Please, Don't Eat Me
6 6 "ESPECIAL DEPOIS DAS AULAS"
ALEX
— Olá Alex...
Acordo com aquela voz soando pela sala, minha visão estava turva e minha cabeça doía de uma forma que nunca havia sentido antes, olho ao redor ao que parecia eu estava em uma das salas da escola, não havia cadeiras, apenas a que eu estava sentado, um celular ligado estava pousado em minhas pernas.
— Não vai me responder? Que falta de educação...
A voz soava do celular ligado, meus braços e pernas estavam amarrados na cadeira, não conseguia me mover, minha visão começava a voltar ao normal, algo escorria por cima de meus olhos, minha visão fica aos poucos avermelhada e percebo que o liquido que escorria era sangue, o meu sangue.
— O que você quer? – Pergunto tentado forçar meus braços para me soltar das cordas.
— Não tente se soltar, fiz um ótimo trabalho lhe amarrando ai. — A voz soava estranha, algum tipo de estática impedia que eu identificasse se a voz era masculina ou feminina. – Vamos conversar...
— Você me amarra em uma cadeira, e ainda quer conversar? – Balanço meu corpo bruscamente, forçando-me para todos os lados, mas as amarras estavam tão apertadas que eu só me machucava a cada movimento que fazia.
— Eu estou resolvendo outros problemas, então vamos conversar dessa forma. — Um novo som surgiu por trás da voz, era como se algum murmurasse algo. — Fique quieto... – Um baque surdo soou pela sala, como se alguém houvesse tomado um soco. – De qualquer forma...
— Você matou a Gabs não é? – As palavras saíram da minha boca sem que eu percebesse, o que aquela pessoa estava fazendo não fazia qualquer sentido, me amarrar em uma cadeira enquanto faz sei lá o que do outro lado.
O silencio durou por alguns minutos quando foi quebrado pela risada do outro lado da chamada. — O tiro era direcionado a você, mas eu pensei “Porque acabar com isso quando eu posso destruir o Gabe pedaço por pedaço?”, então eu simplesmente atirei naquela garota, ela parecia ser legal, mas ela não era nada. — A pessoa sorriu mais uma vez, como se debochasse da minha cara.
— Então você está fazendo tudo isso apenas para se vingar do Gabe? – Eu estava com raiva, mais raiva do que poderia imaginar, no entanto o medo se sobrepujava a raiva, ficar ali naquela sala, amarrado, um sentimento em meu peito dizia que algo iria acontecer e não seria uma coisa boa. – Como espera se vingar do Gabe me atingindo?
— Eu sistematicamente destruirei tudo que ele ama, já tomei a confiança que você tinha nele ao matar sua melhor amiga, isso fez com que o Gabe se aproveitasse da situação e o beijasse, em seguida foquei aquele circulo de amigos dele. – A pessoa riu. – Vou tirar o seu orgulho, sua alegria, seu amor irei deixar ele em ruinas e em seguida irei tortura-lo e quando o Gabe estiver no nível mais baixo do desespero, ele não terá escolha a não ser implorar para eu libertá-lo da dor e é porque eu o amo... – Foi possível ouvir a respiração profunda através do celular. – E é porque eu o amo, que eu libertarei...
Aquelas palavras me deixaram apavorado, como poderia existir alguém que fizesse algo assim, destruir uma pessoa por dentro, eu precisava sair dali. – Você é doente. – Forcei novamente meu corpo para me livrar das amarras, mas era impossível, sempre que forçava meu corpo parecia que as cordas apertavam mais meus pulsos.
— Não se preocupe Alex, Gabe só perderá todas as esperanças quando você morrer, mas no momento, tenho uma pessoa mais importante para matar, você viverá mais algum tempo antes de me focar em você. – O celular desligou.
Eu respirava com dificuldades, minha cabeça doía ainda mais, e lagrimas escorriam de meus olhos, o medo tomava conta do meu corpo a cada segundo e o medo da morte era cada vez mais notável, eu perdi varias pessoas importantes na minha vida, a Danny e logo depois a Gabs, achei que talvez fosse o fim para mim, mas depois do dia do baile, percebi que eu precisava deixar as pessoas que eu amava vivessem através de mim, eu queria viver.
GABE
1 Semana antes
Dois dias haviam se passado depois do assassinato da Gabi no dia do baile, todos os alunos ainda estavam com medo de sair na rua à noite, o assassino ainda estava à solta e os pais estão cada vez com mais medo, ninguém sabia se o assassinato daquela garota foi único ou seria o inicio de uma serie de outros.
As aulas daquele dia haviam terminado, Gabe caminhava pelos corredores da escola como se não tivesse para onde ir, poucos alunos ainda passavam por ali e de tempos em tempos Gabe olhava seu celular para saber se o Alex havia mandado mensagem, mas nenhuma notificação, eles se encontravam nos corredores, mas sempre que o Gabe tentava falar com ele, Alex ignorava, Gabe não podia culpa-lo, além do mais o beijo havia sido sua culpa.
— Será se você ainda voltará a falar comigo? – Gabe encostou-se numa parede próxima e se sentou no chão, a mão no rosto.
O céu do lado de fora ficava avermelhado, o sol estava se pondo e provavelmente sua mãe ligaria a qualquer segundo para que Gabe fosse para casa, ele não poderia culpar a preocupação de sua mãe, além do mais não é todo dia que uma garota morre e ninguém sabe quem fez tal coisa.
Gabe ficou de pé no momento em que seu celular tocou, ele bufou de raiva e atendeu. – Mãe eu já tô indo pra casa.
— Olá Gabe. – A voz estava misturado com estática, mas era possível notar a risada que a pessoa dava.
— Quem é você e o que você quer? – Gabe gritava ao celular.
— Você me conhece... – A voz mesmo por trás da estática soou suave. — Mas não estamos aqui para brincar de adivinhação, eu escondi uma coisa no banheiro masculino que você vai querer ver.
— Escondeu? – Gabe não perdeu tempo e seguiu direto para o banheiro masculino. – Se isso for uma brincadeira eu juro que vou descobrir quem você é e vou acabar com a sua raça.
— Sempre tão violento não é caro Gabe, mas quem irá acabar com você serei eu. – A voz soou brusca. – Veja a galeria de arte antes que alguém encontre...
A ligação caiu, Gabe correu até o banheiro masculino e entrou, não havia ninguém ali, o chão estava completamente limpo, provavelmente as faxineiras haviam passado por ali, os boxes todos fechados.
— Tem alguém ai? – Gabe perguntou e pegou a lata de lixo. – Não é bem uma arma, mas vai servir. – Ele caminhou e abriu boxes por boxes, mas não havia ninguém ali e não tinha sinal de que alguém havia entrado no banheiro nas ultimas horas, ele se aproximou do ultimo box e com uma das mãos ele abriu e jogou a lata de lixo dentro do box fazendo um barulho que poderia ter sido ouvido por toda a escola, isso se alguém ainda estivesse ali.
O que Gabe viu o fez perder todo o folego, havia fotos preenchendo os quatro lados do box e todas elas eram dele beijando o Alex no campo de futebol. Gabe trancou fechou a porta e ficou encarando a foto, todas estavam em preto e branco, no entanto uma se destacou, ela era a única coloria, Gabe pegou a foto e observou ele beijando o Alex.
— Que merda eu fiz? – Ele se sentia culpado por aquilo, Gabe virou a foto e viu as palavras que estavam escritas.
O Alex nunca mais iria olhar na sua cara se essa foto se espalhasse pela escola e todos ficassem sabendo que dos dois tem um caso.
PS: Ele nunca vai te amar de verdade.
Gabe rasga a foto e começa a arrancar todas as outras da parede, ele não podia deixar que ninguém as visse, a mensagem estava certa, se aquelas fotos se espalhassem pela escola o Alex nunca mais falaria com ele. Gabe arrancou todas e pegou o saco plástico que estava dentro da lixeira e colocou todas as fotos ali dentro.
— Quem diabos tá fazendo isso? – Gabe empurrou a porta do banheiro com toda sua força e voltou para o corredor, à noite já havia caído sobre a cidade, ele saiu da escola e foi para sua casa, Gabe estava disposto à descobrir quem estava fazendo aquilo e quando descobrisse iria acabar com a raça da pessoa.
PARQUE CENTRAL
Jack e Edu estavam naquele tipo de encontro que os dois sempre tinham, sempre uma vez por semana eles combinavam de sair para um lugar só os dois e acabavam bebendo, comendo e no final sempre acabava em sexo, naquele dia Jack convidou o Edu para passar a noite no Parque Central, mesmo com todas as proibições àquela era uma tradição entre eles.
— Achei que não viria. – Jack viu Edu chegar com uma mochila nas costas. – Eu deixei tudo pronto, vem... – Jack não deixou o Edu responder, apenas o puxou para dentro da floresta que circulava o parque.
— Vai com calma, temos a noite toda. – Edu sorriu e correu mais rápido ficando ao lado do Jack, ele o empurrou de leve fazendo o Jack parar. – Poderíamos pular a bebida e ir direto para a comida. — Edu beijou Jack com intensidade, suas mãos percorrendo o peitoral, o abdômen e em seguida tocando o volume nas calças do Jack.
— Calma ai. – Jack falou entre um beijo e outro. – Você sabe que eu adoro montar em você, mas vamos para dentro da barraca, se alguém nos ver aqui provavelmente vão nos mandar para casa, tem policiais por todos os lugares. – Jack beijou mais uma vez o Edu e o puxou para uma abertura na floresta, a cabana estava bem no centro com uma lâmpada ligada a uma bateria.
— Você realmente pensou em tudo. – Edu deu um tapa na bunda do Jack e entrou na cabana.
— Eu sempre penso em tudo. – Jack tirou a camisa fora da cabana e entrou logo em seguida.
Edu puxou Jack para cima de si, suas mãos percorrendo as costas nuas do garoto com delicadeza. Jack mordeu de leve os lábios do Edu e tirou a camisa dele percorrendo sua língua lentamente pelo pescoço e peitoral. Edu arfou de prazer enquanto Jack beijava seu abdômen.
— Eu adoro essas noites. – Edu abriu o zíper da calça, Jack olhou para ele e sorriu. – É todo seu. – Edu abriu um sorriso malicioso.
Jack segurou o membro do Edu fazendo seu corpo arrepiar, no entanto antes que o Jack pudesse fazer qualquer coisa, um barulho de galhos sendo quebrados soou fora da barraca.
— Serio? – Jack pegou a camisa e vestiu rapidamente. – Quem tá ai? – Ele gritou. – Se for um drogado qualquer eu vou acabar com a sua raça.
— Jack calma ai. – Edu tentou puxar ele de volta, mas Jack já havia saído, Edu levantou-se depois de vestir a camisa e vestir a calça direito, ele saiu da cabana. – Me deixar na mão não é legal Jack.
Não havia ninguém ali fora. – Jack!? – Ele chamou, mas não obteve resposta. – JA...
Edu tropeçou em algo e caiu em cima de folhas secas misturado com areia molhada, ele levantou-se rapidamente e viu no que havia tropeçado, Jack estava caído no chão, sangue escorria por um ferimento em sua cabeça.
— Oh meu Deus... – Ele se ajoelhou ao lado do Jack e tentou ouvir os batimentos dele. – Você está vivo, ainda bem. – Edu tentou levanta-lo.
— Que bonitinho o casal que não é bem um casal tento um encontro romântico em um lugar como esse com um assassino a solta. – Edu reconheceu a voz e virou para olhar.
— O que você está fazendo aqui, você fez isso com o Jack? – Edu colocou o braço do Jack ao redor de seu pescoço.
— É... Fui eu sim. – Quem quer que estivesse na frente do Edu levantou um taco de basebol. – Vamos brincar? – E com um movimento rápido atingiu a cabeça do Edu e com um baque surdo, ele e Jack caíram desacordados. – Isso vai ser divertido.
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