Playing With Nightmares
4 Capítulo 4 - O que está acontecendo?
Notas iniciais
A última coisa de que me lembro é de estar correndo, descendo as escadas feito corredor de maratona. Os outros me seguiam na mesma velocidade. Olhei para trás, para Mizla, que estava com uma das mãos grudada em meu braço e com a outra puxando sua irmã... Me arrependi de tê-las arrastado até aqui. Me arrependi de ter trazido a pequena Tiff até aqui! Sim, eu me dou bem com ela! Todos aqueles xingamentos, grosserias e brigas são uma forma de demonstrar o quanto a gente se gosta! Me senti mal por ter feito isso com ela! E a Mizla, ah Mizla... Como eu me arrependo de ter insistido para ela vir! Como sou burro, as mulheres sempre estão certas, nunca duvide de seus instintos!
Finalmente chegamos no saguão do prédio. Abri a porta de entrada e a segurei para os meus amigos passarem para o lado de fora. Andamos um pouco pela rua, em silêncio absoluto. Jéssica e Fernando estavam na frente, abraçados, seguidos por Renata. Eu ia logo atrás, com a mão de Mizla em volta do meu braço direito. Ela apertava com força, cravando as unhas em meu antebraço. Tiff ainda estava extremamente pálida e com os olhos arregalados. Sua irmã estava com o braço em seus ombros. Do nada Mizla me solta e se vira para encarar a pequena.
– Vem cá.- o tom de Mizla era calmo. Ela colocou suas mãos nos ombros de Tiff e a fez sentar no meio fio, sentando ao seu lado em seguida. — Se acalma. Respira. O que aconteceu lá dentro?
– E-Eu vi uma m-mulher... — falou entre soluços. Lágrimas escorriam de seu rosto — Era uma v-velha, estava segurando uma vela... — ela abraçou Mizla — Foi muito assustador!
Mizla olhou pra mim com uma cara que dizia "o que eu faço?". Me aproximei delas e as abracei. Chamei Jéssica, Fernando e Renata com assobio, já que seguiram andando pela rua porque não nos viram sentar. Me levantei para falar com os três.
– Galera, fiquem aqui com a Tiff. Tentem acalmá-la e coisas do tipo. Preciso falar com a ...
– Ah, claro. — eles seguiram meu olhar. — Tudo bem, a gente fica aqui. — Renata já estava se sentando ao lado de Tiff.
Me virei e peguei na mão de Mizla, fazendo-a levantar e me seguir. Andamos um pouco pela rua e paramos perto de uma árvore, onde já tínhamos a certeza de que não nos escutariam conversar.
– O que aconteceu lá? Você viu o mesmo que ela? — Mizla me perguntava, apontando para Tiff.
Hesitei por um segundo.
– Sim... Eu vi o que ela viu... Pelo menos eu acho que vi.
– Pelo amor de Deus, me conta logo! Não acho que aquilo que a Tiff falou seja totalmente verdade. — aquilo era descrença na voz dela? Fosse o que fosse, eu não ligava.
– Mizla, eu sei o que vi! Sim, era uma maldita velha com vestido preto e um véu na cara. Ela estava segurando uma vela, tenho certeza! A Tiff teve toda a razão de ficar assustada. Eu também fiquei... — ótimo, acabei de mostrar pra garota que eu praticamente AMO que estava com medo. Abaixei a cabeça, envergonhado.
Ela passou a mão em meu rosto. Estávamos a milímetros de distância. Eu conseguia sentir o aroma de seu perfume, morango com champanhe da Victoria's Secrets. Ela deu um passo em minha direção, passando seus braços em torno do meu pescoço. Havia um leve sorriso em seu rosto, que mostrava preocupação mas ao mesmo tempo segurança. Meus braços a envolveram na altura da cintura. Ela puxou-me para si, encostando de leve seus lábios doces nos meus. Ficamos assim por uns segundos e aprofundamos o beijo. Ela passou a mão em meu cabelo e eu a apertei mais contra meu corpo, eliminando qualquer espaço que havia entre nós. Nos afastamos, enfim, por falta de fôlego. Dei um leve selinho nela e não pude deixar de notar que agora havia um sorriso maior em seu rosto. Encostei minha testa na dela e olhei fundo em seus olhos. Definitivamente, eu a amo pensei. Por um momento, mesmo que brevemente, esquecemos do mundo lá fora. Esquecemos dos problemas, dos medos, das preocupações, de tudo! Eramos apenas eu e ela.
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