Notas iniciais
Peço desculpa pela demora e espero que nesse ano vocês possam realizar todos os seus desejos, por mais sórdidos e obscuros que sejam :D

Caia uma chuva fraca em Paris, mas ninguém parecia se preocupar, sabiam que logo a chuva pararia. Entretanto, esse fato não parecia acalmar o exorcista japonês que já estava cansado de receber olhares indiscretos dos parisienses.

– Yu, se acalme. A chuva vai passar logo — Lavi disse, tentando fazer com que o amigo parasse de emanar uma aura tão assustadora.

– Eu vim aqui para achar uma innocence e não para servir de atração de circo para esses idiotas – gritou, chamando ainda mais a atenção.

– Ora, é natural. Não é todo dia que se vê um japonês com um cabelo tão grande como o seu pela rua – havia dito isso para fazer com que Kanda entendesse a situação, mas a única coisa que conseguiu foi um olhar assassino por parte do exorcista.

Lavi recuou e acabou batendo no exorcista albino que estava com eles e que até agora não havia falado.

– Ah! Desculpa, Allen.

– Tudo bem.

Estava preocupado. Fingia não perceber mas, desde que saíram da Ordem, o clima entre Kanda e Allen estava estranho. O menor procurava não olhar na direção do japonês e o outro parecia simplesmente ignorá-lo, e ambos durante toda a viagem falaram apenas o necessário. Nem sequer brigaram! Não sabia o que havia acontecido mas tinha quase certeza... Não! Tinha certeza de que a culpa disso era de certo japonês que não conseguia ser sincero com os próprios sentimentos e que provavelmente havia feito alguma idiotice com o pobre albino.

Suspirou. Não conseguia entender a maneira como Yu decidia demonstrar o que sentia.

Depois de alguns minutos a chuva parou e eles puderam finalmente ir para a hospedaria em que ficariam. Kanda não pareceu muito contente ao saber que Allen e Lavi iriam ficar no mesmo quarto, o que deixou o ruivo constrangido. Aquela era uma situação delicada.

– Ah! Eu quase esqueci! Prometi comprar alguma lembrança para a Lenalee, então... Nos vemos mais tarde!

– O que?! Esper-

Allen tentou dizer alguma coisa, mas Lavi já estava longe. Isso era ruim. Não queria ficar sozinho com Kanda, não depois do que havia acontecido.

– Coelho idiota – praguejou, pegando a Mugen e saindo do quarto com os finders atrás, dizendo que iria atrás da innocence, deixando Allen sozinho no quarto.

O exorcista arrumou as malas para logo depois ir atrás da innocence. Não conseguiu achar nenhuma pista sobre a innocence, mas conseguiu o feito de parar em todo restaurante, lanchonete e bar para comer.

De tanto andar acabou indo parar no Rio Sena e não fazia ideia de como poderia voltar para a hospedaria. Estava pensando em perguntar para alguém quando viu um grande círculo de pessoas ao redor do que parecia ser uma apresentação de rua. Chegou mais perto e viu um palhaço, para ser mais específico, um pierrô, que chamava alegremente todos da plateia para verem a sua apresentação completa no circo em que trabalhava.

Aquele pierrô fez com que se lembrasse de Mana, e esse pensamento fez com que Allen esboçasse um pequeno sorriso, que logo desapareceu quando sentiu uma mão lhe puxar para fora do círculo. Ficou aliviado ao ver que era Lavi, agora poderia voltar para o hotel, mas seu alívio durou pouco quando seu olho esquerdo mostrou que havia akumas por perto.

Os dois foram correndo para o local e encontraram Kanda lutando com um nível dois e com alguns de nível um enquanto tentava proteger uma garota que estava desmaiada em seus braços. Allen e Lavi o ajudaram a destruir os inimigos e assim que tiveram a certeza que não havia mais perigo por perto, fizeram o caminho de volta para casa.

No caminho Lavi achou uma pulseira que de acordo com ele, era a cara da Lenalee. E tanto Allen quanto Kanda se sentiram incomodados com a felicidade excessiva de Lavi, pois o ruivo não parava de repetir que aquele presente iria realçar ainda mais a beleza de sua linda Lenalee.

Quando finalmente chegaram, estavam exaustos e o albino morrendo de fome. Toda aquela caminhada tinha acabado de abrir seu apetite. Depois de terminar com tudo que havia na despensa foi tomar um banho para poder dormir. Porém, por mais que tentasse não conseguia conciliar o sono. Revirava-se na cama e mesmo assim nada do sono aparecer. Suspirou e decidiu caminhar um pouco pelo jardim da hospedaria.

Os jardins eram muito bonitos, principalmente o canteiro de rosas, ele dava um ar totalmente diferente ao cenário. Allen aproximou-se do canteiro para poder vê-las melhor e sentir seu aroma e um olhar triste aparece em seu rosto ao pensar que sua vida estava uma droga.

Os últimos acontecimentos estavam acabando com ele e o que mais o preocupava eram as atitudes de Kanda. O japonês agia de maneira estranha e o albino não sabia como reagir a elas. Por mais que tentasse não conseguia mais entender seus próprios sentimentos, não sabia se ainda sentia o mesmo por Lavi; desde que Kanda o havia beijado em Munique não conseguia tirar o japonês da cabeça.

Era difícil admitir para si mesmo que pensava mais na pessoa que sempre detestou do que na pessoa que supostamente amava. Por que tudo na sua vida tinha que ser tão difícil? Tudo seria muito mais simples se ele esquecesse tudo relacionado à Ordem, ao Conde e a toda essa guerra idiota e fosse viver como um pierrô.

– Apesar de eu não prestar nem como pierrô. Acabei me apaixonando pelo Alerquim e não pela Colombina – isso o fez rir suavemente. Sua vida era realmente uma tragicomédia.

Ficou mais um tempo olhando para o jardim antes de voltar seu quarto, sem perceber que estava sendo observado por um par de olhos negros.

Na manhã seguinte, tiveram uma boa notícia por parte de um dos finders que havia conseguido uma pista sobre o paradeiro da innocence. Descobriram que a innocence na verdade tinha um compatível, que por não saber controlar seu poder corretamente, acabava criando anomalias na região.

Depois de muito discutir com o compatível e depois das ameaças que Kanda fez caso ele não fosse para a Ordem, conseguiram fazê-lo aceitar ser um membro da Ordem Negra. O jovem ficou com a cara fechada durante toda a viagem de volta à Ordem e parecia não querer falar com ninguém, exceto com Allen, que pareceu ter conseguido o afeto do menor.

Ao chegarem ao seu destino, Allen se despediu de todos dizendo que iria direto para o refeitório e Kanda foi atrás dele já que seu quarto ficava na mesma direção. O albino não conseguia esconder seu nervosismo e ficou aliviado quando chegou ao refeitório, mas antes que pudesse entrar seu braço foi puxado por Kanda que sussurrou em seu ouvido:

Sua vida parece mais com “Sonho de uma Noite de Verão”, meu caro Demétrio.

Allen sentiu seu rosto arder com a proximidade e com o tom usado pelo japonês, apesar de não saber sobre o quê ele estava se referindo. Entretanto, Kanda não esperou algo ser dito pelo outro e foi embora, deixando o menor confuso novamente.

Pediu uma quantidade absurda de pratos pra comer e mesmo comendo suas comidas favoritas não conseguia parar de pensar no que havia escutado. Precisava falar com Lavi sobre isso.

Estava há mais de uma hora procurando pelo ruivo, mas simplesmente não conseguia achá-lo. Havia perguntado para todos da Ordem e quando perguntou ao Bookman, ele respondeu que também estava à procura do Júnior. Quando finalmente o achou, pensou que teria sido melhor ter desistido da sua busca logo no início.

Tinha conseguido achá-lo, ele estava em um jardim pouco frequentado com Lenalee e a situação em que estavam não era a das mais inocentes. Os dois se beijavam lentamente, enquanto as mãos de Lavi entravam pela blusa de Lenalee querendo chegar aos seios.

O albino ficou estático até que Lenalee o notou e empurrou Lavi para longe.

– A-Allen-kun! Há quanto tempo está aí? – Sua voz era falha e a vontade que tinha de matar Lavi aumentava a cada segundo. Sabia que não deveriam ter começado a fazer essas coisas em um lugar público.

– Ah, não muito – estava corado e sabia disso. – Estava procurando pelo Lavi.

– Por mim? – O ruivo finalmente havia falado algo depois de se recuperar da queda nada delicada no chão.

– Entendo. Então vou deixá-los sozinhos – deu um leve sorriso ao falar e saiu do jardim, lançando um olhar cheio de significados para Lavi, que havia entendido o quão ferrado estava.

Lavi suspirou. Lenalee não iria deixar que chegasse perto por um longo tempo.

– Sinto muito. Parece que você está com problemas – disse baixo. Estava corado e morrendo de vergonha, mas a dor que achou que fosse sentir caso visse tal cena, não apareceu.

– Tudo bem. Depois nós nos resolvemos – disse, dando um largo sorriso para o menor. – Mas o que quer falar comigo?

– Ah, eu queria saber se você sabe o que é Sonho de uma Noite de Verão.

– Huh? É uma obra de Shakespeare, por quê?

– Sobre o que ela fala? – Perguntou antes de responder a perguntar de Lavi.

– Bom, a história é dividida em dois núcleos. O primeiro é a briga entre o rei das fadas, Oberon, e a rainha Titânia sobre a posse de um garoto que ambos queriam; a segunda é sobre Hérmia e Lisandro que apesar de se amarem e quererem ficar juntos, o pai de Hérmia quer que ela se case com Demétrio.

Ao ouvir o nome “Demétrio”, Allen pôs mais atenção em cada palavra que Lavi dizia. O ruivo percebendo isso deu um leve sorriso. Era impressionante como o albino agia como uma criança nessas horas.

– Hérmia e Lisandro decidiram fugir juntos e contaram para Helena, sua amiga, que revelou a fuga para Demétrio, porque o amava e um dia ele também a amara. Os dois foram atrás dos fugitivos, mas como já era noite os dois casais decidiram descansar.

– Então, Helena amava Demétrio que amava Hérmia que amava Lisandro que por sua vez a correspondia, certo?

– Sim. Mas enquanto isso, Oberon mandou Puck, um duende, pingar o sumo de uma flor em Titânia que a faria se apaixonar pela primeira coisa que visse ao abrir os olhos. No caminho, encontraram-se com Helena e Demétrio, e Oberon com dó de Helena mandou Puck pingar o líquido nos olhos de Demétrio, mas por estar escuro Puck confundiu Demétrio com Lisandro e passou-lhe o sumo nos olhos. Quando Helena estava a correr atrás de Demétrio, tropeçou em Lisandro que se apaixonou por ela.

“E se você acha que isso é um problema, não sabe o que aconteceu com Titânia. Um grupo de atores que estava ensaiando uma peça na floresta teve a cabeça de Bottom, um de seus integrantes, transformada na de um asno por Puck que o levou para perto da rainha que ao abrir os olhos se apaixonou por ele”.

“Quando Puck contou o ocorrido a Oberon, o rei mandou-lhe que fosse buscar Helena enquanto passava o sumo da flor em Demétrio que ao acordar apaixonou-se. Quando Hérmia viu que Lisandro e Demétrio estavam apaixonados por Helena, pôs-se a insultá-la.”

“A mando de Oberon, Puck misturou os amantes que cansados, dormiram. Então, Puck untou os olhos de Lisandro que voltou a amar Hérmia, enquanto Oberon passava o antídoto em Titânia, que envergonhada por estar com um asno roncando ao seu lado prometeu a posse da criança a Oberon.”

“Quando os casais voltaram à Atenas, Lisandro casou-se com Hérmia e Demétrio com Helena. Ah, e obviamente Puck fez a cabeça de Bottom voltar ao normal”.

– Não sei por que, mas esse Puck me lembra o Komui-san e seus experimentos – finalmente se pronunciando depois da longa explicação de Lavi.

– Agora que você falou, parece mesmo – o ruivo riu bastante com a comparação de Allen. – Mas porque seu interesse por esse conto?

– Ah, por nada. Só curiosidade. Vou indo, até. – Saiu antes que Lavi pudesse dizer alguma coisa e insistisse com as perguntas.

Quando já estava a uma distância considerável do jardim, Allen começou a pensar sobre o conto e o que Kanda havia dito.

Se eu sou Demétrio, então sou apaixonado por Hérmia que seria Lavi, mas Hérmia é apaixonada por Lisandro que nesse caso seria a Lenalee. E quem seria Helena?

Pensou nisso até chegar ao seu quarto e quando ia abrir a porta, percebeu que ela ainda não havia sido consertada. Realmente, às vezes Kanda agia de uma maneira tão impulsiva.

Kanda...

Lembrar-se do japonês, fez com que percebesse algo que não havia pensando antes. Se ele era Demétrio, Lavi era Hérmia, Lenalee era Lisandro, então Kanda poderia ser...

***

Ódio. Raiva. Eram as únicas coisas que sentia ao ser arrastado pelo seu maldito mestre para fazer um tour por Roma para que pudesse conhecer melhor a grandiosidade artística do lugar. Era impressionante, como se não bastasse estar com um péssimo humor por causa do Moyashi, ainda tinha que aguentar fazer essa missão.

Por ter o mestre que tinha, havia sido obrigado a ler coisas como Shakespeare, por isso sabia sobre “Sonho de uma Noite de Verão”.

– Vejam, Yu-kun e Maa-kun! Toda essa perfeição da Basílica de São Pedro!

Seu mestre gritava para ele e Marie, que parecia bem com a situação.

– Kanda, você sabe que o mestre é assim. Não podemos fazer nada.

– Tsc!

Depois de observar todos os ângulos possíveis da Basílica, Tiedoll finalmente decidiu entrar para apreciar o interior que já havia visto centenas de vezes.

– Que lindo. Um passeio em família.

Essa voz. Esse tom. Kanda os conhecia muito bem e só poderiam pertencer a uma pessoa.

– Tiky Mikk. – Marie disse, também reconhecendo a voz rapidamente.

– Ora, o que temos aqui? Você não é o exorcista que estava com o Walker quando tudo aquilo aconteceu? Você deve odiá-lo mesmo para deixá-lo sofrer daquele jeito – a maneira cínica e dissimulada que falava fazia com que a vontade de matar que Kanda sentia aumentasse ainda mais.

– Do que ele está falando, Kanda? – Marie perguntou, e apesar de não poder ver a expressão de puro ódio que o japonês tinha no rosto, podia sentir perfeitamente a aura assassina que ele emanava.

Kanda não esperou que o Noah falasse mais alguma coisa e atacou. Os gritos de Marie e de Tiedoll pedindo para que ele parasse foram em vão. Kanda não estava em si, a única coisa em que conseguia pensar era em Allen tremendo em seus braços e o desespero que sentiu ao vê-lo assim.

***

Enquanto Kanda lutava em Roma, Allen estava na Ordem sem conseguir dormir ou comer direito, o que deixava seus amigos e principalmente Jeryy preocupados.

– Allen-chan, você só irá comer isso? É tão pouquinho!!! – Disse o cozinheiro. Afinal, Allen só pedira sete mitarashis e não quinze como de costume.

– Estou sem muita fome.

Isso era novidade. Desde quando Allen Walker ficava sem fome? Algo muito sério havia acontecido com o albino.

– Allen-kun, está se sentindo bem? – Lenalee perguntou visivelmente preocupada.

– Huh? Estou. Não precisa se preocupar, Lenalee.

– Você sabe que sou sua amiga, Allen-kun. Pode me contar qualquer coisa que estiver lhe atormentando.

Allen fitou a garota por alguns segundo, pensando se deveria mesmo contar tudo o que acontecera e o motivo pelo qual estava agindo daquela maneira.

– Não é nada demais. Fique tranquila – limitou-se a responder. Não poderia envolver Lenalee em seus problemas, ele mesmo teria que resolvê-los.

– Não acredito muito nisso, mas vou confiar em você – disse e deu um leve sorriso para o albino que corespondeu ao ato. – Só queria que você e também o Kanda fossem mais abertos comigo.

– Kanda? – Falou surpreso com a menção do nome do japonês. – Acho que isso seria impossível, Lenalee. O Kanda jamais falaria essas coisas com alguém.

– Eu sei, mas pelo menos eu saberia o motivo dele ter agido tão estranho durante a missão. – Disse, colocando a mão no queixo.

– Do que está falando?

– Não sabia? O Kanda foi a uma missão com o Marie e com o general Tiedoll e encontraram Tiky Mikk. – Ao ouvir o nome do Noah o corpo de Allen ficou tenso. — De acordo com o relatório deles, assim que Tiky apareceu Kanda se descontrolou e o atacou sem pensar e acabou ficando muito ferido depois. Isso é estranho, entende? O Kanda não costuma agir dessa forma. Está me ouvindo, Allen-kun?

Allen não escutava o chamado da garota. Kanda estava ferido. Ele quase morreu. Deveria vê-lo. Tinha que vê-lo. Precisava vê-lo.

– Onde ele está?

– Quem? O Kanda? – Perguntou um pouco surpresa. E ao ver o mais novo assentir com a cabeça respondeu com um quê de dúvida. – Na enfermaria.

O albino levantou-se rapidamente do banco e foi correndo para a enfermaria. Assim que abriu a porta, viu Kanda todo enfaixado e tirando o soro do braço.

– O que você pensa que está fazendo, Kanda? – Era óbvio que aquele idiota estava tentando fugir da enfermaria, sem se preocupar com a fúria que a chefe das enfermeiras iria descontar nele depois.

Kanda demorou um pouco a responder por estar surpreso com a presença de Allen e quando respondeu foi da maneira costumeira.

– Tsc. O que acha? Saindo desse lugar.

– Você não pode! Tem que descansar!

– Eu já estou curado, então não preciso mais ficar aqui.

O britânico ficou zangado com aquilo e empurrou o japonês para ele voltar para a cama. Ele havia se ferido gravemente e por mais que se recuperasse rápido, o melhor era ficar em observação.

– O que você tem na cabeça, Moyashi? – O olhar de ódio que lançou ao albino não o assustou, pelo contrário, fez com que Allen ficasse ainda mais certo de que estava com a razão.

– Eu que deveria perguntar isso! Se não quiser que eu chame a chefe das enfermeiras, é melhor continuar deitado nessa cama.

A ameaça pareceu surtir efeito em Kanda, que voltou a se deitar. A enfermeira chefe conseguia assustar até o “akuma” particular da Ordem.

– Por que está aqui? – A voz de Kanda o tirou de seus devaneios e como havia ido até lá por impulso não sabia como poderia responder a pergunta.

– Eu... Por nada. Estava passando e decidi entrar. – Horrível. Essa foi a pior mentira que já inventara.

– Saia.

– O quê?

– Saia daqui, agora! –Gritou.

Kanda não queria olhar para Allen. Olhar para o albino o fazia lembrar-se de Tiky e do quanto havia sido idiota ao atacar de forma impensada. Não se lembrava do que havia acontecido, mas sabia que se não fosse por Marie e por Tiedoll estaria morto, apesar de ter sua “habilidade”.

– Hunf! Não pretendo sair. Sei que você irá fugir daqui, então se acostume com a ideia de me ter te vigiando.

Será que aquele broto de feijão era tão idiota a ponto de não entender o perigo que estava correndo perto dele. Amava-o e sentia vontade de agarrá-lo a todo o momento, e o idiota ao dizer que ficaria vigiando-o só dava espaço para que pensasse em fazer besteira. Queria tê-lo perto de si e ao mesmo tempo não queria, era algo contraditório mas que fazia todo sentido para ele.

Kanda levantou-se rapidamente e segurou Allen pelos ombros, e antes que o menor pudesse pensar em falar algo foi beijado de forma agressiva. O beijo surpreendeu o britânico que ficou parado apenas sentindo os lábios outro sobre os seus.

O beijo durou alguns segundos e quando separaram suas bocas, fora impossível para o britânico parar de olhar o outro exorcista.

– Se você não me suporta como costuma dizer, deveria ir embora, Moyashi.

Essa frase foi o suficiente para fazer com que Allen reagisse. Antes que Kanda fizesse qualquer outro movimento segurou sua blusa e o puxou para si, surpreendendo o japonês com um beijo cálido.

– Eu não acho os beijos desagradáveis – disse após se separarem.

Ambos ficaram por longos minutos se encarando, até que Kanda decidiu falar.

– O que você está propondo com isso? – A pergunta havia sido feita para que pudesse entender o que se passava na cabeça afetada do inglês.

– Nada. – Respondeu simplesmente.

Kanda puxou Allen e o jogou na cama. E deixando seus lábios a centímetros de distância, falou da maneira mais sensual que Allen já o escutará falar:

– Então é melhor que esteja preparado, porque não pretendo deixá-lo ir. – E ao dizer isso, tornou a beijar o britânico.

Não se importava que Tiky tivesse lhe tomado o privilégio de ter tirado a virgindade de Allen, o albino seria só dele a partir daquele momento e não iria deixar que aquele episódio se repetisse.


E naquela noite eles não se sentiram tão separados.

Notas finais
E, novamente, esse capítulo teve uma grande contribuição da Kaori.
Estou muito feliz por ter terminado essa fic. Depois de praticamente 1 ano e meio escrevendo-a, tenho uma sensação maravilhosa de paz que há muito tempo não sentia -v-
Obrigada a todos que leram, comentaram e favoritaram essa história.
Kissu ~^-^~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!