, eu só preciso de você, e também disse que estava cansado de esperar por você, e era outra grande mentira, se você realmente me ama, eu vou esperar o tempo que você precisar, mesmo que no fim eu tenha apenas alguns minutos com você. Mas por favor Kate, não me deixe ir, e não fuja mais.
― Eu te amo Rick, eu te amo mais do que eu posso suportar, mais do que eu já pensei que seria possível amar alguém, e isso me deixa assustada, parece que a qualquer hora esse sentimento vai explodir e eu não sei se vou ser forte o suficiente para enfrentar isso.
― E é por isso que eu sou seu parceiro, e sempre serei, se você ainda me aceitar, é claro. — Ele encolheu os ombros, com medo de Kate não o querer mais depois de ser tão ignorante nos últimos dias.
― Eu vou estar aqui sempre que você precisar, eu prometo, nós vamos enfrentar isso juntos, como sempre.
Rick se aproximou um pouco mais, com cuidado para não assustar Kate. Levou a mão até as bochechas rosadas, secou todas as lagrimas e, com o polegar, começou a fazer carinho no rosto dela. Sorriu instantaneamente quando ela também abriu um sorriso, olhando diretamente nos olhos azuis.
― Rick...
Tão lentamente quanto podia ser, sentiu os lábios dele tocarem os seus. Suspirou com o contato. Era tão bom, e tão mágico como um simples selinho podia fazer sentir-se tão amada e segura. Sentia que seu lugar era ali, nos braços de seu escritor.
Castle se afastou um pouco, para poder olha-la nos olhos, mas Kate o puxou pelo ombro, enterrando o rosto na curva do seu pescoço. Ele sorriu, acariciando os cabelos dela, enrolando seus dedos entre os cachos que sempre amou. Sentiu Kate depositar um beijo no seu pescoço, e logo depois, outro na bochecha.
Virou um pouco o rosto e capturou os lábios dela, dessa vez em um beijo mais intimo, mais profundo e muito mais urgente. Suas línguas se tocavam e ambos tinham a respiração pesada. A mão do escritor estava na nuca de Kate, segurando-a firme enquanto as mãos dela passeavam pelas cortas dele.
Beckett trocou a posição, sentando nas pernas de Castle e assim, intensificando o beijo. Sentia-se tão amada e tudo nesse momento parecia certo e perfeito. Não era apenas o fato de que Castle era, sem duvidas, o melhor com quem ela já tinha ficado, eram os toques de amor e paixão, ao mesmo tempo urgente e cuidadoso. Ele a fazia sentir-se única, especial e todos os medos que ela tinha pareciam sumir, cada vez que Castle a apertava mais contra seu peito.
Rick não podia deixar de pensar como tinha vivido tanto tempo longe da mulher em seus braços. Agora, que estava com ela, podia sentir o que era a sensação de amar e ser amado. Queria poder mostrar a ela que mesmo com os erros, ela era a mulher mais incrível e extraordinária que ele conhecia. Ela ainda sofria pela morte da mãe, mas se dedicava todos os dias para dar esperança a outras famílias, ela trabalharia dia e noite, se fosse preciso, para fazer justiça às famílias. E apesar de ser um trabalho difícil, cansativo e desgastante, era o que ela amava e se dedicava a fazer.
Ela era uma mulher forte, determina e guerreira, e ao mesmo tempo era uma mulher com medo, que teve o coração quebrado diversas vezes, por diversas pessoas. Ele queria preencher todos esses buracos que ela tinha no coração, fazê-la feliz e completa novamente, mostrar a ela que o amor existia sim e era a melhor coisa que um casal podia compartilhar entre si.
Kate Beckett merecia ser feliz, e ele trabalharia para proporcionar isso a ela.
Ela estava perdida, completamente perdida e entregue a ele. Se apenas os beijos já a deixavam assim, não podia imaginar qual seria a sensação de estar totalmente junto a ele. Mas estava prestes a descobrir, e não pode conter um gemido quando sentiu a língua quente brincar na pele sensível de seu pescoço.
Começou a desabotoar a camisa dele, e ele ajudou a tira-la, revelando o peitoral definido e os braços fortes. Kate sorriu, passando as mãos por toda a pele recém-descoberta. Ela já estava indo tirar o cinto dele, quando foi interrompida.
― Acho que você está usando muita roupa. — Ele sussurrou, e um arrepio percorreu o corpo de Kate.
― Acho que devemos levar isso para o quarto. — Ela sorriu, provocando-o com os lábios.
Castle concordou com a cabeça, e Kate se levantou, começando a caminhar em direção ao quarto, puxando o escritor pela mão. Ele passou os braços pela cintura dela, beijando a nuca enquanto ela ria alegremente dos leves apertões que faziam cócegas na sua barriga.
Pararam em frente a cama, e Kate o puxou para mais um beijo, tentando demonstrar tudo que não conseguia expressar em palavras.
Castle tirou uma mecha de cabelo dos olhos dela, levantou o queixo até os olhares se conectarem.
― Eu te amo, Kate. — Disse simplesmente. Seus olhos brilhavam e seu coração batia mais rápido por poder dizer isso a hora que quisesse. Parecia tão natural, como se fizessem isso a muito tempo.
― Eu também te amo Rick, nunca mais duvide disso.
Castle a deitou na cama, tirou a blusa que ela vestia e logo se deparou com a pequena marquinha que ela tinha entre os seios. Sabia muito bem o que era aquilo, e por um momento, não podia mais imaginar a dor que ela tinha sentido. Não só a dor física, mas também emocional.
Aquela pequena cicatriz representava muito para os dois. Era a lembrança do dia em que Castle quase tinha perdido o amor de sua vida, o momento que ele sentiu, pela primeira vez, medo de não ter tempo suficiente na vida para realizar seus sonhos, e aquela marquinha também era a prova de que Kate estava vida. Ela tinha lutado por sua vida, tinha enfrentado tudo e agora estava aqui com Castle, em um lugar onde eles podia finalmente aceitar tudo que tinha acontecido naquele dia.
― Ainda dói? — Ele perguntou, deixando ali um beijo.
― Não... — Ela o puxou para um abraço. ― Doía mais vê-la todos os dias e lembrar que eu estava mentindo para o meu parceiro que sempre fez de tudo para ajudar, mas eu acho que agora essa dor vai passar.
― É, eu acho que vai. — Ele concordou, e então continuo seu caminho de beijos.
Tirou o sutiã dela, e deu aos dois seios toda a atenção que mereciam. Notou o olhar inseguro de Kate, e então disse a ela que eram perfeitos. Kate sorriu, e inverteu as posições, ficando por cima dele.
Começou beijando o pescoço dele, os lábios e desceu pelo peito, tirou a calça e a cueca ao mesmo tempo, sorrindo para o volume que encontrou. Passou a mão por todo o membro, arrancando suspiros de Castle.
― Rick... — Ela sussurrou, voltado a beijar os lábios dele. ― Eu quero você.
― Eu sou todo seu. — Disse, tirando as ultimas peças de roupa que ela usava. Delicadamente, levou seu membro até a entrada de Kate, mas parou.
― Kate, eu não tenho preservativo. — Disse um pouco envergonhado.
― Eu... Também não tenho. -Franziu a testa. ― Mas eu estou segura, você...?
― Sim, eu também.
― Então tudo bem. — Ela o puxou pelo ombro, beijando-o enquanto era preenchida por ele.
Rick sentiu o perfume de cerejas na pele de Kate, nos cabelos e em todos os cantos do quarto. Era o cheiro dela, aquele que ele tanto amava. Percebeu também com sentia falta desse contato entre os dois. Claro, que aquele tipo de contato era completamente novo, mas sentira falta de estar perto dela na semana passada, e só agora percebia o quanto.
Eles já tinham se abraçado antes, até mesmo um beijo tinham compartilhado, mas aquele momento era algo completamente novo, e ao mesmo tempo era como tinham imaginado.
Um momento único, e ambos sabiam que estavam se viciando no outro, que depois daquela noite não conseguiriam mais se separar. Kate gritou o nome dele, se agarrando ao seu corpo quando foi atingida pelo orgasmo. Ele não demorou muito mais depois disse, e também gritou o nome dela.
Rick caiu exausto na cama, puxou Kate para junto dele, e ela deitou a cabeça em seu peito. Durante alguns minutos ficaram em silencio, apenas trocando caricias. Kate não conseguia tirar o sorriso bobo que tinha nos lábios. Levantou um pouco, ficando cara a cara com Castle.
― Isso foi incrível. — Ela disse, com o rosto corado. ― Você sabe que para mim isso não foi apenas... Uma noite, não sabe? — Perguntou, de repente todas as duvidas e inseguranças voltando a atormenta-la.
Não era para e ela, e sem duvidas não era para ele. Castle pretendia passar o resto de sua vida ao lado daquela mulher, amando-a e sendo amado por ela. Ela só precisava saber disso. Então ele falou.
― Kate, no momento em que te conheci eu estava completamente encantado, e ao longo dos anos eu fui percebendo que o meu amor não que apenas pela sua beleza e sua sensualidade, era pela sua força, sua paixão pelo trabalho, seu comprometimento com as famílias que já não tinham mais esperanças, pelo seu sorriso, seu olhar que podia mudar facilmente e mesmo assim era encantador de todas as formas. Com você eu aprendi o que é o amor, você se tornou minha melhor amiga e minha parceira, não só no trabalho, mas na vida. E você se tornou minha musa Kate, e quando eu digo que você me inspira eu falo a verdade, você me fez ver que o que eu tinha não era vida, beber e sair com mulheres que eu nem lembraria o nome no outro dia... Nada disso era vida, e quando eu te conheci Kate, eu tinha alguém para quem me tornar melhor.
Quando viu que ela estava com lagrimas, parou de falar. Sabia que não era de tristeza, afinal ela tinha um grande sorriso nos lábios.
― Eu não sou tão boa quanto você para escolher as palavras certas, mas eu te amo tanto, e eu acho que no fundo nós dois estávamos muito confusos sobre tudo isso, conversar nunca foi nosso jeito de resolver as coisas, mas a cada dia que passava eu tinha mais vontade de apenas gritar que te amava e que você era meu homem, mas eu não podia, pois isso resultaria em uma conversa definitiva e eu tinha tanto medo de não ser suficiente, de não ser realmente o que você procurava, e de não poder ser mais a pessoa que você conheceu anos atrás, porque depois daquele tiro muita coisa mudou.
― Nós não podemos simplesmente esquecer tudo e viver felizes para sempre, porque tudo que aconteceu, cada escolha certa e errada, nos trouxe aqui, nesse momento juntos, e nós sabemos muito bem que a história sempre importa. Não tem como simplesmente ignorar, mas Kate, nós tivemos muita emoção por hoje. Nós começamos o dia achando que seria o ultimo, e terminamos a noite com a certeza de que é apenas um novo começo.
― Nós vamos ter muito tempo para conversar sobre todas as coisas que aconteceram, não é? — Ela perguntou, com os olhos brilhando.
― Sim, nós vamos ter muito tempo juntos para falar sobre as histórias do passado e para escrever novas. — Castle sorriu também.
― Vem aqui. — Kate o puxou si, beijando o rosto dele.
― Eu te amo, Kate, nós vamos fazer isso dar certo, nós vamos ser incríveis.
― Muito bom saber disso, porque eu tenho uma arma e você não tem escolha. — Ela disse com cara de brava, mas logo sorriu, voltando a beija-lo. ― Ah, só mais uma coisa.
― O que?
― Amanhã você vai ligar para aquela loira falsa e desmarcar seja lá o que vocês iam fazer.
― Ah, sim. Eu posso me livrar dela agora mesmo se você quiser. — Ele disse, com leve preocupação no rosto.
― Não. Agora eu tenho outros planos para você.
Rick riu da cara que ela fez, e logo em seguia já estavam se perdendo nos beijos e em tudo que a noite ainda reservava para os dois.
Algumas horas atrás ela não imaginava que o resultado podia ser esse. Horas atrás ela estava com medo de perder seu parceiro, seu amigo, perder o homem que realmente amava. Mas agora, deitada nos braços deles, ouvindo palavras de amor que ele sussurrava, Kate sabia que tinha tomado a melhor decisão da sua vida.
Rick tinha acordado naquela manhã com raiva, magoado e tentando achar um modo de tirar Kate de sua mente e sua vida. Não sabia quanto tempo mais aguentaria conviver com a mulher que amava, sabendo que ela tinha mentido para ele. Mas agora ele estava feliz por ter ficado, talvez fosse algo inconsciente, mas ele ainda tinha esperanças de que eram feitos um para o outro. E agora, ele tinha certeza.
Os dois ainda estavam magoados, machucados, com medo do que o futuro reservava, mas estavam felizes, e dessa vez enfrentariam tudo juntos, como bons parceiros que eram. Não deixariam mais o outro fugir, pois agora estavam mais unidos do que nunca. E pretendiam ficar assim pelo resto da vida.
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