Playful Game

14 Para sempre


Notas iniciais
(;_;)/

Entre as linhas do paradoxo,

Tudo se começa onde nunca se inicia.

Tudo se acaba onde sempre começou.


Entre as linhas do paradoxo,

eu encontrei minha existência.


E, de fato, existo?


Entre as linhas do paradoxo,

eu vivi a morte,

morri a vida,

Sempre, desde o nunca.


Descobri-me ser humano, tão frágil e influenciável,

ao mesmo tempo tão forte e imutável.

Descobri que ser parte do paradoxo é bom.


Profundo mar em um mundo onde água não existe.

Profundo, respirando sem ar.

Profundo, profundo, profundo.

O raso mundo dos humanos.



~ / / ~


Narrador POV


Jieun estava voltando para casa. Sentia-se insegura, não sabia se os juízes haviam considerado sua voz boa o suficiente. Só queria uma companhia, a companhia de seu namorado. Precisava abraçá-lo e sentir seu calor intenso, ficaria mais calma quando o visse.


Ao chegar à travessa que direcionava-se à sua casa, por um segundo, parou. Algo na atmosfera estava estranho, e a fazia tremer, mesmo o sol ainda estando forte no céu das quatro da tarde. Pensou que talvez fosse algo em sua mente, sentindo-se meio boba. Ao dar o próximo passo, seu cabelo fora puxado levemente.


–O qu... — Jieun não pôde terminar sua frase. Sua garganta não estava mais ligada aos pulmões, ou a qualquer outra parte de seu corpo.


Antes que pudesse chorar, perdera o que chamava de vida.


O sangue que pingava da cabeça nas mãos de Lee Taemin já praticamente esgotara-se. O chão parecia uma tela com uma grande mancha de tinta vermelha. Tinha alguns poucos minutos antes de Jongin chegar, alguns poucos minutos para relembrar tudo, pois logo não restaria nenhuma lembrança boa.


–O que é que ela tinha a mais....? — Murmurava a si mesmo, como se escrevesse uma carta. Eram, de fato, as palavras que gostaria de enviar a uma certa pessoa, mas sempre soube do limite. Quis mesmo assim arriscar-se, e acabou ferido.


Mas o jogo é injusto, de qualquer modo. Vencer, ele venceria. O prêmio, porém, não possuía o mesmo valor.


–O que é que faltou em mim...?


Como bolhas de sabão, as lembranças boas que teve com Jongin explodiam em sua mente. Tentou tanto ser normal... Ao menos agradável ao mais velho. Fez perguntas desnecessárias, apenas para ouvir sua bela voz. Manteve o contato visual, apesar do receio, da vergonha, para admirar os lindos olhos que o prendiam, mas mesmo assim... Agora seriam apenas memórias.


Também como bolhas de sabão, elas jamais retornariam.


Pensou em como fora tudo diferente no início. Por que aquela pessoa, dentre tantas as que vira, por que justamente aquele ser humano havia prendido-o, sem soltar em nenhum momento...?


A primeira vez que o vira, estava tocando uma bela música.


Ao lembrar-se do ritmo perfeito das notas musicais, em conjunto com a beleza física e psicológica de Jongin, Taemin sentiu lágrimas caírem de seus olhos esverdeados.


Tinha confiança de que nunca fraquejaria.... Mas por que fora forçado a desistir?


Desistir do amor?


Desistir da força?


Por que Jongin o fazia sofrer, ao mesmo tempo que o fazia amar?


Por que sua natureza opunha-se ao seu coração?


Por que, perto daquele que amava, sentia-se tão distante?


Por que, tirando Jieun de seu caminho, não sentiu-se mais feliz...?


...


Ao longe, podia reconhecer os passos do sapato do rapaz que amava. Chegavam cada vez mais perto.


O verde dos olhos parecia morto. Como uma planta murcha.


Aos poucos, perdendo a água... A força...


–O que eu fiz... De errado...?


A pequena plantinha nunca mais floresceria.


~ / / ~


Minho POV


–Min.... Ho... — A voz maravilhosa repetiu meu nome, dessa vez meio descompassada pelo choro. Lágrimas invadiram seus olhos, correndo com certa pressa por seu rosto. Kibum ofegou, soluçando. Não dissemos nada por um tempo. Esperei até que ele levantou o tronco, passando os braços em torno de meu pescoço em um abraço cheio de necessidade.


–Eu sou um monstro, não sou..? — Perguntou-me baixinho.


–Se for, isso realmente importa agora?


Ele levantou o rosto, fitando-me. Seus olhos possuíam um brilho verdadeiramente inocente, por mais suja que fosse sua verdadeira essência.


Aproximou-se de mim. Selou nossos lábios. Uma, duas, três vezes. Sorri.


–Posso tentar te mostrar uma coisa? — Pediu-me, encostando nossas testas.


–Claro.


–Feche os olhos, e lhe mostrarei tudo o que vi, desde que nasci... Todos os sentimentos, tudo o que sofri, tudo o que me levou a matar meu pai... Meu coração é uma caixinha de música... E quero que escute a melodia, Minho.... — Kibum pediu-me ternamente.


Sorri e obedeci.


Suas mãos afastaram meu cabelo de minha testa.


–Brincadeira! — Um riso brincou depois dessa palavra, fazendo-me relaxar por dentro também. Ali parecia outro universo, onde somente eu e Kibum vivíamos, e tudo estava mais do que perfeito. Nenhuma preocupação, nenhum sofrimento, nenhuma dor. Era apenas o que queríamos, tanto eu, quanto ele, os demônios, os anjos e os seres humanos.


A plena felicidade.


Meu pequeno querubim levantou-se e pôs-se a dançar em frente ao lago. A cada passo, sua preciosidade parecia aumentar. Movimentos que fluíam como o curso de um riacho, delicados como o orvalho da manhã que escorre pela grama. Mas talvez fosse errado compará-lo assim. Meu anjo, em toda a sua formosura, era acima de qualquer elemento neste universo.


–Se fosse mesmo uma melodia, por que não pode ser ouvida por todos...? — Kibum parecia falar consigo mesmo, virado para o lago. — Por que apenas eu tenho que ouví-la? Não estaríamos todos em busca de alguém que escute a nossa música, e possa compreendê-la...?


–Por que tenho tantas perguntas, e me faltam tantas respostas...?


Passamos algum tempo em silêncio. Ainda mantendo-o, levantei-me e caminhei em direção a Kibum.


Abracei-o por trás, meu peito tocando suas costas.


–Às vezes, a melhor reposta é o silêncio... — Sussurrei, beijando sua nuca.


Kibum virou-se, com os olhos fechados e os lábios semiabertos. Senti-os roçando nos meus, e aprofundei o toque.


Logo separei-me, e nós dois abrimos os olhos. Vendo-me refletido no olho azul claro de Kibum, percebi o que meus olhos pareciam pedir-lhe em silêncio. E os olhos heterocromáticos estavam confirmando a permissão.


Nada foi dito, e nada precisaria ser dito.


Kim Kibum.


Era mais do que vicioso. Era mais do que um cadeado que me prendia a sua perfeiçao.


Era meu próprio e único Paraíso. Ali, em meus braços, em meus sentidos.


Visionem.


A visão. O sentido que era uma faca de dois gumes, o sentido que dava forma a um corpo que continha toda a luxúria que sempre existiu, desde o primeiro momento em que o vi e o quis tê-lo, ao mesmo tempo a pureza, também presente desde a primeira vez que meus olhos captaram a perfeição física de Kibum e quiseram adorá-lo como uma divindade suprema. Uma sensação pecaminosa e ao mesmo tempo, iluminada.


Eram dois extremos que minha visão conseguia unir, deixando-me existir sobre uma linha que dividia o céu e o inferno.


Uma linha fina, que ao meu ver, era frágil demais para ser corrompida. Mas a visão, por si só, é incompleta. E mentirosa.


Audientes.


O sentido que mentiu tanto, que disse-me palavras tão belas, na verdade, profundamente vazias. Por quantas vezes enganou a todos, porque o que saía da boca de Kibum era acrescentado, pelos meus ouvidos, pelo menos uma dúzia de sentimentos que na realidade, não existiam. A audição traiçoeira, que nos faz acreditar sem confiar no que vemos.


Entretanto,


da união entre a audição e a visão, nascia a ilusão.


E a ilusão que eu tinha neste momento, sussurrava gemidos voluptuosos.


Acreditei neles.


Gustus.


Quando minha língua tocou o plano macio de seu peito, deslizando-a por sua barriga, um gosto adocicado percorreu minha boca. Os mamilos rosados pareciam chamar-me para senti-los também. Assim o fiz, ouvindo pequenos ofegos de Kibum. Tomei-lhe novamente os lábios, ansiando por mais do vicioso sabor de Kibum. Minha língua guiava a dele, sedenta por contato. Se houvesse música, poderia dizer que estavam dançando.


Eo.


Tal como a pétala da mais formosa flor, a pele era macia e lisa em quase toda a extensão. Os pequenos volumes dos ossos, das cicatrizes e das veias que, por vezes, exaltavam-se. Ao explorá-la, cada caminho percorrido por meus dedos parecia levar-me a diversas sensações inexplicáveis, querendo cada vez mais afundar naquele perfeito corpo, desde suas clavículas até suas coxas, seguindo a melodia harmoniosa que vinha dos lábios volumosos de Kibum. Parecia extremamente delicado, porém não tive o medo de quebrá-lo. Pois nunca ousaria machucar aquela imaculada criatura que me enfeitiçara.


Odor.


Nada poderia me retirar daquele jardim de rosas vermelhas.


Nada poderia descrever o fato de minha alma, se eu tivesse mesmo uma, estar submergida em um perfume tão erótico, tão profundo, tão magnificente, que poderia ser mais valioso do que o mais caro dos diamantes, do que o sangue mais desejável que já senti, do que minha própria existência.


Seus espinhos me prendiam, me machucavam, faziam meu sangue escorrer, disfarçado em meio às pétalas escarlate.


Sim, eu não me importaria de morrer.


Eu queria afundar pra sempre e morrer ali, corrompido em meio ao jardim do Éden.


Cheirando a rosas e sangue.


...


O que passei a sentir não poderia ser explicado com palavras.


Era mais do que o silêncio. Mais do que meus sentidos poderiam captar.


Era apenas a confirmação de meu amor, do amor dele. Apenas isso.


...


O único som que podíamos ouvir era os ofegos de cansaço, tanto meus quanto de Kibum. Estávamos deitados na grama, fitando um ao outro, enlaçados em um abraço. Logo nossa respiração voltou ao normal. Meu amor sorriu para mim e fechou os olhos, aninhando-se mais próximo de meu peito.


A melhor resposta é o silêncio...?


Ouvi pequenos batimentos, quase nulos.


–Kibum, estou ouvindo.... — Sussurrei, por fim fechando os olhos.



...

O tempo fora tão precioso

e, de certa forma, tão curto.

...

Eu gostaria de permanecer para sempre ao seu lado.

Eternamente, meu grande amor.


For now, the end.


~~


Notas de uma autora emocionada:


Primeiro grande agradecimento: Aos 19 lindos leitores. A alguns em especial, não citarei nomes, porque essas pessoas devem saber o quanto foram/são importantes para mim. Nem me curvando 180 graus (até porque eu não consigo realizar tal proeza ashuuhashusau) eu poderia agradecer vocês, gentem.


Segundo grande agradecimento: Nyah fanfiction, por ser o Paraíso *-* ahsuahsahsausha


Terceiro grande agradecimento: SHINee. Por existirem.


Quarto grande agradecimento: Joe Hisaishi, ALI PROJECT, Sissel, U-KISS, Yiruma, Aoi Teshima, Maaya Sakamoto e muitos outros que me ajudaram a escrever com a ajuda da música.


(Ignorem essa última parte)

Quinto grande agradecimento: SweetKoori, você mesma. Queria poder ser você 24 horas por dia. Você é a minha melhor amiga, porque é com você que compartilho minha vida inteira, em forma de escrita. Seja pelas fics, seja pelo tumblr, pelos rabiscos e filosofias escritas na última folha de meu caderno ou pelas mensagens de incentivo que leio todo dia em meu celular, escritas por você. Obrigada por me entender, manola. E não me xinga tanto, ok? Eu tento, juro que tento >< huasuhasuhsua


É, gente, até~ Por enquanto darei uma pausa aos demônios e focarei nos estudos (cof cof) e humanos. A gente se esbarra por aí, seja em alguma fic minha, ou em uma fic sua, ou em MP ^^ Beijos aos leitores mais lyndos do muuuundo! ♥♥♥♥♥♥


~SweetKoori


Notas finais
Pessoas com problemas costumam falar e agradecer a si mesmas~ uashuashuasusahushuuhashusa
~
Desculpem pelo ~lemon~. Ficou tão fail que eu nem sei como pude postar - sauhsuahsus E desculpe à Sunly (você ainda lê minha fic? ;_;) por não ter atendido, de certa forma, ao seu pedido. Percebi que quando escrevo uma estória com um tema mais profundo, fica difícil escrever lemon >< hsauhausauhsau
~
(;v;)/♥♥♥