Platonismo
1 Hetero topster
Notas iniciais
Era o terceiro dia de Rafael na tão sonhada faculdade de Design de Games, ele ansiava por isso desde pequeno, tudo que mais queria era começar as aulas logo, mas até o momento só tinha passado pelos trotes dos veteranos. Contudo foi nesse terceiro dia que sua vida deu mais um giro de 360º e tudo por causa de um nome:
— Luanderson Bento. – O professor, um cara de uns trinta e cinco anos disse. — Creio que o senhor saiba que as aulas começaram há dois dias. – O tom era sério. — O senhor está perdendo a melhor época da sua vida. Como vai viver consigo mesmo no futuro lembrando-se que não participou dos trotes da faculdade? — O professor riu e faz a sala toda rir junto com ele.
Contudo Rafael não riu, nem sorriu, estava atônito, era uma tempestade repleta de lembranças em seu cérebro, tudo passava como se fossem pequenos filmes. Mas não poderia ser, poderia? Depois de dez anos. Não. Rafael já havia desistido de procurar, não poderia ser possível, poderia? Mas quem em além dele se chamaria Luanderson Bento? Deveria ser a mesma pessoa. Era meio estranha a ideia de haver outro Luanderson Bento senão o da sua infância.
Teve toda a certeza do mundo que era seu amigo de infância quando tirou os óculos escuros, que estava sendo obrigado a usar em qualquer lugar dentro da faculdade, e focou no rosto do aluno novo, o rosto lembrava muito o amigo de infância, mais velho, mas o que realmente deixava evidente que aquele era mesmo o Luanderson que procurava, eram as três pintas pretas sob o olho direito que formavam um triângulo.
Rafael perdeu a respiração quando viu o outro aproximar-se. Será que ele havia lembrado dele também? Não fazia ideia. Tinha uma noção que possuía uma ótima memória, ok, além de ótima, fotográfica para ser mais preciso, mas isso não quer dizer que as pessoas tenham memória de 2 megabytes.
– Eae féra, tranquilo? Tem alguém sentado aí? – O moreno disse apontando para a carteira ao lado de Rafael.
Féra? Tranquilo? Essas palavras foram um balde de água fria com gelo para Rafael, bom poderia ser pior, né? Ou não...
— Não. Não tem ninguém sentado aí. – Apesar da decepção fora educado. Era tudo que realmente precisava para tornar sua vida mais animada, não é? Entrar na faculdade dos sonhos, recuperar um crush antigo por um, aparentemente, hetero topper. Colocou os óculos de sol novamente, antes que alguém notasse que havia tirado e o dedurassem para ele ter um trote pior.
— Ae, sou Luanderson, como você já deve ter ouvido o professor maneiro lá falar, não é um nome difícil de lembrar. Qual o seu nome, loira? – O moreno chamou pelo nome que viu no crachá e tomou uma proximidade um pouco desnecessária para conversar, a voz dele era grossa e firme, do jeito que Rafael gostava. O perfume que usava então... É, aparentemente podia piorar, era como sua tia dizia, nada é tão ruim que não possa piorar. No momento, o loiro já não mais sabia se queria recuperar aquela amizade para perder-se em um crush impossível.
— Rafael Furtwängler. – Falou o sobrenome que o amigo usava para zoá-lo no passado.
— Orra, minha mãe gosta de uns nomes diferentes tipo o meu e o da minha irmã Rayelly Vyctorya com todos os Y que Deus permite e não permite, mas o seu aí já é maldade, não tem nem como eu falar. – Disse sorrindo de modo despreocupado o que fez Rafael retribuir o sorriso. – Beleza, Rafa.
— Me dizem bastante isso. Tenho que repetir algumas vezes para aprenderem a começar a falar. – Sorriu simpático. O engraçado é que o Luanderson de 11 anos tivera a mesma reação quando se conheceram. Talvez pudesse resgatar algo? Porque não, certo?
O professor estava ali na frente aparentemente apenas esperando o pessoal do terceiro ano vir buscar os alunos para o trote. Falava uma coisa ou outra de que ninguém era obrigado a submeter-se a algo que não queria e várias coisas sobre o comitê de ética, que ninguém realmente prestava atenção.
— O apelido que te deram é bem de boas né, Loira? Imagino que tipo de apelido vão me dar. Hahaha, acho que não vai ser legal já que estou atrasado.
— Ah, os veteranos são gente boa, não tem nada de absurdo como passa uns trotes na TV. Mas provavelmente vão judiar de você mesmo. Mas tu nem perdeu o melhor, dizem que o melhor dia do trote sempre é a sexta-feira...
— Ow, apresenta o amigo aí. – Anna, aparentemente a melhor amiga que poderia arrumar na faculdade falou debruçando-se sobre o loiro.
— Oi, moça. Tudo bem? – Luanderson sorriu galanteador. – A gente nem se conhece, tamo se conhecendo agora, mas seria bacana conhecer você também.
— Olha ele, loira. – A mulher de cabelos verdes riu e mostrou o “crachá” com o nome dela “Sapata” – Pego mais mulher que todo mundo aqui, flw? – Anna deixou claro, fazendo os dois rirem. – Mas como assim vocês não se conhecem, Rafa? Tu fica desconfortável, todo tímido, perto dos outros, nem pra mim tu é soltinho assim e olha que eu já sou sua melhor amiga aqui nesse inferno que vamos viver. Vai dizer que já tá na queda?
Rafael apenas deu aquele olhar suplicante para a amiga. Que instantaneamente entendeu.
— Ah. Tu ta na queda de personalidade né, viado? Quer mudar na faculdade, é isso? – Anna tentou disfarçar da forma mais idiota possível, mas Luanderson nem tinha percebido.
[...]
— Tá, Rafael, agora enquanto tu me dá uma carona pra casa, vai me contar tudo. Eu sei que tem algo aí, mas a se sei. – Anna disse enquanto iam caminho ao estacionamento.
— Ah cara... – o loiro suspirou. – Ele é um amigo de infância, tenho certeza, mas ele nem lembra. Foi o primeiro beijinho gay também. – Foi direto para a amiga. – Quando ele entrou na sala já olhei interessado, o cara tem 1,90, bronzeado, aquele sorriso, todo meu tipo. – Ele riu enquanto tirava o carro da vaga. – Dai veio o nome dele e todas as lembranças, dai ele veio falar comigo. – Revirou os olhos. – Achei que ele lembrava de mim também, mas nem lembra e ele é heterozão topper. “Ae, fera, tranquilo?” – Rafael engrossou a voz para imitar o outro e em seguida riu. – Sabe aqueles crush à primeira vista? Mas acho que vou desencanar, nem vai rolar, nem sei se vale a pena lembrar ele que a gente já se conhecia.
— Mas a senhora vai falar sim. Ele que te fez gay. Ele que te beijou quando tu tinha...?
— Doze anos. – Rafael disse e revirou os olhos. Conheceu Anna quando prestou o vestibular e mantiveram contato desde então. Em menos de 6 meses ela o conhecia bem.
— Ele te beijou quando você tinha doze anos e fez você não gostar de mulher que é uma maravilha. – Anna disse num tom de brincadeira.
[...]
A sexta-feira e último dia do trote, foi realmente o melhor dia. Bom nem dava para chamar aquilo de trote mesmo. Estava mais para orientação, numa roda de conversa e bebidas. Os veteranos do quarto ano deram várias dicas sobre diversas matérias do curso e principalmente sobre o trabalho de conclusão, que era iniciado no terceiro para ser finalizado no quarto, além disso deram dicas para fazerem o trabalho com pessoas que completassem suas habilidades e não com pessoas que tivessem afinidade, porque a afinidade daria merda, tipo muita merda. Os calouros todos riram de algumas histórias que os veteranos contaram sobre o trabalho. Foi realmente o melhor dia e muito divertido.
— Bom. Agora que todos vocês se divertiram e amam ainda mais o curso, chegou nossa hora de se divertir, vamos para o trote de verdade! – Um dos veteranos levantou e disse e em seguida todos veteranos levantaram.
— Vão ser teatrinhos simples, mas se não quiserem participar entenderemos, mas vão ter que dançar uma música em troca e talvez possa acontecer algo a mais. – Uma veterana disse.
— Primeiro... Joana e Kelvin.
— Vamos ver, pelo roteiro que fizerem de vocês ahhh. Lésbica devoradora, seja lá o que isso significa, mas estou assustada e com dó do Kelvin o Assexual. Bom agora vamos ao outro sorteio da posição. – A veterana tirou o papel e fez suspense. Hmmmm é bem de boa hein. Papai e mamãe.
Ambos calouros se olharam e anuíram e falaram em uníssono:
— Precisamos dançar o que?
— O quê? Mas de primeira já temos desistentes? Deixa eu ver. Hmmmm. Single Ladies. E tem que ser boa hein. Solta o som, Pietro. – Ela gritou.
Beyonce começou a invadir a sala e o tal do Kevin e Joana começaram a dançar. Joana era bem desajeitada para a coisa, mas Kevin... Ah ele sabia o que estava fazendo sem dúvidas. Ele poderia participar do clipe sem problema algum. Todos estavam se divertindo vendo a situação, era estranho ver Kevin dançar tão bem quando ele parecia ser desajeitado, Joana que parecia toda jeitosa para qualquer coisa era toda desengonçada dançando. Um tempo depois algum veterano puxou Kevin para o lado e um balde de tinta misturada com água foi jogado em Joanna que ficou totalmente azul. Fazendo os veteranos debulharem-se em risos.
— Viram? Há duas possibilidades. Vocês fingem uma ceninha de sexo boba com roupa e divertem todo mundo. Não precisa nem gemer, hein. Ou dançam e quem dançar mal bom, vai ficar colorido como a nossa amiga Joana. Mas não deixa de ser divertido deixa, Joana? – Ninguém nem mesmo a garota negou, ela visivelmente divertiu-se dançando e a tinta para ela não fez diferença alguma ela apenas ria e tentava limpar o rosto.
— Podemos ter voluntários também. – Um veterano baixinho e gordo disse.
Brenda e Jonas, aparentemente um casal recém-formado de namorados decidiram se voluntariar e ambos concordaram em fazer a posição que fosse sorteada, sendo ela: Cavalgar.
Jonas sentou-se no chão e em seguida Brenda sentou-se no colo dele, colocou as mãos dele na cintura dela e ela começou a cavalgar, enquanto todos riam, em certo momento ela arrancou a camiseta do garoto e começou a roda-la no ar enquanto quicava no colo dele, arrancando ainda mais risos da multidão.
— Tá bom, chega, chega. Se vocês ficaram bem excitados com isso, peguem a camisinha ali no pote na saída e se divirtam pelo campus, mas cuidado, tem câmeras por toda parte. – A veterana que sorteava os nomes interviu.
As coisas continuaram assim, casal por casal indo na frente, tanto heteros quanto gays e lésbicas. Alguns corajosos até mesmo iam até o pote na saída pegavam a camisinha e saiam dali, sabe-se lá para onde. Contudo a grande maioria preferia ficar para rir dos colegas, aquilo seria um momento para se lembrar para sempre.
Rafael estava apreensivo que sua vez nunca chegava e nem a de Luanderson. Sua mente as vezes ia um pouco longe imaginando se caísse com ele e fizessem a posição, mas tinha quase certeza que o outro iria preferir dançar...
— Luanderson... Que nome estranho do caralho, deixa eu adivinhar, a mãe queria Luan e o pai Anderson, daí misturaram e virou essa desgraça? – A veterana disse arrancando risos de todo mundo inclusive do moreno. – E Rafael... Ok. Esse nome é difícil pra caralho, vamos pro nome do trote então... Loira venha!
Rafael ficou um pouco atordoado e não se levantou. Apenas deu conta que era sua vez quando viu Luanderson puxando para irem para frente. Estava decidido, iria falar dança, nem fodendo que correria o perigo de acharem que tinha um crush pelo cara que “mal conhece”. Rafael podia até não conhecer essa nova versão do moreno, mas acreditava que ainda o conhecia de certa forma.
— Então, o que vai ser? – A multidão de veteranos gritou.
— Sexo!!!! – Luanderson gritou
— Dançar. – Rafael tentou falar, mas a sua voz foi subjugada e a multidão gritou.
— Se os dois querem coisas diferentes vamos para o jo-ken-pô!
Para Rafael era obvio que ele ganharia e só dançariam. Ninguém nunca ganhava dele no jo-ken-pô. Bom ninguém ganhava dele até hoje. Quando perdeu ficou sem chão, mas não deixou nada transparecer. Os gritinhos da multidão o intimidavam um pouco enquanto Luanderson comemorava que havia ganho, tirou a camisa e jogou para algumas meninas. Ótimo. Luanderson era gostoso para caralho com camiseta, sem era mais ainda. Rafael estava com dúvidas se conseguiria manter-se são, sem uma ereção, ainda mais no dia de hoje que optara por uma calça de tecido fino onde com certeza uma barraca seria armada se ele ficasse duro.
— Hmmmm. Eu adoro isso, bom pelo menos a comida. – A veterana falou fazendo todos rirem. – FRANGO ASSADO!
Rafael começou a rir. Não. Isso só podia ser brincadeira. Era de proposito não era? Sua posição favorita, com um atual crush de três dias que na realidade era uma pessoa que procurava por anos. Um crush que já tinha até batido uma para. Coisa que não vem ao caso agora.
— EU FICO POR CIMA. – Luanderson gritou. Rafael apenas deu os ombros. Tirou a camiseta e revelou o corpo tão sexy quanto do moreno.
— Vocês não precisam tirar toda a roupa... – Um veterano disse meio constrangido.
Rafael não se importou e amontou a camisa no chão e deitou sobre e esperou o outro se preparar.
— Parece que temos alguém experiente aqui nessa posição, hein Loira. – A veterana que chamava os nomes falou, fazendo todos rirem, inclusive Rafael sem jeito.
Sem muita demora Luanderson colocou–se por cima do loiro, olharam nos olhos um do outro, e riram, Rafael riu de nervoso, já o moreno riu porque achava a situação engraçada. Então começou os movimentos de vai e vem, o moreno inclusive soltava alguns gemidos baixos que só o loiro conseguia ouvir, os outros presentes ali não conseguiam ouvir pois o riso geral abafava o som. De alguma forma Rafael conseguiu controlar sua ereção, com certeza precisaria bater uma ou duas depois, mas por hora estava mole.
Já Luanderson não teve tanta sorte assim, sua ereção formou-se aos poucos e em certo momento o loiro conseguia sentir muito bem o que estava acontecendo, olhou nos olhos do moreno que estava, aparentemente tão assustando quanto o próprio com o que tinha acontecido.
— Uiii! é impressão minha ou tá ficando mais quente aqui? – Gritou uma veterana fazendo todos gargalharem. – Nosso calouro já tá suando ali, essa Loira é das boas hein? – Dito isso ela arrancou gargalhada de todos, inclusive de Rafael e Luanderson o que relaxou o moreno, de tal modo que sua ereção sumisse.
Céus, o moreno sentia que precisava agradecer horrores aquela veterana depois, ou não, talvez ninguém precisasse saber disso. É. Realmente, ninguém precisava saber que ele, Luanderson Bento, tinha ficado de pau duro enquanto encenava sexo com um garoto loiro que nem conhecia, mas um loiro gostoso pra caralho, segundo a mente do próprio que negava-se a aceitar que pensava assim de outro homem.
— Certo. Chega! – Eles pararam. – Agora vamos ver se depois desse frango assado delicioso alguém ficou animado. Luanderson? O hetero? – Luanderson levantou normalmente, sem vergonha. – Sem ereção! Poxa. Mas você parecia tá curtindo tanto. – Luanderson foi o primeiro a rir, um riso nervoso que passou despercebido pela maioria. – Agora o gay, levanta aí pra gente te ver Loira! Porra. Sem ereção também? Você não se esforçou, não é Luan?????? – A veterana gargalhou.
— Talvez eu precise de um homem de verdade para armar a barraca? – Rafael disse com humor fazendo todos rirem ainda mais. – Nada contra, Luanderson, você é um homão da porra, mas hétero topper não dá né? – Rafael continuou arrancando mais riso das pessoas ali, até mesmo Anna ficou surpresa com essas falas do amigo, bom ele bebeu um bocado, talvez estivesse um pouco alterado? Ou foi o calor do momento que o fez ficar sem jeito e falar essas coisas? Luanderson riu um pouco, mas era visível que riu sem graça.
Ao contrário do que imaginava, aquela situação durante o trote não afastou Luanderson de Rafael, o moreno sentiu que poderia confiar no loiro, pois ele não tinha dito nada sobre isso. Ambos começaram uma amizade bem divertida com isso, os dois e Anna eram um trio cheio de diferenças e coisas em comum ao mesmo tempo, praticamente um grupinho inseparável. Rafael deixou eles levarem a amizade como se nunca tivessem se conhecido e de certa forma era interessante observar isso, algumas coisas do amigo não tinham mudado, enquanto outras tinham mudado muito. O fato do loiro lembrar-se de tantas coisas sobre moreno machucava um pouco, as vezes bastante, mas fazer o quê? O outro não tinha culpa por não se lembrar de coisas de dez anos atrás, tinha?
Já conhecer algumas coisas sobre Luanderson fez com que a aproximação entre eles se tornasse um tanto quanto fácil, o loiro nem sabia explicar porque estava se reaproximando do moreno sendo que isso seria prejudicial a ele, e só tinha certeza de uma coisa estava cada vez mais caidinho pelo amigo. O moreno era uma pessoa completamente apaixonável, na visão do loiro, mesmo que ele falasse muitas gírias como “top”, “fera”, “firmeza”, “sextou”, para ser sincero Rafael até mesmo havia caído na armadilha de usar “top” para zoar e acabou que nunca mais conseguiu parar de usar a palavra.
A amizade de ambos tinha chegado até mesmo no nível que flertavam apenas de brincadeira, se bem que os flertes que Rafael fazia com o outro eram tão reais e sinceros e no fundo esperava que o que o moreno lhe respondia também fosse, mas sabia que era praticamente impossível, em todos aspectos que observava sobre o moreno até agora, tinha certeza que ele era heterossexual, nem mesmo bi para ter uma chancezinha, mesmo que pequena. Bom, sonhar não custa, custa? De qualquer forma Rafael não prendia-se a esse sentimento, praticamente, platônico que sentia pelo moreno, ele se relacionava com um cara ou outro, nada sério, apenas algo físico para ver se conseguia esquecer o amigo. Rafael até acreditava naquilo de que as vezes uma ligação física, ou química pode ser tão forte e boa que acabe fazendo com que se esqueça de paixonites agudas e se entregue a química corpórea.
Todavia nenhuma dessas relações funcionou muito bem, ainda mais porque uma vez quando saia do motel Rafael encontrou Luanderson que o olhou com certo nojo... Bom não entendeu muito bem o porquê disso, ele sempre foi tranquilo com relação ao loiro ser gay? Inclusive tinha aqueles flertes falsos. Mas no dia que o viu com outro cara achou nojento? Não fazia o mínimo sentido. Até conversou com Anna sobre isso, mas ela entendeu menos ainda. Apesar de ficar magoado com o ocorrido decidiu fingir que nada acontecera, não sabia porque, apenas decidiu isso, Luanderson fazia o loiro tomar decisões totalmente irracionais.
No decorrer desses meses e a aproximação foi tão rápida que era de surpreender qualquer um, as vezes até mesmo Rafael, mas se considerar o fato de ele utilizar de algumas memórias que tinha sobre o moreno para tornar a aproximação mais fácil, bom, não era tão surpreendente assim, ainda mais se considerar que tinha a Anna para os conectar mais ainda, ela era aquele tipo de pessoa extremamente extrovertida que te fazia a querer por perto a todo momento. Se ela fosse hetero e Rafael também eles teriam pelo menos uma amizade colorida, já tinham até conversado sobre isso.
Rafael nunca imaginou que aproximar-se de um topster o faria ficar ainda mais interessado ao invés de perder o interesse e isso rendia ao loiro várias noites acordado entre suspiros. Não sabia decidir se tentava algo real ou simplesmente deixava as coisas como estavam e continuava a tentar encontrar alguém que o fizesse esquecer o moreno.
[...]
Rafael não fazia ideia do porquê terem marcado para fazer trabalho na casa dele as 9h da manhã, isso era muito cedo para um sábado. Estava saindo do banho quando ouviu a campainha, foi até a porta e viu pelo olho mágico que era Luan. Sorriu de forma lasciva, abriu a porta e encostou no batente.
— Eae, blz? Você deve ser o MorenoDotado21. Quer uma cerveja, alguma coisa ou eu? Já estou preparado. – Flertou dando uma piscadela para o outro.
— QUE NOJO, RAFAEL. Então é assim que você se encontra com os caras daquele Grindr lá? Não acredito nisso. – Anna disse abismada.
Rafael ficou totalmente sem chão ao ver que a amiga estava ali, sentia a própria face completamente quente, deveria estar muito vermelho... Meu deus, ele nunca na vida tinha passado tanta vergonha assim, sem contar com a reação do amigo. Será que tinha passado dos limites na brincadeira?
Luanderson simplesmente não soube como agir quando Rafael o abordou daquela forma. Aquilo foi muito estranho. Tudo ficou mais claro quando Anna disse aquelas palavras. Contudo de alguma forma “é assim que você encontra os caras” deixou o moreno um tanto quanto desgostoso e ele sequer sabia o motivo. Mas uma coisa ele tinha certeza. Rafael era lindo. Sexy. Gostoso. Bom a última ele não podia ter certeza, ainda não tinha provado o loiro. Arregalou os olhos com os pensamentos que tivera, por sorte ninguém havia notado aparentemente, então voltou a ficar com um semblante neutro desviando o olhar do loiro até que ele se pronunciou:
— Então... – Pigarreou. – Entrem, vou por uma roupa. – Fingiu que nada tinha acontecido e foi para o quarto.
— O que aconteceu? – Quando saiu do quarto encontrou os amigos chorando de rir, então ficou curioso.
— Então. Fiquei intrigada com “morenodotado21” daí criei um Grindr fake, sabe, tirei uma foto do garotão aqui pra usar. Olha esse abdômen, meu deus, e eu nem curto macho. Eu não imaginava que os caras tinham nomes tão escrotos assim. “Ebano 22cm” “Voyer” “Quero ser corno”. – Anna dizia rindo. – E cara, eu mal criei, alguns vieram falar comigo, já mandando foto do pênis! Isso é terrível. Mas olha tem uns que tem perfis bonitinhos, o seu mesmo. Olha a foto, Lu, ele tá todo meigo com um sorrisinho bonito e sem camisa mostrando os mamilos polêmicos e rosadinhos. – Ela riu e em seguida começou a ler a descrição:
“Rafa... 22 anos, Estudante de Design de Games, gay assumido, versátil, livre de doenças”. Pera, você fez o teste e colocou? Continuando. “Procurando algum cara legal que possa me fazer feliz e esquecer uma pessoa que está me levando a loucura” QUEM É ESSE CARA QUE VOCÊ NÃO ME CONTOU?
— Eu não acredito que você fez isso, Anna. – Falou visivelmente magoado. – Isso foi ir um pouco longe demais. – Rafael referia-se a ela ter feito isso apenas para invadir sua privacidade de forma desnecessária. – Um, sim, todo mundo deveria fazer os testes e deixar os resultados bem claros em APPs de pegação, ainda mais se estão procurando sexo. Dois, não sou obrigado a te contar tudo da minha vida. Três vocês não deviam ter criado um perfil fake pra achar o meu pra me zoar ou zoar as pessoas deles, eles tem a vida deles e se preferem agir assim deixe eles.
— Orra, fera. Foi só uma brincadeira, não precisa ficar bravo. – Luanderson tentou defender a amiga. Mas em seu rosto apesar do sorrisinho era visível o desconforto, quando Rafael dissera usar o APP para conseguir sexo. Ele não conseguia acreditar que o loiro usava esse tipo de APP para sair com aquele tipo de gente que vira ali... Na realidade ele não suportava a ideia de imaginar o amigo com qualquer cara. E ele não entendia nem um pouco disso, nunca fora preconceituoso, sempre levara essas coisas numa boa, bom ainda levava, quando não se tratava de Rafael.
— Criar perfis fakes não é algo legal. É coisa de gente escrota, fala sério. – Disse irritadiço, Rafael realmente não tinha paciência para esse tipo de coisa, perfis fake o irritavam por alguns motivos, como por exemplo ser enganado por um fake ou outro, outrora até mesmo quase levara uma surra de um homofobicozinho de merda que estava usando o APP para “caçar” gays do modo errado. – Vamos fazer esse trabalho logo. – Disse tomando o celular da amiga para desinstalar o app.
— Desculpa... – Anna disse, percebendo que tinha ido um pouco longe demais, Rafael comentava bem pouco sobre esse tipo de coisa, bom agora ela sabia um pouco o porquê, ela também teria vergonha se no Brenda as mulheres fossem assim, e ainda mais se caísse nas garras de um perfil fake. – Mas sério, achei mó bizarro o que você fez na porta é daquele jeito mesmo? – Perguntou curiosa com certa inocência.
— Não né Anna, eu tenho cara de quem faria isso? Você viu meu perfil. “Fofinho todo meigo” como você disse. – Ele disse um pouco seco.
Tinham perdido a noção do tempo enquanto faziam o trabalho que foram almoçar apenas as três horas da tarde e foi uma pizza amanhecida que Rafael tinha pedido na noite anterior.
— É resto seu e de alguém do APP? – Anna perguntou provocativa.
— Sim. Isso branco aí em cima é meu esperma e o dele. – Foi sarcástico. E riu ao ver a cara de nojo que Luanderson fez. – Calma é brincadeira. Ontem em casa era só mamãe e eu. Ela foi viajar a negócios ontem à noite e antes pedimos pizza, volta amanhã de manhã.
Todos estavam quase dormindo quando se assustaram com um grito:
— VOLTEI BEBÊ. – Rafael ficou instantaneamente roxo de vergonha enquanto os outros começavam a rir. – É A ANNA QUEM TÁ AQUI? SEMPRE QUIS CONHECER ELA.
Alguns minutos depois uma mulher loira de meia idade entrou na cozinha e deu um beijo na testa do filho.
— Anna, ele fala tanto de você. Você não tem ideia. Tudo bem? E você querido? Quem é?
— Luanderson, Anna, minha mãe, Cristina. – Rafael disse um pouco sem jeito. – Mãe, não era pra você voltar só amanhã? – Indagou em um que de curiosidade e em um que de “vai embora, você tá me fazendo passar vergonha”.
— Então bebê, a reunião foi cancelada e voltei mais cedo. É um prazer conhecer vocês.
— Mãe... A gente já conversou sobre isso. – O loiro disse emburrado.
— Tá bom, desculpa. – A mulher disse contrariada.
— Eu preciso mostrar algo pra vocês. Me esperem na sala. – A mulher disse e saiu correndo pela casa.
— Bem legal sua mãe, hein, bebê. Então você fala bastante de mim é?
— Anna. – Ele iria falar algumas coisas mas viu a mãe se aproximando com vários álbuns. – NÃO MÃE. PELO AMOR DE DEUS, NÃO. VOCÊ NÃO VAI FAZER ISSO. – Ele saiu em direção a mãe para tentar pegar os álbuns.
— Você aí grandão, segura meu bebe, não deixa ele sair. – Assim que a mulher acabou a frase, Luanderson abraçou Rafael por trás e se sentou no sofá fazendo o loiro ficar em seu colo. Por um momento o moreno arrependeu–se de ter feito isso, ficou com medo de ter outra ereção causada pelo loiro, mas o clima não era tão propicio assim, apesar de Rafael estar praticamente rebolando sobre seu colo enquanto relutava para sair do aperto do maior.
— Me solta, Lu. Mãe, pelo amor de deus, não faz isso. – Disse mais calmo querendo afundar a cara numa almofada.
— Olha essa foto, Anna. Olha como ele tá uma gracinha de cowboy! Foi na escolinha ele tinha 5 anos.
— Mãe... Para por favor. – E a mulher continuou a mostrar toda e qualquer foto que podia do filho.
— Nossa, Rafael, olha seu pintinho que gracinha. – Anna provocou quando pegou uma foto dele pelado quando bebe. O loiro por um momento quis ser hetero para poder mostrar para a amiga o que era pequeno, se bem que nada poderia impedir ele de fazer isso. Bom, talvez tivesse uma vingança para o futuro, ela odiaria isso e seria engraçado.
— Olha esse. Nesse tem o primeiro namoradinho dele. – Rafael sentiu uma vergonha subir todo seu ser, do seu âmago até o rosto, deixando a região das maçãs do rosto rosadas em um nível que podia sentir o ardor no próprio rosto. – Olha só os dois juntos que bonitinho. – A mulher falava genuinamente feliz e convicta.
Cristina sabia muito antes de seu bebê se assumir para ela, que ele gostava de garotos, era um sentimento de mãe, que só se confirmou ainda mais quando viu o beijar o amiguinho quando tinham doze anos.
— Pera... essa criança aí sou eu... – Luanderson disse soltando Rafael e pegando o álbum para ver. – Tem até foto da minha mãe e da minha irmã aqui. Não tô entendendo nada. – Luanderson disse confuso e Rafael engoliu seco.
Cristina e Luanderson olhavam o loiro intrigados, enquanto Anna ficou lá, olhando para os lados sentindo pena do amigo. Ela havia avisado que era melhor abrir o jogo de cara, agora ele colhia o que plantara.
— Sabia que esse nome estranho me era familiar. – Disse a mulher pensativa e em seguida completou. – Você sabia, não sabia, Rafael?
— Sabia. – Engoliu seco novamente olhando o choque de Luanderson ao saber disso. – Memória fotográfica e tal né... – No momento tudo que o loiro pensava era em o quão bravo o moreno ficaria. Será que ele deixaria de falar consigo? Será que perderia tudo novamente? O loiro estava completamente inseguro em relação a isso.
Contudo tudo que Luanderson pensava no momento é que se aquilo podia ser real. Se aquela senhora e aquele rapaz realmente eram aquelas pessoas que fizeram parte de seu passado. As coisas pareciam erradas e certas ao mesmo tempo. Não sabia dizer porque ou como. Não sabia dizer o que sentia. Só estava confuso. Seu pensamento fora verbalizado pelas primeiras palavras que a mulher loira falara:
— Por que você não me falou, mocinho? Você era completamente obcecado por encontrar o Lu e quando encontra simplesmente fica calado? – A mulher ficou mais magoada que brava. Rafael passou bons momentos da vida procurando o amigo. Tentou de várias formas, até quase contratou um detetive particular se a mulher não o tivesse impedido.
— Eu... – Luanderson começara a lembrar de algumas coisas, as fotos traziam algumas de suas memórias de volta. – Eu preciso de um tempo. Nos falamos depois, Rafael. – Luanderson disse levantando-se abruptamente levando o álbum com as suas fotos consigo. Devolveria depois, no momento precisava olhar aquelas fotos e lembrar-se melhor de tudo, porque de alguma forma alguma coisa ao ver aquelas fotos fez seu coração apertar.
[...]
Uma semana.
Esse foi o tempo que Luanderson sumiu das vistas de todo mundo. Não atendia nenhuma ligação, tanto de Anna quanto de Rafael e qualquer outro amigo, não respondia mensagens no facebook ou whatsapp. O que ninguém sabia é que Luanderson havia ido viajar para a casa dos pais, queria passar um tempo com mãe para conversar sobre as descobertas recentes e ele ficou no colo da mãe por uma semana, e ela o ajudou entender várias coisas, iluminou sua mente em diversos sentidos.
Eles eram vizinhos de Cristina e Rafael.
Ele e Rafael eram amigos inseparáveis super grudados.
Rafael havia sido seu primeiro beijo.
Ele não sentia nojo de Rafael com outros homens.
Ele sentia ciúmes.
Ele provavelmente revivera a paixão da infância mesmo que inconscientemente.
Bom essas foram algumas das afirmações de sua mãe, que dizia tudo com uma naturalidade incrível. Luanderson demorou um tempo até realmente acreditar que estava afim de outro homem, isso nunca lhe havia acontecido antes. E ele precisava voltar pra própria casa e conversar com Rafael ou acabaria louco. E foi o que ele fez.
— Rafael, antes de me perguntar por onde andei, porque sumi, porque não respondi me escuta, depois a gente conversa sobre isso, Fechou? – O moreno falou firme e viu o outro anuir em concordância então continuou:
— Lembra aquele dia no motel? – Luanderson perguntou em um tom normal, mas suas mãos suavam frio, viu o loiro assentir e então continuou. – Eu não senti nojo ou repulsa de você. – Pausou a fala ao ver a cara de desdém. – De verdade. – Pegou as mãos do outro e colocou em seu peito. Suas batidas cardíacas estavam desreguladas, o moreno estava nervoso. – Aquilo foi ciúmes...
Rafael abrira e fechara a boca algumas vezes como um peixe fora da água, não sabia se estava entendendo direito, mas aparentemente Luanderson estava falando que sentia ciúmes dele e isso só podia significar uma coisa, não é? Será que estava iludido demais para levar a conversa para esse rumo? Podia sentir os batimentos desregulados do outro, a mão fria e podia jurar ver que o outro estava levemente corado.
O loiro estava prestes a tirar sua mão quando o outro a soltou, mas em troca agarrou seu corpo por inteiro. A barba do outro roçara em seu rosto e em seu pescoço o fazendo se arrepiar completamente e tremer.
— Eu acho que to gostando de você de novo, Rafael. – O hálito quente do maior em seu cangote fez o loiro se arrepiar e as palavras fizeram seu coração disparar tanto quanto o do outro. Foi nesse momento também que o loiro retribuiu o abraço, e senti o loiro o apertar ainda mais.
— Se isso for um sonho eu mato quem me acordar e se você estiver brincando eu vou cortar seu pau e tritura-lo. – Rafael disse sorrindo para o outro que o olhou com as sobrancelhas arqueadas. – Eu vou te beijar.
Dito isso o loiro aproximou sua boca da do outro, o primeiro toque dos lábios não foi mais que um selar suave, que ele logo separou e se afastou do moreno, ainda não tinha certeza se devia fazer isso mesmo após tê-lo dito. Rafael olhou nos olhos do outro e mordeu o lábio inferior seguido de um sorriso inseguro, não sabia mais o que fazer ou falar então deu as costas ao outro para se afastar.
— Rafael. – Luanderson o chamou com a voz rouca e assim que o loiro virou o moreno o pegou pela cintura aproximando seus corpos, encostou seus narizes enquanto olhava nos olhos do outro, quando viu o loiro umedecer os lábios não se controlou e colou os lábios novamente era um toque cheio de contrastes era suave e áspero ao mesmo tempo, gentil e bruto, casto e cheio de desejos que só se intensificaram quando Luanderson aprofundou o beijo, para Rafael esse momento era como se se completassem, não ainda melhor, era como se transbordassem um sobre o outro. O loiro tinha ideia que estava com crush no outro, ou bem, gostava dele, mas não imaginava que fosse tanto. Não romanticamente falando, até porque quando se beijaram quando crianças foi mais por curiosidade do que por qualquer outra coisa.
[...]
— Ai, Anna. – Rafael disse suspirando incerto e tristinho. A garota já estava de saco cheio de ouvir o outro suspirar, era a milésima vez desde que ele a convidou para tomar café e tudo que saia da boca dele era ai Anna seguido por um suspiro.
— Meu deus, Rafael. Para com essa viadagem e me fala logo. Sei que meu nome é lindo, mas você falar ele assim tantas vezes seguido de um suspiro é incomodo. – O loiro não se pronunciou apenas mexeu o suco de laranja com o canudo.
— Problemas no paraíso? – Ela perguntou maliciosa e viu o outro corar. – É pequeno? Brocha? – Ela continuava vendo o amigo ficar cada vez mais sem jeito, aparentemente tinha tocado no ponto certo.
— Tá. O problema é que não tem paraíso e é do tamanho ideal pra sua informação. – Ele disse sem jeito.
— Como assim não tem paraíso e como você sabe disso? – Ficou encucada enquanto encarava o loiro que não se pronunciava. – Pera... Tá dizendo que nunca. Sério? Nunquinha? – Ela começou a gargalhar chamando a atenção de todos no café e fazendo um Rafael constrangido e bravo levantar pra ir embora.
— Rafael. – Ela gritou quando via que ele saia e ele se virou para ela. – Seja o homem. Tome inciativa. – Ela disse como se fosse a coisa mais obvia e bom realmente era, mas não na cabeça de Rafael que tinha medo de assustar o moreno se fossem além do que tinham ido até o momento.
[...]
O que o loiro precisava era de coragem e ele era mais corajoso quando bebia um pouco e foi isso que ele fez antes de receber Luanderson, bebeu quatro doses de tequila. Quando o moreno chegara a primeira coisa que fizera foi beija-lo vorazmente fazendo-o ficar sem ar.
— Boa noite para você também. – Luanderson disse feliz lambendo os lábios, em seguida puxando–o pela cintura para outro beijo.
Eles se beijavam com ardor, urgência e necessidade, Rafael mais que Luanderson, o loiro estava acostumado a sair com outros caras semanalmente, e desde que começara a namorar? Ficar? Não sabia ao certo o que tinha com Luanderson, mas de uma coisa sabia, fazia seis meses que a única forma que tinha de se aliviar eram punhetas sozinhos ou trocadas com o moreno. Só. Rafael um homem de vinte e dois anos nos últimos seis meses só vinha batendo punheta como um adolescente de treze, e isso o estava deixando louco.
Rafael não sabia se Luanderson não se sentia pronto para transarem ou se simplesmente tinha medo. E convenhamos que nenhuma das duas coisas fazia muito sentido. Luanderson por vezes escorregava sua mão das costas e cintura do loiro para a bunda redondinha e dura dele, mas alguns apertos depois simplesmente a tirava dali sem motivo e encerrava o que estavam fazendo. Isso desagradava o loiro de certo modo, mas Luanderson acreditava que o que irritava o loiro eram os toques. As veze o menor acreditava que o moreno fosse virgem, mas lembrava-se daquele trote na sexta-feira e tinha certeza que não. Seria nojo então? Não fazia ideia, mas descobriria hoje.
Estando mais animado e solto nessa noite, quando o loiro sentiu a mão do outro apertando sua bunda tratou de dar um gemido que demonstrasse que estava gostando daquilo. Aparentemente a mensagem não havia chego ao outro porque ele tirou a mão de lá, mas Rafael não se fez de rogado, pegou as mãos do moreno e tratou de colocar em sua bunda novamente enquanto o encarava com certa malicia no olhar e com um sorrisinho afetado, assim que deixou as mãos do moreno em sua bunda Rafael tratou de enfiar suas mãos dentro da cueca do moreno masturbando-o.
— Ra-Rafael. Você tem certeza? – O moreno disse entre gemidos.
— Luanderson. – A voz do loiro era embargada. – Me foda. – Mordeu o lábio inferior e beijou o outro rapidamente enquanto suas mãos trabalhavam habilmente para tirar a calça e cueca do moreno.
Rafael não sabia se estava indo longe demais, mas não ligava no momento. Abaixou-se e abocanhou o membro do outro que não estava completamente duro, enquanto sua boca e língua faziam o trabalho, seus olhos olhavam para cima observando a expressão de aprovação do moreno que era completada pelos gemidos e pela sua mão que segurava os cabelos do loiro firme.
Repentinamente o loiro parou o que fazia e se levantou indo em direção ao seu quarto, o moreno tentou segui-lo, mas quase caiu devido as calças arriadas até as canelas. Ergueu as calças e seguiu o outro libidinoso. Quando chegou ao quarto do outro bateu a porta atrás de si e devorava o loiro nu com os olhos.
— Estou incomodado. – Rafael disse deixando o moreno confuso e fazendo-o engolir seco. – Você está com muitas roupas. – Sorriu safado aproximando-se do outro ajudando-o a remover a roupa que voava para qualquer canto do quarto.
Luanderson cessou a distância deles quando puxou o loiro pela cintura e para um beijo enquanto suas mãos apertavam as nádegas do outro e o loiro masturbava suas ereções juntas, mas de repente o loiro parou o que fazia e jogou o moreno em sua cama e sentou-se sobre sua ereção, ainda sem penetrar-se.
— Você vai precisar me compensar muito por seis meses de celibato, Luanderson. – Rafael disse beijando todo o tórax do maior. – Muito mesmo. – Rebolou fazendo o outro soltar um gemido. Luanderson até que gostaria de responder que faria tudo que o loiro quisesse, contudo só pode balançar a cabeça em concordância, finalmente tinha percebido que o loiro desejava tanto quanto ele.
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