Please Be Mine

9 Capítulo 9 - O Festival, parte 2


A viagem foi consideravelmente tranquila, não teve nenhum imprevisto, ou acidente. Eu estava cansado demais para me manter acordado durante toda a extensão, minhas fantasias reprimidas brincaram comigo durante toda a noite, me forçando a quase não dormir, me forçando a sentir cada vez mais, e mais desejo e tentação. Clare e Jullie estavam no banco de trás, trocando carícias. Percebi o olhar fulminante de Robert as atingindo em cheio, seu descontentamento com aquela cena era ridiculamente visível, estava preocupado que ele não prestasse tanta atenção na estrada e acabasse nos matando com um fatal e escandaloso acidente.

— Jovem morre com outros três amigos, ele estava prestando atenção demais em sua irmã tendo momentos afetivos com a garota que ele queria ficar... — imaginei a voz do apresentador do jornal noturno passando essa noticia.

Felizmente, ele não nos matou. Vi diversas paisagens durante o caminho, montanhas, campos, não tinha muita noção de quanto tempo havia se passado, pois passei um tempo dormindo. Clare repetiu o mesmo feito, dormiu encostada em Jullie, a cena era muito fofa. Se você não reparasse naqueles olhos cor de mel, embebidos em fúria, condenando toda aquela situação. Eu apenas presenciava tudo, apenas observava o contraste entre o romantismo e os ciúmes, entre a decepção e a plena felicidade. Enquanto eu mesmo me encontrava numa tormenta de sentimentos, que eu parecia os ignorar temporariamente, e focar no desejo por Robert, que se intensificava a cada segundo que passava do lado dele. Cada segundo olhando para aqueles olhos, para aquele corpo, eram montes de tentação que preenchiam minha mente.

Depois de um tempo, em que o clima estabelecido era imudável, estático, chegamos ao nosso ponto final: um belo hotel, numa cidade menor, voltada para o turismo, de frente a uma imensidão de praia, e um belo sol que contemplava nossa chegada. Acordamos Clare e descemos do carro. Robert cuidou dos detalhes e subimos para nossos respectivos quartos, tivemos que nos dividir em dois quartos, Robert e eu em um e Clare e Jullie em outro. O destino queria realmente conspirar contra mim naquele momento, já estava começando a ficar nervoso, só em pensar que iria ter que dividir o quarto com ele, fazia minha mente delirar. Algo dentro de mim me condenava por isso, ainda sentia algo forte por Alex, mesmo ele tendo partido meu coração em pequenos pedaços e depois pisado em cada um.

— Dave, você percebeu né? — perguntou Robert, enquanto sentava na cama.

Fiz sim com a cabeça, e me sentei na minha cama.

— A vida é cruel. — continuou, logo depois se levantou e olhou o imenso mar brilhando com raios solares recaído sobre ele. A luz do sol adentrava a janela, e marcava ainda mais as linhas do rosto dele.

Levantei-me e me juntei a ele. Aquela visão era realmente linda, inspiradora, por sorte havia trazido meu caderno de desenhos, com certeza teria que desenhar essa paisagem. Ele saiu do quarto, disse algo antes de sair, mas eu não consegui prestar muita atenção nas palavras, seus lábios não me deixaram realizar isso.

Sentei-me e comecei a rabiscar tudo aquilo do meu jeito, as pessoas, a luz do sol refletindo na água. Desenhava o que via do meu jeito, com meus significados para tudo, me perdia fazendo isso. Tudo em minha volta parecia morrer, apenas focava no desenho em si. Gostava dessa sensação que o desenho transmitia em mim, gostava de a cada traço transmitir bilhões de sentimentos.

Meu foco foi quebrado por uma voz familiar e som de passos adentrando no quarto e vindo até mim, ainda estava virado para a janela, ainda voltando para a realidade. Clare repousou a mão sob meu ombro.

— Will, você ficou um bom tempo aqui, que tal sairmos?

Levantei imediatamente e fiz que sim com a cabeça. Ela me arrastou pelo braço, mesmo eu estando ainda meio perdido. Deixei que ela me levasse para não sei onde.

Jullie estava comprando um sorvete com Robert, os dois estavam sorridentes.

— Ei gente! Consegui tirar ele de lá! — gritou Clare apontando para mim, eles sorriram, sorri de volta.

— Vai ter uma grande festa hoje à noite. — especulou Robert lendo algo que me parecia ser um guia de atrações.

— Legal. — falei.

Começamos a perambular pela cidade, ela era pequena, mas como — especulando — sua principal atividade econômica era o turismo, tinha várias atrações e pontos de encontro. Várias lojas com lembranças, e festas preencheram nossos olhares enquanto nos movíamos pela cidade litorânea. Paramos em frente uma lanchonete especializada em sucos e bebidas, estávamos meio desconfortáveis com a mudança de temperatura entre as cidades, aqui era um pouco mais quente, para continuar andando. Então nos reunimos numa das mesinhas que ficavam do lado de fora do estabelecimento, e pedimos uns sucos. Ficamos então, conversando sobre bobagens cotidianas e coisas irrelevantes. O clima ali presente era sempre o mesmo de quando nós quatro nos reuníamos: Clare e Jullie trocando carícias, Robert fulminando a cena com seu olhar e eu, observando tudo, sobrando naquele conflito. A situação mudou quando, uma voz chamou a atenção de nós quatro.

— Rob. — uma voz masculina nos chamou atenção.

Todos viraram e procuraram a pessoa responsável. Deparamos-nos com um jovem, mais alto um pouco que Robert, cabelos negros como a noite, olhos castanhos, sem camisa. Exibia seu corpo, belo, corria em direção a nós com um sorriso de orelha a orelha, o jeito que ele olhava para Robert era diferente, diria que até, provocante.

— Ei Jake. — disse Robert enquanto levantava e o abraçava.

Quando Jake se distanciou era notável que era de perto e de longe, um dos homens mais belos que já vi. Seu corpo inspirava, seu rosto parecia ter sido esculpido milimetricamente, seu jeito de se portar era naturalmente sexy. Não me sentia tão atraído, mesmo tendo que admitir que era realmente lindo, ele se sentou junto conosco e começamos e conversar. Ele tinha vinte e cinco anos, era amigo de Robert, entre outras coisas. Ficamos apenas o ouvindo falar de micos, situações e coisas que ele e Robert fizeram juntos, a voz dele era firme, grossa e gostosa de ouvir.

Logo depois disso, fomos tomar banho de mar. Jake nos acompanhou, a companhia dele me deixava um pouco incomodado, eu terminara sobrando mais ainda, porque Clare e Jullie estavam jogando água uma na outra como duas crianças vindo na praia pela primeira vez; Robert e Jake estavam sentados na areia, com aqueles corpos expostos a luz do sol, observando bem era possível notar a fina camada de pelos loiros que cobriam o corpo de Robert. No final eu acabei sobrando, parado, afastado, apenas observando eles enquanto os mesmo se divertiam e distraiam de maneira própria.

Estava muito cansado de observar eles, me sentia excluído. Então voltei para o hotel alegando estar com dor de cabeça, Clare parecia perceber bem minha mentira, ela me conhecia como ninguém jamais me conheceria. Dentro do quarto me sentia mais seguro e mais só, meu caderno de desenho era meu único companheiro, fiquei acompanhando o pôr do sol preso em meus traços expressivos.

A noite começara a se instaurar naquele lugar, e com a noite, vinham também os pensamentos eróticos que torturavam minha mente, que aumentavam gradativamente minha tentação pelo corpo de Robert, a visão do corpo dele na praia foi ótima. Os raios de sol repousando sob ele, recaindo sob o rosto e o fazendo ficar milhões de vezes mais sexy. Eu sentia um pouco de ciúmes, de ter ficado isolado, Jake era alguém que eu não poderia competir, muito mais lindo e interessante que eu, isso me desanimava.

Os fantasmas torturaram minha mente, me fazendo ter devaneios durante o banho. Eu resolvi dormir com os pensamentos na cabeça. Até que algo me acordou, um barulho, fui reparar o relógio e eu tinha dormido menos de uma hora, estava excitado, sonhei com Robert.

Olho para o lado e sai ele enrolado numa toalha, seu corpo molhado, e seu olhar estava um tanto quanto safado. Fiquei ainda mais excitado, visivelmente mais excitado. A reação dele me surpreendeu muito: eu tinha me levantado e olhado para janela, ele se aproximou e me agarrou por trás. Suas mãos estavam acariciando meus braços, sua boca estava em minha orelha, arrepios percorreram todo meu corpo. A ereção dele era visível, assim que virei, a notei. Ele continuou me beijando e me agarrando, meu corpo se encontrava em chamas, meus sentimentos a flor da pele, seu corpo me pressionando contra a janela, estava escuro no quarto, então as pessoas lá de baixo não veriam isso. Aquilo era muito excitante, ele sabia como ser quente. Em meio a essa atmosfera de luxúria e sexo, em meio aos meus gemidos abafados eu proferi:

— Alex.