Plano de Resgate

5 Capitulo 5 - Festa


Passados mais cinco minutos finalmente chegaram à festa. O local era de fácil localização, pessoas iam em direção a casa no fim da rua. Diminuindo a velocidade para não atropelar ninguém, Victoria foi se aproximando, encontrou o jiper de seu namorado e estacionou no lado. Puxou o freio de mão, pegou a bolsa e abriu a porta para sair. Jennifer saiu e percorreu os olhos pelo lugar; pessoas conversando em grupo, casais, gente bebendo à vontade e até um que parecia já estar bêbado, é ela realmente já estava se sentindo desconfortável lá. Era uma grande casa de três andares sendo que no último era um terraço que parecia ser o único lugar desabitado no momento; a varanda da frente estava cheia de pessoas sentadas na grade, algumas sentadas em cima dos outros carros que estavam estacionados, muitos carros de luxo. E a casa também tinha corredores laterais onde as pessoas andavam como se fosse para os fundos da casa.

– Vamos garota. – Disse Victoria fazendo um sinal em direção a casa – Talvez eles estejam lá dentro.

“Eles” provavelmente Bryan trouxe um amigo e Victoria queria apresentá-lo, pensou Jennifer. A casa estava bem enfeitada por dentro, preparativos de festa, o som estava alto, mas parecia que pelo barulho ainda era suportável, talvez por ainda estarem fora da casa.

Assim quando entraram um garoto veio de encontro a elas.

– Bem-vindas a festa do paraíso, onde tudo que você faz você faz com um grande sorriso. Eu sou o Bob. Fiquem à vontade, sou seu humilde anfitrião, bebidas?

– Não obrigada, você viu o Bryan?

– O bombeiro?! Ele está na parte de trás da casa, podem ir lá.

– Eu aceito uma bebida. – Disse Jennifer, estendendo o braço para pegar um copo, enquanto Bob enchia de cerveja.

Victoria se surpreendeu com a atitude dela, ela normalmente não bebe quando se sente desconfortável, mas talvez ela queria agir diferente esta noite.

Victoria seguiu para a varanda, passando por cordões de papel que coloriam a porta dos fundos e olhou ao redor.

– Oi princesa.

Bryan agarrou Victoria pela cintura e a beijou, ela retribuiu o abraço apertado e continuou beijando.

– Por favor, mal cheguei. — Disse Jennifer se enjoando de ver a cena. — Vou dar uma volta.

– Espera Jennifer — disse Bryan. Ela já tinha ido em direção ao outro lado da casa.

– Eu ia apresentar ela para o John, mas to vendo que a festa está sendo interessante para ela. Vic o que houve com seu celular não consigo ligar para você e seu número veio em códigos, só descobri que era você pelo texto da mensagem e depois disso meu celular ficou maluco quando rejeitou seu número. – Bryan estava pegando o celular dele para mostrar para Victoria.

– Isso deve ser culpa do programa que a Jennifer me passou, ele codificou meu número, fora também que ele virou um rastreador tinha que me ver mexendo nele, ele ligou praticamente todos os aparelhos da minha casa quando dei apenas um comando aqui. Ele também descobre os códigos que estão ao redor e pode ligar e bloquear pelo sinal. — Ela entregou o celular dela para Bryan ver o programa.

Bryan examinou o programa e ele já ia apertando o comando de rastreamento e aviso.

– Não, espera não faça isso, você vai ver que é uma doideira isso.

– Onde foi que a Jennifer arranjou um programa como esses.

– Foi o pai dela, Sr. Hank, que tinha no computador e ela apenas copiou o arquivo para o celular dela e depois eu peguei.

– Cuidado com isso, o pai dela trabalha para pessoas estranhas poderosas, não quero você com isso, ele foi à corporação hoje estava falando com o capitão sobre um concerto, mas quando o celular tocou ele se tornou outra pessoa, o nome dele não e um dos mais divulgados, mas todos suspeitam que ele trabalhe para criminosos.

– Besteira, amor, fique tranquilo prometo não me meter com gente perigosa.

– Ok confio, você disse que ele descobre os números dos aparelhos do local certo, deixa eu ver se acho um número aqui.

Ele sentou numa cadeira, Victoria encostou ao seu lado, procurou um número na lista que aparecia com todos os que estavam na área, selecionou um e tocou.

– De quem é? – Falou Victoria.

– Você vai ver. E a faculdade como está?

– Tudo ok, sabe eu estava estudando o efeito de “Apatia do Espectador” você sabe qual é?

– Não faço ideia.

– Se você está numa situação do qual aparece um problema grave o qual todo mundo está vendo sendo que ninguém faz nada para ajudar a sua chance de ajudar diminui muito, pois você vai confiar que os outros que também estão vendo faça.

– Hum isso diz muita coisa, realmente acontece, mas eu acho que eu ajudaria mesmo assim.

– Claro que você iria ajudar, agora que você sabe disso você vai tomar a decisão para não cair nesse efeito.

Nesse momento John chegou até eles.

– Oi Victoria, ei Bryan não terminei nem o primeiro copo de cerveja, mas não consigo saber qual é esse número.

E mostrou o celular com uma chamada perdida no qual onde ficava o lugar dos números possuía códigos e cifras.

– É realmente funciona. – Disse Bryan para Victoria.

– É um novo tipo de piada, não parece ser legal.

Um garoto corpulento se aproximou deles cumprimentando John e Bryan.

– E aí John quero saber se ta tudo tranqüilo com o seu pai, digo ele não vai aparecer por aqui e multar a gente né? Eu demorei semanas para arranjar essa festa com o Bob e os outros, sabe está tudo certo, é difícil fazer uma festa assim, estou ralando muito para vender as ferramentas e conseguir um dinheiro por fora, além do que ganho no armazém.

– Fica tranquilo, ele ta fazendo uma patrulha no outro lado da cidade vai ser difícil ele vir para o lado da praia, e to vendo que está tudo certo, também não quero que a festa acabe.

– Valeu cara obrigado.

– Ei, mas que outro trabalho e esse que esta dando tanto lucro?

– É uma venda de aparelhos transmissores e como se fosse um super roteador, um wi-fi muito potente.

– Você é um contrabandista cibernético.

– É de uma empresa aberta recentemente, tudo legal, claro que a parte do wi-fi não vem no pacote isso e parte minha, mas já posso ter um emprego garantido em empresas grandes.

– Cuidado com isso porque você está dando motivos para ser preso. Temos uma autoridade no local.

John apontou para Bryan que retribuiu com uma continência.

O Garoto agora pareceu nervoso, não que ele não soubesse de Bryan afinal foi ele quem convidou.

– Eu estou ligado, mas...esperem aí eu vou pegar mais umas bebidas já volto.

– Isso é tudo medo do Bryan, acho que estou perdendo a moral. – Disse John com um grande sorriso no rosto.

– Me respeite, sou uma autoridade estou apenas a paisana.

– É e você John apenas um aprendiz de policial — disse Victoria defendendo-o.

– Por favor sem amor de jardim de infância. – John tinha todas as respostas na ponta da língua.

– E aí John como foi seu dia? Tenho uma surpresa para você, mas to vendo que no momento deve esta perto do pessoal da bebida.

– Chega de surpresas hoje uma garota me fez chegar atrasado na academia. E para variar fui chamado a atenção novamente.

– Vic está aqui uma bebida para.... Você? – Jennifer acabara de chegar perto deles com dois copos na mão e olhou para o cara que quase a atropelou mais cedo.

– Ótimo garota até aqui você aparece na minha frente. – Disse John surpreso que quase cuspiu a cerveja com o susto da garota.

Jennifer mudou sua cara, agora algo finalmente tinha feito ela ficar irritada.

– Victoria, acabou meu tempo aqui acho que já vou, não posso mais me acomodar ao ambiente.

E Jennifer foi em direção a saída, Victoria foi atrás dela para tentar se explicar e impedi-la de ir embora.

– Jen, espere eu...

John virou para Bryan e o encarou, um olhar serio de interrogatório.

– Você sabia disso né cara, eu te falei que não queria conhecer ninguém, eu te expliquei não estou com cabeça para isso agora, para um relacionamento.

John sentou-se no lado de Bryan e bebeu um grande gole de sua cerveja. Bryan tentou concertar seu erro.

– Cara me desculpe, mas você tem que sair dessa eu sei pelo que você passou, desde que você perdeu sua mãe você se fechou para o mundo e focou apenas nessa carreira de policial, deixou seus amigos, terminou com sua ultima namorada, eu sei na solidão que você ficou, você aos poucos começou a sair, dessa escuridão foi bom aí pensei que se você tivesse com alguém poderia firma você aqui, desculpa mesmo.

– Tranquilo, pena que ela se foi, ela até que é bonita quando não esta parada como uma louca no meio da rua, e sempre consigo destruir um encontro, por isso vou beber.

Bryan segurou o copo de John e colocou no seu lado.

– Vai com calma, não quero ver você beber assim quando for para policia federal.

– Estou esperançoso cara é daqui a algumas semanas a prova, finalmente vou dar um descanso para meu pai.

– Ele vai ficar orgulhoso de você.

– Obrigado.

Nesse momento Victoria voltava ao encontro deles.

– É convenci a ela me esperar, voltei só para me despedir, já estou indo, ela já até pegou as chaves do carro.

– Onde ela está? – Perguntou John.

– Perto da escada, mas...

John se levantou deixou a cerveja de lado, levantou e saiu decidido a fazer algo.

Bryan e Victoria se olharam sem entender o que estaria acontecendo.

– Será que eu devo ir... – Perguntou Victoria.

– Não se preocupe John sabe o que esta fazendo vamos dar um tempo para os dois, e aproveitar ter mais um tempo para gente. — E Bryan abraçou Victoria.

*******

John foi se embrenhando entre as pessoas da festa tentando alcançar Jennifer. Sem querer acabou derrubando um copo da mão de um cara alto que estava conversando com seus colegas.

– Foi mal cara, pega lá outra cerveja. – Disse John.

– Ei espera aí cara. – O cara segurou o braço de John.

– Calma aí. Já volto – John tirou o braço do cara e continuou andando atrás da Jennifer, alcançou-a quando ela estava descendo as escadas da varanda para a rua, ele passou a frente dela e a segurou de leve pelo braço.

– Espera vamos conversar sei que a gente pode chegar a algum lugar.

Jennifer puxou o braço.

– Onde é que você quer chegar? Já não basta quase ter me atropelado.

– Qual é veja pelo outro lado eu poderia ter conseguido.

Jennifer fechou a cara e continuou a andar. John continuou na frente dela estendendo as mãos impedindo a ida dela.

– Ok, mas um erro meu, sabe estou cometendo muitos hoje, mas me der uma chance de eu concertar algo hoje, vamos conversar um minuto contado.

Jennifer ficou pensativa

– 59 e adiante.

– Pelo menos nós podemos sentar.

E foram em direção a um banco livre da varanda, mesmo com muita gente passando eles ainda podiam se ouvir melhor do que estar lá dentro onde o barulho é maior.

– Vamos nos apresentar, John Gale.

– Jennifer Hank.

– Seu nome não é estranho já ouvi em algum lugar, pelo menos o sobrenome.

– Deve ter sido meu pai, ele é famoso por ser estranho...

Nesse momento o tom de Jennifer mudou, ela não queria lembrar do pai, era a razão de ter ido à festa.

– Problema com o pai é, também tenho problemas com o meu, um ponto em comum começamos bem.

Jennifer deu uma pequena risada. Sua raiva dele parecia ter acabado agora sentia vontade de continuar a falar com ele.

– E essa festa pensei que daria para curtir, mas vejo que não me encaixo bem na turma. – Disse Jennifer.

– É só relaxar eu também pensava assim, mas veja é só beber um pouco que eu começo a esquecer.

– Você é o tipo do cara que começa a se sentir o tal com facilidade né.

– Na verdade não, eu apenas quero que a pessoa veja logo como eu sou para depois não se decepcionar.

– Isso é uma tentativa de me agradar?

– Pode dar certo, mas eu quero apenas poder chegar amanhã e me encontrar com você novamente, mesmo que só sejamos amigos hoje.

– Quem sabe? Posso não querer falar com você.

Nesse momento John olhou nos olhos dela com uma expressão seria.

– Então eu vou ter que arranjar um jeito de te encontrar pela rua de novo.

– Vamos entrar então depois a gente ver isso. – Disse Jennifer

John se levantou esticou a mão para ela pegar, ajudando-a a se levantar.

– Sabe você é bem...

O celular de Jennifer tocou, ela pegou para atender, mas era como se fosse um alarme, na tela aparecia um código de segurança Jennifer não sabia como mexer apenas desligou o telefone ficando sem jeito.

– Algum problema? – Perguntou John.

– Não, é que meu celular ficou maluco esses dias e toca sozinho, mas na verdade eu preciso ir hoje eu vou dormir na casa da minha tia e não quero perturbá-la chegando tarde.

– Se quiser eu te levo.

– Não na verdade não precisa, eu acho que a Victoria vai voltar com o Bryan então eu vou usar o carro dela, mas foi bom te conhecer.

E ela foi andando até onde Victoria tinha estacionado o carro, desarmou o alarme, John abriu a porta para ela.

– Uau uma Mercedes

– É da Victoria. Vou pegar emprestado.

– Vamos marcar outro dia para nos encontrarmos.

– É pode ser.

John foi andando de costas para dar espaço para ela manobrar.

– Cuidado, senão eu dou o troco. – Disse Jennifer rindo, ligando o carro e acelerando.

John pulou para o lado como se realmente ela fosse atropelá-lo. Ela saiu pela rua e depois o carro se perdeu quando dobrou a esquina e John que estava observando até aonde poderia alcançar, voltou para dentro da festa.