Please remember me.
3 Capítulo 3 - Aliança
Notas iniciais
–Clara! — Alguém gritou e ela se virou, procurando a pessoa no aeroporto lotado de Los Angeles. Tinha muita gente e as filas estavam enormes, não conseguindo encontrar ninguém. – Clara, aqui! – Gritou novamente.
Ela viu um braço abanando, no meio da bagunça de pessoas e era a Jessie, sua melhor amiga. Jessie não é nem alta e nem baixa, tem uma estatura média, com os cabelos ruivos e ondulados, caindo no vestido vermelho e combinando com a bolsa. Elas se conhecem desde os doze anos de idade, quando discutiram sobre um livro na biblioteca e brigaram feio. Após o evento, as meninas viraram amigas e com o tempo "irmãs de alma".
–Clara! – Jessie correu para dar um abraço forte nela, que o correspondeu contente. — Eu sinto muito, não pude ir à sua casa! E meu Deus, isso foi muito de última hora garota! Londres! Você vai para Londres, Clara!
–Sim, vou para Londres. – Sorriu meio triste. Jessie não sentiu o entusiasmo na voz de Clara e desconfiou de quem era a culpa.
–Por que está assim? — Perguntou segurando forte a mão da amiga. — É o Alex?
–Sim. — E desviou o olhar para ver se a mãe estava na fila, comprando as passagens.
–Clara, o Alex não é burro. – Isso a fez rir. É Claro que o Alex não é burro, ele é inteligente e muito. Sempre tira notas altas, Clara pensou. — Você sabe que ele não vai terminar só porque estão separados. – A amiga disse.
–Eu sei, mas eu não sei o que fazer. – Falou confusa e sem jeito. — Eu não quero ficar longe dele, Jess.
–Mas é claro que você não quer ficar longe dele. Um namorado lindo, sexy, gentil, forte, inteligente, todo ouvidos e além de tudo amoroso, quem quer ficar longe de um homem assim? – Jessie bufou. — Ele é um "doce" para os olhos das mulheres, é claro que você não quer ficar longe dele.
–Ai, Jess. — Ela estava rindo, rindo muito. — Você não quer roubá-lo de mim, quer? — Brincou.
–Eu bem que queria, mas ele é cego, totalmente cego e eu prefiro moreno. – A resposta de Jessie fez Clara levantar uma sobrancelha. — Ele não vê ninguém além de você, garota! Ele TE AMA! Você ainda não entendeu? ELE TE AMA CLARA! O cara é cego por você!! — Gritou, fazendo algumas pessoas a olharem.
–Jess, fala mais baixo! – Sentiu-se envergonhada. — Eu sei disso, eu sei que ele me ama.
–Então por que está tão insegura?! – Perguntou querendo arrancar os cabelos da amiga.
–Eu não sei! – Balançou a cabeça confusa. — Eu sinto que não posso deixá-lo sozinho! – Pareceu nervosa.
–Olha, ele já é bem grandinho para você ficar tomando conta dele, Clara. E você pode visitá-lo nas férias! — Jessie pôs as mãos nos ombros da amiga. — Não vai demorar muito para vocês se reencontrarem e até lá ele vai fazer qualquer coisa para saber onde esta, se esta bem, etc e tals. Entendeu? – Olhou confiante para a amiga e ela concordou.
Grazielle estava acenando, para que Clara se despedisse logo. Ela teria que ir.
–Agora aproveite Londres e vai nessa garota! — Jessie sorriu, dando um último abraço nela. — Vou sentir sua falta, Clara. – Segurou as lágrimas para não chorar.
–Eu também vou sentir sua falta, Jess. — E se afastou com um sorriso. — Não deixe de me ligar! – Gritou indo embora.
–Pode deixar! — Jessie sentiu as lágrimas caírem.
Clara estava com o celular na mão, sentada ao lado de um senhor que babava. Ela ia apertar o botão de desligar quando recebeu uma mensagem. Era o Alex e abriu um sorriso, alegre. Na mensagem dizia algo que a surpreendeu.
19/11/2012
De: Alex
Clara, deixei uma coisa dentro da sua bolsa. Abra.
Beijos e boa viagem.
Ps: Já estou sentindo sua falta, chorona s2.
Te amo, Alex.
–Besta. — Falou sorrindo e beijando o celular. — Te amo, seu besta. Não sei como vou aguentar ficar longe de você.
O avião estava pronto para decolar e Clara desligou o celular, pegando a bolsa para ver o que o Alex pôs nela. Ela ficou extremamente feliz depois de abrir e encontrar uma caixinha linda com a marca da Tiffany & Co.
– Esse idiota me ama mesmo. – Murmurou para si, abrindo e pegando o anel de prata, cristalizado, com o desenho de um coração e uma frase: "Love Forever". O anel era bem delicado e com o tamanho ideal para o dedo dela, que o pôs e ficou admirando-o.
–Senhorita, por favor, coloque o cinto de segurança. — A aeromoça disse, tirando a atenção de Clara.
Ela guardou a bolsa e sentou, tentando pôr o cinto que não entrava e ficava enterrando.
–Droga! – Resmungou depois de várias tentativas para pô-lo.
–Quer ajuda? — O menino ao seu lado falou.
–Não, tudo bem. — Respondeu sem prestar atenção nele. Ela não estava conseguindo pôr mesmo sendo ridiculamente fácil.
–Tem certeza? – Ele perguntou confirmando.
–Bom, não. – E já estava desistindo. — Será que você... — E não terminou de falar, pois quando se virou ficou boquiaberta. Ele era lindo. Bom, não tão lindo quanto o Alex, mas era bonito.
–Posso te ajudar? – Sorriu para Clara, que concordou ainda em choque.
Ela sentiu a fragrância do perfume dele quando este se pôs em cima dela, para ajudá-la com o cinto.
–Pronto. – Sorriu satisfeito com o trabalho. — Agora não corre mais perigo. – Ele disse.
–Obrigada. – Ela retribuiu com um sorriso. — Sou Clara. Clarissa Mindstone. – Se apresentou.
–Prazer em conhecê-la, Clara. — Ele respondeu. — Pode me chamar de Patrick. Patrick Rickson. – Então ela voltou á atenção para a aliança.
–Bonita aliança. — Patrick disse. — Seu namorado quem deu?
–Sim. — Clara alargou um sorriso de tanta felicidade que Patrick por um minuto pensou em tê-la. — Lindo, não? – E admirou a mão.
–Sim, muito bonito. – Respondeu, não para a pergunta, mas para os olhos de Clara e o brilho que ela irradiava quando sorria.
–Esse foi o melhor presente depois do meu amuleto. — Deu uma pausa, pensando em cada momento precioso no quarto dela, quando Alex cochichava em sua orelha, ou abraçava-a e dizia que a amava. — Alex é um besta. – Disse com um carinho e não como uma ofensa.
–Alex? — Patrick perguntou, fazendo Clara voltar à realidade.
–Sim, meu namorado. — E ficava rodando o anel no dedo, olhando a mão com felicidade. — Ele ficou na Califórnia. – Soou triste.
–Que pena. – Falou sem emoção nenhuma. — Vocês vão conseguir ficar nessa relação, um longe do outro?
–É claro que sim! – Olhou para Patrick sentindo-se ofendida. Ele estava sendo muito íntimo para alguém que acabou de conhecer. — Nós nunca terminaremos! – Ameaçou com o olhar.
–Certo, desculpa. – Ele levantou as mãos como forma de trégua e clara hesitou ao falar.
–Certo, eu te perdoo. — Ela disse, após um tempo. Ele estava gostando de Clara, mesmo conhecendo-a a poucos minutos, nunca viu uma garota que amava tanto o namorado.
Patrick sempre olhava para as meninas como diversão, mas Clara era diferente, ela tinha algo especial quando fala sobre o namorado e sorria com felicidade, deixando-o insatisfeito, querendo tê-la.
–Por que você o ama? — Patrick perguntou.
–Por quê? — Clara sorriu, recordando tudo sobre Alex. O modo como a segurava nos braços fortes, sempre com cuidado para não machucá-la, mas firme. Quando a beijava, gentilmente, dizendo seu nome em um sussurro sexy e quando a olhava, sempre com intensidade, como se Clara fosse a única no mundo. Ela adorava aquilo. Adorava sentir Alex ao seu lado. Ela não tinha certeza, mas o amava por vários motivos. — Eu o amo, porque ele só tem olhos para mim. Ele me protege como uma flor a brotar e me beija como se os meus lábios fossem frágeis ao toque. Ele retribui o meu amor por ele e eu o amo cada vez mais. Como posso dizer... É uma ligação. Nós temos uma ligação. — Falou por fim.
–Ligação? – Ele olhou curioso, achando graça Clara dizer essas coisas. — Que "ligação"?
–Bom, como posso te explicar... É uma ligação na alma. — Respondeu. — Ele é minha metade e eu sou sua metade. Consegue entender?
–Não. – Patrick falou frio. Ele pôs os cabelos negros para trás, como um gesto de impaciência. — Eu nunca amei alguém que retribuísse o meu amor. Algumas mulheres são perda de tempo.
–Humm...Parece que alguém não teve um relacionamento sério já faz tempo. – Sorria entretida.
–Pode pôr "tempo", viu. — Sorriu mostrando os dentes, brilhantes.
Clara não gostava de conversar com garotos parecidos com Patrick: alto, forte, bonito, moreno e com a aparência de ser "galinha". Mesmo ela tendo o Alex como namorado, que superava qualquer garoto tanto fisicamente, quanto mentalmente, Patrick era muito parecido em alguns aspectos. Clara estava gostando dele, apesar de ter impressão de ser "galinha", ele também parecia ser um bom amigo e um bom namorado.
–Por que não namora? — Clara perguntou. — Tem tanta menina que gostaria de namorar você, isso eu tenho certeza.
–Eu não encontrei a garota certa. – Mostrou um sorriso sarcástico.
–Bom, eu acho que minha amiga adoraria te conhecer. — Clara abriu um sorriso, pensando em Jessie. Ela tinha certeza que Jessie aprovaria Patrick. Ele tinha todas as qualificações que Jessie exigia. Bonito, alto, moreno e atraente. — Ela vai adorar te conhecer. Para onde você vai?
–Eu vou morar com o meu pai, no centro, em Londres. — Patrick apontou para um homem que estava sentado a algumas poltronas na frente dela.
–Mesmo?! Eu também! – Ficou empolgada com a informação. Ela tinha feito amizade com um menino que ia morar em Londres, igual a ela! — Ai, que legal! Vou precisar contar isso ao Alex.
–Você vai contar o quê? — Ele achou engraçado o jeito de Clara sorrir e querer falar tudo ao namorado.
–Vou contar que te conheci, claro. — Ela sorriu. – E contar para Jessie que seria bom te apresentar a ela.
–Humm...Sua amiga e seu namorado? — Patrick pensava. — Eles não vão achar estranho conhecer um cara em um avião e o "apresentar" para a melhor amiga que mora na Califórnia?
–Não. – Ela disse, balançando a cabeça várias vezes. — Eles confiam em mim.
–Isso é bom. — Sorriu mostrando os dentes, novamente.
–Sim, é bom. — E sentiu a falta de Alex e Jessie, mesmo tendo-os visto pouco tempo antes de partir.
O avião estava aterrissando, no aeroporto de Londres, e Clara e Patrick conversaram a viajem toda. Os dois trocaram os números de celular e endereço, antes de se despediram e foram cada um para o seu lado. Clara estava junta á mãe, Joshua e seus filhos.
–Quem era o garoto? — Grazielle olhou para a filha desconfiada.
–Quem? O Patrick? – A menina estranhou.
–Sim. — Grazielle disse, fiscalizando Clara com o olhar. — Você estava muito animada conversando com ele. Estranhei você falar com aquele tipo de garoto.
–Mãe, aquele "tipo" é parecido com o Alex, só que o Alex não parece ser "galinha" e é 1000 vezes mais lindo que o Patrick. — Clara olhou para a mãe, lendo sua mente. — Não venha me dizer que eu estava dando em cima dele porque eu não estava e, eu amo o Alex. Não preciso ficar dando em cima de um garoto quando tenho um Deus Grego na Califórnia.
–Tudo bem, era só para confirmar. – Levantou as mãos para o alto, sem jeito.
–Confirmar o quê?! Que eu ainda amo o meu namorado? — Clara riu. — Pode apostar que sim, eu o amo.
– Isso é ótimo, porque eu gosto muito do seu namorado. Não vá traí-lo. – Avisou a filha.
–Como se eu pudesse, mãe! — Exclamou furiosa. Como que sua mãe desconfiava dela? Clara disse um bilhão de vezes que amava o Alex e agora ela estava furiosíssima com a mãe. – Parece até que eu vou ser a culpada se nós terminarmos! – Falou para si mesma, quando a mãe já estava bem na frente.
Clara entrou no carro, emburrada, inconformada com o que Grazielle disse á ela. Porém quando olhou a mão ela se acalmou, estudando fixamente a aliança. Cada detalhe, cada cristal, Alex devia ter escolhido o anel ideal para o dedo dela, e achou. A aliança de Clara era linda e ficava mais bonita ainda no dedo comprido, delicado e bem tratado dela.
–Eu vou cuidar bem de você. — Beijou o anel com carinho.
O caminho era longo até a nova casa, então dormiu a viagem toda. Ela estava tendo um sonho muito bom com Alex. Os dois juntos em um jardim, todo florido. Alex e Clara estavam mais velhos, com uma criança, um menino lindo, parecido com o Alex. Era tarde e eles estavam fazendo um piquenique. Os dois estavam sorrindo e Alex abraçava Clara do jeito que ela gostava, protegendo-a de qualquer perigo e cuidando dela com carinho, como se ela fosse um pequeno animal desprotegido.
–Eu vou sempre estar ao seu lado. — Alex murmurou.
–E eu, sempre ao seu. — Clara disse.
–Mama. — O menininho sorriu para ela. – Mama!
–Clara! — Jake chamou, sacudindo Clara. – Clara, acorda!
–Jake? — Ela estava sonolenta, com os olhos embaçados. — O que foi, Jake?
–Nós chegamos Clara! – Ele disse todo alegre.
–Onde? — Ela olhou para a janela e viu um sobrado. Era lindo e grande, extremamente grande. — Nós vamos morar aqui?! – Perguntou assustada.
–Sim, por quê? — Grazielle respondeu, pegando a bolsa e saindo do carro.
–Bom, nada, mas é estranho. – Clara abriu a porta e saiu. — Quando que vocês compraram a casa?!
–Semana passada. – A mãe sorria para a filha e Clara começou a ficar com raiva.
–Por que você não me disse nada, antes de nos mudarmos?! — Ela gritou estressada, querendo pôr tudo para fora e descontando na mãe. — Você podia ter me dito antes, aí eu não teria chorado tanto né, mãe!
–Clara, era para ser surpresa. – Grazielle tentou acalmar a menina. Ela estava triste com a reação da filha. — Achei que você gostaria da notícia.
–E eu gostei! – Respondeu com a cabeça doendo. — Mas mãe, você podia ter me dito antes! — Ela baixou o tom. – Custava dizer antes?
–Desculpa filha. — Grazielle abraçou Clara, que não a correspondeu. — Eu sei que você está sentindo a falta de Alex e de Jess, mas espere só mais um pouco. Conheça novas pessoas, viva uma vida aqui e continue a ser a namorada que o Alex tanto admira. Bonita, alegre e simpática. Você vai continuar vendo-o, tenha paciência.
–Sim, eu sei. — Ela concordou, mas sua cabeça estava doendo muito e ela precisava descansar. — Posso escolher meu quarto? – Perguntou.
–Pode, mas os móveis vão chegar só amanhã. — Grazielle avisou.
–Ótimo! — Bufou cansada. — Tem um colchão inflável?
–No porta-malas. — Joshua respondeu, carregando várias malas e abrindo a porta com o pé.
–Certo. — Ela pegou as malas, uma caixa dizendo "colchão inflável" e entrou.
A entrada, a sala enorme e com uma chaminé ao lado das janelas grandes, estava vazia. Clara foi olhar os outros cômodos antes de subir. Tinha um banheiro, muito bem formado e espaçoso; a cozinha, grande, bonita e limpa; e um quintal, com a piscina e a churrasqueira. A casa ideal que Clara sempre quis. Ela estava satisfeita, mas ainda assim não podia compartilhar a felicidade com Alex e Jessie. Eles estavam distantes, sem a possibilidade de se divertirem com Clara, na piscina, ou de ficarem com ela, em seu novo quarto.
Depois de explorar o andar de baixo, Clara subiu e foi procurar um quarto. No corredor ela viu um banheiro e dois quartos paralelos. Clara entrou nos quartos, mas não gostou. Pareciam sufocantes e estreitos e pensou que eram de Jake e Raphael, então continuou a olhar o lugar. No fim do corredor tinham mais dois quartos, suítes. Provavelmente, um era de Clara e o outro de sua mãe e Joshua.
O quarto de Clara dava para ver Londres, o movimento de carros e pessoas. Ela estava satisfeita com a escolha, mesmo gostando do outro por ser maior, mas sem o banheiro espaçoso. Ela encheu o colchão e foi se deitar, com sono e cansada. A viajem foi em torno de dez horas, mais o caminho até a casa e Londres já estava á noite.
Perdida no cansaço, Clara fechou os olhos. Ela se lembrou de ligar o celular, então despertou rapidamente e se levantou, pegando a bolsa e procurando o iphone. Tinham duas mensagens na caixa, uma de Jessie e a outra de Alex. Clara ouviu primeiro a de Jessie.
–Primeira mensagem.– A moça do correio de voz disse.
–Oi, Clara! Quando chegar me liga, quero saber tudo!– A voz de Jessie era reconfortante.
–Segunda mensagem. – Clara esperou ansiosa.
–Hey, chorona. Sinto sua falta. — Os olhos de Clara lagrimejaram e ela soltou um choro. — Me liga e te amo.
Depois de ouvir as mensagens, Clara ligou para Jessie, mas caiu na caixa postal. Então resolveu ligar para o Alex e na terceira chamada ele atendeu.
–Alô? Clara? — Alex perguntou. Clara estava muito sentimental e ouvindo a voz de Alex a deixava muito feliz e ao mesmo tempo triste.
Clara não respondeu. Ela enxugava as lágrimas e tampava a boca, para não soltar um choro.
–Ainda chorando? — Alex soltou um suspiro. Ele conhecia Clara muito bem e sabia cada movimento, cada expressão e cada pensamento dela. — Clara, não chore.
–Eu não estou chorando. — Mentiu com a voz trêmula. — Eu estou com sono.
–Sei. — Alex riu. — Mi amor, eu sei que você estava chorando. Posso sentir pela sua voz.
–Alex! — Clara corou, por vergonha e por ouvir o sedutor "mi amor" de Alex.
–Sim? — Ele se divertia perturbando Clara com essas coisas. -Mi amor, te amo. -Ele repetiu, com a voz mais sexy do mundo e bem no ouvido de Clara.
–Alex! — Ela estava vermelha e sorrindo, agarrada ao travesseiro. Como que ela se animava tanto, só de ouvir a voz de Alex? — Você está me deixando com vergonha!
–Com o quê,mi amor? — Ele riu. Clara apreciava cada riso de Alex, sua voz e até o sotaque espanhol. — Gostou do presente? – Perguntou mudando o tom de voz.
–Você ainda pergunta?! — Ela olhava a mão. — Eu amei a aliança! Depois me mostra a sua?!
–Tudo pormi amor.– Alex continuava a perturbar Clara. Ela queria voltar para Califórnia nesse exato momento e abraçar ele.
–Sinto sua falta e quero voltar para os seus braços. — Clara murmurava.
–Clara, seja paciente. — Mesmo Alex falando, ele também sentia o mesmo. Ele queria Clara em seus braços, queria sentir o perfume dos cabelos de Clara em seu peito e seu pequeno corpo sendo protegido por ele.
–Ah, mas eu não tenho paciência com relação á você, Alex. — Clara disse tão honesta que soou como algo meigo. — Você já devia saber.
–Eu sei. — Alex sorriu, através do celular. — Por isso que eu te amo, Clara.
–Ótimo, porque eu também te amo. Seu besta. — Ela riu. — O que você está fazendo? — Perguntou por curiosidade.
–Nada, só me trocando. — Alex respondeu. – Tinha acabado de sair do banho, quando você me ligou.
–Humm... E como foi o jogo? — Clara não sabia o resultado, mas pensava que Alex ganhara, com certeza.
–Nós ganhamos. – Ele respondeu, confirmando o pensamento de Clara.
–Jess viu o jogo? — Clara queria falar sobre Patrick, mas não sabia como.
–Não, eu nem vi ela hoje. — Alex estava pondo a camisa, então Clara ouviu um chiado. — Por quê?
–Eu queria "apresentar" ela para um amigo e conversar sobre isso, mas quando liguei caiu na caixa. — Clara disse, fazendo Alex estranhar. Ele e Jessie conheciam todos os amigos de Clara e não tinha ninguém que Jessie tivera interesse antes.
–Quem é? — Perguntou sério.
–Um garoto que conheci no avião. Ele é bem legal. — Clara não sabia como explicar. — Enfim, eu acho que a Jess vai gostar dele.
–Humm... — Alex soou desconfiado. — Você sabe que Jessie exige muito, não é?
–Sim, por isso que vou apresentar o Patrick para ela. — Clara respondeu. — Ele é bonito, bom de conversa, alto e moreno, do jeito que Jess gosta. Você acha que vai dar certo?
–Bom, não, porque ele mora em Londres. — Alex respondeu, fazendo Clara ficar brava.
–É, mas eu também moro em LONDRES, Alex. — Clara disse, fazendo sua voz parecer fria, arrogante. Alex gelou na hora. Ele disse algo que machucou Clara, mas que ela entendeu errado.
–Clara. — Alex chamou, porém ela não respondeu. — Clara, desculpa. Não era isso que você entendeu.
–Não. Eu não entendi errado. — Clara ainda estava brava. — Você disse que não pode dar certo por ela morar na Califórnia e ele aqui, em Londres.
–Não, Clara, você entendeu errado. — Alex suplicava. — Eu quis dizer que, por ela morar na Califórnia e não conhecer ele direito, isso pode não dar certo, mesmo ele tendo as qualidades que Jessie exigiu.
–Por quê? – A namorada não entendia.
–Porque, por exemplo, você gostaria de namorar alguém que nunca viu pessoalmente? — Alex respondeu, escolhendo as palavras para não causar o desentendimento novamente. Clara pensou e realmente, ela não gostaria de namorar alguém sem vê-lo pessoalmente. Seria ruim não encontrar a pessoa quando quisesse ou vê-la fisicamente. — É diferente de nós, que nos conhecemos há anos. Nós temos uma ligação, certo?
–Sim. — Clara já não estava mais brava, porém ainda não aceitava cem por cento a resposta de Alex. — Mas, eu ainda não concordo com você, Alex. Pode ter a possibilidade de que Jess possa gostar muito de Patrick e ele dela, assim os dois poderiam ficar juntos, mesmo distantes.
–Pode ser. — Alex pensou. — É melhor esperar e ver no que dá. Se não der certo, não deu e se der, ótimo.
–É. Vou falar com Jess amanhã. — Clara bocejou. — Estou com sono.
–Então eu te ligo amanhã,Clara. — Alex falava suave. — Boa noite e bons sonhos,mi amor.
–Boa noite, Alex. — Clara sorriu. — Sonhe comigo, meu amor.
–Sempre. – Ele respondeu.
Clara desligou o celular e foi se deitar, enfim perdida nos sonhos.

(O maior é o anel do Alex, com o nome da Clara e o menor é o anel da Clara, com o nome do Alex gravado nele.)
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