Plantão Médico - Swanqueen
6 Capitulo 6
Notas iniciais
A reação das amigas de Emma me deixaram sem reação, principalmente a que tinha um pedaço do cabelo tingido de vermelho, peguei o elevador vazio e saltei no meu andar. Anastasia já havia saído, teria que conversar com ela a respeito da minha saída do consultório. Teria que conversar com os meus pacientes, passa-los para outro médico de minha confiança. Encaminhei para o pequeno banheiro e troquei de roupa o mais rápido possível. Não queria ser chamada para uma emergência porque eu tinha outra para resolver: a trágica atualidade em que se encontrava a minha geladeira e armários.
Catei minhas coisas e sai do meu consultório, peguei o elevador e quando saí me deparei com Tinker.
— O que ainda faz aqui?_ Parei ao seu lado.
—Hoje estava cobrindo o turno de uma amiga que passou mal, agora vou para o meu plantão, amor._ ela percebeu o meu estado afobado._ Pressa? Correndo da emergência?
—Sim, tenho que fazer minhas compras do mês._ comecei a andar.
—Trágico para você Mills que odeia ir ao supermercado._ ela dizia rindo. Passou o braço ao redor do meu livre e foi andando ao meu lado._ Sabe? Já que eu fiquei cobrindo minha amiga acabei conhecendo a senhorita Swan._ continuei andando rumo ao estacionamento._ É uma moça adorável de se conhecer.
—Lá vem..._ bufei revirando os olhos.
— Você bem que poderia fazer amizades fora do hospital, fiquei sabendo que ela é pintora, isso é interessante, totalmente fora do que você está acostumada, amiga.
—Artista plástico, para ser mais exata.
—Então já andou conversando mais com ela?
—Não, apenas o necessário para uma relação profissional agradável._ disse tranquilamente.
—E o rapaz que esbarrou em você hoje? Eu acho que pode ter sido por gosto._ minha amiga dizia olhando para frente enquanto eu a encarava. Ela sabia que meus olhos estavam pousados nela, pois um sorriso apareceu em seu rosto antes dela soltar um gargalhada.
—Tinker!_ a repreendi. _ Onde já se viu? Foi um acidente.
—Talvez ele viu você naquela calça de ginástica super apertada que aumenta ainda mais a sua bunda e perdeu a noção de espaço._ dizia entre gargalhadas que chamavam atenção das pessoas ao redor.
—Dá para você diminuir no riso? Tem gente encarando._ pedi sussurrando entre os dentes.
—E daí?_ deu de ombros.
—Tinker, agora é sério._ minha amiga prendeu a respiração para tentar parar de rir, ela estava vermelha._ A Mal me escolheu._ ela parou e ficou me encarando com os olhos abertos estáticos._ A Mal me escolhei para substitui-la!_ minha amiga soltou um grito mais como um grunhido mais agudo. Que me deixou surpresa_ Pensei que ficaria feliz._comentei._ Essa não era a reação que eu esperava vinda de você.
—Regina! Isso é ótimo!_ me abraçou. _Eu apenas paralisei porque pensei que demoraria mais para sair o resultado do conselho.
—Aparentemente não, mas tenho de esperar oficializar. Enquanto isso vou diminuindo os meus pacientes do consultório.
—Isso é ótimo!_ ela pulou batendo palmas como uma criança que acabara de ganhar algum presente._ Pena que não podemos comemorar hoje, mas assim que ambas estiverem de folga comemoraremos. _ confirmei com um aceno de cabeça._ Tenho que começar o meu plantão agora._ deu um beijo em minha bochecha._ Até amanhã, chefe._ enfatizou a última palavra.
—Até mais, Tinker._ despedi de minha amiga e continuei o meu caminho até meu carro. Destravei o alarme e abri a porta me enfiando no conforto do meu Mercedes depois de um dia cansativo. Dei partida no carro rumo ao supermercado mais próximo.
O dia tinha sido bom, entretanto cansativo, duas cirurgias, pacientes que estavam com os problemas de saúde controlados, daria alta a Emma Swan no dia seguinte, tinha recebido uma notícia de promoção e conheci uma pessoa aparentemente bacana.
Estacionei o meu carro em frente ao supermercado e meu telefone começou a tocar.
—Zel? Pensei que iria me ligar mais cedo, tipo ontem!
—Sis, calma lá. Estava resolvendo minhas coisas da mudança, nem percebi o tempo passando._ fez um silencio do outro lado da linha._ Você está no hospital? Plantão? Porque se não posso te ligar outra hora.
—Não, não! Estou entrando no supermercado agora.
—É o problema de se morar sozinho._ ouvi minha irmã rindo enquanto que eu pegava um carrinho.
—Você disse mudança... Já encontrou um lugar?
—Não, vou ter que passar um tempinho com você se não for incômodo.
—Você bem que podia morar comigo. Meu apartamento é grande o suficiente para nós duas.
—Por um tempo que sabe poderia funcionar, mas você sabe como posso ser bagunceira, totalmente o contrário de você, meu bem.
—Fato. Mas pode passar o tempo que for preciso, passamos a maior parte do nosso tempo dentro do hospital.
—Ah, sobre isso... Vou entrar logo na chefia da área. Ah, não se esqueça de comprar aqueles empanados de frango em formato de coisinhas._ admirava a facilidade de minha irmã de mudar de assunto.
—Tudo bem criança de cinco anos._ analisava as prateleiras de mantimentos enquanto pegava uma ou outra coisa.
—E você sis? Alguma novidade?
—Não, só que eu vou ser promovida.
—Chefe de departamento? Qual? Cardio? Emergência? Geral?
—Segunda opção, meu amor._ informei sentindo orgulho de mim mesma.
—Mamãe já sabe? Ela ficara orgulhosa de saber que suas filhas serão chefes de seus respectivos departamentos. Família Mills com tudo._dava para sentir a animação na voz de minha irmã
—Dona Cora vai pirar e papai também._ eu disse enquanto minhas bochechas começaram a doer de tanto sorrir.
—Ah, outra coisa que você não pode esquecer é de snacks, certo?
—Tudo bem madame, algo a mais para colocar na lista?_ perguntei rindo enquanto colocava pacotes de macarrão em meu carrinho.
—Se você quiser incluir chocolate...
—Então... Que dia que você chega?
— Domingo na parte da manhã. Umas oito.
—Não acredito que você vai me fazer acordar as oito em um domingo em que não estarei de plantão!_ tentei colocar raiva na minha voz, mas a tentativa falhara.
—Você está feliz de mais para ficar com raiva de sua ruiva preferida. Mas não precisa se preocupar, eu vou de carro mesmo. É bom que já levo algumas coisas, chego para o almoço. Pode fazer sua lasanha que não me oponho.
—Tudo bem, já compro os ingredientes.
Já tinha pegado metade das coisas. Já que não passava muito tempo em casa não me preocupava em fazer uma compra muito grande. Peguei os chocolates, sorvete que eu sempre amava ter em meu freezer, os empanados de Zel, seus snacks, tudo enquanto ela falava sobre a despedida que o pessoal da clinica fizera para ela.
—Não estou me gabando, mas eles perderam a melhor ortopedista que já tiveram.
—Humilde você eim? Daqui a pouco eles estão dando graças que você saiu e é menos uma psicótica na turma._ eu disse rindo.
—Nova York sentirá a minha falta, Sis._ Zelena ria do outro lado.
—Será que você se mudando para cá, mamãe e papai também se mudarão?
—Acho difícil Cora Mills largar o cargo dela na Universidade para ir para Boston. Ela pode nos amar, contudo ama o seu emprego e poder._ estalei a língua quando ouvi a verdade vinda de Zelena._ Papai até que poderia vir, já está próximo de aposentar, aí em Boston tem uma sede da empresa que ele trabalha, poderia pedir transferência.
—Sim..._ respondi tristemente.
—Nessas festas de fim de ano... Passaremos e Boston ou Nova York?
—As ultimas foram aí... A não ser que você queira ser a anfitriã do ano.
—Eu poderia se achar um apartamento a tempo...
—Discutiremos isso melhor quando você chegar. Como papai ficou ao saber que você se mudará?
—Bem, ficou feliz por mim, mas queria que eu continuasse como seu bebê morando com eles. Devia ter tido sua coragem antes de deixar logo o ninho.
—Quem sabe deixando o ninho você não encontra algum rapaz para dar netos a ele?_ perguntei tirando sarro da cara dela.
—E por que você não, em dona?_ devolveu na mesma moeda inconscientemente me fazendo parar de rir._ Oh, Regina, me desculpe eu não...
—Sem problema Zel._estava escolhendo frutas e verduras enquanto o telefone estava entre o meu ombro e orelha._ Foi o momento. _suspirei._ Conheci uma pessoa nova hoje..._ tentei retomar o fluxo descontraído anterior colocando alegria na voz.
—Sis, você, nós, conhecemos pessoas novas todos os dias.
—Sim, mas essa pessoa me chamou atenção._ então a imagem de Daniel veio em minha cabeça, seus olhos azuis e depois de segundos se transformaram em olhos verdes e outra pessoa apareceu, Emma.
Minha inatividade deve ter assustado a minha irmã, eu tinha parado no meio do caminho entre a banca e a sacola com um tomate em mãos enquanto olhava para o nada. Ouvi minha irmã me chamar para me tirar daquele estado de confusão.
—Sis? Tudo bem? Você não teve um desmaio né?
—Não Zel, só parei para pensar em algo.
—Parou e não voltou ainda pelo visto, você não me respondeu...
—Desculpe... Deve ser o cansaço do dia.
— Quero saber quem é, para eu pedir meu amigo da polícia para pesquisar sobre.
—Para quê isso Zel?
—Me preocupo com você, oras! Pode ir passando número...
—Eu não sei tá? Só te disse que me chamou atenção.
—Hum..._ a ruiva incrédula do outro lado da linha deixou escapar._ Se chamou atenção da super atarefada Doutora Regina já é digno de atenção.
—Pare de conjugar o verbo no masculino._ deixei escapar e fiquei surpresa com a minha própria reação e logo depois ouvi um grito do outro lado que me fez afastar o celular.
—O que?!_ Se Zelena estava deitada, o que era provável, ela se levantara, uma atitude típica.
—Zelena, respira. Olha eu não sei.
—Não sabe o que? Não sabe o sexo da pessoa que te chamou atenção? Sabe, você deve ter estudado, são dois sexos: o feminino e o masculino, se você não sabe diferenciar a mulher..._ ela disparou com ironia.
_Zelena!_ a repreendi._ Eu sei a diferença! Eu só não tenho certeza.
—Certeza de quê? Sis, você não está bem...
—Zel, entenda, eu conheci duas, duas pessoas, e as duas me chamaram atenção...
—E uma é uma mulher e o outro homem?_ soltei um Hun-hum. Enquanto pegava o resto das coisas. _ E...
—”E” o quê?_ perguntei para a outra já imaginando a sua cara alegre sentada em sua cama se divertindo comigo.
—E quando você vai ter certeza.
—Argh... Não falo mais essas coisas com você.
—Você se chateou por nada, sis. _ Detestavaa admitir que minha irmã estava certa.
—Umas das pessoas que me chamou atenção foi uma paciente e um rapaz que trombou comigo na rua._ falei logo_ Pronto, satisfeita? Posso te sentir dando pulinhos de alegria._ Empurrava calmamente o meu carrinho para um caixa que estava vazio.
—Com qual dos dois vai sair primeiro?
—Êita, mas você está apressada..._ comecei a tirar as coisas do carrinho enquanto a mulher passava.
—Se você estiver com dúvida é só me mandar a foto...
—Zel, cale-se, por favor.
—É porque tem uma mulher envolvida no meio? Vamos abraçar a sua gayzisse._ bufei de raiva._ Pensei que você já tinha ficado com mulheres antes, sis._ revirei os olhos._ Não adianta revirar os olhos... Posso sentir. Nem contrair os lábios._ suspirei. Era incrível como ela me conheciam mais que eu mesma. _ Sou sua big sister, sis. Pode confiar em mim.
—Você não parou para imaginar que o problema é que eu acabei de conhece-los?_ a linha ficou silenciosa._ Então, Zel...
—Mas você pode conhece-los melhor...
—Você não desiste né?_ eu já estava pagando. Recebi uma resposta negativa como se fosse uma criança quem tivesse me dado.
—Nops. Mas é sério, sis. Você tem que conhece-los melhor...
—Vou pensar no seu caso, sis. Agora tenho que desligar porque já estou chegando perto do carro.
—Feira rápida essa sua, eim?
—Você sabe que faço o mais rápido possível. E peguei o necessário.
—Tudo bem, boa noite sis. _ despedi de minha irmã e destravei o carro.
Coloquei as sacolas no porta-malas do carro e empurrei o carrinho para o seu devido lugar.
Ao chegar ao meu apartamento deixei as sacolas na cozinha e encaminhei até o banheiro. Minha expressão era um misto de cansaço e realização. Prendi os meus cabelos curtos e me despi. Abri o chuveiro e deixei a água quente relaxar o meu corpo que nem aparentava a exaustão que senti deixar-me junto com um suspiro.
Ao sair do banho coloquei os meus pijamas confortáveis de sempre e segui para a cozinha. Tirei as compras das sacolas e as espalhei na mesa, estiquei os meus braços e estralei os dedos me preparando para a pior tarefa de minha vida desde que passei a morar sozinha: arrumar as compras para depois acabar bagunçando tudo durante o resto do mês.
Era aquilo que eu queria para a minha vida? Trabalhar, chegar em casa a noite cansada e encarar uma televisão ou livros que acumulam poeira em minha estante sem eu ter tempo de lê-los?
Eu amo o meu trabalho, salvar vidas é algo grandioso que eu faço com amor, nós cirurgiões vivemos em constante pressão de salvar a vida dos pacientes, afastá-los da linha tênue entre a vida e a morte, alguns de nós são treinados a serem frios calculistas, outros não, se importavam com os pacientes, com as vidas que dependiam dos conhecimentos adquiridos durante anos de faculdade.
Entretanto apenas essa sensação gratificadora e o amor pela profissão pareciam não bastar para mim mais. Sentia-me incompleta e minha amiga e irmã estavam certas, eu deveria sair com mais gente, conhecer pessoas novas. O problema? Eu não tinha vontade.
Qualquer um poderia me chamar de indecisa ou apenas acomodada em um plano confortável para mim. Sem começar a me envolver com alguém eu evitava possíveis frustações e machucados.
Eu sei que eu não posso pensar que vou me machucar em qualquer relacionamento, isso soa negativamente, mas o medo fala mais alto e me manter isolada me deixa inteira, em partes. Gosto da minha zona de conforto.
Duas pessoas interessantes me chamaram atenção: Emma Swan e Daniel Colter. O mais certo seria dizer que algo me puxava para Swan, entretanto eu mal tinha conhecido o homem.
Emma é uma mulher sensível e forte simultaneamente, interessante e linda, porém uma paciente. Daniel aparentava ser um rapaz de... Ele aparentava ser o que? O que realmente eu havia sentido por ele? Atração física apenas.
Quando coloquei a caixa de empanados no freezer e me virei para a mesa dei graças a Deus que já havia guardado tudo. Abri novamente a geladeira e peguei o pedaço de torta de frango que eu havia comprado para ser o meu jantar.
Coloquei em um prato e o esquentei no forno micro-ondas.
Tirei o meu prato e sentei à mesa encarando o meu celular. Se Tinker estivesse comigo ela já teria tomado o celular de minhas mãos e sido audaciosa o bastante para mandar uma mensagem para Daniel.
Dei duas garfadas em minha torta de frango, suspirei fundo e fiz o que minha amiga faria por mim.
—Então, pensei que entraria em contato comigo para manter a promessa_ Eu tinha sido uma completa idiota mandando aquela mensagem idiotamente retardada para o cara. Minha vontade era de jogar o celular na lata de lixo e depois me engasgar com a torta. Pronto, causa da morte? Retardamento mental. Quando me preparava para a minha morte recebi a resposta.
—Ah, fico feliz em saber que o seu tornozelo está melhor.
Eu me sentia estranhamente esquisita. Aquilo estava estranho, não parecia fluir naturalmente. Já me preparava para mandar uma mensagem tentando um pedido de desculpas igualmente idiota quando recebi outra mensagem.
—Imagine assim: um encontra as escuras, te pego sábado às 20 horas?_ Agradeci por ele ter saído com a resolução. Mandei uma resposta topando aquilo e respirei aliviada por não ter passado uma imagem mais idiota do que eu estava sendo.
Depois de jantar, me arrastei com um livro até a minha cama e peguei no sono no meio da leitura, sendo acordada apenas pelo toque estridente do meu celular.
Levantei e continuei com a minha rotina de sempre, fiz os meus exercícios em casa mesmo para evitar outra trombada no meio da rua. Hoje é dia de plantão. Arrumei-me e peguei o livro que eu estava lendo. Atenderia no consultório apenas na parte da manhã e até a manhã seguinte eu ficaria na emergência. Peguei as chaves do quarto e deixei o meu cofre sagrado.
Cheguei ao hospital no horário de sempre e encontrei com Tinker.
—Boa noite miga. Esse rostinho precisa de um sono da beleza._ ela me deu um abraço cansado.
—Bom dia. Como foi o plantão?
—Não dá para perceber só olhando para a minha cara? Cansativo como sempre._ disse num suspiro._ Mas..._ sua entonação feliz voltou para a fala._ Eu ganhei o dia, então só te vejo amanhã. Vê se não faz nenhuma besteira viu?_ ela apontou o dedo indicador.
—Nossa! Que calúnia!_ fingi indignação colocando uma mão no peito._ O que eu poderia fazer?
—Você bem que poderia dar de cima na sua paciente bonitona artista plástica._ aconselhou com um sorriso maroto e eu só a encarei com cara de tédio.
—Para a sua alegria eu marquei um encontro com o cara que trombou em mim no sábado._ me exibi.
—Você não está com medo de ele ser um serial killer que encontra suas vítimas no parque enquanto correm? Eu ficaria com medo.
—Eu não te entendo. Você não queria que eu marcasse com alguém? Eu marquei. Pronto.
—Na verdade eu estava pensando mais na loira, mas você que sabe._ bocejou._ Bem, tenho que ir. Beijo._ beijou minha bochecha e saiu do hospital.
Eu apenas balancei a cabeça e segui para o andar do meu consultório. Cumprimentava alguns colegas de trabalho. Leroy sempre ranzinza, Belle sempre alegre e bondosa, Will com seu sorriso simpático.
—Bom dia._ cumprimentei o paciente que estava esperando e Anastasia.
—Doutora Mills, bom dia._ ela se levantou com uma pasta em mãos._ O conselho pediu para lhe entregar isso._ esticou a pasta em minha direção e eu a peguei._ Hoje a senhorita não tem nenhum compromisso, a não ser a reunião com o conselho na parte da tarde às 17horas.
—Tudo bem. Eu vou fazer minha ronda e já volto, tenho poucos pacientes hoje.
Larguei minha bolsa no sofá, troquei de roupa no banheiro e vesti meu jaleco. Coloquei o meu estetoscópio no bolso, meu celular e um bloquinho de anotação. Deixei a pasta em cima da mesa para depois receber a devida atenção. Eu já sabia do que se tratava.
Fui logo para o quarto de Emma.
Bati na porta duas vezes e não obtive resposta alguma. Abria a porta cautelosamente, ela poderia estar dormindo ainda. Enfiei minha cabeça no espaço entra a porta e o batente e olhei para a cama que se encontrava vazia e arrumada. Entrei no quarto e me sentei na poltrona. Ela já estava preparada para sair.
Ouvi o barulho da porta sendo destrancada e logo depois sendo aberta. Ela se assustou um pouco quando me viu parada sentada na poltrona olhando fixamente para sua direção.
—Que susto!
—Desculpe, não foi minha intensão._ me levantei sorrindo sem graça. Graça. Ela estava graciosa mesmo estando de moletom. Seus cabelos loiros levemente cacheados nas pontas estavam presos em um alto rabo de cavalo. O que mais chamava atenção em sua imagem era a felicidade estampada em seu rosto demonstrada principalmente no brilho de seus olhos.
—Então, a doutora veio me dar alta? _ ela disse se aproximando da cama bolsa perto do armário. Ela tentou pegar a bolsa, mas eu fui mais rápida e a levantei para logo em seguida deixa-la em cima de sua cama._ Não precisava.
—Que isso. Sim. Eu vim te dar alta._ eu disse sorrindo e a mulher abriu um sorriso ainda maior que o meu._ Só quero dar uma ultima checada em seus pontos e te passar as recomendações e a receita. Ela balançou a cabeça afirmativamente e se sentou na cama._ Com licença._ me aproximei dela e coloquei as pontas dos dedos na barra de seu moletom o levantando lentamente até o corte ficar amostra. Senti um formigamento quando os meus dedos tocaram desatentos a pele de seu abdome. Respirei fundo e voltei minha atenção para a função que eu estava exercendo._ Daqui uma semana você já pode vir para tirar os pontos, é só ligar para o meu consultório que a secretária vai lhe falar se eu estarei no PS ou no consultório, ok?_ abaixei sua blusa.
—Tudo bem, uma semana doutora.
— Esta é a sua receita, está tudo explicado sobre a administração dos remédios, você tem que continuar com essa dieta e depois te passo outra daqui uma semana. Nada de esforço físico e teimosia. _ entreguei duas folhas impressas à ela.
—Uou..._ ela exclamou quando leu as indicações._ Tudo bem, pode ficar tranquila que se depender da Mary eu não mato uma mosca, só vou voltar a pintar. Quando sair o convite para a exposição eu venho trazer para você.
—Pode contar com a minha presença._ eu olhei para os seus olhos brilhantes e me lembrei de algo que eu não tinha ligado. Algo muito delicado. _ Emma, estou lhe perguntando como médica, se você quiser até mesmo como amiga, eu sei que o seu caso é muito delicado, mas pessoas que passaram pelo que você passou..._ eu comecei o tema e seu sorriso foi diminuindo gradativamente, ela já sabia onde eu queria chegar._ Tendem a desenvolver o transtorno do estresse pós-traumático pode ser definido como um distúrbio da ansiedade caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas físicos, psíquicos e emocionais._ parei temerosa de continuar._ Eu só quero que saiba que se precisar de alguém para conversar eu estou aqui._ apertei a sua mão.
—Eu..._ Emma abaixou sua cabeça e olhou para a minha mão em cima da dela. Ficou alguns segundo assim e levantou sua cabeça, uma lágrima solitária descia por sua bochecha e ela tratou logo de enxugar quando sua amiga entrou no quarto.
—Emma, bom dia. Doutora Mills._ ela cumprimentou sorridente como sempre.
— Já assinei os papei de alta, a receita e as recomendações foram passadas e até daqui uma semana, senhorita Swan._ eu sorri e fui retribuída com um sorriso sincero.
—Doutora, muito obrigada pela atenção, por ter cuidado de minha amiga.
—Obrigada Regina._ Swan disse e eu sabia que o agradecimento era pelo que eu havia acabado de falar com ela.
—Fui um prazer._ juntei minhas mãos._ Com licença, tenho que continuar com minha ronda. Tenham um bom dia.
Deixei o quarto de Swan com um misto de emoções, felicidade por minha paciente estar boa depois de tudo o que passou e preocupação por ela estar, possivelmente sofrendo com TEPT. Já tive pacientes assim e casos na própria família. Talvez ela tenha receio de contar para a amiga, com medo de deixa-la mais preocupada, ou simplesmente não consegue falar ou admitir. Entrei no quarto da minha segunda paciente da cirurgia do dia anterior pensando em Emma Swan.
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