Notas iniciais
Oi. Perdão, meu caro leitor, se os primeiros capítulos estão curto, o começo é assim mesmo, mas do 4º capitulo a diante serão longos.

Aquela noite parecia calma, tudo ia dar certo.

Meu pai estava certo sobre o meu uso excessivo da imaginação, eu vivia quase que o tempo todo no mundo dos sonhos. Cá entre nós, mas nascer com um dom de imaginar e sonhar em um mundo em que NINGUÉM mais tem isso é pouco trágico, ou muito. Por esse meu “dom” ou anomalia, como queira chamar, ao longo da minha vida não tive amigos, quando criança eu brincava e falava sozinha, me imaginava em uma aventura emocionante enquanto as outras crianças ficavam apenas no balanço quietas ou se jogando na areia suja sem um pingo de imaginação. Cresci e continuei “bizarra”, até mesmo na faculdade e depois dela também.

Mas essa noite, estou confiante que serei alguém normal e não falarei nada que precise usar a imaginação para entender.

Com os meus 23 zaz* mal vividos, estou indo para a minha primeira festa com o meu primeiro paquera, às vezes me envergonho ao pensar nisso.

Cabelos domados e penteados, sapatos limpos, vestido azul claro e dignidade intacta, sorriso estampado na cara, tudo certo.

–Olha quem chegou! –Bartoon gritou arreganhando seus braços para me abraçar.

Sorri e o abracei.

Bartoon é o meu paquera, um rapaz legal, gentil, capitão do exercito Balls, já esteve no espaço, viveu muita coisa, é o tipo de cara que meus pais gostariam que eu me juntasse.

–Tudo certo, Lees? –ele me perguntou animado.

Fiz que sim com a cabeça e ele, sorriu.

–Sempre com vergonha, Lees! –ele falou rindo a me ver corando.

A festa estava ótima, Bartoon me apresentou aos seus amigos e muitos deles já me conheciam por culpa das minhas “bizarrices”. Fiquei abismada da quantidade de bebidas diversificadas que haviam naquele lugar, fiquei imaginando como eram feitas, lá estava eu cometendo um enorme erro: imaginar.

Bartoon era um rapaz alto, forte e nem tão inteligente mas sua companhia era agradável, tínhamos nos conhecido na rua enquanto eu lia um livro andando sem olhar para onde estava indo até que nossos ombros se encontraram e eu fui de cara para o chão, e ele com sua rapidez me segurou, sorrimos e desde então saímos juntos. Já fazia um mês que saiamos mas nossas bocas nunca chegaram perto.

–Lees, vamos para um lugar mais... Reservado? –ele disse me deixando em duvida se era uma pergunta ou afirmação, mas em seguida ele tirou a minha duvida ao puxar fortemente meu braço.

Fomos para o seu carro, ele deu ré e acelerou.

Estávamos em um morro, eu, ele e o céu negro, sorriamos.

–Eu acreditava que a visão do espaço era a mais linda, mas te olhar é muito melhor. –ele falou chegando perto.

Sorri.

Era agora. Estávamos cada vez mais perto, finalmente eu iria ter uma ligação com alguém, era esse o momento, eu não iria ficar mais sozinha, até que...

Notas finais
*Zaz: é a contagem de tempo dos habitantes do planeta Ball, um zaz é equivalente a uma década.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.