Playing With Fire
2 Você não mudou nada
Notas iniciais
O que ele faz aqui?!?
No meio de tanta gente estranha, eu nunca imaginaria encontrar alguém conhecido, quem dirá um inimigo. O moreno me encarava dos pés a cabeça, eu ainda estava confusa com tudo isso, afinal quem diria que um Menino Desordeiro, que passou onze anos desaparecido, reapareceria em minha frente sem mais nem menos? Se ele está aqui, cadê os outros dois? Ele diz algo, mas não sou capaz de ouvir por causa do som alto da música, faço sinais dizendo que eu não estava ouvindo, ele pega meu braço e me puxa para um lugar menos barulhento.
– Ei! Quem você pensa que é para me puxar desse jeito? – Pergunto de uma forma esnobe. Gente como ele deve ser tratada assim mesmo. Ele zomba de mim.
– Desculpe, não sabia que você era de cristal!
– Que seja. O que está fazendo aqui?
– Eu perguntei primeiro. O que você tá fazendo aqui?
– Não te interessa! Quero saber aonde você e seus irmãos se meteram por onze anos. Vai, desembucha!
– Não é da sua conta. Mas pra querer tanto saber, devia estar morrendo de saudades.
– Quem sentiria falta dos três patetas? Eu já tinha me esquecido que seu trio de merda existia. E eu aposto que vocês três fugiram de Townsville porque estavam com medo de nós!
– Porque alguém teria medo da Bosta, da Bostinha, e da Bostona? Caso você não se lembre, vocês nunca conseguiram nos deter. Nem que fosse por uma só vez!
– Bom... Teve uma vezinha sim. Não se lembra? Do beijo nojento que eu tive que te dar. – Merda, eu poderia ter dormido sem lembrar dessa.
– Essa não valeu! Naquela época nós ainda éramos fracos aos seus beijos estúpidos. E só para lhe informar, agora nós estamos cem vezes mais fortes, não há chance de vocês nos vencerem.
– Há, Há! Não me faça rir, nós sempre fomos mais fortes que vocês três juntos! E nunca que perderíamos para garotinhos fracos.
– A única fraca aqui é você! – Dizia ele alterando o tom da voz, estava ficando irritado. E lá vamos nós de novo...
– Que tal tirarmos a prova aqui e agora? – Pergunto instalando os dedos. Ele se arma ficando em posição de ataque. – Não pense em pegar leve comigo só porque sou mulher.
– Não gosto de bater em mulheres. Mas não faz diferença, nunca te considerei como mulher mesmo...
Como é que é?!? Seu deboche me deixa furiosa, ponho todas as minhas forças no meu braço direito que começa a ferver, dou um soco em sua barriga e ele é jogado na mesa de bebidas. A mesa se quebra e causa um barulho intenso, fazendo as pessoas levarem um susto. As taças de bebida caem no chão, espalhando cacos de vidro e líquido por todo lado, aqueles que estavam ocupando o espaço se afastaram de nós dois percebendo que não éramos muito “normais”.
– Sua puta!... – Me xinga ainda suspenso no chão, eu me aproximo da mesa preparando mais um golpe.
– Já está acabado? Nós ainda nem começa-... – Antes que eu pudesse terminar a frase, ele se levanta numa velocidade surpreendente e soca meu queixo. O que?! Mas eu nem vi ele se levantar!! Ele chuta meu quadril com uma força não moderada, me lançando até o palco espaçoso, fazendo todas as pessoas tomarem sua atenção para mim. Merda, isso dói! Cuspo um pouco de sangue por conta do impacto do golpe, Butch voa até o palco e fica de frente para mim com os braços cruzados, me levanto e me esforço o máximo para não deixar nenhuma brecha. – Como eu estava dizendo... Nós ainda nem começamos!
– Ótimo. Agora sim está ficando divertido. – Dizia com um sorriso maléfico no rosto.
Voou rapidamente até seu peitoral e tento dar um soco direto, mas ele desvia ficando acima de mim, dá um chute em minhas costas e eu sou mais uma vez lançada no chão. Meu corpo tenta se levantar lentamente, mas antes mesmo de mover uma perna ele agarra meus cabelos puxando-os com força, pega o impulso e bate com minha cara no chão. Sinto uma dor intensa, e uma parte do meu corpo pede para eu desistir. – Isso é patético! Por que você não me dá um gostinho do que realmente pode fazer? – Debocha ele enquanto ainda mete minha cabeça no chão. NÃO! EU ME RECUSO A PERDER PARA ESSE CARA! Junto todas as forças que me restam e seguro o braço que está puxando meu cabelo, apertando-o com força, ele tenta se livrar mas não consegue. Inverto minha posição e fico com o corpo de frente para ele, uso minha visão de raio laser e atinjo seu braço. Ele se contorce por causa da dor e tenta me dar mais um soco, antes que pudesse fazer isso, lhe dou um chute na cara, ele vai para os ares e tomba a cabeça no teto fazendo a cerâmica frágil rachar. Consigo me levantar por completo, estou com vários machucados e minha boca ainda sangra, o que me deixa em vantagem é que ele está tão machucado quanto eu, também está sangrando pela boca e pela testa cortada.
Butch aterrissa no chão e me olha com um sorriso debochado, eu permaneço séria encarando-o sem desviar os olhos.
– Pelo visto você ainda está em forma. Mas não tanto quanto eu.
– Eu não teria muita certeza disso, seu estúpido. – Nos armamos mais uma vez, só que fomos interrompidos com a chegada dos seguranças. Merda! Com certeza nós seremos expulsos!
Dois negões altos e fortes nos seguraram pelo braço e nos puxaram sem dó até a porta de entrada, a multidão não tirava os olhos de nós por um segundo, Butch acenava dando tchau para as mulheres. Somos despejados para fora do local como dois vira-latas, os seguranças mandam o recado de “Nunca mais voltem aqui!” e fecharam a porta com força. Eu olho para Butch com raiva, ele faz cara de santo.
– É tudo culpa sua!
– Culpa minha? Foi você quem começou a briga!
– Porque você me provocou! Agora não vou poder achar aqueles caras!
– Que caras?
– Eu tô aqui a trabalho, tá! Você só fez me atrapalhar! – Me levanto e vou em direção da fonte do chafariz. Ele se levanta e vem atrás de mim.
– Ei! Aonde pensa que vai? Ainda não detonei sua cara!
– Mas eu detonei sua cara! Agora me deixa em paz porque eu tenho compromissos! – Me sento na beirada da fonte e suspiro. – Tenho que arrumar um jeito de entrar lá dentro.
– O que você tem pra fazer aqui que é tão importante? – Pergunta ele. Ele ainda tá me perseguindo?!
– Já disse que não é da sua conta!
– Olha aqui, você tem todo direito de me odiar, mas se continuar a tratar todo mundo desse jeito ninguém vai gostar de você.
– E quem disse que eu trato todo mundo desse jeito?
– Você sempre foi assim, uma chata! Desde que era criança, dava fora em todo mundo. Mas as pessoas fingem não ouvir suas grosserias porque sabem que por trás dessa cara amarrada tem uma pessoa legal. -... O que? Ele se senta ao meu lado e fica olhando para o céu, eu não desvio os olhos dele por um segundo. Será que eu ouvi direito? Ele disse que eu sou legal? Ainda sem tirar os olhos do céu estrelado, volta a falar. – Acho que apesar de tudo, você só é tímida. Você tem vergonha de mostrar sua verdadeira personalidade com medo de não ser aceita, e por isso se esconde atrás de grosserias e insultos.
– D-Do que está falando?! Tímida é o caralho!! – Ele ri em resposta e aponta para a água.
– Acabou de se entregar. Olha o seu reflexo. – Eu olho para meu rosto na água, minhas bochechas estão rosadas. – Viu só? Tá toda corada.
– CA-CALA A BOCA!!! – Ele ri mais uma vez, só que agora mais alto. Não acredito que fiquei com vergonha na frente dele.
Tento esconder meu rosto corado para ele não zombar mais de mim. Ficamos em silêncio, tudo o que eu ouvia era o barulho da fonte liberando água pelo chafariz, alguns grilos também faziam barulho. Criando coragem, olho para ele que não tira seus olhos do céu, seu rosto está um pouco machucado por causa da briga, porém suas bochechas não perdem o tom rosado. Seu cabelo liso está um pouco mais bagunçado que antes, seus lábios estão cortados, e sua testa sangra um pouco. Será que peguei pesado demais com ele? Admiro seus olhos um pouco mais de perto, eles brilham junto com as estrelas. Eu nunca tinha percebido antes, mas os olhos dele são um pouco mais escuros que os meus. Ele se volta para mim antes mesmo que eu percebesse, estava distraída demais sendo hipnotizada por seus olhos verde-escuros, tomo um susto e me desequilibro quase caindo dentro da fonte. Seu olhar curioso me dá calafrios, e de certa forma um nervosismo me invade.
– Tava olhando o que? – Pergunta ele quebrando o silêncio. Eu cruzo os braços e reviro meu rosto.
– N-Nada! P-Porque acha que eu estava olhando alguma coisa??
– Hum. Por nada, só tive a impressão.. – Ele suspira e volta a olhar para o céu. Porque esse clima todo?! Parece até um daqueles filmes de romance americano! Olho mais uma vez em seu rosto machucado e suspiro.
– Butch... – Ele toma sua atenção para mim novamente. Porque? Porque eu estou me preocupando tanto?? –... Está doendo?
– O que?
– Você sabe... – Sinto meu rosto quente. -... O seu rosto. Eu bati muito forte?
– Ah, isso? – Passa a mão nos machucados. – Não se preocupe, não foi nada demais. E não fique se achando só porque conseguiu dar um golpe legal. – Dizia ele sorrindo. Aponta para o canto da minha boca – E pelo visto eu também consegui tirar um pouco de sangue de você.
– Isso aqui? Não doeu nem um pouco, eu só me distraí.
– Você se distraiu várias vezes.
– Ah, quer saber? Já que você não vai calar a boca até eu admitir... Eu admito. Você realmente ficou mais forte. Mas não fique se achando muito. – Ele ri em resposta, também deixo escapar alguns risinhos. Estamos conversando normalmente agora. É meio estranho, mas... até que é legal. – Butch, aonde você aprendeu aqueles golpes? Ou melhor, por onde você esteve em onze anos?
Ele olha em meus olhos um pouco sério.
– Quer mesmo saber? – Fico meio confusa por causa da seriedade. Assinto com a cabeça e ele volta a falar. – No inferno.
No inferno? Como assim no inferno?? Ele mais uma vez volta a olhar para o céu, ficamos em silêncio por alguns instantes, afinal de contas o que eu poderia dizer? Ele suspira e volta a falar.
– Nós fomos treinados por nosso pai.
– Pai? O Macaco?
– Não, nosso outro pai. – Agora me lembro que eles tem dois pais. Um é o Macaco Louco, que os criou e os trouxe a vida. O outro foi quem os trouxe de volta depois de terem sido destruídos por nós, é o... – Aquele demônio chamado Ele.
– O Ele?!?! Mas não pode ser!! Eu e as meninas o derrotamos e o trancamos no inferno para sempre!!
– Eu sei, mas... De certa forma ele ainda consegue se comunicar conosco. – Pois é, não se pode esperar mais nada daquele cara. – O Ele sempre foi uma pressão em cima da gente, toda hora ele nos mandava ir atrás de vocês e destruí-las, mas como sempre deu em empate, ele nos dava broncas ou nos dava uma surra. Essa pressão já estava começando a nos encher o saco, e quando vocês acabaram de vez com ele, foi como um sinal de liberdade para nós, por isso saímos de Townsville para nunca mais olhar na cara de vocês. – Bem, isso explica o sumiço. – Mas uns cinco meses depois, quando estávamos na Califórnia, o Ele começou a mostrar sinais dizendo que ainda poderia entrar em contato conosco. No início nós rejeitamos falar com ele porque achamos que nossa vida viraria um inferno de novo, mas ao invés de nos mandar ir atrás de vocês, ele nos transmitiu alguns de seus poderes e nos ofereceu a treinarmos no inferno ao lado dele para que pudéssemos ficar ainda mais fortes.
– Bom, então quer dizer que Ele ainda está vivo. Mas ele pode sair do inferno se ele quiser?
– Não, porque você acha que nós treinamos no inferno? Ele não pode sair de lá porque vocês o trancafiaram de vez.
– E vocês ficaram lá por onze anos inteiros.
– Na verdade, a gente só treinava uma semana a cada mês. Estávamos sempre viajando pelo mundo destruindo coisas, pegando algumas vadias, roubando ás vezes, e fazendo de tudo para causar desordem. Afinal, isso está no nosso sangue.
– Eu já deveria imaginar. – Nossa, eu nunca pensei que eles passariam por tanta coisa, na verdade eu achava que eles tinham morrido por alguma doença, ou sei lá. Butch se levanta e dá uma olhada em seu relógio de pulso.
– Xi! Já está tarde, melhor eu ir pro hotel. – Ele coloca a mão no bolso e tira uma coisa pequena de lá, tira alguns adesivos dele e vem em minha direção. Ao senti-lo se aproximar meu corpo se arrepia, encosta a mão quente em minha bochecha e meu coração toma um susto. O que ele está fazendo?!? Põe algo em cima no meu machucado e se afasta, passo a mão em cima e descubro o que é. Um curativo? Mas porque ele...? Butch tira os pés do chão e voa para o alto, olha para mim e acena. – Até mais, Super-Bostinha. Não se esqueça da nossa luta, ela ainda não acabou. – Se afasta um pouco mais, para por um instante. Olha para mim e sorri, de um jeito que nunca sorriu antes. – E antes que eu me esqueça... Parabéns, você ficou muito forte.
Dizendo isso ele voa para longe, minha mente tenta assimilar tudo o que aconteceu essa noite. Passo a mão no curativo que ele me deu, sinto meu rosto quente. Ele não precisava ter feito isso... Vejo-o voando pelos céus se afastando cada vez mais, olha para mim uma última vez e sorri. Apesar de tudo... Talvez ele não seja tão mau.
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A porta do elevador se abre e eu chego no meu andar, o quarto em que eu estava hospedada era a suíte principal, por isso não seria difícil acha-lo. Paro em frente a minha porta e ponho a mão no bolso procurando as chaves, não acho, ponho a mão no outro bolso, nada. Aonde eu deixei a merda daquela chave? Ouço o som da porta do quarto vizinho se abrir atrás de mim, primeiramente não dou atenção, mas logo depois escuto uma voz familiar.
– Ei camareira, porque demorou tanto?? – Olho para traz e me deparo com algo que não esperava. Um homem sem roupas, apenas enrolando suas partes íntimas numa tolha, o corpo incrivelmente musculoso, braços fortes e tanquinho definido, a pele clara estava molhada assim como seus cabelos negros. Depois de passar um bom tempo analisando seu belo corpo, desvio meu olhar para seu rosto, reconhecendo quem estava em minha frente. -... Você não é a camareira.
– B-BU-B-BUTCH?!?!?!?! – Meu coração quase sai pela boca de tamanha surpresa, tanto meu rosto quanto meu corpo ficam quentes, e um monte de pensamentos se misturam em minha mente deixando-me confusa. – KYAAAH!! – Tampo os olhos com as duas mãos ao notar seu corpo sarado mais uma vez.
– Não me diga que está hospedada aqui também?! Quando é que você vai me deixar em paz, hein?
– N-NÃO É HORA PRA GRACINHAS!! AGORA SAI DA MINHA FRENTE!!
– Ué, mas por quê?
– S-SEU IDIOTA, VOCÊ ESTÁ NU!! EU NÃO QUERO TE VER DESSE JEITO!! – Eu praticamente gritava no meio do corredor, destampei meus olhos, mais uma vez tendo a visão de seu corpo, e por mais que eu não quisesse admitir, eu estava me sentindo muito atraída por ele agora.
– Calma, eu nem estou totalmente nu... – Põe a mão no nó da toalha que a prendia em seu corpo, desamarra-o fazendo o tecido cair no chão. Ao ver a “coisa” exposta eu quase tenho um ataque do coração, meu rosto entra em chamas, e por mais que eu tente, não consigo tirar os olhos... daquilo. -... Agora sim eu estou totalmente nu. – Dizia sorrindo debochadamente, saboreando-se do meu nervosismo.
– KYAAAAAAAAAAAAHH!!! – Um grito totalmente fino sai da minha garganta, nem eu mesma acreditava que tinha liberado um grito daqueles, parecia até uma garotinha. Tampo meu rosto mais uma vez, tento esquecer a cena que acabara de ver, sem sucesso. Butch ria alto se sentindo vitorioso, sinto-o se aproximar de mim. Toca minha bochecha quente com o dedo.
– Olha só, e não é que você tem um lado feminino. – Diz ele ainda rindo do meu nervosismo.
Sinto uma veia pulsar em minha testa. Ainda de olhos fechados, com um impulso, dou um soco nele acertando seu queixo. Ele geme de dor e me xinga baixinho, eu o empurro até sua porta o jogando no quarto.
– VISTA ALGUMA COISA, DEPOIS CONVERSAMOS!! – Bato a porta com força. Minha respiração está desregulada, meu coração acelerado, e meu rosto quase pegando fogo. Encosto minhas costas na parede, arrasto até o chão e me sento, coço minha cabeça com a mão direita. Mas que diabos acabou de acontecer? A imagem de seu corpo não saia da minha cabeça, era simplesmente impecável. Os músculos, as dobras, até mesmo as cicatrizes. Tudo nos lugares certos. Simplesmente perfeito. N-No que é que eu tô pensando?!? E daí que ele é gostoso?!? Por dentro ele ainda continua sendo... O Butch!! E nem ouse pensar na “coisa”, Buttercup!! Ele abre a porta de repente, me dando um susto. Está usando uma camisa verde-musgo sem mangas, uma calça jeans e um tênis preto, seu cabelo ainda está um pouco molhado assim como seus braços. Confesso que parei para admirar seus braços fortes por alguns segundos, sacudi minha cabeça para evitar pensamentos estranhos.
– Pronto estressadinha, já me vesti.
– O-Ótimo! – Me levanto e vou em direção a ele, o encaro ainda com as bochechas rosadas, ele mais uma vez sorri como um deboche. Eu entro em seu quarto e ele fecha a porta, era uma das suítes mais chiques, muito parecido com meu quarto. Ele não parece ter dinheiro para se hospedar aqui. Isso não cheira bem. – Legal o seu quarto. Como conseguiu ficar na suíte mais cara?
– Que foi? Está insinuando que eu roubei ou algo assim?
–... Talvez. Você não é dos mais confiáveis. – Me sento na cama ficando de frente para ele. Butch suspira e vai em direção do closet, abre-o e lá dentro tem um cara desmaiado, amarrado por cordas, com uma fita adesiva na boca, e os olhos vendados. – Quem é esse cara??
– Esse cara sou quem estou fingindo ser para ficar hospedado de graça. – Vem em minha direção ficando a poucos centímetros de mim, se aproxima do meu rosto me deixando nervosa, ele põe a mão na cama e me encara bem de perto. – E você não vai abrir o bico pra ninguém se não quiser causar mais problemas.
– Eu to pouco me fudendo pra suas ameaças. É meu dever chutar a bunda de quem comete crimes, e você é o primeiro da lista.
– Você não me assusta. Mas de qualquer forma, quando eu for embora eu solto esse cara.
– Eu só não te arrebento aqui e agora porque tenho coisas mais importantes para fazer. – Me levanto. – Depois a gente acerta nossas contas, agora se me der licença, eu tenho que ir. – Vou em direção da porta e saio do quarto, consigo achar as chaves na minha bolsa. Assim que destranco a porta do meu quarto, sinto olhares em minha direção. Olho para trás, Butch estava encostado no lado da porta com os braços cruzados, não desviava os olhos de mim por um segundo. – O que foi?
– Nada. É que... Você ficou gatinha depois da puberdade. – Sinto meu rosto corar mais uma vez. – Mas eu não te pegaria. Afinal você continua sendo uma idiota.
– V-Vai pro inferno!!
Fecho a porta na cara dele mais uma vez, assim que entro no quarto pulo em cima da cama macia. Pego o controle e ligo a televisão, estava passando o jornal. Sem prestar atenção no programa, deixo minha mente ser invadida pelas lembranças do dia de hoje. Ponho a mão em cima do curativo que Butch pôs em mim, sinto meu coração bater mais forte. Ele foi... tão gentil naquela hora. Agora estava lembrando do seu corpo escultural, mais uma vez sacudo minha cabeça tentando esquecer, sem sucesso. Ele estava com uma cicatriz horrível no braço, provavelmente por causa do raio laser que lancei nele, senti uma pequena aflição em meu peito. Será que está doendo? É melhor perguntar amanhã se ele está melhor. Espera aí, porque eu tô me preocupando? Porque estou tendo esses pensamentos? Parece até que eu tô gamada nele!
“Você ficou gatinha depois da puberdade. Mas eu não te pegaria. Afinal você continua sendo uma idiota.”
... Aquele cretino! No final das contas, ele não mudou nada!
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A noite passou rápido como um foguete, eu estava viajando tanto em meus pensamentos que nem percebi quando caí no sono. Levantei-me umas 10:00, escovei os dentes, tomei um banho e pus uma roupa limpa. Coloquei uma blusa preta colada com mangas por baixo, por cima pus uma blusa verde claro, uma calça leg preta por baixo de um short jeans, tênis brancos e um pequeno enfeite de cabelo. Fiquei assistindo televisão até a camareira chegar com o almoço, raspei o prato em quinze minutos. Que delícia! Comida de hotel é tudo de bom. Assisto mais um pouco de TV, relaxando antes de entrar em ação. Vendo que horas eram, desligo a TV e me levanto, vou em direção da porta e saio do quarto, tranco-a para não ter perigo de entrarem em minha ausência. Fico de frente para a porta do meu vizinho, e assim todas as lembranças da noite passada invadem minha mente mais uma vez, me deixando com o rosto quente. Por um instante penso em perguntar a ele se estava tudo bem, estendo minha mão para tocar a porta, mas sou impedida por minha consciência que me mandava simplesmente esquecer que ele existia. Quer saber? Deixa ele se virar. Sigo em frente e vou até o elevador, chegando no andar de baixo vou para o lado de fora do hotel, tiro os pés do chão e mais uma vez voou em direção do Bellagio. Eu preciso pensar numa maneira de entrar lá de novo, e pra já!
Continua...
Notas finais
Só pra avisar que o próximo capítulo será o último que se passará em Las Vegas, o resto vai acontecer em Townsville.
Minna, mandem reviews onegaiii. Postarei o próximo assim que puder.
Kissus ♥
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