—Como foi?_ Perguntei assim que Emma atendeu o celular.

—Não sabia que estava sentindo tanta falta de meus alunos!_ disse animada, ainda podia escutar o barulho das pessoas ao redor dela e dos carros. O dia para mim foi apenas de reunião, papeladas e manter a ordem no pronto socorro, nenhum atendimento ou cirurgia marcada devido o meu estado emocional abalado de acordo com o atestado médico e o de minha irmã. Estava voltando para a minha sala depois de designar as funções de cada um. _ Quando cheguei os meus alunos e os professores estavam me esperando com uma faixa, tudo programado pela Mary.

—Que legal, meu amor._ entrei na minha sala._ A Mary sempre pensa em tudo, não é?

—Claro que penso em tudo! E estamos dentro do carro com o viva voz ligado.

—Claro, deu para perceber, Mary._ Emma disse rindo.

Me espichei em meu sofá e tirei meus saltos.

—Queria ter um horário de aula assim. Só saio daqui três horas. Tem como me lembrar de comprar um sofá?

—Por que você não pede um para o hospital?

—A Zelena está cuidando disso._ disse.

—Um tom maquiavélico em sua voz, Evil Queen?_ Emma perguntou.

—Não gosto desse apelido. _ emburrei._ Por que você não passa lá em casa hoje?

—Eu ia te fazer esse mesmo pedido._Ela disse.

—Tudo bem, saio as seis, passo aí.

—Doutora Mills? _ uma residente entrou na minha sala.

—Emma, te ligo mais tarde tudo bem?

—Tudo certo, te espero lá, beijos.

Me endireitei no sofá e olhei para a residente.

—Precisamos da senhora no pronto socorro._ Calcei os saltos e corri até o pronto socorro.

—Tinker o que está acontecendo?_ assim que fechei minha boca meu nome foi gritado.

—Tem um cara bêbedo gritando o seu nome, está no leito quatro._ ela apontou e me entregou o tablet.

—Hoje eu não deveria estar atendendo, Tinker.

—Tentamos os outros , mas ele só quer falar com você, você atende e passa para um residente, essa aí._ revirei meus olhos e andei até o leito. Olhei o prontuário e respirei fundo quando vi o nome.

—Boa tarde, senhor Jones.

—Regina Mills._ ele estava cheirando a rum._ Até que em fim você apareceu, estavam mandando meros residentes para me atender, mas eu queria a chefe do pronto-socorro.

—O senhor está sentindo alguma coisa?

—Não... Não.

—Então vou aplicar uma glicose na veia, vou pedir para uma enfermeira, tudo bem?_ já estava saindo pela cortina quando ele me chamou novamente.

—Me diga, como é foder a Emma, é bom não? Sinto falta daquela bunda, daqueles peitos...

—Como você sabe que estamos juntas?

—Não interessa, só sei que vocês não vão ficar muito tempo juntas, a Emma é minha, doutora. Minha.

—Pelo que me lembro, você a traiu._ cheguei bem perto dele._ E deixe a Emma em paz, mais um piu e chamo os seguranças. _saí do leito e fui até a Tinker._ Glicose na veia e se ele perturbar, pode chamar os seguranças.

—Regina, o que aconteceu? Essa veia em sua testa parece que vai explodir.

—Aquele idiota é o ex da Emma.

—E... Sei que não foi só isso. Ele nos ameaçou.

—O que você vai fazer?

—Ele estava bêbado, não posso levar isso a serio. Dê o soro, a Doutora Reynolds cuida dele de agora em diante. Vou voltar para a minha sala.

Pendurei o jaleco na poltrona e me sentei em frente ao meu computador e comecei a ler um artigo. Não consegui me concentrar por muito tempo, todas as vezes que fechava os olhos as palavras de Killian ecoavam em minha mente.

Levantei com pressa e fui até a máquina de expresso mais próxima, precisava de cafeína para parar a minha dor de cabeça.

—Sis!_ já estava voltando.

—Zel!_ a encontrei indo para a minha sala.

—Como foi o seu dia?

—Está indo tudo bem._ decidi não falar nada sobre Killian._Hoje vou para a casa da Emma quando sair, tudo bem?

—Quer que te deixo lá? Peguei o meu carro hoje no almoço.

—Não, pego um taxi._entramos em minha sala.

—O plano sofá ainda está de pé, não?

—Sim, por que?_ olhei para Zelena empurrando o sofá em direção da porta.

—Abra a porta sis. O sofá da sala dos internos, não tem ninguém lá esse horário e ele é com certeza mais confortável que esse seu._ Metade do sofá já estava para o lado de fora da sala.

—Você é louca?

—Sou e se você pudesse me dar uma mãozinha?_ passei por cima do sofá com dificuldades já que a saia lápis que eu estava limitava muito os meus movimentos.

—Detesto quando você vem trabalhar toda formal._ comecei a direcionar o sofá. As pessoas nos olhavam enquanto empurrávamos o sofá pelos corredores, quando chegamos perto da sala dos internos Zel parou e entrou para checar a sala que estava vazia._Agora colocamos ele lá dentro e pegamos o outro.

—Você é maluca mesmo, se alguém nos pega..._ ela puxou o sofá para dentro da sala.

—Você é a queridinha do conselho e só estamos mudando os móveis de lugar, é uma vergonha uma chefe de departamento ter um sofá desses na sala._ começou a empurrar o outro._ Além do mais, nenhum residente ou interno vai reclamar da Evil Queen, querendo ou não você é a Evil Queen com a base da pirâmide do pronto socorro.

—Malévola era assim e não tinha um apelido.

—Bem, não a conheci direito. Agora empurra logo esse sofá.

—Estou de salto!

—Se vira!

—O que vocês duas estão fazendo?

—Tinker, vem ajudar! A evil queen hoje está social e não consegue empurrar esse sofá._ bufou de raiva.

—Zelena trocou o meu sofá._ Tinker começou a empurrar e paramos apenas quando chegamos à minha sala.

—Regina, aquele paciente desapareceu.

—Sem problemas._ eu disse.

—Com certeza esse sofá é mil vezes mais confortável que aquele seu e não tem aquela madeira incômoda._ disse depois que se deitou no sofá.

—E o seu carro, amiga?_ Tinker se sentou no braço do sofá.

—Vou ter que troca-lo.

—Eu gostava daquele carro..._ Tinker fez um bico.

—--

Ao sair do táxi passei a mão em minha camisa social alisando os lugares amassados e depois ajeitei os meus cabelos. Caminhei rapidamente até a porta e toquei a campainha.

—Regina!_ me deu um selinho e me puxou para dentro.

—Me desculpe o atraso, o trânsito estava péssimo._ me levou até a sala.

—Vinho?_ me perguntou indo em direção à pequena adega.

—Sim, onde estão...

—Mary? _ confirmei._ Foi experimentar sabores de bolos e docinhos, David e Eva foram com ela dessa vez._ Voltou com as duas taças. _Como foi o seu dia Doutora?

Lembrei de Killian, da ameaça que ele fizera a nossa relação.

—Chato, já que não pude participar de nada, só comandar e assinar papeis.

—Regina Mills sem segurar um bisturi é algo raro._ brincou.

—Vamos deixar o meu dia de lado._ me virei no sofá sentando por cima de uma perna para olha-la._ O seu foi mais importante que o meu._ os olhos dela começaram a brilhar só de lembrar.

—Ah, eu estava com tanta saudade da escola. Joanna, a secretária, me entupiu de biscoitos amanteigados novamente, os alunos mais jovens foram ótimos, mas sei que daqui uma semana vão voltar a ser os mesmos capetinhas de sempre. Os adolescentes foram normais.

—Fico feliz em te ver assim, meu amor..._ ela colocou a taça na mesinha e fez o mesmo com a minha.

—Eu sei que tem algo te incomodando..._ suspirei e ela pegou minhas mãos._ E não é só porque o seu carro está destruído ou que você não cortou ninguém hoje. Você pode me falar.

—É besteira.

—Se fosse besteira, você não estaria preocupada._ apertou minha mão e chegou mais para perto de mim._ Ás vezes sou psicóloga dos meus alunos adolescentes...

Estava dividida entre contar para Emma ou não, não queria acabar com aquele momento de paz entre nós e deixa-la preocupada com uma ameaça que nem sabia se poderia levar a serio.

—Killian apareceu hoje no hospital embriagado e quis apenas que eu o atendesse mesmo estando fora dos atendimentos hoje._ Emma engoliu em seco._ “Vocês não vão ficar muito tempo juntas, a Emma é minha.”_ repeti as palavras do homem._ Não quis te falar devido o estado que ele chegou no pronto socorro, ele estava embriagado, não podia levar a serio.

—Mas eu levo, eu o conheço.

—Emma, por que não esquecemos isso? Nem ele deve lembrar do que ele falou.

—Não entendo o motivo de ele falar isso, ele me traiu...

—E você deu a volta por cima com estilo e bom gosto._ sorri e levantei as sobrancelhas.

—Deve ser porque eu não voltei correndo para ele, aquele idiota. Mas você está certa. Com estilo e bom gosto..._ beijou os meus lábios e senti o gosto do vinho quando invadiu minha boca com a sua língua. Senti o calor do seu corpo se aproximar do meu e me empurrar para o sofá, deitando-me. Continuou a me beijar até parar abruptamente.

—O que foi?

—você não ouviu?_ ela levantou o corpo.

—Não..._ olhei para os cantos da sala.

—Vamos pedir uma pizza? O meu estômago está reclamando, você não ouviu? Pareceu um monstro. _ ela saiu de cima de mim rindo.

—Ah não..._ segurei sua mão._ Volta aqui..._ meu estômago roncou dessa vez._ É... não como algo desde três da tarde...