Notas iniciais
Esse capítulo é em homenagem a Jujubahnaruhina, que escreveu uma recomendação maravilhosa.

– Bom dia alunos! –Diz o diretor Sarutobi Hiruzen, entrando na nossa sala de aula.

Ele é um velhote legal, apesar do discurso chato que deu no primeiro dia de aula. Sempre está usando roupas tradicionais e, pelo menos aparentemente, parece ser um vovô do bem.

–Bom dia diretor. –Respondemos em coro, e nos levantamos de nossos lugares para fazermos uma reverência.

–Podem se sentar. –Diz o diretor, fazendo um leve aceno com a cabeça. –Antes que comece a segunda aula, gostaria de apresenta-los para o novo colega de classe do primeiro ano.

OMG!

–S..Sasuke, seu fantasma acabou de entrar na sala. –Sussurro para Sasuke, que apenas resmunga e me empurra com o ombro, um jeito carinhoso dele dizer: “Cala a boca, larga de ser maluca”.

O mesmo garoto que eu havia encontrado no corredor mais cedo, acaba de entrar na sala. Ele olha para todos os outros alunos atentamente, como se nos analisasse.

–Este é Sai, ele é meu sobrinho que acaba de chegar da China. –Fala o diretor, colocando as mãos sobre os ombros do garoto. –Espero que cuidem dele.

–Sim, diretor! –Dizemos em coro novamente.

–Bem, Sai... pode se sentar com Yamato, na terceira fileira. –Diz a professora Kurenai, assim que o diretor deixou a sala.

–Quem é Yamato? –Pergunta Sai, com um olhar de descaso para a professora.

–Aqui. –Responde Yamato, levantando a mão.

Sai não diz nada, apenas balança os ombros, com um movimento de desdém.

–Agora que todos estão acomodados, vamos começar a nossa aula de literatura. –Diz Kurenai, colocando sua bolsa sobre a mesa. –Abram seus livros na página 27, hoje iremos discutir sobre o arcadismo.

–Duvido que haja algo mais arcaico que esse corte de cabelo da professora. –Cochicha Karin, para sua colega loira que estava do outro lado da sala, ou seja, ninguém ouviu isso, nem a professora que ficou mais vermelha que um pimentão.

–Quer compartilhar alguma coisa com a turma, senhorita Uzumaki? –Pergunta Kurenai, cruzando os braços e lançando um olhar enfurecido para a ruiva peituda.

–Eu levantei a mão, por acaso?! –Retruca Karin, com um olhar de desprezo.

É, tem gente que não sabe quando parar e acaba perdendo uma grande oportunidade de se manter calada.

–Está querendo sair da sala? –Diz Kurenai, batendo a mão na mesa.

–Só se for agora. –Responde Karin, levantando-se com a maior pose.

A descarada se levantou mesmo. O.M.G!

Espera, um segundo. A porta da sala fica do outro lado, por que ela está vindo na minha direção?

Hum, ok!

Não, ela não estava vindo na MINHA direção. Era na pessoa do lado. Sasuke Uchiha. Ela sussurrou alguma coisa no ouvido dele, deu um beijo na bochecha dele e saiu da sala, exatamente nessa ordem.

–Esperem um segundo, turma. –Diz Kurenai, parecendo tão sem reação quanto o resto da sala. –Eu irei lidar com isso e já volto.

E também saiu da sala, deixando toda a classe em silêncio.

x.o.x.o.x

–Anda Sasuke, me conta! –Pede Naruto, pela vigésima vez, para que Sasuke conte o que diabos a ruiva peituda disse para ele.

–Se fosse do seu interesse dobe, ela teria ido até você e tinha falado para você. –Diz Sasuke, indiferente, mexendo no seu celular.

A segunda aula já havia passado, a terceira também acabou e agora estamos indo para o pátio aproveitar o breve tempo de intervalo. Eu paro no meio do caminho, eu tinha um compromisso e não poderia ir para o refeitório.

–Ué Sakura-chan, onde você vai? –Pergunta Tenten, notando a minha parada brusca.

–Hum, vocês vão sem mim, tenho um assunto para resolver. –Digo, pensativa. –Compra a minha coxinha, princesa. Vê se não esquece. –Peço, virando as costas e saindo correndo.

Na verdade, estou indo sem muita confiança se ainda haverá algum encontro, pois, Karin não voltou para a sala de aula depois do pequeno espetáculo que ela deu para a turma.

–Ei, esquisita... aqui.

Me viro em direção a voz de Karin, que tentava se esconder atrás de uma pilastra, na parte de trás da biblioteca.

–Por que demorou tanto para vim? –Perguntou Karin, cruzando os braços.

Ok, de onde veio toda essa intimidade? Não lembro de ter dado alguma para ela.

–O que você quer? –Retruco, ignorando a pergunta dela.

Ela olhou para ambos os lados, como se estivesse preocupada que alguém nos ouvisse. Estamos completamente sozinhas, nesse canto obscuro do colégio.

–Eu já sei que você mora com os Uchihas, confirmei isso com os meus próprios olhos na sexta-feira. –Diz Karin, como uma acusação.

–E? –Pergunto, sem entender a linha de pensamento dela, isto é, se houver alguma.

–Você deve conhecer o Sasuke-kun muito bem, estão juntos o tempo todo. –Diz Karin.

–Eu ainda não entendi o que você quer comigo. –Digo, já cansada daquela enrolação.

–É bem simples, na verdade. –Diz Karin, se aproximando de mim. –Eu quero que você me ajude a conquistar o Sasuke-kun.

Bem, tenho que confessar que não fiquei surpresa com o pedido dela. Na verdade, ela não era a primeira garota a me pedir isso e nem será a última.

–Olha Karin, eu nem sei como te dizer isso, mas... Não. –Digo, tentando manter uma postura séria.

–Como assim? Não? –Pergunta Karin, arqueando a sobrancelha.

–É o seguinte, eu e o Sasuke temos um pacto: Não nos metemos na vida amorosa do outro e, assim, mantemos a paz dentro de casa. –Respondo, francamente. –A última vez que eu me meti nos assuntos dele, a coisa ficou bem feia para o meu lado, então... Mas, olha, pensa pelo lado positivo, você é uma garota e tem peitos grandes, já tem 70% de chance com ele.

De repente, o olhar no rosto dela mudou e o clima ao nosso redor também ficou mais pesado.

–É, já tinham me avisado sobre você. –Diz Karin, me encurralando na parede.

–Avisado sobre mim? –Digo, tentando ganhar algum espaço.

–Você, Sakura Haruno, a obra de caridade dos Uchihas. A garota que nem os pais quiseram, nem a lixeira mais próxima quis e se não fosse o grande coração de Mikoto Uchiha, hoje você seria apenas uma sem teto. –Fala Karin, com um sorriso malicioso nos lábios.

Nada daquilo que ela me dizia era novidade, já tinha ouvido essas mesmas palavras várias e várias vezes, na verdade, eu mesma já tinha me ouvido repeti-las. Eu nunca me achei grande coisa, era apenas uma criança que ninguém quis.

–O que? Ficou sem fala? A espertinha? Deveria filmar tudo isso e mostrar para o restante da sala o quão patética é Sakura Haruno. –Continuou Karin, com um sorriso cada vez maior no rosto.

–Por que você faz isso, hein? Ataca todas as pessoas, de graça, sem qualquer motivo. –Digo, tentando controlar minhas pernas trêmulas.

–Não, querida. Eu não ataco todas as pessoas, apenas aquelas que são menos que sujeira. –Responde Karin, finalmente se afastando de mim. –Se prepare, Haruno. Isso está apenas começando. Quando eu terminar, até mesmo a sua preciosa família Uchiha irá te desprezar.

E foi embora, me deixando completamente abalada. Minhas pernas perderam as forças e escorreguei lentamente para o chão.

x.o.x.o.x

Não sei exatamente quanto tempo eu fiquei sentada, apenas que acabei perdendo o intervalo e a quarta aula. No final, tive que correr para a sala de aula, pegar meu uniforme para educação física, me trocar no vestiário e correr para a quadra.

Quando cheguei, o professor Gai-sensei estava fazendo com que todos se aquecessem, entrei atrás e fingi que estava ali desde o início.

–Onde você estava? –Pergunta Sasuke, se aproximando de mim enquanto esticava os braços. –Agora deu para matar aula? E nem me chamou.

–Eu não matei porque eu quis, aconteceram algumas coisas. –Digo, imitando os gestos do professor.

–Você está mais esquisita que o normal. –Murmura ele, se afastando de mim.

Não estava com saco para aguentar aquela aula, e menos ainda para todos que vieram me perguntar o que estava acontecendo.

–Hum, Sakura-chan?

–O que é, capeta? –Digo, sem me virar para ver quem era.

No final do aquecimento e de responder a chamada, resolvi me esconder debaixo das arquibancadas, mas, aparentemente, meu esconderijo não era tão secreto assim.

–Olha a boca. –Diz Ino, dando um chute de leve no meu pé. –Que bicho te mordeu?

–Ah, não é nada. –Digo, me sentindo culpada pela minha grosseria. Afinal, ela não tinha culpa. –O que você quer?

–Bem, é que a Karin simplesmente desapareceu e a gente precisava mesmo de alguém para testar a base da nossa pirâmide. –Diz Ino, enrolando o seu cabelo loiro com o dedo. –E você é a única da nossa turma que conseguiria subir.

–E a Tenten? Com tantas garotas da nossa turma...-Murmuro, mas sou interrompida pela loira.

–Não, a Tenten tem medo de altura e as outras não têm força nas pernas, nem equilíbrio para isso. –Diz Ino, segurando as minhas mãos. –Por favor, por favor, por favor, por favoooooooooor!

–Tá, tá bom. –Respondo, me deixando ser arrastada por uma Ino saltitante.

As líderes de torcida estavam treinando na beirada da quadra, do lado oposto de onde estávamos. Haviam apenas quatro meninas ali e nenhuma delas tinham uma cabeleira ruiva.

–Consegui, meninas! A Sakura irá nos ajudar subindo no topo da pirâmide. –Diz Ino, saltitando ao redor das outras garotas. –Ok, em suas posições.

Três garotas ficaram lado a lado, com as pernas abertas em um ângulo de 60º, aproximadamente. Usando a mão das garotas como apoio, Ino e outra loira subiram, ficando em pé sobre os ombros das outras três.

–Uau, isso é impressionante. –Digo, sorrindo e olhando embasbacada para elas. –Eu não sabia que vocês podiam fazer isso.

–Nós sabemos que arrasamos, agora deixa de conversa e suba. –Diz Ino, com um sorriso confiante no rosto. –É só imitar o que eu fiz. Pise na mão da Mei e depois na minha.

Começo a suar frio, porém ignoro essa sensação. Coloco meu pé na mão da morena, que se chama Mei, que me dá impulso para cima. Assim que fico cara a cara com Ino, ela apenas se posiciona e coloco meu pé sobre a mão dela, que me impulsiona para cima também. Coloco um pé sobre o ombro de Ino e o outro no ombro da loira ao seu lado.

–Ai meu Deus! Eu consegui! Eu consegui mesmo! –Digo, rindo como uma louca, abrindo os braços para manter o equilíbrio. –Isso é incrível, acho que vou largar o futebol.

–Eu te disse. –Diz Ino, também rindo.

Acho que nunca vou saber responder algumas dessas perguntas: Por que eu olhei para as arquibancadas? Por que doeu tanto descobrir onde que a Karin estava? Foi porque eu vi ela beijando o Sasuke? Eu não tenho essas respostas e acho que nunca terei.

–Cuidado Sakura, está balançando!

Eu tive a impressão de ouvir a Ino dizer isso, mas não tenho certeza sobre isso. Lembro da sensação de cair no vazio, literalmente, da dor que atingiu meu lado direito e da escuridão que me dominou, talvez seja melhor assim, eu não saberia o que fazer com essa dor.

Notas finais
Bem, mais um capítulo novinho, saindo agora do forno. Espero que gostem! É maior para compensar a demora para sair, prometo que não faço mais. Beijos da tia Lady ;*