—Tudo bem, sis!_ Zelena gritou do outro lado da cozinha._ Vou procurar logo um apartamento, assim você não irá surtar se eu deixar um copo fora do lugar._ minha irmã saiu da cozinha, mas logo depois voltou._ Já faz uma semana, droga! E pelo que sei você está assim por suas próprias escolhas, Regina. Vê se cresce!

—Se você fosse mais organizada!_ gritei de volta.

—Você só começou a me perseguir depois que brigou com a Emma! Ela veio te pedir desculpas e você não aceitou, então não precisa descontar em todos, nem em mim, nem na Tinker ou nos outros do hospital.

—Você não sabe nada da minha vida, Zelena!

—Sei mais do que você imagina._ chegou mais perto de mim._ Sei que está sofrendo porque não quis se machucar, irônico não?_ desviei o meu olhar do acusatório de minha irmã. _ Sis, você não precisa passa por tudo isso, eu estou aqui._ colocou sua mão em meu ombro._ Você não precisava ter medo de se machucar, você está pior assim. Você está por um fio de perder a Tinker. Eu..._ colocou a própria mão no peito._ Seus amigos no hospital. Você não é respeitada lá, é temida, Evil Queen.

—O que?

—Internos e residentes te apelidaram de Evil Queen do Pronto Socorro.

—Eu...

—Você não era assim. Você está escolhendo ser assim. Você pode ficar sem a Emma, mas não precisa agir do jeito que está agindo.

—Eu não queria sofrer, ela não me deixou falar nada, você estava comigo.

—Eu sempre vou estar com você, mas você teve a chance, sis. Você já está machucada, não vale arriscar ao menos?

—Onde você quer chegar?_ perguntei confusa.

—Hoje é a exposição na galeria, você não vai estar de plantão e nem eu._ Franzi a testa e a ruiva suspirou fundo antes de continuar._ Que tal você ir e tentar algo com ela?

—Ela não vai querer me ver.

Zelena respirou fundo e abaixou os braços.

—Tudo bem, você pode ficar aqui, eu vou sair antes que você me mate mesmo.

—Não Zel, desculpa.

—Você que está escolhendo esse caminho, sis.

Minha irmã me deixou as sós na cozinha, o café que eu havia servido já estava frio, virei a caneca na pia e respirei fundo. Minha vida tinha virado uma bagunça.

Fiquei encarando a pia sem perceber o tempo passar, só depois de Zelena dizer tchau e bater a porta que me mexi, Zelena estava certa, eu tinha sido uma cabeça dura e ia resolver as coisas.

POV EMMA

—Então como estão as coisas na galeria?_ Mary me questionou animada quando entrei na sala.

—Está tudo lindo, nem acredito que isso está realmente acontecendo, Mary!

—Você fez por merecer, Emma._ Tia Eva disse da cozinha enquanto tirava uma forma do forno. Cookies, meus preferidos._ Estou tão orgulhosa de você Emma.

—Eu também, mamãe._ Mary disse me abraçando e depois me deu um beijo na bochecha._ Mas sei que algo está te incomodando, sei até o nome.

—Deixa isso para lá, tecnicamente eu fiz por merecer, vai passar.

—Oh Emma, não pense assim, pelo que sei a culpa foi das duas._ Eva disse chegando mais perto. Percebeu minha expressão confusa e se explicou._ A linguaruda da minha filha me disse tudo.

—Mary!

—Eu estava preocupada com você Emma!

—Tia... eu nem sei..._ disse desconcertada até ser interrompida por ela.

—Não nos importamos com isso Emma, depois de tudo o que você passou você merecia ser feliz e não importava com quem fosse.

—Pense assim: talvez ela apareça hoje, você a convidou.

—Zelena me ligou, pegou o meu número na minha ficha no hospital,_ expliquei quando Mary fez uma cara estranha._ Falou que a irmã é uma idiota, mas ela vai comparecer.

—Ela não disse nada sobre Regina?

—Não, apenas que está arrasada, mas é uma idiota, pediu para que eu fosse conversar com ela.

—Mas você não vai._ Mary disse e eu abaixei a minha cabeça.

—Porque você também é uma cabeça dura._ Eva segurou o meu queixo e o levantou.

—Idiota, mamãe.

—Isso não posso discutir com Mary, Emma.

—Ela também me magoou muito, parece que vocês só estão olhando um lado da história.

—Não estamos olhando para nenhum lado._ Eva disse suavemente.

—Eu agradeço a preocupação das duas, eu amo vocês, vocês são a minha família, mas parem por favor. Vou subir e me arrumar, tenho que chegar lá mais cedo.

Subi para o meu quarto e fui tomar um banho quente e relaxante. Regina não iria aparecer na exibição, só durante eu tive o meu sono interrompido todas as noites, antes o sono sempre girava em torno de mim, eu era sempre a pessoa que levava um tiro e ficava agoniando no chão, uma das vezes sonhei que Regina levava o tiro em meu lugar e morria em meus braços sem que eu pudesse fazer nada, ou simplesmente ela me abandonava do nada, sem explicação nenhuma. Esse último era o que eu menos entendia, já que não estávamos mais juntas. O que mais me aterrorizou foi um que ela puxava o gatilho e antes de eu morrer ela me pedia perdão antes de atirar novamente em mim. Dessa vez eu acorde com Mary me abraçando assustada tentando entender o que estava acontecendo, não contei a minha amiga o que realmente tinha acontecido no sonho, já que ela disse que eu apenas tinha gritado pedidos de desculpa e “não”.

Passei maquiagem escondendo as olheiras, eu poderia dizer aos que não me conheciam que era apenas ansiedade pela exposição, passei uma coisa leve e pintei os meus lábios com um batom vermelho, vesti um vestido pérola que ia até o joelho e os meus cabelos com cachos naturais. Ruby havia pedido para eu ir o mais natural possível. “Apenas eu e as suas obras que podem se destacar na noite.” Ao lembrar do que falara soltei um sorriso.

—Que sorriso lindo._ Leopold apareceu na porta do meu quarto._ Lembrando de alguém?

—Só de uma besteira que Ruby me disse. Nada de mais._ sentei na minha cama e calcei os meus sapatos.

—Eva quer saber se você vai querer alguns cookies antes que David os extermine.

—Não, eu já estou de saída.

—Estou tão orgulhoso das minhas meninas. Você é como uma filha para nós, Emma. Uma irmã para a Mary._ me abraçou e o cheiro de sua loção que me era tão familiar me acalmou um pouco._ Eu sei o que lhe aflige, filha. Você pode conversar comigo se não quiser falar com as meninas.

—Não é nada que ninguém possa resolver, mas obrigada pela preocupação, isso vai passar.

—Eu espero que sim, quero ver minhas meninas felizes, é só isso que quero, sua irmã vai se casar, você está fazendo uma exposição, tem empregos bons, só falta você se acertar no amor.

—Esse sempre foi o mais difícil, não?

—Não, somos nós quem complicamos tudo._ tocou o meu rosto. _ Mas tem como descomplicar isso._ sorriu e sai de meu quarto. Meu celular vibrou, era Ruby perguntando se eu já estava saindo de casa.

Desci as escadas e encontrei com eles comendo os cookies.

—Já que você não vai querer, eu vou ataca-los, Emma._ David disse parecendo um esquilo.

—Mal educado._ Mary bateu no ombro do noivo._ Vai lá, arrasa. Daqui a pouco chegamos lá. Vou me arrumar.

—Eu já estou pronto, só tenho que colocar o blazer._ David disse.

—Se continuar comendo como uma criança vai precisar trocar de roupa._ Eva disse colocando um papel em seu colo.

—Mas seus cookies são tão bons._ eu ri com aquela cena.

—Bem, eu vou me arrumar._ Eva pronunciou.

—E eu vou indo._ peguei a minha carteira de festa e as chaves de meu carro e sai.

—--

—Emma!_ Zelena cutucou o meu braço. _ Você é incrível! Pretendo comprar uma obra sua para colocar em meu apartamento._ a ruiva tinha uma taça de champanhe em uma mão e o celular na outra.

—Você já se mudou?_ perguntei curiosa e olhei de relance para o smartphone que tinha uma caixa de mensagem aberta com o nome de Regina.

—Não, mas minha irmã vai me matar se eu não me mudar. Me desculpa por ela, eu sei que ela queria vir, ela é cabeça dura._ forcei um sorriso.

—Não tem problema.

—Como não? Vocês duas são cabeça dura, pelo amor de Deus. Minha irmã está sofrendo, mas ela não quer admitir isso.

—Ela disse que não queria mais sofrer, por isso que não aceitou o meu pedido de desculpas.

—É por isso que ela é uma cabeça dura._ ela bebeu mais um pouco._ De qualquer jeito, amei isso daqui, está tudo perfeito, você pinta divinamente maravilhosamente bem, você está linda eu só peço para que, se a minha irmã cabeça dura te ligar atenda o telefone. Minha vida depende disso.__ ela afastou sem me deixar responder.

—Amiga, já vendemos quatro obras!_ Ruby disse animada ao meu ouvido._ E quem era aquela ruiva que conversava com você?

—Doutora Zelena Mills.

—Mills, esse nome é problema. Você ainda não se resolveu né?_ balancei a cabeça negando.

—Eu esperava que ela aparecesse hoje.

—Bem, a noite é longa amiga. Não se preocupe._ me abraçou rapidamente._ Me dê licença que eu tenho que vender mais alguns quadros ou achar alguém para a noite. Talvez a outra doutora Mills.

— Swan!_ fechei os olhos quando ouvi aquela voz e me virei forçando um sorriso para disfarçar com as outras pessoas

—O que diabos está fazendo aqui, Killian?_ comecei a andar desfarçadamente e a procurar por David ou algum segurança.

—Vim te prestigiar, Emma. Trouxe uma rosa.

—Ah é? Não vi rosa nenhuma quando você chegou, com certeza deve ter dado para qualquer uma no caminho._ cumprimentei um crítico com um aceno e um sorriso.

—Não diga isso, Emma._ segurou o meu braço e me parou chegando mais perto de mim me fazendo ficar desconfortável com a proximidade.

—Está acontecendo algo aqui?_ um segurança que parecia mais Dwayne Johnson chegou por detrás de Killian._ A senhorita Ruby pediu para que eu viesse checar.

—Apenas se certifique que esse senhor vai encontrar a saída e não vai mais entrar na galeria.

—Sim, senhorita._ pegou Killian pelo braço e o puxou pelo braço sem chamar muita atenção.

—Como esse cara entrou sem convite?_ Ruby me perguntou chegando perto.

—Não faço ideia. Obrigada por ter visto e me ajudado.

—Sempre, amiga.

—Emma, agora eu entendo porque manteve segredo com as suas obras._ Mary disse me abraçando._ Não é porque eu sou a sua amiga, mas estão lindas e eu ouvi alguns elogios vindos de uns convidados e acho que um deles é um crítico. _ disse animada.

—Veremos nos jornais._ Ruby disse._ Mas a vovó está confiante com isso tudo. E a Ingrid também.

—Eu estou tão feliz que isso deu certo.

—Claro, quem foi que programou tudo?_ Ruby levantou uma sobrancelha._ O que seria de você sem mim, Emminha?

—Mary, você acompanha a Emma que eu vou conversar com um crítico que acabei de ver ali.

—Oh tudo bem!_ Mary disse um pouco mais animada que o normal e fiz menção de me virar na direção que Ruby havia ido, mas um jornalista veio me fazer algumas perguntas.

POV REGINA

Entrei na galeria procurando por Emma, quando a achei, estava de costas para mim, e Ruby e Mary me viram. Pensei que elas avisariam que eu havia chegado, entretanto Ruby veio na minha direção sozinha.

—Doutora Mills! Vamos dar uma volta?_ pegou o meu braço e começou a andar distanciando-me ainda mais de Emma.

—Onde estamos indo?

—Conversar._ paramos em frente a um quadro._ Qual é o seu problema?

Olhei para a morena de cabelos tingidos de vermelho que nem aparentava ter usado aquele tom de voz comigo.

—Você acabou com o coração da minha amiga.

—Eu estava com medo.

—Por que não decidiu arriscar? Essa semana foi horrível para Emma. Eu só espero que você não estrague esse momento tão importante para a carreira dela.

—Eu não pretendo fazer isso. Eu vim porque eu sei como essa parte da vida dela é importante. Como ela ama a arte. Se você achar melhor eu vou embora.

—Não, você não vai embora._ Zelena apareceu ao meu lado._ Já era tarde, não sis? Engolir esse orgulho idiota e vir conversar com Emma._ olhou para Ruby do meu lado. _ Prazer, Zelena.

—Ruby Luccas, eu que preparei essa festa toda.

—Vejo que tem bom gosto.

—Eu... Eu vou procurar pela Emma._ disse percebendo a troca de olhares entre as duas.

—Só não machuque a minha amiga, por favor.

—Não faça burrices, Sis.

Andei por quase toda a galeria procurando pela artista que sempre estava rodeada por pessoas desconhecidas por mim. Quando ela se despediu de alguns decidi sair de destras de uma tela.

—Emma?_ quando ela se virou, de inicio com um sorriso um pouco falso, mas depois com um verdadeiro antes de se transformar numa carranca.

—O que você faz aqui?_ me perguntou com a voz trêmula

—Se você achar melhor eu posso ir..._ela estava deslumbrante e eu com um sorriso sem graça no rosto com apenas arrependimento._ Mas eu só queria_ estiquei os meus braços para lhe tocar, mas depois os abaixei quando notei dor em seu rosto. _Eu só queria lhe dizer que estou arrependida, que eu errei, sou uma idiota._ Entrelacei os meus dedos e dei mais um passo em sua direção._ Se você estiver disposta a conversar comigo mais tarde, não quero atrapalhar a sua noite. _dei um sorriso sem graça quando percebi que tinha algumas pessoas querendo conversar com ela.

— Vá até a minha casa depois que isso acabar, vou te passar o endereço._ ela disse sem olhar diretamente em meus olhos, mesmo assim me senti mais aliviada e me permiti sorrir.

Fiquei rodando na galeria até receber a mensagem com o endereço. As pessoas já começavam a ir embora praticamente ao mesmo tempo. Procurei por minha irmã, mas ela já tinha desaparecido. Liguei para ela procupada.

—Não se preocupe sis, encontrei com um velho amigo de escola, se lembra do Hades?

—Claro, como me esqueceria de uma pessoa que os pais deram o nome do deus grego do submundo sem saber?

—Ah... ele sempre se irrita com isso, mas agora é mais conhecido como Senhor Germann, ele é um crítico na verdade!

—E onde a senhorita esta?_ perguntei curiosa quando ouvi uma musica no fundo.

—Num restaurante com o senhor Germann e você está me atrapalhando.

—Está bom, aproveite, sis. Te amo._ Desliguei o celular e o guardei. As pessoas já estavam indo e peguei o fluxo. Peguei o meu carro e fui para a casa de Emma. Parei em frente ao endereço e esperei cerca de uma hora antes de avista o new beetle de Emma para na garagem.

Saímos dos carros ao mesmo tempo, como se tivéssemos ensaiado. Caminhei em sua direção que apenas seguia rumo à porta.