Please, Don't Leave Me
2 Capítulo 1
Notas iniciais
—Oi Kook. — Hoseok sorriu em sua direção enquanto eu evitava contato visual, direcionando minha atenção para os meus dedos.
—Porquê estavam se abraçando? — Perguntou curioso, juntei meus livros e comecei a enfia-los na bolsa. -Taehyung.
—Eu preciso ir pra aula. — Me levantei rapidamente e puxei a mochila para o ombro.
—Tae, eu quero falar com você. — Ele deu um passo em minha direção, mas eu me afastei e comecei a caminhar até a porta. Ele me olhou estático, surpreso com minha atitude. — Tae.
Eu nunca neguei um toque do Jeon, muito pelo contrário. Nós nos conhecemos desde que éramos crianças, então sempre fomos muito próximos. Andávamos de mãos dadas, nos abraçávamos o tempo todo, brincávamos de fazer cosquinhas, afagávamos os cabelos um do outro... Nós sempre trocamos um tipo de carinho que chegava até a ser estranho na visão de algumas pessoas, mas para nós sempre foi algo natural... Até eu começar a sentir coisas estranhas com essa naturalidade. Toda vez que ele me toca eu sinto como se minha pele formigasse, um arrepio percorre meu corpo e meu coração dispara... Eu simplesmente não consigo aceitar sentir isso pelo meu melhor amigo. É errado.
—Agora não Jungkook, deixa ele ir. — Consegui ouvir o Hoseok dizer e continuei caminhando.
Vi as pessoas saindo assim que a aula acabou e logo arrumei minhas coisas, saindo da sala em direção ao meu armário, mas travei no meio do corredor, sem nem me importar se alguém que vinha caminhando atrás esbarraria em mim. Jungkook estava encostado em meu armário com os braços cruzados, me esperando. Pensei em virar as costas e sair pelo portão leste, mas ele me viu, caminhando em minha direção.
—Você está me evitando. — Parou em minha frente, olhando no meus olhos e com as mãos enterradas nos bolsos.
—Eu não estou. — Me apresso em dizer.
—Não foi uma pergunta, Taehyung.
—Kook. – Suspirei e comecei a andar até meu armário, vedo-o me acompanhar. – Não é nada, okay? Eu só estou passando por algumas coisas.
—Que coisas, hyung? – Ele me olhou um pouco preocupado, o que me fez querer sorrir, mas passei a me repreender mentalmente, me praguejando e me estapeando.
—Não é nada, é coisa minha. – Abri meu armário e joguei as coisas da mochila lá dentro, pegando o grande livro de álgebra e colocando-o no lugar das outras coisas recém tiradas.
—Me conta. Você sabe que pode me contar tudo, Tae.
—Jeon, eu não posso. – Suspirei e fechei o armário, olhando-o.
—Então porquê contou para o Hoseok? – Cruzou os braços na altura do peito, me olhando agora chateado.
—Eu... Jungkook, escuta... Eu não posso. Ele descobriu, está me ajudando... Por favor, não fique com raiva de mim. – Fiz menção de segurar sua mão, mas parei assim que percebi o que ia acontecer. Ele olhou minha mão que havia sido suspensa por mim se afastar e se fechar, então olhou para mim com a testa franzida.
—Taehyung. – Deu um passo em minha direção e meu corpo tencionou. Ele tentou pegar minha mão, mas afastei a mesma, me esquivando do seu toque. – Porquê você está fazendo isso? – Sua voz carregada de decepção. Fechei meus olhos para que eu não me sentisse ainda pior do que já estava.
—Eu preciso ir. – Abri meus olhos, mas olhei para os meus pés. – Não me odeie, por favor.
—Então me fala o que está acontecendo, Tae. – Ele suspirou, o que me fez olha-lo, me deparando com sua expressão triste. – Porquê não me deixa tocar você?
—Eu vou te contar, mas não hoje. Eu preciso ter certeza. – Disse no momento em que meu celular começou a tocar. Olhei o ecrã do mesmo e vi o nome da Sra.Turner.
—Certeza de quê? – Kook me perguntou confuso.
—Eu preciso ir... Até amanhã, Kookie. – Me forcei a beijar seu rosto e saí depressa em direção ao portão que Melissa me esperava.
—Vamos, Tae. Saia comigo hoje. – Hoseok implorava enquanto puxava minhas bochechas em diferentes direções.
—Eu não estou no clima, Hobi. – Falei e o garoto sorriu da minha voz estranha devido aos movimentos que ele fazia com meu rosto.
—Tae, por favor! – Ele soltou meu rosto suspirando, deixando os braços caírem ao lado do seu corpo. – Eu estou tentando te ajudar, poxa. Eu quero que você enfrente isso, que você consiga se divertir e achar um lado bom nisso tudo, assim como eu consegui. Colabora vai...
Pensei. Pensei mais uma vez. Pensei novamente.
Era uma quinta. A Sra.Turner havia viajado ontem a trabalho. Eu ficaria sozinho em casa, entediado. Todos os outros garotos com certeza fariam alguma coisa...
—Está bem... Mas não quero voltar muito tarde para casa, Hoseok. Amanhã ainda temos aulas.
—Eu prometo que não vou deixar você em casa muito tarde, Taehyung! – Ele falou com a mão direita levantada na altura do rosto, como um juramento oficial, o que me fez sorrir. – Vamos nos divertir!
—Ainda temos aulas hoje, hyung.
—Aish... – Ele revirou os olhos e se jogou contra os armários, se escorando de forma dramática.
Assim que as nossas primeiras aulas terminaram nós fomos ao refeitório, sentando todos em uma só mesa. Jungkook estava quieto, parecia pensativo, então deduzi que a culpa fosse minha. Como eu posso causar tanto transtorno?
Yoongi chamou o garoto para uma festa de um dos jogadores do time de basquete no final de semana e o mesmo logo aceitou, passando a falar sobre os jogos que viriam. Jimin contava alguma história sobre uma tia engraçada enquanto eu, Hoseok e Jin prestávamos atenção. Namjoon estava concentrado no celular, provavelmente trocando mensagens com alguém.
O restante do dia passou rápido. Ao chegar em casa fiz minhas atividades, estudei um pouco e assisti algum filme. Quando estava chegando perto da hora que o Hoseok havia dito que iria passar eu resolvi tomar meu banho e me vestir.
Coloquei um jeans preto meio rasgado nos joelhos, uma blusa meio cinzenta grande de mangas compridas que fica um pouco folgada e um par de sapatos mostarda que havia comprado recentemente. Tentei dar um jeito no meu cabelo, mas logo desisti. Passei meu perfume e logo ouvi o meu celular avisar uma nova mensagem.
Desci as escadas assim que li a mensagem do Hoseok avisando que havia chegado. Tranquei a porta e logo entrei no carro, encontrando Hoseok e Jimin. Olhei pro Hobi um pouco confuso e ele sorriu para mim.
—Ele não tinha nada para fazer, então apenas me pediu para que o tirasse de casa. –Dei de ombros e logo ele passou a dirigir.
Observei quando o carro parou em frente a uma boate com uma imensa fila na frente da mesma...
—Não viemos para ficar em uma fila a noite toda, não é? — Jimin perguntou parecendo ler minha mente assim que saimos do carro.
—Não, eu conheço o dono. É um amigo meu, vamos.
Hoseok nos guiou até a entrada trocando algumas palavras com o segurança que pareceu falar com alguém pelo pequeno rádio grudado no terno preto e logo nós entramos.
Centenas de pessoas tomaram meu campo de visão. A mistura dos odores de álcool, suor e fumaça invadiram minhas narinas e eu logo pensei em voltar para casa.
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