Please remember me.
2 Capítulo 2 - A despedida
Notas iniciais
Beijoos!
Clara ainda empacotava as coisas, no quarto todo bagunçado. Tinha caixas, roupas e vários outros objetos espalhados no chão.
–Clarissa, seu príncipe de olhos azuis chegou! — A mãe de Clara Gritou, no andar de baixo.
Clara sentiu o rosto ferver, e seus olhos ainda estavam inchados por causa da noite passada. Ela se levantou e foi se olhar no espelho para ver se estava em um estado um pouco melhor que o pior.
Alex subia a escada rindo, depois de ouvir o que a mãe de Clara disse, apesar dele já ter se acostumado. Grazielle Santoro sempre teve um humor de apreciar, era uma mãe otimista e simpática, o que as pessoas adoravam nela. Após a morte de seu ex-marido, pai de Clara, ela passou por uma fase triste e dolorosa, além de criar Clara, com 10 anos, sozinha. A menina sabia que a mãe estava feliz, desde que Joshua, seu padrasto, casara-se com ela. Os dois se davam bem, e Clara gostava de Joshua e seus filhos, Jake e Raphael. Santoro é o sobrenome de Joshua, e Grazielle, após o casamento, mudou de nome. Clara não quis o sobrenome, mesmo porque ela adorava seu nome, Clarissa Mindstone.
–Triste? — Clara ouviu a voz de Alex, quando ele estava na porta, observando-a. Ele nunca se entediava com ela, podendo ficar horas só olhando-a, com os cabelos castanhos claros nas costas, seu corpo esbelto e os olhos lindos dela, cor de mel, Alex nunca se entediara com a imagem dela. Clara virou-se, sem perceber que ele chegara. Ela estava pensando se teria de partir logo e deixá-lo, sem ao menos passar um dia juntos, antes de ir.
–Um pouco. — E seguiu para perto dele, quando ele se sentou na cama, abraçando-a do jeito que ela esperava.
–Seus olhos estão inchados. — Alex disse, passando a mão gentilmente nos olhos de Clara. — Não dormiu bem?
–Como se eu pudesse. — Ela falava quase em um sussurro. — Eu não esperava essa notícia, nem nada.
–Muito menos eu. — Ele sorriu para não mostrar um rosto triste, e Clara ficar mais triste que já estava. — Não importa, você e eu não vamos nos separar. Clara, Londres não fica tão longe de Califórnia.
Ela se afastou dele, emburrada.
–Fica longe, sim. — Respondeu, segurando a mão do namorado. — Sua casa fica muito longe daqui, e agora vai ficar mais longe ainda, de mim.
–Clara. — Ele riu. — Minha casa é só três quarteirões daqui.
–Bom, isso é muito longe para mim. — Ela disse e ele riu mais ainda.
–É longe porque você se perde, Clara. — Alex puxou-a mais para perto. Ela adorava quando ele fazia isso, se sentindo como uma pedra preciosa nos braços dele.
–Você sabe que eu não sou boa com direções, Alex. — E sentiu os músculos dele endurecer, quando riu.
–Por isso que eu venho todos os dias para a sua casa. — Ele ergueu o rosto dela, dando-lhe um beijo leve nos lábios.
–Vamos crianças, sem agarração, temos muita coisa para fazer e em pouco tempo. — Joshua apareceu na porta, mostrando o relógio de pulso. Os dois riram e começaram a empacotar as coisas.
–Você ainda tem isso? — Ele perguntou, tirando um chaveiro de uma das caixas. Era um chaveiro com a forma de uma bola de futebol, que pertencia à ele, mas tinha dado a Clara, como um amuleto de proteção. Ela, quando criança, tinha medo de várias coisas, principalmente do escuro, e durante as noites no acampamento, não gostava de dormir sozinha, e nisso Alex sabia, então deu à ela o precioso chaveiro, presente da mãe, antes dela falecer.
–Sim, esse foi o primeiro presente que você me deu e eu nunca poderia jogá-lo, é o meu precioso amuleto. — Clara o tirou delicadamente da mão dele, protegendo o chaveiro. — Você quer ele de volta? — Olhou meio triste.
–Não. — Respondeu com um sorriso quente, ao mesmo tempo carinhoso e perigoso para ela. — Eu tenho o meu amuleto, e ele está bem aqui. — Alex puxou-a tão forte que ela tropeçou e escorregou em seus braços.
–Eu não sou um amuleto, Alex. — Clara sorria no colo dele.
–No momento, você é. — Ele tentou dar um beijo nela, no entanto a garota desviou e ele a beijou na bochecha. — Se fazendo de difícil, é? — Alex sorriu se divertindo, e Clara riu.
–Você acha que eu sou tão fácil assim, querido? — Ela deu um sorriso tentador e tentou se levantar, mas ele não deixou e a levou ao chão, no espaço onde não havia caixas. Alex impediu que Clara se movesse, ficando sobre ela. — Chega, Alex. Eu não vou conseguir terminar de empacotar as coisas, assim. — Clara sussurrava, com o rosto bem próximo dele, enquanto o namorado dava vários beijos nela.
–Não foi você quem falou que não era tão fácil assim? — Ele perguntou, mostrando um sorriso perigoso. — Eu também não sou. Diga algo para que eu saia de cima.
–Como o quê? — Clara entrelaçava os braços no pescoço de Alex.
–Bom, eu só quero ouvir uma coisa e você sabe o que é. — Ele começou a fazer cócegas em Clara e ela ria igual uma criança.
–Certo, eu falo, eu falo. — Respondeu ao mesmo tempo gargalhando. — Eu te amo. Eu te amo. — Ela repetia, rindo.
–O quê? Não estou escutando. — Falou teimoso, sorrindo e continuando a fazer cócegas nela.
–Eu já disse. Eu te amo. — Clara segurou as mãos dele, fazendo-o parar e beijá-la mais. Os dois sempre se perdiam um no outro quando estavam juntos. Alex tinha dificuldades em sair de perto de Clara toda vez que estavam tão próximos. — Alex, você disse que se afastaria.
–Mas eu não quero. — Ele beijava o pescoço dela.
–Alex, chega. — Agora ela estava chorando, com as mãos sobre o rosto. Ele parou na hora, se levantando perplexo, sem saber o que fazer. Ele nunca a tinha visto chorar por causa dele.
–Clara, me desculpa. — Disse preocupado, se sentindo culpado. — Me desculpa, Clara. Eu não quis te magoar. — Ele não sabia o que fazer e não gostava disso. Ele odiava ver ela assim, principalmente por ser ele quem a fez chorar.
–Não é sua culpa. — Ela sorriu, sentado e enxugando as lágrimas. — Eu não quero ir, Alex. Eu não quero te deixar. — Ela se levantou e pulou para os braços dele, abraçando-o forte, tão forte que Alex ficou surpreso e Clara começou a chorar, novamente.
–Deus, como você chora, Clara. — Ele bufou depois de um tempo. Ela riu com os olhos inchados, pior que já estavam. — Um bebê chorão. Como você vai viver sem mim?
–Eu também não sei. — E enxugou os olhos, se sentindo melhor depois de um tempo.
–Você está parecendo um peixe. Seus olhos estão muito, muito inchados. — O menino riu e ela corou.
–Ai, como você é chato, Alex. — Disse se afastando.
–É mentira. — Ele puxou o braço dela, fazendo-a virar. — Você é linda. Até com os olhos inchados, você é muito linda, Clara. — Ele estava acariciando o rosto da menina.
–Você já disse isso um bilhão de vezes, Alex. — Mesmo assim, ela ainda ficava hipnotizada pelos olhos dele, um azul lindo, cor de mar.
–Mas é a pura verdade. — Ele sorriu e deu um beijo rápido nela. — Vamos terminar com as coisas ou a sua mãe vai ficar brava. — Apontou para o chão. Eles não tinham empacotado nem metade das coisas.
Após terminarem tudo e levarem as caixas até o caminhão de mudança, os dois estavam sentados na parede, descansando. Clara encostada no ombro de Alex, enquanto ele segurava sua mão.
–Você vai me ligar todos os dias? — Ela perguntou.
–Todos os dias. — O lindo menino ao lado dela respondeu.
–E não vai sair com outras garotas? — Ficou preocupada. Ela sempre tivera essa insegurança com relação ao Alex. Clara pensava que se fosse embora, ele iria se cansar dela e arranjaria outra namorada, o que não seria difícil. Ele chamava muita atenção. Mas, muita mesmo, e sempre de garotas. Se quisesse, ele podia arranjar uma namorada em qualquer lugar, a qualquer momento.
–Clara, você sabe que eu não faria isso. — Respondeu achando estranho a pergunta, pois dissera várias vezes que a amava, por que perguntaria isso? Insegurança, ou talvez não acreditava nele? — Você sabe que eu te esperarei. Esperarei até voltar novamente aos meus braços, assim como te seguro agora. — Alex afirmou, fazendo Clara sorrir.
Clara sabia que estava pensando coisas inúteis. Alex nunca deixaria de amá-la, assim como tem feito durante todos esses anos. Ele nunca a traiu, mesmo quando os dois namoravam pessoas diferentes, ela também sabia que Alex a amava mais que tudo e ela a ele. Quando os dois começaram essa relação, eles nunca teriam olhos para outras pessoas. Era o que eles pensavam e sentiam. Nunca se separariam, eles tinham certeza disso.
–Clara, papai está nos chamando. Ele disse que já vamos. — Raphael apareceu na porta. Ele tinha uma altura média, com 12 anos, cabelos ruivos e sardas. Ela gostava dele, sempre quis ter irmãos e agora tem dois, os dois mais novos. Raphael e Jake que tinha os cabelos castanhos, claros e com 7 anos, um pestinha. Mas, muito fofo.
–Diga que já estou indo. — Avisou, dando um último beijo em Alex. Seu último beijo com ele. Era uma pena ele não poder ir ao aeroporto por causa de um jogo na escola. Alex fazia parte do clube de futebol americano e era muito bom. Ele não poderia faltar mesmo se quisesse, o time dependia dele. — Eu te amo. — Clara disse.
–E eu te amo, Clara. — Alex beijou a teste da amada, antes de pegar a mala e os dois saírem.
Ela sentia tanta dor ao ver Alex parado, na frente da casa dela e ela, cada vez mais se afastando. Estava certa de que não choraria mais, contudo não suportou e até Jake se preocupou.
–Você está bem, Clara? — O menininho perguntou, pondo o sinto de segurança. — Quer brincar com o meu carrinho? — Ele estendeu o brinquedo, dando para ela. Clara sorriu, limpando as lágrima.
–Eu estou bem, Jake. — Disse abraçando o irmão.
–Tem certeza, filha? — Grazielle perguntou do banco da frente. — Tem certeza de que está bem? Quer um pouco de água?
–Não, mãe. Eu estou bem. — Respondeu calma, olhando novamente para trás, não enxergando mais o garoto. Ela já estava muito longe.
Clara já estava muito longe, e ficaria cada vez mais longe de Alex.
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