Planos e Promessas
15 Bianca.
Notas iniciais

Ao amanhecer, fomos direto para a banheira.
Sentei entre suas pernas, enquanto ele passava a mão cheia de sabão por minhas costas e braços. Virei-me para trás uma vez e outra para lhe dar um beijo, enquanto ele sorria maravilhado com o quanto as coisas estavam ainda melhores entre nós após a noite intensa de ontem.
Eu, particularmente, ainda não consigo acreditar que de fato tínhamos ido tão longe, depois desse tempo todo. Mas aconteceu. E agora, quando eu paro pra pensar a respeito, sinto meu corpo todo se arrepiar com tais pensamentos.
— Tive uma ideia. – comentou ele, ajudando-me a sair da banheira, após quase uma hora. — Porque não vamos passar uma tarde no parque? Poderíamos levar o Toddy para passear.
— Eu acho uma ideia ótima. – sorri, permitindo que ele cobrisse meu corpo nu com o roupão brando pendurado atrás da porta. — O Toddy vai amar.
Não só ele como eu também. Íamos tanto ao parque quando éramos mais jovens!
Ainda encantada com tudo, aproximei-me do Felipe e enlace pela cintura, aproximando-nos para um beijo caloroso.
Com as mãos em minhas costas ele me apertou de encontro ao seu peito molhado, retribuindo a mesma intensidade do meu beijo.
Sem que eu nem percebesse, ele abriu a porta do banheiro e me levou – com a boca colada na minha – até a cama, onde eu caí com ele por cima de mim. Soltei um riso e continuei a beija-lo, sentindo suas mãos invadirem o meu roupão para tocar a minha pele exposta.
Fizemos amor pela ultima vez aquela manhã, depois de arrumados nós finalmente descemos para tomar café da manhã juntos. Abraçados, porque não queríamos mais nos separar.
Felipe preparou torradas e eu o suco de goiaba.
Após encher o potinho do Toddy com ração, nós nos sentamos à mesa e saboreamos nosso café da manhã.
Um tempo depois, enquanto o Felipe procura a coleira do Toddy, eu preparei uma cesta cheia de besteirinhas pra gente comer no parque quando a fome batesse.
Lá em cima no quarto eu calcei meu All Star cor-de-rosa um tanto sujinho. Já estava usando shortinho jeans todo rasgadinho e uma camisetinha de cor cinza simples, com uma estampa da Margarida, namorada do Pato Donald.
Peguei uma bolsinha pequena antes de sair e me encontrar com o Fê e o Toddy lá em baixo, na garagem, esperando por mim.
Fomos de carro até o Parque Ibirapuera.
Demorou um pouquinho, mas logo achamos um lugar mais reservado entre as arvores, onde havia bastante sombra. Foi onde nos sentamos perto de uma arvore.
Toddy olhava para nós, todo animado, com os olhinhos implorando para sair correndo livremente por aí. Quando ele fazia aquela carinha, não tínhamos como resistir. Então o Fê o soltou da coleira e ele imediatamente saiu correndo e pulando pelos arredores, feliz da vida.
O Toddy é bem comportadinho e nós nem precisamos ensinar tudo a ele, ele simplesmente já entendia que não poderia ir pra muito longe. Então ele corria e depois voltava e olhava diretamente para nós, como se perguntasse se nós tínhamos visto. Depois ele se deitava da grama, rolava e tirava um cochilo, para dali dois minutos voltar a correr e farejar o parque.
— Como você está se sentindo? – perguntou o Fê, passando a mão na minha bochecha bem devargazinho.
— Estou muito contente. – sorri, procurando por sua mão livre para entrelaçar nossos dedos.
Ele a apertou de volta assim que me sentiu me aproximar.
— E você? – perguntei, virando-me para olhar melhor para ele. Felipe também sorria daquele jeito bobo todo dele.
— Acho que estou muito apaixonado por você. – ele confessou, passando os lábios pela minha orelha e me fazendo arrepiar.
— Só acha? – brinquei, rindo. Não só para fazer graça, mas também porque ele estava me provocando e nada eu poderia fazer com tanta gente ao redor.
Afinal, não éramos os únicos naquele imenso parque.
— Não, não. Desculpe. – ele riu também, afastando-se. — Na verdade, eu tenho certeza de que estou muito apaixonado por você. – dito isso, ele puxou meu queixo e me beijou docemente.
Beijamo-nos por um tempo que pareceu ser infinito.
Mais tarde, após tanta troca de mimos, nós resolvemos comer algo. Eu tinha trazido alguns sanduíches, mas o Fê fez questão de ir comprar um refrigerante pra gente. Porque de fato estava fazendo muito calor.
Eu fiquei ali sozinha com o Toddy, olhando em volta e observando o movimento. Famílias unidas fazendo piqueniques, crianças andando de bicicleta com os amiguinhos, adolescentes jogando bola, casais namorando, pessoas correndo com seus cachorros e garotas em grupo, caminhando.
Felipe voltou rapidinho e sentou-se pertinho de mim. Foi então que começamos a comer, com o Toddy olhando pra gente, com um carinha de pidão. Nós rimos e demos alguns pedacinhos a ele, para ele não ficar com vontade.
Já de barriga cheia, minutos depois, Felipe e eu deitamos no gramado de mãos dadas e começamos a fitar o céu cheio de nuvens. Cada nuvem formando um desenho diferente. Riamos muito disso no passado, quando cada um conseguia enxergar uma coisa diferente que o outro não via.
Felipe se virou para mim, calado, como se estivéssemos em nossa cama e ficou assim, apenas me olhando com aquela carinha fofa de sonhador. Apesar de ter ficado um tanto constrangida, eu também me virei e passei a olhar para ele também, analisando os traços másculos de seu rosto.
Ele começou a desenhar círculos imaginários na minha bochecha.
E eu passei a fazer carinho em suas costas, mesmo por cima da camiseta branca.
— Nós fizemos tantos planos ao longo do tempo, tantas promessas que eu já nem lembro mais de todas elas. – dizia ele, ainda olhando pra mim. — Nem sei como ou quando as coisas começaram a ficar estranhas entre a gente.
— Pois eu sei. – interrompo, aproveitando a oportunidade para também falar. — Já tínhamos um ao outro. Sempre tivemos. Mas sempre faltaram tantas coisas, tantas conquistas e tantos sonhos, queríamos muito aquilo, nos focamos muito no trabalho, em nossas carreiras e nos nossos sonhos, nos mantivemos tão ocupados que em algum momento acabamos nos perdendo um do outro pelo caminho.
— É, foi isso mesmo. – ele suspirou, parecendo levemente chateado consigo mesmo. — Tínhamos todo o direito do mundo em querer mais, em ir além, em correr atrás dos nossos sonhos. Mas deveríamos ter feito isso da forma certa e não de qualquer jeito. Não nos esquecendo do mais importante: o nosso amor.
— Mas eu quero que você saiba que nem por um momento, nem em meio a tantas coisas, eu nunca, nem por um segundo, deixei de amar você, viu? – me aproximei, para abraça-lo. Meus olhos cheios de lágrimas que eu não podia controlar. Estava emocionada. Triste e feliz. — Nosso amor sempre foi o mais importante pra mim. Sempre. Eu só o deixei de lado enquanto me mantive focada em outras coisas importantes pra mim.
— Tudo bem. Não se preocupe. – ele sorriu, fraco. Abraçando-me de volta. — Eu acredito em você. Eu também sempre te amei, sempre te desejei, sempre te quis por perto, mesmo quando a minha mente estava focada em coisas. Esse sentimento nunca mundo, nem mesmo quando eu te deixei aqui para ir tentar ganhar a vida em outro país.
As lágrimas escaparam de meus olhos, e o Felipe as enxugou carinhosamente. Depois voltou a me abraçar e por fim, me beijou, como se quisesse dar um basta naquilo.
Nunca mais voltaríamos a cometer os mesmo erros.
Já tínhamos aprendido a lição.
Quando nos levantamos para nos sentar, ele arrumou meu cabelo, afastando-o do meu corpo. Depois ele me olhou, fez uma careta, me fazendo sorrir.
Eu já estava bem melhor, mais leve.
Meus olhos se movimentaram em outra direção e flagraram o momento em que um grupo de garotas olhava para nós. Não eram exatamente garotas, deveriam ter mais ou menos a nossa idade. Só um pouco mais novas. Elas não estavam nem tão perto, nem tão longe. Eram quatro. Três davam risada de algo particular entre elas e a outra olhava diretamente para nós, para mim. De um jeito muito assustador e intrigante.
Olhei para ela de volta, com a testa franzida, tentando reconhecer de onde eu a conhecia. Mas ela não me era nenhum pouco familiar, com aquela morena bronzeada, os cabelos escuro e volumosos cheio de mechas loiras e aqueles olhos pretos...
— O que foi? – perguntou o Felipe, curioso.
Eu ia perguntar a ele se ele a reconhecia de algum lugar, o que era bem provável, já que ele conhecia bem mais pessoas do que eu na universidade que trabalhava. Mas quando eu abri a boca, elas desapareceram de vista, como se nunca tivessem existido.
— Nada, não. Deixa pra lá. – eu sorri, voltando-me para ele.
— Então, vamos dar uma volta? – ele se levantou com a coleira do Toddy em mãos. Com a mão livre ele me ajudou a levantar. Toddy, não muito longe dali, veio correndo até nós. — Ei garotão, vamos dar uma voltinha antes de irmos?
Caminhamos por todo parque de mãos dadas, com o Toddy sempre à frente, preso a coleira. Temos a volta no parque e só paramos mesmo para beber uma água de coco perto do lago, onde havia vários gansos e patos.
O sol já estava se pondo quando voltamos para casa.
Eu subi para tomar um banho, enquanto o Fê ficou lá em baixo retirando as coisas da cesta e colocando de volta nos armários. Tomei um banho rápido e vesti meu pijama. Amarrei meus cabelos e calcei chinelos.
Lá em baixo dei de cara com uma visita inesperada: Pedro e Rafael.
Surpresa, aproximei-me para cumprimenta-los.
Fazia um tempo em que eu não via o Rafa, agora bem mais alto e fortão. Com seus típicos cabelos ondulados castanhos e os olhos verde escuro. O Pedro estava sozinho, sem a mulher, que por sinal é minha prima, e ele nunca mudou. Continua magro, alto, com os cabelos lisos pretinhos e os olhos verdes claro.
— E o que vocês fazem aqui? – perguntei, animada. Olhando para meus dois velhos amigos.
— Viemos resgatar esse garotinho aqui. – disse o Rafa, passando o braço por cima do ombro do Fê. — Você deixa, não deixa? Não seja má. Só vamos dar uma voltinha. Você sabe como é, coisas de homem.
Eu ri.
— Hm, tudo bem. Vão. Mas tomem cuidado, viu? Eu estou de olho em vocês. Não aprontem, ou vão pagar caro por isso.
Eles riram e se foram, arrastando o meu homem junto.
Apesar de tudo, não fiquei aborrecida. O Fê estava mesmo precisando de uma folga, assim como eu. Que me esparramei no sofá com o Toddy com um balde de pipoca e coloquei um filme menininha para assistir.
Depois que o filme acabou por volta das nove da noite, resolvi ir até a cozinha preparar algo para jantar. Eu estava meio sem opções e criatividade, então apenas fritei um bife e preparei um arroz. Jantei sozinha de frente pra tevê, assistindo a uma novela qualquer.
Comecei a ficar com sono depois de comer, mas faria questão de esperar o Fê chegar para irmos juntos para cama depois de ele me contar tudo que acontecera.
Acabei cochilando por uns vinte minutos, até um dos telefones começar a tocar. Era o do Fê, que ele tinha esquecido em casa. Mas bem que poderia se o Rafa ligando para dar notícias. Rezei para que nada de ruim tivesse acontecido a nenhum deles.
Mas felizmente, ou infelizmente, não era nenhum dos dois. Era uma voz bastante diferente, de um numero desconhecido.
— Quem está falando? – perguntei, intrigada.
— Uma amiga do Fê. Será que posso falar com ele?
Ah, não. Essa historinha de novo não.
Felipe e eu já tínhamos brigado e conversado sobre aquilo.
— Não, não pode. Ele saiu e não tem hora pra voltar. – digo, sendo bastante rude.
— Ah, que pena. Mas já que ele não está. Pode ser com você mesma. – ela soltou um risinho.
— Tá, então pode falar. Estou ouvindo. – pedi, um tanto irritada.
Não estava com paciência para esse tipo de coisas, onde uma pessoa nem se identifica.
— Você por acaso é a mulher dele? – perguntou a outra voz.
— Sim, sou. E você quem é?
— Além de uma grande amiga dele? Sou sua aluna também.
Minha mente começou a processar rápido, ligando os pontos. Então me dei conta de uma coisa.
— Você era a garota no parque, não era?
— Sim, eu mesma. Por quê?
E a mesma pessoa da outra vez.
— Nada não. Eu só queria saber mesmo porque você não para de ligar para ele. Você é só uma aluna...
— Como eu te disse anteriormente, eu sou aluna dele. Mas não significa que eu seja só isso. – ela riu. — Eu sou muitas coisas, basta o Felipe dizer qual ele prefere mais.
Aquilo foi demais pra mim.
— Qual é o seu nome, hein? O Felipe é casado, sabia? Você tem quantos anos? Dezoito? Não deveria estar se relacionamento com garotos da sua idade?
— Acontece que – a voz dela tinha um pinguinho de divertimento, com certeza ela estava curtindo com a minha cara. E estava funcionando, porque eu estava muito nervosa. — eu prefiro homens mais velhos e maduros. E o Fê é sempre tão maravilhoso comigo...
Ouvir ela o chamar de “Fê”, o apelido carinhoso pelo qual eu chamava, fez meus nervos ferverem. Se ela tivesse agora aqui, bem na minha frente, eu teria voado no pescoço dela.
— Você nem imagina as coisas que nós fazemos juntos. – ela continuou, provocando-me. — Ele me diz tantas coisas. E uma delas é que eu sou muito especial e importante, especialmente quando vocês dois brigam e ele fica todo tristezinho...
— Cala a boca, sua vagabunda! – gritei. — Você está mentindo, eu sei. Nada disso é verdade. Você é só mais uma criança, iludida com a ideia de que algum dia terá alguma coisa com seu professor.
— Não, querida. Eu não sou criança coisa nenhum.a – ela ria diabolicamente. — Pelo menos não é isso que o Fê diz quando nós... Quer saber? Se você acha que eu estou mesmo mentindo, venha amanhã, as seis da tarde, depois do fim da aula. Venha ver com seus próprios olhos...
— Chega! – gritei de novo, impedindo-a de continuar. — Não quero ouvir mais nenhuma palavra que venha de sua boca imunda. – então desliguei o celular, atirando o no sofá.
Eu estava tão nervosa que as minhas mãos tremiam. Me arrastei até o sofá, antes que eu tivesse um troço e massageei minhas têmporas, sentindo pontadas fortes na minha cabeça.
Eu queria gritar, queria chorar, mas antes que eu pudesse me decidir o que fazer, o Felipe chegou, todo risonho.
Seu sorriso desapareceu quando ele me viu.
— Ei, o que aconteceu? – ele correu até mim, se ajoelhando em minha frente. — Você está bem?
Pensei seriamente se deveria jogar tudo o que tinha acontecido na cara de mentirosa dele ou não. Mas não seria justo. Não se a vadiazinha que estive mentindo pra mim. E eu não queria mais brigar com ele, mas também não poderia conviver com essa duvida. Poderia muito bem perguntar a ele, mas eu já imaginava qual seria as respostas, além de ele ficar furioso comigo por eu duvidar dele. Então tive uma ideia: eu iria sim amanhã fazer uma visitinha a ele na faculdade e tirar essa história a limpo.
— Não é nada. Eu só estou com um pouco de dor de cabeça. – não menti. — Eu preciso dormir...
— Primeiro vamos tomar um remédio e depois você descansa. – ele me ajudou a ir até a cozinha, onde estava a nossa caixinha de remédios.
Tomei um comprimido e depois subi para o quarto, com ele ainda ao lado, ajudando-me, mostrando-se carinhoso e prestativo, como sempre.
Olhando assim, ninguém nunca duvidaria de sua integridade. Mas era difícil pensar em tudo isso, após aquela maldita garota ter me dito tantas barbaridades.
Tentei dormir enquanto ele tomava banho. Mas eu não estava muito bem, de fato. Custei a pegar no sono. Só consegui mesmo dormir quando o Fê se juntou a mim, abraçando-me por trás.
Segunda-feira de manhã: dia de acordar cedo para ir ao trabalho.
Eu desejei com todas minhas forças que a noite passada tivesse sido apenas um pesadelo. Mas não foi. Voltei a pensar em tudo aquilo enquanto tomava o meu café com o Felipe antes de sairmos, cada um para o seu lado.
Ele continuou igual, me tratando com amor e carinho durante toda manhã. Ele não sabia de nada do que tinha acontecido e nem saberia, dependendo de mim.
E eu só conseguia ficar calada, ouvindo ele relatar brevemente como tinha sido noite passada no barzinho com os meninos, enquanto forçava um sorrisinho. Quando na verdade, não conseguia pensar em nada além de tudo que tinha ouvido ontem.
Passei o resto do dia dispersa no trabalho. Luiza estranhou, mas não perguntou nada. Eu também não estava a fim de conversar, apenas trabalhar. Coisa que eu não fazia há muito tempo, devido aos últimos acontecimentos em minha vida.
— Vou sair mais cedo hoje. – disse, já pegando minha bolsa. Por volta das cinco e dez da tarde. — Tenho coisas importantes a resolver.
Fiz tudo que tinha pra fazer durante o comecinho da tarde, por isso eu poderia sair tranquilamente agora, deixando o restante para amanhã, quando tudo já estivesse resolvido e aquilo não passasse de uma brincadeira de mal gosto de uma das alunas do Felipe.
Fui de carro até onde ele trabalhava. Seria uma surpresinha. Em parte, porque se tudo fosse mentira, eu queria que ele ficasse feliz com o meu gesto. Por outro lado, se fosse tudo verdade, eu estaria pronta para flagra-los.
Fiquei dentro do carro, parada pelos próximos minutos. Apenas esperando o momento certo. Havia mandado uma mensagem de texto para ele minutos atrás, perguntando se ele ficaria trabalhando até mais tarde. A resposta fora não.
Nem se quer liguei o som, meus pensamentos já eram altos o suficientes para me deixar louca pelos próximos minutos de espera. Felipe estava demorando. E aquilo só me deixava cada vez mais aflita.
As seis e quinze ele apareceu com sua pastinha de trabalho em mãos. Todo charmoso com seu jeans escuro, uma camisa jeans e sapatos. Estava sozinho, o que era um bom sinal. E sorrindo, indo em direção ao estacionamento.
Vi algumas garotas passar por ele, acenando em despedida. Mas não suspeitei de nenhum delas. Porque também tinha muito garotos, sinal de que ele era bastante adorado por ali.
Comecei a me sentir um pouco patética por ter suspeitado do meu namorado. Aquilo não era sério. Eu estava pirando. Felipe jamais teria um caso com uma aluna. Até porque aquilo também era ilegal. E não parecia do feitio dele.
Foi então que eu vi o que mais temia ver. Uma morena alta de aproximar com um vestidinho justo e um sorrisinho insinuante. Quando o Felipe se virou e a viu, fez um cara de quem não tinha gostado. Mas talvez fosse só porque ali, em meio a tanta gente, eles corriam perigo de serem flagrados.
Eu observava toda a cena de longe, do outro lado da rua, dentro do meu carro, e pela janela.
Ela disse algo, que ele não deu a mínima. Ela riu, ele fez uma careta. Ela se inclinou em sua direção, para dizer algo em seu ouvido. Ele permitiu. Ela riu ao se afastar, e ele balançou a cabeça negativamente.
Felipe virou as costas para continuar seu caminho, mas ela o puxou novamente pelo braço. Ele disse algo ela que eu não pude escutar. Ela fez beicinho. Ainda sorrindo ela o provocou, passando a mão por seu peito, através da camiseta.
Ele pareceu não gostar, mas talvez fosse só o medo de que todos descobrissem seu grande segredo: um caso com uma aluna. Ele disse algo a ela, segurando seu braço para impedi-la de continuar com aquilo. Ele parecia bravo, e ela só sorria, sínica.
Estavam rodeados de pessoas, mas ninguém parecia dar a mínima para aquela cena. Como se fosse algo comum e normal. Talvez até confundissem o Felipe com um aluno também, já que ele era tão novo ainda.
A essa altura eu já estava com lágrimas nos olhos.
Arrependida de estar ali.
Não pude ver o resto da cena, porque lágrimas começaram a rolar por meu rosto. Abaixei a cabeça, vi minhas mãos tremerem sobre o colo. Eu não tina condições de dirigi e voltar pra casa. Estava tão nervosa.
Então desci do carro com a minha bolsa.
Sem me dar contar do perigo, atravessei a avenida movimentada, onde o sinal estava verde para o tráfico de carro. O que causou varas buzinadas para mim e chingos dos motoristas, enquanto eu corria, tentando alcançar o outro lado.
Muitas pessoas olhavam pra mim, indignadas com a minha atitude mal pensada. Mas eu não conseguia olhar para nenhuma delas, ainda assustada com tudo. Só quando cheguei ao lado da rua, já na calçada, foi que ergui o olhar e encontrei os olhos do Felipe sobre mim.
— Ei, o que você está fazendo aqui? – ele perguntou, chegando até mim com passos firmes. — Porque você fez aquilo? — e então ele viu as minhas lágrimas. — Bianca, você está bem?
— Não, não estou. Você não percebe? – praticamente berrei, o assustando. — E tudo isso é culpa sua!
Ele me olhou, assustado.
— Bianca...
— Como você pôde? – perguntei, deixando as lágrimas escorrerem com mais velocidade por meu rosto. — Porque você fez isso comigo? Depois de tudo que passamos...
Estavam todos olhando para a gente.
Não conseguir terminar de dizer tudo que estava entalado, porque ele se aproximou para me tocar e eu reagi com um único movimento: um tapa em seu rosto. Pegando-o desprevenido.
Lá atrás, com as amiguinhas em volta, estava à vadia responsável por tudo aquilo, rindo de mim. Rindo de nós.
— Bianca, você ficou doida? O que deu em você, hein? – ele perguntou, com a mão no rosto. Parecia chocado.
Não respondi, apenas virei às costas e saí andando, pronta para pegar o primeiro táxi que passasse pela frente.
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