Notas iniciais
ESTOU DE FÉRIAS! E vocês, como vão? Já estão de férias também?

Minha nossa como eu sou burra!

Eu sou burra em muitos sentidos.

Mas deixa-me explicar essa historia melhor...

1º) Porque diabos eu o beijei de volta? O que eu tinha na cabeça? Merda?

2º) E porque eu gostei tanto de ser beijada, deseja e querida por ele? Não é certo. Fui eu quem terminou essa historia.

3º e último) E porque eu não consigo parar de pensar no que aconteceu naquele elevador mesmo quando eu deveria estar me concentrando em outras coisas?

— Bia, ei. Você está bem? – Luiza pergunta, trazendo-me de volta a realidade. — Aconteceu alguma coisa?

Eu já estava pronta para desmentir, quando pensei melhor e vir que não ia adiantar muito.

Luiza me conhecia como ninguém.

— Felipe e eu nos beijamos.

— O quê?

— É, isso mesmo que você ouviu.

— Meu Deus! Mas por quê? Como? Quando?

Contei a ela tudo que aconteceu no sábado.

— Nossa! Vocês não têm jeito, sabia? – ela riu, achando graça naquilo tudo. — Vocês não consegue viver longe um do outro por muito tempo e sabem disso.

— Pode ser. – dei de ombros. — Mas não quero pensar muito nisso. Ainda estou muito confusa e perdida em relação a tudo. Vamos voltar ao trabalho, ta?

Ela estreitou os olhos.

— Não. Chega por hoje. – ela levantou-se.

— Eu pensei que eu fosse a chefe por aqui.

Luiza riu, passando uma mecha do cabelo liso e castanho para trás da orelha. Seus olhos verdes estavam calorosos.

— E se a gente saísse pra comer alguma coisa? – ela sugeriu.

— Sabe de uma coisa? – levantei-me também, sorrindo. — Você tem razão. Eu estou faminta!

Peguei meu casaco verde de lã e minha bolsa.

Já estava de noite e fazia muito frio lá fora.

Optamos por um restaurante japonês ali não muito longe, onde poderíamos ir de pé mesmo. Era um lugar simples e pequeno, porém muito movimentado.

— Sabe, você nunca me contou porque de fato terminou com o Felipe. – comentou a Luiza ao sentarmos. — Claro, além das brigas constantes e desentendimentos.

Na verdade, eu não havia comentando com ninguém que além de tudo isso, havia a descoberta de que o Felipe andava me traindo com uma aluna da faculdade.

Eu tinha vergonha daquele episodio.

— Eu não consigo mais confiar nele. – digo, novamente sem muitas opções. Eu jamais conseguiria mentir para a Luiza. — Descobri que ele estava de caso com um aluna.

— Não acredito! – Luiza pareceu tão chocada quanto eu quando descobri a verdade. — É sério isso? Nunca pensei que o Felipe fosse capaz de algo assim. Ele foi sempre tão certinho, honesto, sincero...

— Pois é. – torci os lábios. — Às vezes as melhores pessoas escondem secretos terríveis.

Como minha chateação por tocar no assunto era evidente, Luiza rapidamente mudou de assunto e passou a falar da viagem que ela e a Nati estava programando para o feriado. Como se isso não fizesse me sentir ainda pior, por não ter mais ninguém para compartilhar bons momentos.

Meu celular tocou, interrompendo nossa conversa. Mas diferentemente do que eu esperava, não era o Danilo. Fazia um tempão que ele insistia em querer falar comigo, mas eu sempre ignorava. Não queria falar com ele nem tão cedo!

Era só a minha prima.

— Bia! Oi. Como você está, prima?

Conversamos por alguns minutos, enquanto a Luiza sentada a minha frente já devorava tudo que havíamos pedido para comer. Por fim, a Duda desligou. Mas não antes de fazer um convite.

— Queria que você, a Luiza e a Natália viessem me visitar no final de semana. Estou pensando em fazer um chá de bebê.

Putz!

Eu havia me esquecido completamente no meu mais novo priminho.

— Claro! Nós vamos sim. Pode deixar.

Ela disse o horário e desligou.

— Temos compromisso para esse final de semana.

— Ah, é? – Luiza se interessou. — E o que seria?

— O chá de bebê da Duda.

— Nossa! É mesmo. Ela está grávida.

Nós rimos juntas, pois pelo visto ambas tínhamos nos esquecido desse pequeno detalhe.

O resto da semana até que passo bem rapidinho, devido a uma viagem de trabalho que fiz para o Rio de Janeiro.

No sábado, acordei cedinho e telefonei para a Lídia – uma antiga empregada domestica da família – para cuidar da casa pra mim aquele dia porque estava mesmo precisando de um faxina e aproveitei para perguntar se ela não podia ficar de olho no Toddy pra mim aquele final de semana.

Não queria que ele ficasse sozinho.

Desde que o Felipe se foi, precisei ficar longe de casa por uma ou duas vezes e todas elas eu deixei o Toddy com a Luiza e a Natália. Detestava ter que deixa-lo sozinho por muito tempo. Sabia que não era justo com ele. Coitadinho.

Enquanto a Lídia dava um jeito nas coisas, fui tomar meu banho. Depois, passei um bom tempo olhando para o meu closet, tentando me decidir que roupa eu usaria para o chá de bebê da minha prima.

Optei por uma calça de cintura alta, uma blusinha mais soltinha branca sem estampas, meu blazer floral e sapatilhas. Peguei minha maior bolsa e enfiei tudo dentro dela.

Os cabelos úmidos eu os prendi em um coque alto com alguns fiozinhos soltos na lateral da cabeça. Sabia que quando ele secasse e eu o soltasse ele ficaria com umas ondas incríveis.

Fiz uma make básica com tons mais neutros e por fim passei um pouco do meu protetor solar e perfume.

Lá em baixo me despedi do Toddy, da Lídia e peguei as chaves do carro.

Estava de saída.

Fiquei de pegar as meninas na casa delas.

Luiza estava usando uma calça Flare verde daquelas com a boca mais larga que acentuava a cor dos seus olhos, uma blusinha clara que deixava seus ombros à mostra e uma sandália aberta de salto mediano. Os cabelos castanhos estavam soltos e esvoaçantes e ela dispensou o uso de maquiagem.

Já a Nati optou por um vestidinho escuro com estampas minúsculas, meia-calça também escura com uma tonalidade parecida com a do vestido, botinhas e uma jaqueta preta. O cabelo vermelho estava solto e parecia mais vivo

Luiza sentou-se ao meu lado e a Nati ficou atrás.

E lá fomos dois.

Cantarolamos o caminho todo até o interior, onde a minha prima mora atualmente, desde o falecimento do meu tio.

Chegamos lá no comecinho da tarde e a festinha já tinha começado. A decoração foi feita dentro do salão de festas e estava uma graça, com cor-de-rosa e azul bebê por toda parte.

Ou a minha prima e Pedro ainda não sabiam o sexo do bebê ou eles optaram por não saber dessa vez.

Apesar do céu está nublado e um tempo um tanto friozinho, o pessoal estava do lado de fora, espalhado pelo jardim, bebendo, comendo e conversando.

De longe avistei a Gabi, o Rafa, o Pedro e o Felipe em um canto. Assim que viram também, as meninas foram logo se aproximando para os cumprimentar.

Eu fiquei parada ali, sem saber o que fazer.

Já deveria ter imaginado que o Felipe estaria aqui também, afinal, nós sempre tivemos os mesmo amigos. Mas confesso que eu não estava preparada para reencontra-lo depois da conversa que tivemos e do beijo que rolou no elevador.

— Finalmente você chegou! – A Duda se aproximou para me abraçar antes mesmo que eu pudesse dar o próximo passo.

— Oi! Como você está? – olhei para ela, admirada. Maria Eduarda só ficava ainda mais linda com o passar do tempo.

Hoje, nesse dia especial, ela estava usando um vestido longo de grávida simples e fofo todo branco. E uma rasteirinha dourada. Seus cabelos loiros estavam ondulados e seus olhos cinza destacados pela maquiagem simples escolhida para a ocasião. E nossa! Como a barriginha dela tinha crescido desde a última vez em que nos vimos.

— Estou ótima! Melhor agora que você chegou. – ela deu um beijo estralado na minha bochecha.

Entreguei o presente que eu havia comprado para ela.

— Tia Bia! – os gêmeos vieram correndo para me abraçar também assim que me viram.

— Nossa, você está linda! – comentou a Laurinha, sorridente.

— É mesmo! O tio Felipe tem muita sorte. – acresceu o Tiago com o mesmo sorriso da irmã.

Fiquei sem graça.

Eu tinha um carinho muito especial pelos dois e achava um máximo quando eles me chamavam de tia, apesar de sermos primos, afinal, eu nunca teria um sobrinho de verdade, já que não tinha irmãos. Mas teriam muitos sobrinhos de consideração e isso já era o bastante para mim.

— Crianças, levem o presentinho do irmãozinho de você lá pra dentro. Ah, aproveitem e aguardem a bolsa da tia Bia. – pediu ela, entregando o presente e a minha bolsa a eles.— Me desculpe por eles.

Eu sabia exatamente o que ela quis dizer com aquilo. Estava se desculpando pelo comentário do filho. Apesar de ter ficado super sem graça, eu não dei muita importância. Afinal, eles são crianças e não entendem tudo sobre o mundo dos adultos.

— Tudo bem, não tem problema. Eles não entenderiam. – soltei um risinho.

— É verdade. Mas eu tenho uma preocupação: tudo bem pra você estar aqui não é? – ela olhou para além de mim, na direção onde estava o Felipe e o resto da turma.

— Tudo bem, Duda. – coloquei a mão em seu ombro. — Não se preocupe. Eu estou bem. Vai ficar tudo bem.

Pisquei pra ela, que retribuiu com um sorriso.

Juntas caminhamos até o resto do pessoal, o que seria inevitável, uma hora ou outra.

— Oi, pessoal. – cumprimentei a todos, assim, de longe mesmo. Com um sorriso. Porque se eu fosse sair por aí distribuindo beijos e abraços não teria como pular o Felipe sem parecer tão grosseira.

O que as pessoas pensariam de mim?

Que eu não ainda não tinha o superado?

Se bem que pensando melhor... Eu não o tinha superado ainda. E muito provavelmente nunca superaria.

Pedro me ofereceu uma bebida. Educado como sempre. Ele também estava muito bonito, com uma camisa cinza, calça jeans e sapatos social. Era evidente que tinha cortado os cabelos negros recentemente, mas olhos verdes intenso continuavam iguais.

A Gabi me cutucou, enquanto os demais conversavam, e perguntou como estavam as coisas. Dei de ombros e disse que estava tudo normal, sem nenhuma novidade.

Ela estava usando um vestido preto e botinhas, além de uma jaquetinha jeans. Os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo e os olhos de cores indecifráveis destacados pela maquiagem escura que já era a marca registrada dela.

Fiquei calada durante muito tempo, apenas bebendo minha cerveja e observando o pessoal conversando sobre muitas coisas ao mesmo tempo. Fazia tempo em que não ficávamos assim, todos juntos, como nos velhos tempos.

Tentei ao máximo evitar olhar para o Felipe que estava bem na minha frente, também muito calado com sua cerveja na mão. Mas sempre que nossos olhares acidentalmente se encontravam, ele sorria de maneira singela. O que causava em mim alguns arrepios estranhos.

— Com licença – pedi ao pessoal, aproveitando a deixa para me retirar. — vou dar uma beliscada naqueles petiscos ali.

Enquanto me aproximava da mesa de docinhos, senti alguém se aproximar com passos largos. Fechei os olhos por um segundo e rezei para que não fosse o Felipe.

Mas era só o Rafael, passando os braços em volta dos meus ombros e se juntando a mim.

— Você vai adorar esse aqui todo coloridinho – ele apontou com a mão livre e no mesma hora eu vi o anel.

— Você está noivo? – perguntei, surpresa. Olhando para ele.

Rafael soltou um risinho sem graça.

— Estou. Mas não faz muito tempo. Pensei que você já soubesse.

— Não, eu não sabia...

Estava muito chocada para dizer qualquer outra coisa.

— Não se preocupe. Eu não estou doido. Ou devo dizer que sim? — ele me fez rir. — Acontece que eu finalmente me dei conta de que pertenço à única mulher.

Com as mãos nos meus ombros ele me virou em outra direção. E meus olhos foram parar direto na Gabi.

— Não acredito! – meu queixo quase caiu. — Meu Deus! Isso é incrível. Então você finalmente...? Minha nossa, Rafa! – não resisti ao impulso de abraça-lo bem apertado. — Meus parabéns, seu cretino! Finalmente tomou vergonha na cara.

Confesso que bem lá no fundo eu estava com certa invejinha.

— E quando vai ser o casamento? – perguntei, ao me afastar. Olhava para ele com um sorriso enorme no rosto.

Ele coçou a cabeça, também sorrindo.

— Em breve.

Ficamos conversando mais um pouquinho por ali, enquanto devorávamos a mesa de docinho feito duas crianças famintas.

Depois de um tempo o Rafa se retirou e se juntou a Gabi. Eles se abraçaram e trocaram beijinhos rápidos.

Tão fofos! Tão apaixonados!

Tentei não ficar olhando muito para eles não perceberem que eu estava com dor de cotovelo.

Olhei para os lados e vi a Nati dançando com a Luiza rodeadas de crianças na improvisada pista de dança. Vi o Pedro cumprimento um três caras que tinha acabando de chegar com mais presentes. Vi a Duda dar uma bronca nos gêmeos que não paravam de correr de um lado para o outro e vi também o Felipe, sozinho em um canto, ainda com sua cerveja na mão.

Ele estava olhando para mim.

Imediatamente virei-me para o outro lado, totalmente perdida e sem graça.

A festa seguiu normalmente. O céu aos poucos começou a escurecer e lá fora começou a ficar mais friozinho.

Houve um momento em que a Duda chamou a mulherada toda para ir lá dentro, em seu quarto, pois ela iria abrir os presentes. Fui junto. Estava animada para saber o que tanto ela tinha ganhado.

Eu adorava ver coisinha de bebê.

Havia milhares de coisas espalhada pela grande cama. Muitas fraldas e roupinhas em cores neutras. Era tudo tão fofinho, delicado. E o cheirinho de neném? Era ótimo.

Ah, eu queria tanto ter um bebê também.

De repente comecei a me sentir muito sufocada ali. A mulherada estava toda enfornada naquele quarto, falando sobre filhos os quais eu não tinha e dando risada ao relembrarem história do passado com seus bebês.

Comecei a me sentir muito mal e resolvi sair dali para respirar melhor.

Mas antes que eu pudesse chegar até o topo da escada, comecei a me sentir verdadeiramente mal. Tudo ficou escuro e eu fechei os olhos. Sentindo-me muito tonta e enjoada.

Talvez eu tivesse comido docinhos demais lá em baixo na festa. Ultimamente eu vinha comendo muito doce, achava que isso fosse devido à tensão dos últimos dias. Muito trabalho, muita dedicação aos meus compromissos, à solidão em casa, a falta do Felipe... Eu não tinha muitas opções além de sair comendo por aí feito uma desesperada. Coisa que não era do meu feitio.

Corri para o banheiro mais próximo com a mão na boca. Não tive nem tempo de trancar a porta. Simplesmente me agachei e coloquei tudo pra fora.

— Bianca? – ouvi uma voz se aproximar. E não era uma voz qualquer não. Como eu sou azarada, era nada mais nada menos que o Felipe. — O que você está fazendo aqui?

Não precisei nem responder. Minha situação estava muito clara para qualquer pessoa que visse naquele estado.

Eu estava coberta de vergonha por ter sido flagrada por ele, mas não era a primeira vez que isso acontecia. Só que dessa vez eu tinha uma explicação descente. Não era como se eu tivesse forçado o vomito como no passado, quando eu sofria de transtornos alimentares.

— Você está bem? – ele correu para me ajudar a levantar do piso frio do banheiro. — Não vai me dizer que...?

— Não! Claro que não. – levantei após a ajuda dele. Fui até a pia sem conseguir olhar pra ele e enxaguei a boca, tirando aquele gosto horrível. — Eu só me senti um pouco mal...

Vi através do espelho que pelo jeito que ele me olhava não dava pra saber se ele acreditava em mim ou não. Mas o Felipe resolveu me dar um voto de confiança naquele momento.

— Você se sente melhor agora? – perguntou ele, com a mão nas minhas costas. — Quer que eu pegue pra você algum remédio? Ou água? Quer sair daqui? Respirar um pouco lá fora?

Ele estava sendo muito gentil comigo.

Mas eu também não poderia esperar nada muito diferente vindo dele.

— Obrigada, mas... Não. Eu estou melhor. – forço um sorriso. — Não se preocupe.

Tento passar por ele, tento me afastar. Não consigo ficar sozinha com ele por muito tempo em um ambiente pequeno e fechado como aquele banheiro. A tensão do nosso encontro é demais para eu suportar.

Sinto que quando ele estar por perto, eu não posso controlar aos meus impulsos.

Por mais que ele não tivesse aberto espaço, passei por ele rapidamente, tentando não encostar nenhum milímetro do meu corpo no dele para não dificultar as coisas.

Sigo pelo corredor.

— Ei, espera. – ele corre atrás de mim e me puxa pelo braço antes que eu alcance as escadas.

Viro-me para ele mesmo contra minha vontade e tento olha-lo dentro dos olhos com um cara de poucos amigos pra ver se o assusto e tento deixar claro que não estou a fim de uma conversa.

— Desculpa se eu estou sendo um pouco insistente e chato – começou ele, ainda tocando meu braço e deixando aquela parte da minha pele mais quente. — mas eu só queria saber se o Toddy está melhor.

— Não. Ele continua na mesma. Parece bem triste. Mas não se preocupe. Marquei uma consulta para ele no veterinário semana que vem. Certamente um bom profissional saberá me dizer o que eu posso fazer numa situação com essa.

— Talvez você devesse...

Não escutei o que ele tinha para dizer, pois a Luiza apareceu naquele exato momento a minha procura.

— Ei, Bianca – ela gritou no final do corredor. — A Duda quer falar com você.

— O.K. Já estou indo.

Ela assentiu e voltou para dentro do quarto, onde mesmo de longe podíamos ouvir a conversa alta da mulherada.

— Então, eu tenho que ir.

— Tá, tudo bem... Podemos conversar sobre isso depois.

— Não, não podemos – rebati. — Felipe, você não entende.

— Não entendo o quê?

Ele me olhava intrigado.

— Que isso também está sendo difícil pra mim...

— Ah, é? – ele riu, todo sarcástico. — Não parece.

Não estava acreditando que ele não estava me levando a sério.

— Porque você acha que vivo fugindo de você?

Ele pensou a respeito.

— Porque você ainda me ama? Porque você ainda me quer? Só é orgulhosa o bastante para admitir isso. Bianca, não precisa mentir, não adianta dizer que não. Fomos feito para ficar juntos! Eu vejo nos seus olhos que você ainda sente tudo aquilo por mim. E é por isso que você foge de mim.

Ele me conhecia tão bem!

Mas se tudo que ele disse fosse verdade, então porque ele me trocou por outra quando as coisas começaram a apertar entre nós?

Isso me incomodou de certa forma, porque como eu bem já disse antes: ainda não estou preparada para lidar com isso. Não me parece certo. Ainda é cedo demais. Eu nem sei se estou preparada para um recomeço. Eu nem sei se ainda tenho forças para lutar. E há tantas duvidas, tantos receios e medos...

Não posso simplesmente ignorar a tudo isso e fazer o que tenho vontade: atirar-me nos braços dele e dizer que sim, eu ainda o amo muito. Mas e as brigas? E a traição? Não posso esquecer isso assim de uma hora pra outra.

— Eu tenho que ir. – digo, indo em direção ao quarto da minha prima. Onde eu estava até pouco tempo atrás.

— Você não pode fugir pra sempre de mim! – ele disse alto. — Você não pode ignorar esses sentimentos pra sempre! Saiba que eu não vou desistir de você, não vou desistir da gente.

Apesar da insistência dele tornar tudo ainda mais difícil, uma parte de mim, aquela que ainda acredita, aquela que tem fé, a parte romântica, a parte sensível e emocional, não quer que ele desista e continue a insistir em nós, porque talvez só assim eu consiga tomar uma decisão de retomarmos esse relacionamento e dessa vez fazer as coisas direito.

Sem brigas, sem desconfiança...

Mas será mesmo que isso ainda é possível?

Notas finais
O próximo capítulo é BEM intenso.