Planos e Promessas
34 Felipe.
Notas iniciais

Estávamos aproveitando o último dia das nossas férias antes de voltarmos para casa para a festa surpresa de aniversário da Bianca.
Bianca estava a poucos metros de mim, protegendo-se do sol forte sentada em baixo de um guarda-sol. Ela estava usando um biquíni branco e um chapéu grande. Os cabelos loiros ao vento.
Helena está sentada em frente a mamãe. Bianca está lhe passando o protetor solar. Afinal, não dá para descuidar das crianças. Helena se diverte. Ela está fazendo uma carinha sorridente com o protetor solar no grande barrigão da mamãe.
Bianca está com seis meses de gestação.
— Papai! Papai! – Otávio me cutuca para chamar a minha atenção. — Vamos nadar, papai. Por favor!
Otávio é muito esperto e ele só tem quatro aninhos. Minha mãe diz que ele é muito parecido com o meu irmão. Otávio é bastante sociável, mesmo sendo tão pequeno, é tagarela, divertido e curioso. Ele tem uma energia que parece nunca ter fim.
Às vezes eu me pego olhando pra ele e penso que minha mãe tem razão. Ele é muito parecido com o Guilherme. Não só na personalidade extrovertida. Mas também fisicamente.
Otávio detesta arrumar o cabelo castanho-claro. Os fios são rebeldes e ficam para todos os lados. Mas quem se importa? Ele é tão branquinho que fica toda rosado no sol. E seus olhos são cor de mel.
— Helena! – grito para que de longe ela possa me ouvir. — Vem, filha. Vamos nadar!
Assim que Bianca termina de lambuza-la com o protetor solar, Helena vem correndo e se joga nos meus braços, aos risos.
Ela é mais parecida com a mãe, pelo menos fisicamente. Os cabelos são mais claros, quase loiros, e ela tem olhos verdes.
Helena tem seis aninhos.
Bianca gosta de dizer que ela é mais parecida comigo, pelo menos na personalidade. Helena é uma criança alegre, como todas as outras. Mas é mais tímida, mais acanhada, mais discreta. Como eu sou. Como eu fui quando criança.
Helena nasceu com o dom para a música. Desde quando ela era bebezinha tinha uma preferência por brinquedos sonoros. Há um ano, Bianca e eu resolvemos coloca-la na aula de piano. E como se isso não bastasse, Helena quis entrar também na aula de violino.
Ela será uma grande artista.
Otávio, por ser mais elétrico, ainda não mostrou interesse por nada muito extraordinário. Mas essas coisas levam tempo. Ele gosta mesmo é de brincar, pular, correr, se sujar. Acho que o único momento que ele para quieto é quando chega a hora de dormir e eu vou contar uma história de super-herói para ele.
Seu personagem favorito é o Homem-Aranha.
De um lado eu seguro a mãozinha do pequeno Otávio e de outro seguro a mão de Helena. Quero só ver como eu vou fazer quando o pequeno Enzo nascer. Mas isso não me preocupa tanto. Porque ser pai certamente foi uma das melhores coisas que já me aconteceu na vida.
No começo, quando a Helena nasceu, eu tinha muito medo até mesmo de segura-la. Ela era tão frágil, tão pequena e sensível. Parecia que iria quebrar a qualquer momento. Mas a Bianca sempre esteve ali, me incentivando a participar de tudo. Dar banho, trocar a frauda, colocar para dormir ou até mesmo dar a mamadeira.
Estar presente mesmo nos momentos mais simples fez de mim um pai cada vez melhor.
Mas nem tudo era um mar de rosas. Mesmo com certa experiência, eu me apavorava, quando no meio da noite, o Otávio chorava por estar com alguma dorzinha incomoda.
Enquanto eu tentava acalma-lo em meus braços com a minha voz, Bianca preparava um chazinho para ele.
Algumas pessoas dizem que quando o segundo filho nasce tudo fica tão mais fácil e menos surpreende. Mas eu não penso assim não. Pois quando o Otávio começou a dar os primeiros passos ou a dizer as primeiras palavras, eu senti algo completamente diferente de quando a Helena fez as mesmas coisas pela primeira vez.
Não foi um sentimento melhor e nem igual. Foi diferente e bastante significativo. O tipo de coisa que a gente não esquece com facilidade. Principalmente eu, que gosto muito de lembrar das coisas, por mais distante que ela possa parecer. Por exemplo, quando eu e a Bianca nos beijamos pela primeira vez, ou quando fizemos amor pela primeira vez, ou quando nos casamos.
São coisas que marcam nossas vidas, nossos corações e não há que nada e nem ninguém que possa tirar isso da gente.
As pessoas gostam muito de perguntar como é que eu e a Bianca fazemos para manter nosso casamento tão bem estruturado mesmo após o nascimento dos nossos dois filhos.
A resposta é simples: amor e perseverança.
Eu prometi a ela, há alguns anos atrás, que lutaria todos os dias pelo nosso amor e a lembraria o quanto somos melhores juntos. E é isso que eu continuo fazendo, um dia após o outro, mesmo quando as coisas não são fáceis.
Eu não preciso fazer muito pela Bianca. Ela nunca exigiu muito de mim. Para ela basta um sorriso, um beijo, um abraço e tudo fica bem. Ela não precisa de grandes presentes ou grandes surpresas para saber o quanto eu a amo cada vez mais. Ela só quer olhar para o lado e saber que eu vou estar ali para o que der e vier.
Algumas vezes eu chego do trabalho exausto, mas eu abro mão de mim mesmo para dar mais atenção aos meus filhos ou a minha mulher. Porque é disso que o amor é feito: de sacrifícios. Não há nada mais importante para mim que ver os meus filhos sorrindo por eu ajuda-los na lição de casa ou a organizar os brinquedos. Não há nada mais importante para mim que ouvir a Bianca agradecer por dá um tempo para ela descansar enquanto tomo conta das crianças.
Ter dois filhos não é nada fácil. E sabíamos que ter um terceiro seria ainda mais difícil. Mas estávamos dispostos a isso. Pois temos uma excelente relação em casa. Fizemos questão, desde o nascimento da nossa primeira filha, de organizar os espaços e os horários.
Em nossa casa há hora para tudo: todos comemos aos mesmo tempo, cada um dar banho em um filho, cada um ajuda um filho na lição de casa, enquanto eles brincam à vontade aproveitamos para tomar conta de assuntos relacionados aos nossos trabalhos; as crianças vão dormir mais cedo, enquanto elas dormem tiramos um tempo para nós dois ficarmos juntos e só depois vamos dormir, para recomeçar tudo de novo no dia seguinte.
Não é bem uma rotina. É mais uma grande organização.
Porque também temos nossos dias de folga.
Algumas vezes deixamos as crianças com os avós para podermos fazer um programa legal de casal. Ou tiramos um final de semana para viajar em família. Outra vezes saio só eu e as crianças para a Bianca descansar ou ficar com as amigas. Ou ela sai com as crianças para eu descansar ou sair com os amigos.
É assim que funciona e dá super certo.
Pelo menos com a gente.
Helena, eu e Otávio brincamos na água, mas só na beirinha, onde a água bata na altura nas nossas pernas.
Bianca está de olho em nós, preocupada. Ela é uma mãe bastante zelosa. Uma excelente mãe. Está sempre de olho nas crianças e corrigindo-as quando é necessário. Ela não é muito rígida, mas não admite que eles sejam fúteis ou mimados.
Basta um olhar dela para eles saberem que estão fazendo alguma coisa errada. Ela nunca levanta a voz ou a mão.
Já eu sou mais tranquilo, menos encanado. Eu gosto mesmo é de brincar com eles, faze-los rir até a barriga doer.
Vinte minutos depois voltamos para perto da Bianca, pois é hora do lanche. Ela trouxe uma cesta, dessas de piquenique, sabe? Uma cesta cheia de frutas, sanduíches, bolacha, suco e iogurte.
Como ela já teve problemas com a alimentação na adolescência, ela faz questão de cuidar muito disso com os nossos filhos, com medo que eles acabem no mesmo caminho que ela.
Porque só nós dois sabemos o quanto aquela época foi difícil e não desejamos isso para ninguém.
Otávio come rápido para poder brincar com alguns coleguinhas que acabam de chegar na praia com suas famílias. Helena, depois de comer, pega seus brinquedos e começa a montar castelos de areia.
Sento-me ao lado da minha mulher.
— Como você está? – passo a mão em seu barrigão.
— Estou ótima. – ela sorri, olhando para mim.
Otávio se aproxima, ele parece chateado. Pois os amiguinhos deles foram para água com seus pais e ele sabe que não pode ir sem a nossa autorização. Mas quando ver a irmã sendo cuidadosa na construção de seus castelinhos de areia, ele abre um sorriso travesso.
Rapidamente eu sei o que ele vai fazer: ele destrói os castelinhos da irmã. Mas ao contrário do que se espera, Helena não fica brava. Apenas um pouco chateada. Ela olha para o irmão emburrada, mas então ele faz uma careta e os dois começam a rir.
É sempre assim. Os dois vivem se provocando. Mas tudo sempre acaba em risadas. Nem eu e nem a Bianca nos intrometemos. Deixamos eles resolverem seus próprios problemas. Não gostamos de dar preferencias.
Helena começa a correr atrás do Otávio.
— Você já pensou em como o Enzo será? Porque as vezes eu fico pensando nisso. Será que ele será mais quietinho como a Helena ou mais baderneiro como o Otávio? Será que ele será um grande pintor, um jogar de futebol, um médico ou um dançarino?
— Pode ser que nenhuma dessas opções.
Bianca ri.
— É, pode ser. Mas seja lá como ele for, o que eu sei é nós o amaremos muito.
Eu não sei o que acontece, mas eu amo essa mulher cada vez mais. Por tudo que ela é. Excelente mãe e uma esposa maravilhosa. Uma pessoa admirável. Linda, encantadora, meiga, companheira...
Ela pode não ter todas as qualidades no mundo, mas é assim que eu a amo. Porque ela me completa, ela me transborda, ela acrescenta. Ela é o amor da minha vida.
E eu nunca vou me cansar te dizer isso.
— Eu te amo, sabia? – e então eu a beijo.
Com o cair da noite voltamos para a casa que alugamos para passar essa temporada de férias. É uma espécie de cabana, feita da madeira, é pequena, mas fica em frente ao mar.
Dou banho nas crianças, enquanto a Bianca prepara algo para a gente jantar.
Depois de colocar o pijama neles, nós vamos todos para a cozinha, onde nos sentamos a mesa e comemos.
Em casa cada um tem seu quarto, mas nessas férias eles dividem o mesmo espaço. Cada um com sua cama, separados apenas por um criado-mudo e um abajur.
— Boa noite, princesa. – beijo a testa de Helena. — Boa noite, rapazinho. — beijo também a testa de Otávio. — Agora durmam e descansem, pois amanhã voltaremos para casa bem cedinho.
Bianca aproveitou para tomar um banho e agora está de roupão. Tomo um banho também e depois de vestir algo mais leve para dormir, encontro-a lá fora, observando as estrelas.
Aproximo-me devagar e abraço por trás, enterrando meu nariz em seus cabelos e sentindo o cheirinho agradável no seu shampoo.
— No que você está pensando?
— Estava aqui pensando em como te conhecer mudou completamente a minha vida. – sorrindo, ela se vira de frente para mim com os olhos verdes brilhando no escuro. — Imagine só o quanto eu seria infeliz se nada disso tivesse dado certo.
— Eu prefiro pensar que você seria muito feliz, mesmo que eu não fizesse parte da sua vida, mesmo que você morasse do outro lado do mundo e vivesse uma vida completamente diferente.
— Não! Eu não consigo nem imaginar uma coisa dessas. – ela segura meu rosto e continua a me olhar fixamente. — Eu posso ter um milhão de opções, mas eu sempre escolheria você, eu sempre escolheria essa vida e os nossos filhos. Porque é isso que me faz feliz de verdade. É isso que me torna uma mulher completa e realizada.
Nós nos beijamos apaixonadamente.
Me sinto seguro, me sinto em paz.
Bianca pega no sono facilmente, mas não sei como ela consegue, pois o Enzo não para de chutar.
Acordo mais cedo para preparar uma pequena surpresinha para a Bianca. Sem fazer muito barulho, saio para comprar umas coisinhas para o café da manhã e flores para dar-lhe de presente.
Volto para a cabana rapidamente. Bianca ainda dorme profundamente. A gravidez exige muito dela, principalmente nesses últimos meses de gestação. Mas as crianças já estão acordadas.
— Hoje é o aniversário da mamãe. Vamos surpreende-la? – eles assentem, animados. Com os olhos fixos em mim. — Vocês me ajudam a preparar o café da manhã?
Depois que está tudo pronto, vou até o quarto e acordo a Bianca com alguns beijinhos. Ela resmunga, mas logo abre os olhos.
— Parabéns, meu amor. Vamos tomar café?
Ela toma um banho rápido.
— Feliz aniversário, mamãe! – Helena e Otávio dizem juntos assim que a Bianca aparece na cozinha. Eles já estavam na mesa, do jeitinho que eu havia pedido para eles ficarem esperando.
Entrego as flores para ela.
— Obrigada, meus amores. – ela está muito sorridente e faz questão de dar um abraço e um beijo em todos nós.
Pegamos a estrada uma hora depois. Vamos de táxi para o aeroporto e viajamos de volta para São Paulo no horário marcado.
De volta para o nosso lar.
Chegamos em casa por volta das seis da noite. Foram muitas horas de viajem. Mas nada de descanso. Pois estão todos esperando por nós. Só que a Bianca não sabe de nada.
Já está tudo pronto. Já estão todos esperando por nós.
Peço para a Bianca ir na frente, enquanto eu ajudo as crianças a descerem do táxi que nos trouxe até em casa do aeroporto.
Assim que ela abre a porta, automática as luzes se acendem.
— Surpresa! – todos gritam.
Primeiro, Bianca arregala os olhos sem acreditar no que vê. Depois ela coloca a mão na boca, sem saber o que dizer.
O pessoal se aproxima, usando chapeuzinhos coloridos de festas e começam a enche-la de abraços, beijos e palavras de carinho.
Me afasto e fico só observando, contente por ter dado certo. Toddy, já bem mais velho, vem correndo em minha direção.
— Olá, amigão. Sentiu saudades? – passo a mão em seus pelos.
Meus pais passaram esses dias em que estive fora aqui em casa, para cuidar das coisas e do Toddy.
— Otávio! – a Gabi o pega no colo e o balança. — Por onde você andou, querido? A madrinha estava morrendo de saudades!
O Rafa vem logo atrás, segurando o recém-nascido, Artur.
Após cumprimentar a maioria do pessoal, inclusive os avós, Helena sai correndo escada a cima com sua melhor amiga, Carolina, a filha mais nova da Maria Eduarda e do Pedro.
A Carol é apenas alguns meses mais velha.
— Filho, querido, que bom que você chegou. – minha mãe se aproxima, arrastando meu pai. — Estava morrendo de saudade!
Nós nos abraçamos e aproveito para perguntar como estão as coisas por aqui e se o Toddy deu muito trabalho para os dois.
Depois de falar com todos, nós seguimos para o quintal onde está a decoração da festinha surpresa e a mesa com o bolo e doces.
É hora dos parabéns.
Bianca é o centro das atenções e eu sei o quanto aquilo a deixa sem graça. Dá para ver na carinha dela que ela não sabe o que fazer. Mas não há nada que eu possa fazer. Hoje é dia de comemorar!
— Não esquece de fazer um pedido! – Luiza observa, quando a Bianca está prestes a soprar as velhinhas.
A Bianca fecha os olhos, pensa por um momento e só então apaga de vez as velinhas.
Todos aplaudem.
Otávio está assustado. Ele ainda não se acostumou com a quantidade de pessoas que vivem aqui em casa. Família e amigos. Então a Bia o pega no colo e ele parecer se acalmar perto da mãe.
— E para quem vai ser o primeiro pedaço? – pergunta a Gabi.
Bianca passa os olhos por todos, até encontrar os meus.
— O primeiro pedaço vai para o homem mais maravilhoso de todos. – diz ela sorrindo, me estendendo o pedaço de bolo.
Estão todos olhando.
Eu que estava afastado durante todo o tempo, observando apenas de longe, me aproximo para receber o primeiro pedaço.
— Obrigado, querida. – nós nos beijamos rapidamente.
E novamente todos aplaudem.
A Nati começa a cortar o bolo, ela sempre foi muito boa com esse tipo de coisa, e a Duda ajuda a distribui-los.
Um dos gêmeos, Tiago, com a sua namorada, Maíra, a filha adotiva da Luiza e da Nati, os dois com quase dezoito anos, servem o pessoal com bandejas cheias de copos com refrigerante ou suco.
— Oi, tio Fê. – Laura, a gêmea mais nova, me oferece alguns salgadinhos. Ela também está ajudando a servir as pessoas.
— Oi, querida. Você está bem? – dou um beijinho em seus cabelos claros e ela sorri docemente par a mim. — Não, obrigado. Não quero nada agora. Primeiro vou terminar de comer esse pedaço de bolo.
Me aproximo da rapaziada próxima a churrasqueira. E todos parecem bastante curiosos para saberem como foi a viajem.
A festa segue por muitas horas. E todos parecem se divertir por estarem reunidos. A nossa casa é como um ponto de encontro. É aqui que festejamos as principais datas do ano.
Não é uma casa tão grande para tanta gente, mas damos um jeito para que todos sejam sempre bem-vindos. Seja para um almoço mais íntimo ou uma grande festa.
Depois do bolo, dos doces e dos salgados, ainda tem o jantar.
Ajudamos a mulherada a organizar melhor o espaço, para podermos juntar as coisas e fazem uma grande mesa de jantar, porque a mesa lá de dentro ficou pequena pra tanta gente.
Sentamos todos a mesa. Os casais de frente para um para o outro com seus filhos. Até parece um jantar de natal em família.
Uma grande família, composta principalmente de amigos, que se conheceram ainda adolescentes e com o tempo se tornaram irmãos.
Por sorte está uma linda noite, iluminada pelas estrelas.
— Quem vai fazer o brinde? – pergunta o Pedro, sorrindo para todos os lados.
— Eu sugiro que seja o Felipe. – diz o Rafael, fazendo todos olharem para ele. — Já que ele é o homem da casa.
Por um momento quero matá-lo.
— Tá bom. Eu faço. – levanto-me e ergo a taça cheia de vinho. Estão todos olhando para mim, mas o Rafael é o único idiota que está segurando o riso. — Primeiro, gostaria de agradecer a todos os meus amigos por serem os melhores e por estarem sempre presentes, mesmo nos momentos de dificuldade. Vocês sempre foram muito importantes para mim! Hoje vocês são a minha família. Quero agradecer também aos meus pais e aos pais da Bianca. Se não fosse por vocês, nada disso seria possível. Em seguida, quero agradecer aos meus filhos – olho para eles e eles olham para mim sem entender nada. — eu amo muito vocês e saibam que o papai sempre estará por perto para lhes proteger de todo o mal desse mundo. Agradeço também a todos meus sobrinhos de coração: vocês são demais! E por fim, mas não menos importante, eu queria agradecer a Bianca por todos esses anos.
Ela olha para mim e eu olho de volta para ela.
Por um momento finjo que não há mais nada e ninguém em volta.
Somos só nós dois, desde o início, desde sempre.
— Você me amou mesmo quando eu ainda não te amava. Você me perdoou mesmo depois todos os meus erros. Você foi paciente mesmo quando eu não merecia. Você foi persistente, mesmo quando as coisas estavam difíceis. Você me aturou, mesmo quando eu passava dos limites. Você esteve presente, mesmo quando eu insistia em me afastar. Você acreditou em mim, mesmo quando ninguém mais acreditou. Você lutou por mim, lutou por nós, mesmo sem perceber. Você foi corajosa, mesmo quando achou que não. Você foi leal, mesmo quando tudo parecia perdido. Você foi você mesma todo o tempo, mesmo quando tentava se esconder do resto mundo, e foi então que eu te amei. Foi então que tudo mudou. Tudo em volta mudou de forma e de cor. Tudo ficou mais bonito. E tudo isso, graças a você. Porque você muito antes de mim, começou a escrever essa história e se não fosse por você esse sonho não seria real.
Eu já nem conseguia mais raciocinar direito. Estava muito emocionado e todos se emocionaram comigo também. As palavras foram saindo sem que eu nem me desse conta. Era tão fácil falar do meu amor pela Bianca. E sempre eu tinha a oportunidade, me declarava para ela, mas isso nunca parecia o bastante.
— Eu amo você, Bianca. Eu amo você mais do que tudo. – limpei as lágrima e sorri feito um idiota. — Eu amo todos vocês, pessoal. Porque vocês também fazem parte dessa linda história.
Todos se levantam e aplaudiram.
— Agora, vamos deixar as lágrimas de lado e vamos comer.
Todos riram.
E aquela foi mais uma das tantas noites especiais que já tivemos e que ainda teríamos pela frente.
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