Plantão Médico - Swanqueen
8 Capitulo 8
Trabalhos prontos e entregues a tempo. Estava me arrumando para ir ao hospital para tirar os pontos, vesti uma calça jeans, coturnos e uma camiseta verde de botões. Deixei os meus cabelos soltos, peguei meus documentos e desci.
—Bom dia, Ems._ David disse enquanto servia as panquecas, um ponto positivo dele dormir lá as vezes era o seu café da manhã com suas panquecas.
—Hoje vou tirar esses pontos._ avisei num suspiro alegre.
—E ver a sua médica bonitona._ Mary disse surgindo logo atrás de mim com seus materiais de escola.
—Como?_ David ficou confuso._ Eu perdi alguma coisa? Médica bonitona?_ Gesticulava com a espátula.
—Nada, porque eu também não sei do que ela está falando._ me sentei na bancada da cozinha e peguei um prato com as panquecas. Mary passou por detrás de David com um olhar acusatório para mim._ O que foi, Mary?_ a questionei entediada e rolando os olhos.
—Nada... Só aquele desenho...
—Oh..._ David abriu a boca em entendimento._ Tem um desenho no meio? Vish, o caso está tão sério assim, Emma?
—Elas enfiaram na cabeça isso só por causa de um desenho._ dei uma garfada na panqueca.
—Um desenho lindo por sinal._ ela comentou enquanto eu a fuzilei com o olhar.
—Próxima vez eu tranco o meu ateliê para evitar pessoas fuxiqueiras.
—Você poderia presenteá-la com o desenho._ ela levantou a sobrancelha.
—Mudando de assunto._ Santo David._ Como estão os nervos para a exposição?
—Acho que a Ruby está mais nervosa que eu. É daqui duas semanas, os convites já estão sendo entregues, a mídia já está sabendo, já esta tudo bem, não sei porque ela está pirando.
—E quando você volta para a escola?_ Mary me questionou.
—Espero que doutora Mills me libere logo, não aguento mais ficar aqui sem fazer nada.
—Só não sei se Eva e Leopoldo vão deixar. Lembra-se da bronca que nós levamos por não ter avisado eles antes?_ David lembrou ao se sentar conosco.
—Como não lembrar?_ Mary disse rindo._ Mas você estava certo, depois lotaram a Emma de mimos.
—Bem, vocês ficam aí conversando que quando mais cedo eu for tirar esses pontos mais eu ganho no dia._ disse me levantando e pegando a minha bolsa.
—Ela está doida para ver a médica.
Virei-me para David incrédula com a boca aberta.
—Até você meu amigo?_ ele apenas riu e balançou os ombros._ Você trate de parar de inventar essas coisas, viu dona?_ apontei para a morena.
Deixei os meus amigos fazendo o desjejum e fui a caminho do hospital. Era apenas a segunda vez que eu saia de casa sem alguém do meu lado, entrei em meu New Beetle e dei partida.
Em vinte minutos eu estava estacionando em frente ao hospital. Eu havia ligado para a secretária de Regina que apenas me disse para procura-la na Emergência que agora ela não ia mais atender no consultório.
Fui em direção ao balcão quando avistei uma pessoa conhecida.
—Olá, bom dia, Tinker, certo?_ a enfermeira loira levantou a cabeça e quando me viu abriu um sorriso simpático.
—Emma! Veio para a revisão?_ sorri quando ela mostrou lembra-se de mim.
—Sim, com a Doutora Mills.
—Só um minuto já vou bipá-la, ela já deve estar chegando, você chegou um pouco mais cedo que o de costume._ ela digitou algumas coisas no computador e se virou novamente para mim._ Pode se sentar ali._ Indicou algumas poltronas.
Certo, parecia que eu estava muito adiantada. Tinha apenas uma mulher que tomava soro e umas duas esperando na mesma sala que eu. Ao sentar, senti o meu celular vibrar. Era uma mensagem de Mary.
—Não se esqueça de convidar a médica lindona.
Assim que terminei de ler a mensagem de minha amiga, ouvi algumas risadas e depois que descobri de que direção que vinha eu percebi quem que estava rindo. Regina estava caminhando ao lado de uma mulher, uma ruiva linda, e elas estavam de braços dados. A enfermeira também percebeu que ela havia chegado e foi em sua direção com um tablet.
—Doutora Mills._ ambas mulheres olharam simultaneamente. Será que Regina era casada? Mas quando minhas amigas perguntaram ela negara._ Regina. Você..._ apontou para a ruiva._ Fica quieta Zelena.
—Eu ainda sou tida como novata no hospital, Tinker, mereço um tratamento vip._ a fala da ruiva fez a enfermeira revirar os olhos e Regina rir.
—Regina, uma paciente está te esperando...
—Sis, já vou indo, tenho uma cirurgia marcada para daqui uma hora, te encontro no almoço?_ a ruiva interrompeu a enfermeira novamente.
—Tudo bem. _ ela voltou sua atenção para o Tablet e sorriu. Um sorriso que iluminou o local._ Obrigada Tinker._ ela andou até a sala que eu estava._ Emma! Bom dia. Vamos?_ ela estava sorridente e aquele sorriso foi como um imã. Levantei-me o mais rápido possível pegando a minha bolsa e fui ao seu encontro. Ela me cumprimentou rapidamente com um aperto de mãos e me pediu para acompanha-la.
Fomos até um leito onde ela me mandou sentar na cama.
—Senhorita Swan...
—Pode me chamar de Emma, Doutora.
—Então me chame de Regina, assim ficamos no mesmo nível._ ela se virou para mim colocando as luvas._ Então, Emma, sentiu alguma coisa nessa semana? Algum incômodo, notou algo no corte?
—Não, tudo beleza.
—Você poderia se deitar e levantar a sua blusa, para eu poder examinar o corte?_ fiz o que ela me pediu.
—Aquela moça que estava com a douto... Com você ela é muito bonita, sua irmã?
—Sim, não parece, não é? Ela puxou a família do meu pai enquanto eu a da minha mãe. Bem... _ eu sentia a ponta de seus dedos tocando a pele próxima ao corte. _ O corte já está cicatrizado, seco, já podemos tirar esses pontos._ se virou para uma pequena bandeja e pegou os instrumentos necessários._ Você vai sentir apena uma gastura.
Em menos de dois minutos ela já havia acabado e se sentou em um pequeno tamborete.
—Bem, vai ficar uma cicatriz, mas nada como as dos Frenkstein, você pode continuar com essa dieta por mais um mês ou até você sentir que o seu estômago está ok._ eu me sentei na cama e consertei a minha blusa.
—Emma, durante essa semana você sentiu algo mais? Transtorno durante o sono ou crises de ansiedade? Algo do tipo?_ eu senti preocupação em sua voz.
—Não._ menti._ Quando vou poder voltar para a escola?
—Se eu te pedir para ficar mais três semanas em casa é muito? Você tem que estar cem por cento para aguentar as aulas._ Ela se levantou e aproximou mais de mim.
—Tudo bem._ forcei um sorriso. Eu estava doida para voltar para a escola, entretanto tinha que seguir as ordens da médica e de Mary.
—Vou apenas pedir para a Tinker digitar um atestado para você, tudo bem? Já volto._ tocou em minha perna antes de sair e abriu aquele sorriso novamente.
Regina me deixou sozinha naquele leito com apenas os meus pensamentos. Eu poderia contar a ela sobre os sonhos que eu estava tendo durante as noites, o estado ansioso em que eu vivia. Durante a semana eu acordei várias vezes de pesadelos onde acontecia praticamente a mesma coisa, eu levava um tiro e me afogava em meu próprio sangue. Fechei a minha mão em punho até as minhas juntas ficarem brancas. Eu estava perdendo o controle da situação, eu não era assim, eu sempre tive o controle e não poderia perdê-lo logo agora que eu estava conseguindo uma chance de realizar um sonho. Fechei os olhos e respirei fundo segurando o fôlego por alguns minutos.
Quase não percebi que Regina havia voltado com um papel em mãos.
—Emma? Tudo bem?_ ela se sentou ao meu lado na cama e tocou a minha mão fechada em punho. Olhei para ela que tinha uma expressão preocupada estampada no rosto. Só percebi que estava chorando quando ela passou o polegar em meu rosto enxugando uma lágrima._ Emma, você quer conversar?
Era a chance que eu estava tendo para conversar com alguém que não iria tentar me super proteger. Apenas balancei a cabeça concordando e ela me pediu para que a seguisse.
Passamos por algumas pessoas que empurravam macas, durante o caminho ela disse à Tinker que estaria em sua sala e não queria ser interrompida.
Caminhamos por aproximadamente dois minutos e Regina abriu uma porta que tinha escrito apenas: Doutora Mills, Emergência. Era uma pequena sala com uma mesa, uma estante abarrotada de livros e revistas, um sofá já um pouco gasto e um chapeleiro onde estavam pendurados um jaleco e uma jaqueta preta de couro. Em frente à mesa duas cadeiras para os visitantes e uma portinha que eu imaginava ser o banheiro. Eu me sentei no sofá conseguindo um pouco mais calma.
—Emma, você prefere conversar comigo como médica ou amiga?_ ela se sentou em cima de uma perna virada para mim no sofá. Não a respondi, só comecei a falar.
—Eu acordo durante a noite de um sonho onde eu levo um tiro e fico respirando o meu próprio sangue até eu sufocar, sentindo os meus pulmões queimarem como o local do tiro._ minha voz saiu mais trêmula do que eu gostaria._ Muitas vezes tento estancar o sangue, mas simplesmente não adianta e ninguém me ajuda e eu fico ali, sentindo a minha vida escorrer de meu corpo._ eu olhava para as minhas mãos juntas repousadas em meu colo._ Eu não contei isso a ninguém para não preocupa-los ainda mais._ a olhei e a mulher continuava com aquele olhar cumplice e preocupado de antes._ Parece que estou vivendo em um estado de alerta constante. Um dia uma lata de óleo caiu em meu ateliê e quando eu percebi eu já estava deitada no chão._ senti outra lágrima escorrer por minha bochecha. _Regina eu...
—Shiu... Isso é normal. _ ela me abraçou._ Você está com medo, Emma, não precisa ter medo agora.
—Eu tenho medo de que ele apareça ou que aconteça algo novamente, tenho medo de morrer._ agarrei o jaleco da mulher e a apertei mais contra mim deixando as lágrimas que estavam represadas durante toda a semana se libertarem. Senti os seus braços forte me acolherem em um abraço carinhoso enquanto eu apenas molhava de lágrimas o seu jaleco branco. Ela começou a me embalar e a passar a mão em meus cabelos.
—Agora não precisa ter medo Emma, você está segura, não vai acontecer novamente, aquele cara foi preso, não precisa se preocupar. _ dizia com a voz doce e calma.
Devo ter ficado um tempo mais do que o recomendado chorando em seu ombro até quando minha respiração se regularizou.
—Sabe uma coisa engraçada?_ ela me perguntou, mas não me deixou responder._ Eu fui a um encontro esse sábado e simplesmente saí na primeira oportunidade porque o meu encontro falava apenas de cavalos._ ela soltou uma risada nervosa.
—Isso não é engraçado, chega a ser triste._ percebi que ainda a abraçava e era abraçada. Senti o seu corpo tremer numa risada que me contagiou.
—Só aceitei a ir nesse encontro porque Tinker e minha irmã já estavam me desesperando e chego lá o cara, até que bonito, só falava de cavalos._ afastei dela devagar e quando vi o seu rosto de incredulidade com a situação que lembrava abri um sorriso._ Parece que contar do desastre que é minha vida amorosa valeu a pena ao menos uma vez na vida._ ela sorriu._ Você é bem mais bonita sorrindo, Emma._ senti o toque de sua mão em meu rosto e o carinho feito por seu polegar no caminho aberto pelas lágrimas e fechei os olhos para perpetuar aquela sensação.
Naquele momento esqueci-me dos meus medos, dos meus pesadelos, das dores na minha alma. Foi a primeira vez desde que fui atingida e passei por uma cirurgia arriscada que eu me sentia realmente segura.
Levei a minha mão até a sua que ainda estava pousada em meu rosto.
—Posso fazer algo que já tem algum tempo que quero fazer?_ perguntei baixo apenas para que ela ouvisse como se fosse um segredo. Eu estava perdida em suas íris castanhas escura.
—O que?_ ela me perguntou no mesmo tom, entretanto sua voz estava mais rouca do que de costume.
Levei a minha mão esquerda até o seu rosto e aproximei o meu rosto do dela sem ração nenhuma que me fizesse parar por parte dela. Estávamos respirando praticamente o mesmo ar, os nossos perfumes se misturavam, meu coração batia como um louco.
—Te beijar, doutora._ apenas aproximei mais meus lábios do dela os capturei nos meus sem resistência alguma, começou em um simples roçar de lábios até sua língua tocar os meus lábios e eu ceder passagem.
A puxei mais em minha direção enquanto a deixava ditar o ritmo lento do beijo exploratório e ainda um pouco tímido, incerto.
Quebrei o beijo quando precisei respirar novamente. Continuei com a minha mão em seu rosto, eu sentia as minhas bochechas corarem só de saber que ela estava me olhando, e quando abri os olhos, Regina estava realmente me olhando e ainda por cima sorrindo lindamente. Ela me puxou para outro beijo, melhor do que o anterior, agora nós já tínhamos um pequeno conhecimento. Desci a minha mão pela lateral de seu corpo e as parei em sua cintura. Quando eu senti que ela aproximava mais o seu corpo do meu fomos interrompidas pelo toque de seu celular.
—Droga. _ tirou o celular do bolso do jaleco e eu pude ver o que estava escrito, duas ambulâncias a caminho. _Emma..._ ela me olhou com culpa nos olhos._ Eu...
—Eu compreendo, Regina._ sorri para ela que me retribui com um sorriso iluminado
Ela se levantou rapidamente e ajeitou o seu jaleco e o cabelo. Correu até a porta e voltou.
—Desculpe-me._ me deu um rápido beijo._ Eu te ligo!_ abriu a porta e saiu correndo como uma doida.
Passei a mão no rosto. O que eu havia acabado de fazer? Eu tinha beijado a minha médica e ela devolveu o beijo. Respirei fundo e levantei. Tirei de dentro da bolsa o seu convite para a minha exposição e o deixem em cima de sua mesa antes de sair de sua sala.
Passei pela Emergência e pude ver Regina em cima de uma maca tentando fazer uma massagem cardíaca enquanto outras pessoas a empurrava. O lugar anteriormente calmo tomava vida de forma caótica.
Avistei a ruiva vindo correndo e passando por mim como se não tivesse me avistado e logo depois entrando em um quarto enquanto prendia os seus cachos ruivos. Outros médicos já estavam se preparando juntamente com as enfermeiras que se moviam sistematicamente. Sai da emergência turbulenta e passei pela entrada do hospital um pouco mais tranquila, onde apenas uma mulher chorava silenciosamente em um canto.
Parei e sentei em um banco próximo da entrada principal do hospital, o dia estava bonito, nada de diferente, apenas bonito. Sentia-me mais leve, talvez por ter falado para alguém o que eu vinha passando ou pelo beijo. Levei minha mão direita até os meus lábios e os toquei abrindo um sorriso.
—Emma, o que está acontecendo com você? _ balancei minha cabeça para tirar aqueles pensamentos ruins que ameaçaram acabar com o meu dia e foquei apenas na sensação dos lábios de Regina encostados aos meus. Apertei a minha bolsa contra o meu corpo e andei para o meu carro.
Olhei no relógio, as aulas já haviam começado e aquilo me dera uma ideia. Mandei uma mensagem rapidamente para Mary dizendo que eu ainda teria que ficar em casa por três semanas, mas que passaria na escola para levar o meu atestado.
Não esperei resposta alguma e dei partida rumo à escola.
Ao chegar à escola fui direto para a diretoria. A secretária sorridente já de idade, a quem todos chamavam de vovó, me recebeu com um sorriso.
—Emma! Minha menina, fiquei tão preocupada com você! Recebeu o meu cartão?_ ela me deu um abraço confortável e com cheiro de biscoitos amanteigados que ela sempre levava para dar aos professores e alunos que passavam por ali, mesmo quando tinham aprontado algo. Ela sempre tentava achar o melhor em tudo o que acontecia, parecia aquelas senhoras simpáticas e fofas dos filmes que mimam os netos e que fazem tricôs para presenteá-los junto com biscoitos amanteigados com gotas de chocolate.
—Recebi, muito obrigada, Joanna. Amei os biscoitos que você mandou por Mary. Estou melhorando, mas a médica só vai me deixar voltar para a escola daqui três semanas.
—Que pena, minha filha. Seus alunos estão com saudades, todos aqui estão na verdade._ ela chegou mais perto de mim e sussurrou._ Os alunos não gostaram muito da professora substituta, querem a senhorita Swan logo._ deu um sorriso.
—Espero que esteja se alimentando corretamente, Swan, vejo que deu uma emagrecida.
— É a dieta nova devido à cirurgia, Joanne._ ela abriu a boca em compreensão e rodeou a mesa para voltar para a sua cadeira e pegar um recipiente de plastico com biscoitos e voltar para o meu lado.
Fomos interrompidas por uma mulher saindo da sala de Sidney, o diretor, logo seguida por ele. A mulher nos cumprimentou rapidamente e logo saiu.
—Emma!_ Sidney abriu os braços e me puxou para um abraço rápido._ Como vai? Pronta para voltar para os seus capetinhas?
—Eu sim, entretanto a minha médica...
—Vai fazer com que ela fique longe de nós mais três semanas!_ Joanna me abraçou pela cintura e me puxou mais para ela, me interrompendo.
—Eu vim trazer o meu atestado e, quem sabe, ver meus alunos?_ perguntei esperançosa e ele concordou com um sorriso.
—Vamos, vamos..._ abriu a porta de sua sala._ Primeiro quero conversar com você.
Assenti e dei um beijo na bochecha de Joanna pegando um biscoito e segui para a sala de Sidney.
—Emma, como você está?
—Minha médica disse que está tudo indo muito bem e que eu tenho que ficar mais um tempo sem me estressar muito, já que minha cirurgia foi arriscada._ ao falar de Regina tentei inutilmente não lembrar do beijo.
—Eu gostaria de pedir desculpas de não ter ido visita-la nos dias que passou no hospital, a escola estava um caos com as provas e depois que ficamos sabendo de seu estado todos ficamos abalados e tive que correr atrás de...
—Tudo bem, Sidney._ o interrompi com um aceno.
—Quando você voltar, você terá que passar por um teste psicológico, é o protocolo._ ele disse como se estivesse se desculpando.
—Tudo bem. Aqui..._ estendi a mão com o atestado. Ele o pegou e guardou em uma gaveta.
—Fiquei sabendo que pegaram o cara. Mary nos manteve informados de tudo.
—Mary foi um anjo nessas semanas._ eu disse admitindo a atenção de minha amiga preocupada._ Ás vezes eu simplesmente acho que ela não existe.
—Vocês duas são as professoras preferidas de todos os alunos.
—Isso é algo bom de saber, mas também só aumenta a ansiedade de voltar logo.
—E a sua exposição, recebi o convite. Como está tudo?
—Tudo perfeito, Sidney. É o meu sonho se realizando.
—Dá para perceber isso em seus olhos._ ele se levantou._ Vamos visitar os seus alunos?_ estendeu o braço e o tomei colocando o biscoito na boca.
***
—Senhorita Swan!_ a turma da sétima série exclamou em coro quando eu entrei na sala, onde Grahan tentava explicar a matéria de geografia.
—A senhorita Swan veio apenas para vê-los, ela ainda não foi liberada pela médica._ Sidney disse e recebeu um murmúrio negativo vindo dos alunos de onze anos.
Grahan me deu um rápido abraço desejando melhoras.
—Senhorita Swan, quando a senhorita vai voltar?_ uma menina, a Jennifer, me perguntou.
—Em três semanas no máximo.
Fui de sala em sala, até chegar a ultima onde Mary estava lecionando, deixei para ir visitar a sala dela porque era capaz dela proibir o meu tour pela escola.
A expressão que tomou conta de seu rosto ao me ver entrando logo após Sidney foi cômica. A turma já era de uma idade mais avançada então não tive uma recepção tão fofa quanto as primeiras salas, entretanto foi calorosa.
—Senhorita Swan!_ Jared se levantou e me abraçou._ Como vai?
—Vou bem Jared.
—Emma!_ Mary balançou a cabeça ao se lembrar do local onde estávamos._ Senhorita Swan!_ concertou rapidamente.
—Senhorita Blanchard, eu só estava com saudades de meus alunos._ respondi apontando para os meninos sentados. Ela me fuzilou com o olhar me dando uma bronca mentalmente o que arrancou algumas risadas.
—Senhorita Swan, quando a senhorita volta?_ a mesma pergunta que a resposta partia o meu coração.
—Em três semanas, querida.
Sidney disse baixinho que tinha que voltar para a sua sala, para eu ficar o tempo que eu -quisesse.
—Só um segundo turma, podem continuar copiando a atividade._ Mary praticamente me empurrou para fora de sua sala.
—Ei, calma!_ eu disse rindo quando ela fechou a porta atrás de si.
—Emma Swan! O que você está caçando aqui?
—Oi, maninha, a minha médica bonitona, como você mesma diz, falou que está tudo bem, que posso voltar daqui três semanas e eu estava com saudade._ ela continuava impassível._ eu já estava cansada de ficar lá em casa, Mary!_ disse como uma criança birrenta.
—Tem algo mais._ ela semicerrou os olhos e chegou mais perto de mim, analisando-me._ Você tem algo diferente. Pode desembuchar._ Cruzou os braços no peito.
—Eu estou feliz por ter vindo visitar os meus alunos...
—Não!_ ela quase gritou, mas depois se recompôs analisando a roupa._ Desembucha logo, aconteceu alguma coisa, eu sou a pessoa que te conhece mais que você mesma.
Meu sorriso bobo ao lembrar de Regina me beijando me denunciou.
—Eu acho melhor você voltar para os seus alunos e quando chegar a casa eu te conto tudo._ tentei me esquivar e coloquei um sorriso sapeca no rosto.
—Você não vai me escapar!_ ela continuou com os olhos semicerrados, mas me abraçou. _ Só quero que seja feliz, amiga. _ afastou e colocou a mão na porta de sua sala._ Agora, vai para casa!
—Tudo bem, mamãe. _ dei um sorriso e deixei o corredor.
Passei novamente na diretoria para dar um abraço em Joanna que me deu alguns biscoitos para, como ela mesma disse, ajudar na minha recuperação e poder voltar mais cedo para a escola.
Voltei para casa e a viagem parecia demorar mais que o normal. Fiquei feliz em visitar os meus alunos e saber que eles estavam me querendo logo de volta, contudo deixa-los ali e saber que eu só poderia voltar em três semanas me partia o coração.
Quando estava prestes a chegar, já entrando em minha rua, me lembrei do que Regina havia me falado, que me ligaria, será que ela me ligaria mesmo? O que aquilo tinha significado para ela? Será que ela havia me beijado de volta apenas porque eu comecei a chorar em seu ombro? Apenas por pena?
Balancei a cabeça para parar com os questionamentos, eu estava parecendo uma adolescente com o primeiro romance.
Estacionei o carro na minha vaga. Entrei em casa e a atmosfera monótona me abrigou novamente. Larguei a minha bolsa no sofá e subi para o meu ateliê. Peguei o desenho que havia feito de Regina e considerei o que Mary havia me dito mais cedo.
Medi o desenho e fiz uma ligação encomendando uma moldura de vidro.
Deixei o meu celular em cima de minha mesa e fui até o final do quarto e peguei uma tela já preparada que apenas esperava receber vida através das cores.
Puxei um banquinho e limpei um pincel para depois sujá-lo de outra cor para fazer uma pintura livre e depois descobrir o que estava fazendo ao pensar no beijo que havia dado em Regina.
***
—Você o que?_ Mary praticamente pulou da minha cama assim que ouviu o que tinha acontecido no hospital.
Quando ela chegara da escola, já no final da tarde, fora direto a minha procura como boa curiosa que é para saber o que tinha acontecido no hospital. Me encontrou deitada em minha cama enquanto eu mexia em meu computador. Deitou ao meu lado e ficou me encarando como uma psicopata até eu começar a contar.
—Eu a beijei._ virei para ela confusa._ Eu realmente pensei que você queria algo do tipo._ fechei o meu notebook e o coloquei na cama. Ela continuava com os olhos arregalados._Você está me preocupando, Mary._ comecei a rir.
—Eu não acredito! Eu pensei que você não teria essa coragem!
—Ei!_ exclamei incrédula._ Explique-se.
—Eu simplesmente pensei que você não teria coragem e, se tivesse, a chamaria para um jantar, um café, algo do tipo, não a beijaria logo de cara._ ela bateu com as mãos na lateral do corpo. _ Ei, me conta o que aconteceu depois!_ sentou ao meu lado com as pernas cruzadas e eu me sentei direito novamente.
—Eu tive um ataque de choro, ok?!_ ela olhou para mim compreensiva e depois praticamente pulou na cama mostrando ansiedade._ Tá bom, criança de cinco anos que precisa de açúcar. Eu conto._ Os olhos de Mary brilhavam e achava graça de sua atitude animada._ Ela me beijou de volta._ eu disse com um sorriso idiota pregado no rosto.
—Emma!_ ela cobriu a boca com as mãos._ E o que mais?
—Nós fomos interrompidas por uma emergência, duas ambulâncias._ a lembrança da interrupção fez o sorriso em meu rosto morrer momentaneamente.
—O que?_ disse revoltada.
—Sim, mas antes dela sair como uma louca ela voltou e me deu um leve beijo dizendo que me ligava depois. _ olhei para o rosto de minha amiga e ela esperava por mais informações._ Me levantei e deixei o convite em cima de sua mesa antes de sair.
—Me conte como foi!_ senti as minhas bochechas esquentarem._ Own..!_ Mary exclamou colocando as mãos em minhas bochechas e apertando-as logo em seguida._ Que fofa, ficou rosa. Rosa não, vermelha.
—Mary!_ tirei suas mãos de meu rosto._ Foi legal, tá?_ ela levantou a sobrancelha e eu bufei de raiva. Ela me conhecia bem de mais para o meu conforto._ Foi ótimo, me senti segura, eu... Ah! Não sei como explicar!
—Eu sei, você só quer repetir...
—Sim! Isso, foi muito... Eu me senti... Completa? Por um breve momento.
—Emma, Emma... Você está se apaixonando minha irmã._ ela pegou em minha mão e apertou.
—O quê? _ Só de pensar no significado daquela palavra um tremor percorria a minha espinha.
—Ems, você não precisa ter medo, não vai acontecer a mesma coisa que aconteceu com o Killian..._ ela respirou fundo e olhou no fundo dos meus olhos como se ela pudesse ler tudo o que eu estava sentindo._ Você tem que se abrir a novos relacionamentos, não vale a pena ficar traumatizada para o resto da vida e assistir as oportunidades escaparem por entre os seus dedos. Se Regina significa algo, agarre essa chance.
—Eu só acho essa palavra “apaixonada” muito forte para ser usada agora.
—Emma, eu posso falar que me apaixonei pelo David assim que o vi e nem tinha percebido. Ás vezes isso acontece mais rápido do que achamos. Você está com medo de quê? Ela ser mulher? O que as pessoas vão achar? Eu pensei que você já tinha se envolvido com mulheres antes na faculdade._ eu engoli em seco e ela percebeu._ Viu? Eu sabia._ disse rindo de minha cara.
—Mas..._ tentei argumentar, foi em vão.
—Sem “mas” Emma._ sentenciou._ Se ela ligar, você vai aceitar o que ela tiver em mente._ ela pegou o meu celular e o colocou em minha mão._ Você merece ser feliz, minha amiga.
Lancei à Mary um sorriso sincero e fechei os meus dedos ao redor do aparelho. Ela tinha razão sobre tudo. Ela sempre tinha quando se tratava de mim.
—Obrigada Mary._ me levantei e abracei a sua cintura.
—Emma, você é praticamente minha irmã. Você é família, eu me importo com você porque eu te amo. _ ela afagou os meus cabelos.
— O que seria de mim sem você?_ afastei de minha amiga.
—Provavelmente sua vida estaria uma bagunça sem mim._ ela dizia olhando para o nada._ Você não saberia nem amarrar os seus sapatos. _ ela disse rindo.
—Sua besta._ dei um leve tapa em seu braço._ Eu te amo também, Mary.
—Eu sei._ assim que ela respondeu, o meu celular começou a tocar, um número desconhecido piscava na tela. Olhei para a minha amiga esperando algum incentivo._ Atenda, vai que é a doutora bonitona?_ sorri para a minha amiga e deslizei o meu dedo na tela atendendo a chamada.
—Alô?_ uma voz rouca e alegre conhecida soou do outro lado da linha._ Regina!_ Sorri para Mary que se levantou e saiu de meu quarto dando-me privacidade.
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