Platônico
1 Seu maior desejo?
Escrevo, com a paixão borbulhando dentro de mim, aos poucos eu permiti que as linhas se enchessem de sonhos, devaneios bem diferentes da realidade que vivo. Não pude evitar, não quis evitar! Eu preciso de um mundo melhor para mim, um mundo com ele.
É tão fácil se desligar quando se imagina em um lugar perfeito! No meu mundo ideal Theo é um adorável príncipe, justo, bondoso e meu. Nesse mundo ele me ama, nesse mundo ele me percebe.
Seu modo sempre brincalhão irrita, mas sinto falta disso agora. É difícil ouvir sua risada e olhar o sorriso em seus olhos e não fazer mais parte disso, como costumava fazer.
Ele se afastou, disse que precisa pensar em coisas importantes então não podia manter uma amizade verdadeira comigo, de alguma forma o garoto me convenceu de que sou importante para ele, importante o suficiente para não querer um relacionamento falso comigo como os que tem com seus novos “amigos”.
Mas ainda dói, vê-lo distante me deixa inquieta. Então foi uma enorme surpresa para mim quando o rapaz se sentou em cima da minha mesa, ignorando minha missão de descontar meus sentimentos na página do diário.
Tentei ser discreta ao fechar o caderno, cuidando para que nenhuma palavra amável ou os corações com nossos nomes, ficassem em seu campo de visão.
Devagar, levantei o olhar, reconhecendo os dedos nervosos próximos a coxa apoiada em minha mesa. Os botões abertos da camisa, formal demais para escola, chamaram a minha atenção em seguida, ele não se veste assim a muito tempo!
Deixei por último o sorriso de lado acompanhado por um par de olhos castanhos que me tiram o folego
São tão escuros! Sempre a esconder algo.
— Hey! O que tanto escreve, pequena?
Minhas bochechas esquentaram com o injusto apelido.
Segurei o caderno com mais força, pronta para deter qualquer tentativa do moreno de alcançar as secretas páginas.
— Nada que lhe interesse tanto, infelizmente — Respondi baixinho.
— Se soubesse do que se trata, talvez me interessasse.
— É mais provável que apenas ria de mim.
— Tanto medo! — Ele zombou — Desse jeito, nunca irá descobrir.
— Você não veio aqui apenas para matar a curiosidade, veio?
— Não, realmente não.
Theo repentinamente se animou, bagunçou o cabelo enquanto mudava de lugar, dividindo o assento da cadeira comigo, ele passou um dos braços ao meu redor e apertou o meu ombro.
Me transformei em uma pedra, não pude me mexer e mal controlei a respiração. Ele deve estar me achando maluca!
— O que acha de sair comigo hoje? Eu e você, como nos velhos tempos.
— P-por quê? – Haviam semanas desde a última vez que saímos sozinhos, não faz o menor sentido.
Rugas se formaram em sua testa, Theo respirou fundo e fugiu dos meus olhos, encarando um lápis enquanto o gira nos dedos. Ele faz esse tipo de coisa quando tem que lidar com sentimentos.
— Eu me afastei, tentei sufocar um sentimento, mas é difícil!
— Você disse que precisava de tempo.
— E eu precisava, mas eu realmente sinto a sua falta, pequena. Talvez seja melhor só encarar isso de uma vez.
— Encarar o que?
Mentalmente eu esperava que ele não tivesse sentido o arrepio que percorreu o meu corpo. Suas palavras fizeram corar cada centímetro do meu rosto.
— Se vier comigo, eu conto. Também senti falta de cuidar de você! Se não for eu, quem irá cuidar da minha pequena desastrada? – Ele completou brincando.
— Hey! Eu não sou tão desastrada! – Theo me lançou seu olhar debochado — Ok... talvez um pouquinho.
— Podemos dar uma volta? Prometo te deixar em casa antes que anoiteça.
— Tudo bem – Eu iria para qualquer lugar com ele, não era necessário pedir, eu simplesmente o seguiria.
...
Fiquei encostada na pilastra do corredor depois das aulas, fingindo estar distraída com o celular quanto esperava Theo sair da sala. Como de costume, ele levou a minha mochila em uma das mãos e me deu a outra.
É fácil confundir um amigo com um namorado quando se anda de mãos dadas, não é?
Theo me levou ao parque, o nosso parque, para a nossa arvore favorita. Ele se sentou perto da raiz esperando que eu fizesse o mesmo, eu costumava ficar em seu colo, seria certo fazer isso? Talvez não tenhamos mais tanta intimidade...
Escolhi o chão ao seu lado, o garoto tirou uma de suas HQ’s e nós começamos a ler juntos, era um dos nossos passa tempo favoritos! Eu adoro as cores e cheiros desse lugar, Theo adora ler e me explicar essas histórias em quadrinho.
Os dedos mais grossos cobriram os meus, me fazendo soltar a página. Senti tanta falta daquele abraço desajeitado, o cheiro dele ocupa todos os lugares.
Tentei agir com naturalidade.
— Sabe que pode confiar em mim, não sabe?
— É claro...
— Então pode me contar o que esconde no diário.
Contar sempre foi tentador, mas o medo é sufocante! Eu poderia beija-lo agora, sei que quando for escrever essa cena no meu mundo ideal, com certeza farei isso. Descreverei em detalhes um beijo que nunca dei.
— Não é nada demais, não se preocupe.
— Tem certeza?
— Absoluta.
— Clara... nós somos amigos a um bom tempo e você é boa para mim, eu nunca quis estragar isso, mas eu sinto que nós talvez poderíamos tentar... eu não sei fazer isso! — O garoto sussurrou a última parte para si mesmo.
O olhar esperançoso morreu aos poucos e o abraço se soltou. Na terra, o celular dele começou a vibrar e piscar, a palavra “Amor” atraiu a minha atenção.
— Nossa – Ri com deboche para descontrair – É a sua mãe?
Ele desligou depressa.
— Minha mãe não gosta de celulares, esqueceu?
Presumi o obvio e a verdade fez os alicerces dos dois mundos tremerem. Ele ficou com várias, mas nunca falou em amor, o amor dele é meu, só meu...
— É uma garota...
— Ela salvou o próprio número assim – Ele se explicou.
— Mas você não mudou.
Theo não respondeu, agora é obvio! Ele não se afastou porque precisava de espaço, ele tem uma namorada, uma namorada que não sou eu.
Não sou eu e nem nunca foi...
— Não fazia ideia de que era tão brega! — Brinquei o empurrando de leve, para disfarçar e também para sair de seu lado.
O garoto relaxou.
— Por algumas pessoas a gente fica idiota, não é?
Realmente, idiota! Idiota! Idiota!
— Preciso voltar agora, minha mãe vai me matar.
O garoto também se levantou, batendo a sujeira da calça.
— Espera, pequena! Ainda tem uma coisa que eu queria te falar...
Está errado! O apelido que antes me arrepiava fez o meu peito arder, assim como os meus olhos. Continuei sorrindo.
— Não pode ser depois? Eu tenho mesmo que ir.
— Está bem, vou te acompanhar.
— Não precisa, o meu caminho é o oposto do seu.
— Eu prometi e eu nunca quebrei as minhas promessas.
— Existem muitas promessas que você não está cumprindo – Soltei por impulso.
—— Clara... – Seu tom voltou a ser cauteloso.
—— Deveria parar de me chamar de pequena, somos do mesmo tamanho!
— Nunca se importou com isso antes – Theo soou magoado, mas é difícil dizer, mal olhei para ele.
— Tchau Theo.
Sai correndo e chorando, correndo e ofegando, correndo e gritando.
Por mais que eu quisesse imaginar nos dois juntos e felizes, eu não consegui, minha mente me encheu de perguntas que eu não sei responder.
Quem é ela? O que ela fez que eu não fiz? Como conseguiu o amor de Theo tão facilmente, ele a ama?!
— Por que, Theo, por quê?! – Gritei.
As lagrimas saltavam pelo balanço do meu passo corrido. Por meses sufoquei esse desejo que queima dentro de mim.
Theo não é exatamente um príncipe encantado, carrega a fama por onde passa e mesmo que as garotas saibam que ele é um jovem desapegado, ainda assim se arriscam a muda-lo. Claro, a esmagadora indiferença dele acaba por decepciona-las.
Mas comigo tudo era diferente, tinha que ser! Era para mim que ele sorria com os olhos, sem falar no tom meigo e doce com o carregado sotaque carioca, ele não fala com mais ninguém desse jeito!
Meu pulmão ardeu, pedindo ar, mas eu só quero chegar em casa, me trancar no quarto e esquecer de tudo!
...
Não entendi o que aconteceu, a buzina que provavelmente gritou, as pessoas assustadas a minha volta, o cantar dos pneus, eu simplesmente não consegui ouvir ou emitir som, muito menos senti o meu corpo ser arremessado com força pelo choque do carro.
...
Theo e a dona Helena se revezavam no hospital, queriam ter a certeza de que alguém estaria lá para quando Clara acordasse. Essa era a vez de Helena, a mãe dedicada não podia acreditar que aquele era o seu bebe, sua pequena Clara deitada no leito.
Foi um alivio ver os olhos se abrindo aos poucos, e então o medo voltou, o médico havia dito que Clara teve um grande trauma, as sequelas poderiam ser serias, incontáveis! Então Helena se aproximou devagar da cama, receosa do que poderia ouvir.
— M-Mãe? O que houve? – A menina murmurou fazendo a dona de casa cair em um choro libertador.
Clara logo receberia alta, mas Helena fez questão de ligar para o garoto que lhe deu tanto apoio nessa fase difícil e Theo correu para o hospital.
...
A TV está especialmente entediante, minha cabeça dói assim como o resto do meu corpo. Minha mãe me disse que sofri um acidente de carro, o motorista fugiu depois de quase me matar.
Meus membros não sofreram muito, alguns machucados, uma perna quebrada, o problema foi a minha queda na calçada, bati a cabeça com força e fiquei em coma, ouvi alguma coisa sobre cirurgia e pontos, mas eu já não estava tão atenta as inúmeras conversas repetitivas.
— O que aconteceu no acidente? Testemunhas disseram que você se jogou na frente do carro – Questionou o médico.
— Se jogar? – Helena repetiu, senti que ela poderia desmaiar a qualquer momento.
— Eu não sei, eu não me lembro.
— De nada? – Ele insistiu.
— Nada, não sei como vim parar aqui, ou como me machuquei, na verdade... também não me lembro o que fiz de manhã, ou ontem...
— Do que você se lembra, Clara? – O doutor careca me perguntou.
— Eu estava no carro com a minha mãe, fomos fazer a matricula da escola.
O médico e a minha mãe se entreolharam, ela tombou para trás e realmente desmaiou, enfermeiras cuidaram dela enquanto o médico parecia preocupado.
— Precisamos fazer alguns exames e... – O Doutor careca foi cortado por um garoto desesperado.
Ele é moreno, alto e tem olheiras fundas e olhos inchados, como se tivesse acabado de chorar, mas sorria amplamente. O garoto se apoiou na maca segurando uma das minhas mãos.
— Graças a Deus, pequena! Eu fiquei tão preocupado!
Puxei a minha mão com força por impulso, enquanto olhava indignada pela audácia daquele rapaz.
— Ainda está brava? – Ele perguntou.
— Moleque?! Como foi que entrou aqui? – A voz do doutor se fez presente.
— A mãe dela me deixou entrar – Ele respondeu petulante.
— Não é uma boa hora – O médico continuou firme.
— Quem é você?! – Finalmente perguntei.
— Como assim? Está brincando comigo, clarinha?
— Faça o favor de esperar lá fora, ok? – Pediu o médico.
O careca empurrou o garoto pelo peito porta a fora, ele nem mesmo resistiu, continuou me encarando indignado. Eu deveria me lembrar dele?
...
Mamãe me disse que eu conhecia aquele garoto, ele era o meu melhor amigo. Talvez eu deveria ficar triste por esquecer completamente a existência dele, mas há coisas muito mais urgentes!
A minha última lembrança é o dia da matricula na escola nova, isso foi a quase 8 meses atrás. Não faço ideia da matéria desse ano letivo e você sabe o quanto uma pessoa pode mudar durante um ano? As coisas que aconteceram, boas ou ruins, me moldaram de certa forma. Eu me perdi por um ano inteiro praticamente, comecei do zero! Isso me deixa desesperada.
Minha mãe insistiu, disse que ele costumava ser muitíssimo importante para mim e que estava chateado por saber que eu não me lembro dele.
— Trouxe isso para você, pode ajudar! – Helena colocou três cadernos no meu colo — Relaxa! Eu não li nenhum.
Nós conversamos um pouco, ela está muito mais calma, como se o medo de me perder tivesse passado, mas ela me perdeu, só não sabe disso! Ainda tenho a impressão de que não sou a mesma garota de antes, Helena está muito calma comigo, como se eu fosse frágil e carente, coisa que eu realmente não era a oito meses atrás.
O médico careca quis fazer uma bateria de exames completa, tenho certeza de que mais da metade foi feito somente para acalmar a senhora minha mãe. No tempo de espera entre um exame e outro, peguei um dos cadernos.
Parecia ser um diário, tenho esse costume, mas três em apenas oito meses é um recorde! O primeiro e mais antigo deles estava incompleto, apenas falava sobre a escola nova, de algumas pessoas que conheci, mal tinha 50 páginas.
O segundo, ainda seguindo essa ordem cronológica, está completo e basicamente descreve a minha amizade com um garoto chamado Theo, tudo em mínimos detalhes, parece até que eu só conheço ele na face da terra. Me cansei de lê-lo rapidamente.
Não pude imaginar o que me esperava no terceiro, a primeira página estava desenhada com corações e as iniciais C e T por toda parte, com a frase “Mundo ideal” no meio.
Foi a coisa mais “gay” que vi em toda a minha vida! Abusei das cores e desenhos, declarei nas 100 páginas do caderno o meu fervoroso amor pelo Theo e agora nem me lembro de quem ele é, ou como é.
Mas me parece irreal! Nunca que em sã consciência eu escreveria aquilo, as primeiras páginas foram familiares, mas as últimas são irreconhecíveis! Não sou daquela maneira.
— Como se sente querida, quer agua? Está com fome? – Helena perguntou afagando o meu cabelo, na parte da minha cabeça que não tem pontos ou ataduras.
— Não, estou bem...
— Lembra daquele garoto que veio hoje de manhã? Ele me pediu para perguntar se você permite que ele volte.
— Eu não o conheço mãe, nem mesmo sei o nome dele!
— Theo está arrasado, vocês são grudados desde sempre.
Então ele é o famoso Theo.
— Bom... pelo visto, ele é o meu namorado.
— Namorado? – Minha mãe se espantou.
— É o que está escrito nos diários... – Dei de ombros.
— Eu sempre soube que havia algo entre vocês!
— Não tenho cabeça para isso agora – Respondi suspirando, aquela Clara apaixonada teve a quem puxar, minha mãe é a rainha dos românticos incorrigíveis.
— Então não quer vê-lo? – Ela fez um beicinho triste pela minha resposta
— Mãe... a senhora não tem a mínima noção do que eu estou passando, a minha memória pode não voltar – Minha voz fraquejou — Garotos são os últimos dos meus problemas.
— Tem razão, meu amor... eu só pensei que ele poderia ajudar, afinal vocês passavam a maior parte do tempo juntos. Theo está preocupado, custa deixar que ele te visite?
Não permiti.
...
Depois dos médicos terem certeza de que eu estava suficientemente bem para ir para casa, recebi alta! Ganhei um par de muletas e remédio para dor, ainda não me lembro das coisas.
Enquanto a enfermeira Deise me ajudava a me arrumar para voltar para casa, ela esbarrou na cabeceira, fazendo o meu terceiro diário cair no chão, um pedaço de papel escorregou para fora.
— Me desculpa! — Deise se abaixou para pegar a folha e o diário, ela esticou o caderno na minha direção, mas eu não peguei — Prontinho.
— Pode jogar fora – Protestei.
— Porque quer jogar o seu diário fora? — Se fosse qualquer outra enfermeira, eu levaria essa pergunta como pura petulância, mas ela não parece ser o tipo de mulher intrometida, só está tentando ser gentil.
— Não tenho mais os mesmos pensamentos, esse diário não me serve de nada.
— Mas é exatamente para isso que eles servem! Anote as suas vitorias e poderá ler e se orgulhar delas, anote os seus erros e se lembrará de não os cometer novamente. Seja o que for, é importante para a sua condição.
Concordei, apenas para que ela não se chateie, mas duvido que algo ali seja realmente importante.
...
O hospital fica a quase duas cidades de distância da minha casa, mas a minha mãe não permitiria que um médico tratasse do seu bebe, se não fosse o melhor da região. Durante a viagem entediante, eu me lembrei da folha solta do diário.
Havia começado a garoar, mas ainda está claro o suficiente para que eu possa ler. A caligrafia me pareceu estranha, é a minha letra, sem dúvidas, mas está mais torta e mais feia do que costuma ser, como se eu estivesse escrevendo em um puro estado de desespero, as vezes eu me sinto assim.
“Garoto você é tão difícil de entender! Me lembro do dia em que me disse que precisava de espaço como se isso tivesse acabado de acontecer. Não entendi porque você foi embora, eu ouvi, mas não consegui emitir algum som, já que as palavras rastejavam da sua boca e tornavam difícil respirar. Aliás, você diz “eu sinto muito” como um anjo.
Isso ainda mexe com a minha cabeça. Não me importa as desculpas esfarrapadas que aceitei, eu poderia lidar com isso se fosse apenas outra menina, não seria a primeira vez que eu sorri, enquanto assistia outras garotas com o meu Theo.
E todas as vezes que elas te machucaram? Eu estava lá para te curar, porque você dizia que precisava de mim, que se sentia sozinho... se eu fosse a sua namorada nunca iria te deixar sozinho, porque eu preciso de você.
Mas não, não era isso, você só queria se afastar, as desculpas foram só mais uma mentira para mexer comigo. Dói saber que está feliz com elas, dói ver o quanto mudou, como já não é mais lindo e doce.
E eu tento te esquecer, mas é tão difícil esquecer alguém que está presente no seu dia a dia e ao mesmo não está. Talvez eu soubesse desde o início que não poderia fingir nesse diário para sempre, porque agora cada pensamento que tenho nosso está repleto de dor, mas eu fui ingênua vendo apenas as partes boas até que você fez o meu conto de fadas desmoronar. Afinal, o que é que te deixava tão confuso? O que era tão crucial ao ponto de te “obrigar” a parar de falar comigo?
Porque disse aquelas coisas, porque me olhou daquele jeito, porque tornou tão fácil eu me apaixonar por você se não poderia corresponder?
Theo me deu um amor ruim e eu o alimentei com sonhos e paginas amareladas de um diário”
Me senti mal, estranha, enjoada e empática.
Dobrei o papel em quatro partes, a chuva batia na janela do carro com força, então fiquei observando a agua escorrer pelo vidro. Ele nunca foi o meu namorado, mas eu o amava e ele provavelmente não sabe disso.
Sem querer eu realizei o meu próprio desejo: Esquecer, porque aquele carro me tirou a memória, mas ao mesmo tempo me tirou o Theo e arrancou todo o amor ruim.
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