A cortina esta aberta e os raios solares já invadiam o quarto quando acordei com a claridade em meu rosto. Emma dormia tranquilamente de bruços com o rosto enterrado no travesseiro. Estava coberta apenas da cintura para baixo, sua pele branca das costas ainda trazia leves vestígios da noite e de minhas unhas. Plantei um leve beijo em suas costas e tentei me levantar sem acorda-la, mas senti as suas mãos ao redor da minha cintura me segurando e logo depois um beijo em meu pescoço que fez um arrepio atravessar o meu corpo me fazendo sentar na beira da cama novamente.

—Bom dia._ eu disse com a minha voz ainda rouca.

—Adoro sua voz matinal._ mordiscou o meu pescoço antes de passar o seu nariz pelo local. Aproximou mais o seu corpo contra o meu, seus seios tocando em minhas costas nuas, suas mãos subindo de encontro ao meu seio direito._ Adoro você.

—Emma..._ meu pescoço já estava caindo para o lado direito enquanto ela o beijava.

—Essa noite foi incrível..._ sussurrou enquanto me apertava mais contra si e passava as suas pernas ao redor da minha cintura.

—Não posso contrariar..._ virei a minha boca de encontro a dela e a captei em um beijo longo que teve de ser interrompido quando a senti dentro de mim novamente. Ela mordeu o meu ombro e eu segurei em seu pescoço enquanto começava a soltar alguns gemidos a cada movimento seu. Colocou mais um dedo dentro de mim e em pouco tempo Emma teve que me segurar contra si para eu não cair. Deitei-me em cima de seu peito enquanto me abraçava.

—O que foi isso?_ perguntei quando retomei o fôlego e encarava aqueles olhos que estavam quase negros de desejo.

—Saudades.

—Essa noite não foi suficiente para o seu apetite?

—Foi e não foi. _ deu um sorriso safado.

—Eu vou ter que me mudar o mais rápido possível!_ Ouvimos a voz de minha irmã. Comecei a rir e Emma ficou um pouco vermelha. Não achava que seria possível ela ficar tão vermelha com um comentário simples daqueles.

—Será que ela ouviu...

—Essa ultima parte?_ completei._ Só não ouviria se fosse surda, Emma.

—Seria bom então colocar uma proteção acústica no seu quarto._ brincou.

—Vamos, dessa vez não me impeça de levantar, aguem tem que fazer o café antes que a Zel acabe com minha cozinha._ completei quando ouvi alguns barulhos vindos de lá.

Levantei-me e fui até o banheiro, lavei o meu rosto e prendi o cabelo em um rabo de cavalo e coloquei um robe. Quando sai Emma ainda estava enrolada no lençol.

—Te espero na cozinha._ dei um selinho nela e sai.

Encontrei com Zelena procurando algo na geladeira.

—Suas roupas estão espalhadas pela sala e eu não imagina que chegando do hospital eu ouviria os seus gemidos ecoando por todo apartamento. Vou ter pesadelos, sis. Obrigada._ tirou o rosto de dentro da geladeira apenas para me achar com um sorriso de satisfação no rosto._ O que foi?

—O queijo está na segunda prateleira e o seu bacon na primeira e você está inveja de mim por eu estar namorando com uma loira gostosa e boa de cama._ ela levantou as sobrancelhas.

—Eu?_ forçou uma risada e olhou novamente para a geladeira antes de pegar o queijo e o bacon._ Inveja? De você? Qual é sis? Com um estralar de dedos eu posso ter qualquer um.

—Por que você não liga logo para ele? Eu sei o que você sente pelo Hades, Zel.

—Que ele ligue primeiro, Regina._ ela falou o meu nome, então era sinal que eu me calasse ou mudasse de assunto.

—Me desculpe, eu não sabia que você já teria chegado, se eu soubesse teria evitado.

—Eu tinha acabado de chegar e não se desculpe por ter uma namorada loira gostosa e boa de cama como mesmo disse.

—Eu sou gostosa e boa de cama?_ Emma surgiu na conversa me abraçando por detrás.

—Eu só peço para não acha-las nuas no sofá ou algo do tipo. _ eu e Emma rimos. _Eca... Vocês estão com aquele olhar uma para outra pós sexo, vão tomar um banho, esfriar a periquita._ Zelena deu as costas e foi para o fogão._ Chego morta de um plantão de 48 horas e me deparo com isso?_ começou a resmungar. Fui até minha irmã e beijei o seu rosto.

—Não precisa se preocupar, Zel, a Emma vai tomar um banho enquanto eu te ajudo a preparar o café.

—Então tá bom..._ Emma disse se distanciando.

Depois de ouvir a porta do banheiro sendo fechada e o chuveiro sendo ligado, Zelena se virou para mim.

—Você está radiante, sis. A noite foi tão boa assim?

—Se foi boa? Foi incrível. Ela me buscou no hospital, fomos jantar naquele restaurante o The Park, que abriu há pouco tempo, depois viemos para cá, assistimos um filme e ela me deu isso._ tirei o colar de dentro do robe e a mostrei.

—Que lindo, sis!_ virou o colar e leu o nome gravado.

— É uma substituição das alianças de namoro, o pingente dela é uma coroa com o meu nome gravado.

—Meu Deus, vocês duas dão diabetes em uma pessoa saudável. _ ela disse enquanto mexias os ovos.

—E o sexo foi tão... não foi só sexo, e foi incrível, nunca tive uma noite como essa e quando acordei..._ estava arrumando a mesa.

—É eu ouvi, não precisa falar nada._ apontou a colher para mim._ Como ela conseguiu as reservas no restaurante, me falaram que era impossível que só tinha para o final mês que vem e olhe lá.

—O dono comprou uma obra dela e virou um fã.

—Se Emma continuar a te tratar assim o seu apelido vai mudar de Evil Queen para Happy Queen, sis.

—Besta._ mandei língua para ela.

—Você que é a boba apaixonada._ virou com a frigideira em mãos._ Bacon com ovos?

—Não, muito gorduroso.

—Mas você precisa repor as energias._ disse rindo.

—Vou fazer minhas panquecas deliciosas já que meu fogão está desocupado e chocolate quente.

Quando Emma chegou à cozinha, Zelena já havia tomado café e estava lendo uma revista enquanto conversava comigo. Seus cabelos estavam molhados e ela vestia uma roupa minha, aquilo já estava virando praticamente um hábito em nosso relacionamento.

Sentou-se ao lado de Zel enquanto eu colocava uma caneca de chocolate quente com canela em sua frente e um prato de panquecas.

—Esfriou a periquita, cunhadinha?_ Zelena perguntou subitamente enquanto eu deitava.

—Sim._ escondeu o seu rosto na caneca.

—Qualquer coisa me avisa que quando eu for dormir eu ponho meus fones de ouvido.

—Tá bom..._ ri com a cena de Emma se desconcertando com o comentário de minha irmã.

—Emma, você gostaria de fazer um passeio no parque comigo? Aproveitar que o dia hoje está convidativo e deixar a minha pobre traumatizada irmã dormir um pouco pelo resto da manhã?

—Claro que sim. Estou achando a Zel um pouco emburrada, deve ser o cansaço.

—Passei quase 10 horas tentando consertar um fêmur estraçalhado de um cara que sofreu um acidente com um paraquedas. Para no final Gold falar que ele ficaria paraplégico._ Zelena jogou a revista na mesa e Emma sussurrou um sinto muito.

—Isso não foi culpa sua Zel, você fez o seu trabalho perfeitamente, estou certa disso._ peguei em sua mão.

—Foi um interno irresponsável que tirou a imobilização do paciente, Gold mais a Flower já estão cuidando desse idiota._ Suspirou._ Vou tomar um banho e vou dormir porque vou pegar outro plantão amanha de noite e largar só segunda a noite já que minha linda irmã teve que mudar a escala.

—O Leroy está doente, Zel.

—Eu sou a chefe de departamento e vou mandar a inútil da Prior no meu lugar.

—Ela vai pegar o próximo._ ela deu língua para mim e se levantou saindo da minha pequena cozinha.

—Eu disse algo demais?

—Não, não se preocupe, ela se envolve demais nos casos e as vezes fica chateada._ beijei o topo de sua cabeça._ Vou me arrumar para o nosso passeio.

Tomei um banho rápido e coloquei uma roupa confortável, Emma vestiu a sua própria roupa e calçava seu coturno, tinha recolhido as nossas roupas enquanto eu estava no banho e arrumado a nossa pequena bagunça. Peguei meus óculos escuros e meu celular e saímos de mãos dadas.

Passamos por uma senhora que eu achava que se tratava de minha visinha no corredor que nos olhou com a cara fechada e murmurou que não escutamos muito bem.

—Com licença, senhora. _ Emma parou de repente. _ Algo que a senhora queira compartilhar conosco?_ Questionou a senhora quando obteve a sua atenção.

—Esse mundo não tem mais salvação mesmo, sapatonas e mal educadas em meu prédio...

—Olha aqui..._ Emma deu um passo e levantou um dedo.

—Amor, acalme-se._ Segurei em seus braços por detrás e ela abaixou o braço._ Não vale apena, é apenas uma senhora.

—Uma senhora homofóbica, Regina.

—Você me chamou de quê?_ A senhora se aproximou.

—De homofobica, para o seu conhecimento não é um xingamento...

—Senhora Alexander, se nos der licença...

—Eu pensava que você era uma médica direita, minha filha._ respirei fundo com o comentário e puxei Emma pelos ombros quando a vi ficando vermelha.

—Senhora Alexander, aqui uma demonstração de amor entre duas mulheres._ Emma disse e me puxou para um beijo, sua língua já invadindo a minha boca, esqueci a presença da senhora no mesmo instante que meus lábios se juntaram aos seus. Com minha mão livre segurei em sua nuca e fui puxada para mais perto de seu corpo. Sua mão desceu de minha cintura para a minha bunda e a apertou. Separamo-nos quando ouvimos a senhora se distanciar reclamando que o mundo estava perdido.

—Emma..._ eu tinha um sorriso idiota e comecei a rir quando a senhora fechou a sua porta. _Ela é a minha vizinha!

—Se você quiser, voltamos para o seu quarto e não a deixamos quieta pelo dia._ me deu um selinho, suas mãos ainda estavam em minha cintura e ela tinha um sorriso safado.

—Acho melhor não atentar a pobre senhora._ fingiu decepção._ Não adianta fazer essa cara de cachorro que caiu da mudança, Emma, não vamos voltar para atentar a minha vizinha idosa. Esse tipo de gente não merece nossa atenção._ minha mão estava em seu rosto.

—Você me chamou de amor.

—Chamei?_ me fiz de desentendida e coloquei uma mexa de seu cabelo ainda úmido atrás de sua orelha.

—Sim, disse amor._ seus olhos verdes brilhavam como duas estrelas.

—É porque você é..._ acariciei o seu rosto antes de selar os meus lábios nos seus._ Vamos?

—----

O dia estava realmente convidativo para um passeio, não estava tão quente e o sol estava ensolarado, por ser final de semana algumas pessoas já estavam livres dos serviços, pessoas caminhavam com seus cachorros, crianças corriam pela grama, outros faziam caminhadas. Um casal de namorados estavam escorados numa árvore enquanto a menina lia um livro enquanto o menino escutava musicas e acariciava os cabelos da moça.

Meus dedos estavam entrelaçados aos de Emma. Olhava para ela pelo canto do olho, a luz do sol deixava os seus cabelos mais loiros, ela andava com os olhos semicerrados para protege-los da luz. Me inclinei para ela e beijei a sua bochecha fazendo-a abrir um sorriso lindo.

—Um beijo pelo seu pensamento._ olhou para mim.

—Apenas pensando em como as pessoas podem ser como aquela senhora.

— Ai se todos fossem como ela que não nos bateu.

—Pra quê isso? Eu me pergunto?_ Parou no meio do parque e pegou a minha outra mão. _ Agora você me deve o beijo._ levantou os meus óculos e me beijou lentamente. Nos separamos quando fui chamada.

—Regina?_ me virei e me deparei com Daniel. Respirei fundo.

—Olá, tudo bem?_ Emma passou a mão pela minha cintura.

—Tudo..._ olhou para Emma.

—Ah, Daniel, essa é a minha namorada, Emma._ a loira apenas abriu um sorriso e inclinou a cabeça sendo imitada pelo homem.

—Você é rápida ein?_ ele comentou.

—Desculpe-me?

—Você me trocou e em menos de uma semana já estava com outra e agora está com uma loira._ senti o corpo de Emma ficar tenso.

—Eu nem cheguei a namorar você Daniel.

—Mas a outra sim e pelo que vejo a sua namorada não sabe de nada. _ Eu estava perdida com o seu comentário.

—Do que ele está falando Regina?

—Eu não sei Emma. _ olhei confusa para a minha namorada e para o cafajeste plantado em nossa frente.

—Sua namorada é uma vagabunda, Emma._ ele disse e Emma deu um soco em seu maxilar. Daniel deu uns dois passos para trás e soltou uma risada nervosa._ Me ligou e depois me enxotou, aí arrumou uma ruiva._ agora as coisas se encaixavam.

—Ruiva?_ Emma disse rindo._ Cabelos cacheados? Com olhos verdes? Um pouco mais alta que Regina?

—Sim, essa mesma._ agora ele estava confuso.

—É a minha irmã, seu otário._ puxei Emma pela mão deixando o otário para trás.

—Quem é ele, Regina?

—Um cara que conheci no parque um dia que estava correndo, fomos a um encontro, mas ele só falava de si então arrumei uma desculpa e sai no meio da noite, nada que você precise se preocupar, dei um selinho.

Meu celular começou a tocar e pedi para que não fosse do hospital, o dia estava muito bom para ser interrompido por uma ligação de trabalho.

—Zel? Não deveria estar dormindo?_ disse ao atender.

—Sis, você não adivinhar quem está subindo agora, nesse exato instante, no seu elevador para o seu apartamento..._ ela dizia muito rápido.

—Zel, respira._ olhei para Emma que estava preocupada.

—Cora Mills..._ a campainha tocou._ Corre para cá.